16 de Setembro de 2019

24ª Semana Comum Segunda-feira

- por Padre Alexandre Fernandes

SEGUNDA FEIRA – SANTOS CORNÉLIO E CIPRIANO – PAPA E BISPO MARTIRES

(Branco, pref. comum ou dos pastores – ofício da memória)

 

Antífona da entrada

 

– Alegram-se nos céus os santos que na terra seguiram a Cristo. Por seu amor derramaram o próprio sangue; exultarão com ele eternamente.

 

Oração do dia

 

– Ó Deus, que em são Cornélio e são Cipriano destes ao vosso povo pastores dedicados e mártires invencíveis, fortificai, por suas preces, nossa fé e coragem, para que possamos trabalhar incansavelmente pela unidade da Igreja. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

1ª Leitura: 1 Tm 2,1-8

– Leitura da primeira carta de são Paulo a Timóteo: Caríssimo, 1antes de tudo, recomendo que se façam preces e orações, súplicas e ações de graças, por todos os homens; 2pelos que governam e por todos que ocupam altos cargos, a fim de que possamos levar uma vida tranquila e serena, com toda a piedade e dignidade. 3Isto é bom e agradável a Deus, nosso Salvador; 4ele quer que todos os homens sejam salvos e cheguem ao conhecimento da verdade. 5Pois há um só Deus, e um só mediador entre Deus e os homens: o homem Cristo Jesus, 6que se entregou em resgate por todos. Este é o testemunho dado no tempo estabelecido por Deus, 7e para este testemunho eu fui designado pregador e apóstolo e – falo a verdade, não minto –, mestre das nações pagãs na fé e na verdade. 8Quero, portanto, que em todo o lugar os homens façam a oração, erguendo mãos santas, sem ira e sem discussões.

 

– Palavra do Senhor.

– Graças a Deus.

 

Salmo Responsorial: Sl 28,2.7.8-9 (R: 6)

 

– Bendito seja o Senhor, porque ouviu o clamor da minha súplica!

R: Bendito seja o Senhor, porque ouviu o clamor da minha súplica!

 

– Escutai o meu clamor, a minha súplica, quando eu grito para vós; quando eu elevo, ó ‘Senhor, as minhas mãos para o vosso santuário.

R: Bendito seja o Senhor, porque ouviu o clamor da minha súplica!

 

– Minha força e escudo é o Senhor, meu coração nele confia. Ele ajudou-me e alegrou meu coração; eu canto em festa o seu louvor.

R: Bendito seja o Senhor, porque ouviu o clamor da minha súplica!

 

– O Senhor é a fortaleza do seu povo e a salvação do seu Ungido. Salvai o vosso povo e libertai-o; abençoai a vossa herança! Sede vós o seu pastor e o seu guia pelos séculos eternos!

R: Bendito seja o Senhor, porque ouviu o clamor da minha súplica!

Aclamação ao santo Evangelho

 

Aleluia, aleluia, aleluia.

Aleluia, aleluia, aleluia.

 

– Deus o mundo tanto amou, que lhe deu seu próprio Filho, para que todo o que nele crer encontre vida eterna (Jo 3,16).

 

Aleluia, aleluia, aleluia.

 

Evangelho de Jesus Cristo, segundo Lucas: Lc 7,1-10

 

– O Senhor esteja convosco.

– Ele está no meio de nós.

– Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo † segundo Lucas

– Glória a vós, Senhor!   

 

– Naquele tempo, 1quando acabou de falar ao povo que o escutava, Jesus entrou em Cafarnaum. 2Havia lá um oficial romano que tinha um empregado a quem estimava muito, e que estava doente, à beira da morte. 3O oficial ouviu falar de Jesus e enviou alguns anciãos dos judeus, para pedirem que Jesus viesse salvar seu empregado. 4Chegando onde Jesus estava, pediram-lhe com insistência: “O oficial merece que lhe faças este favor, 5porque ele estima o nosso povo. Ele até nos construiu uma sinagoga”. 6Então Jesus pôs-se a caminho com eles. Porém, quando já estava perto da casa, o oficial mandou alguns amigos dizerem a Jesus: “Senhor, não te incomodes, pois não sou digno de que entres em minha casa. 7Nem mesmo me achei digno de ir pessoalmente a teu encontro. Mas ordena com a tua palavra, e o meu empregado ficará curado. 8Eu também estou debaixo de autoridade, mas tenho soldados que obedecem às minhas ordens. Se ordeno a um: ‘Vai!’, ele vai; e a outro: ‘Vem!’, ele vem; e ao meu empregado ‘Faze isto!’, e ele o faz”. 9Ouvindo isso, Jesus ficou admirado. Virou-se para a multidão que o seguia, e disse: “Eu vos declaro que nem mesmo em Israel encontrei tamanha fé”. 10Os mensageiros voltaram para a casa do oficial e encontraram o empregado em perfeita saúde.

 

– Palavra da salvação.

– Glória a vós, Senhor!   

 

Santos Cornélio e Cipriano

- por Padre Alexandre Fernandes

Santos Cornélio e Cipriano são exemplo de amizade e santidade, testemunhas de Cristo

Unidos pela fé e sangue, encontramos como exemplo de amizade e santidade estas testemunhas de Cristo, que foram martirizados no mesmo dia, porém, com diferença de cinco anos.

São Cornélio

Cornélio tinha sido eleito Papa em 251, após um grande período de ausência do pastor por causa da terrível perseguição de Décio. Sua eleição foi contestada por Novaciano, que acusava o Papa de ser muito indulgente para com os que haviam renegado a fé (lapsos) e separaram-se da Igreja.

Por causa dos êxitos obtidos com sua pregação, foi processado e exilado para o lugar hoje chamado Civitavecchici, onde Cornélio morreu. Foi sepultado nas catacumbas de Calisto.

São Cipriano

Uma das grandes figuras do século III, Cipriano, de família rica de Cartago, capital romana na África do Norte. Quando pagão era um ótimo advogado e mestre de retórica, até que provocado pela constância e serenidade dos mártires cristãos, converteu-se entre 35 e 40 anos de idade.

Por causa de sua radical conversão muitos ficaram espantados já que era bem popular. Com pouco tempo foi ordenado sacerdote e depois sagrado Bispo num período difícil da Igreja africana.

Duas perseguições contra os cristãos ocorreram: a de Décio e Valeriano. Estas perseguições marcaram o começo e o fim de seu episcopado, além de uma terrível peste que assolou o norte da África, semeando mortes. Problemas doutrinários, por outro lado, agitavam a Igreja daquela região.

Diante da perseguição do imperador Décio em 249, Cipriano escolheu esconder-se para continuar prestando serviços à Igreja. No ano 258, o santo Bispo foi denunciado, preso e processado. Existem as atas do seu processo de martírio que relatam suas últimas palavras do saber da sua sentença à morte: “Graças a Deus!”

Santos Cornélio e Cipriano, rogai por nós!

FONTE: Canção Nova

Meditação

- por Padre Alexandre Fernandes

Eu não sou digno… (Lc 7,1-10)

 

            Se existe uma virtude cristã absolutamente fora de moda, é a virtude da humildade. O centurião romano deste Evangelho encarna com perfeição – ainda que fosse ele um pagão – a atitude de quem reconhece sua pequenez. Com a doença do servo de estimação, ele não se atreve a dirigir-se pessoalmente a Jesus, já famoso por suas curas, mas apela à mediação dos anciãos dos judeus junto ao Mestre.

 

            No polo oposto à humildade, o orgulhoso costuma apresentar suas qualidades, sua folha de realizações, seu curriculum vitae para justificar a atenção que ele julga merecer. O orgulhoso se caracteriza pela insistência em reivindicar direitos, cobrar regalias, receber tratamento prioritário. E se não consegue o que queria, reage com a indignação de uma nobreza calcada aos pés. Deve ser por isso que iniciamos a missa com um ato penitencial…

 

            No caso do centurião romano, o simples de fato de não se dirigir diretamente a Jesus já atesta a sua humildade. São Luís Maria Grignion de Montfort considera como falta de humildade negligenciar os mediadores que Deus nos deu devido à nossa fraqueza. E diz que intimidade com Nosso Senhor na oração nos seria muito facilitada por uma verdadeira e profunda devoção a Mãe de Deus, tão desconsiderada por certos grupos cristãos.

 

            Naturalmente, o centurião via um abismo entre sua vida de soldado, num país militarmente dominado, e a santidade de Jesus. A percepção desse desnível é típica da pessoa humilde. Santa Teresa de Ávila diz que “uma profunda humildade é geralmente o fruto da contemplação infusa da infinita grandeza de Deus e da nossa miséria”.

 

            Garrigou-Lagrange comenta: “A humildade, ao diminuir-nos diante de Deus, nos eleva acima da pusilanimidade e do orgulho, e nos dispõe à contemplação das coisas divinas, à união com Deus. Humilibus Deus dat gratiam (Tg 4, 6). É aos humildes que Deus concede a sua graça, e ele os torna humildes para agraciá-los. Jesus gostava de dizer: “Aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração” (Mt 11,29). Somente ele, tão firmemente estabelecido na verdade, podia falar de sua humildade sem a perder”.

 

            E se a humildade se junta à fé, forma uma dupla invencível. Também aqui o centurião chama a atenção do próprio Mestre, quando o militar deixa claro que a presença física de Jesus seria dispensável para a cura de seu servo, mas bastaria uma palavra à distância, assim como ele, um chefe, conseguia resultados com uma simples ordem.

 

            E Jesus a concluir com admiração: “Eu vos digo que nem mesmo em Israel encontrei uma fé tão grande”.

 

Orai sem cessar: “O Senhor ampara os humildes!” (Sl 147,6)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

18ª Semana do Tempo Comum