17 de Janeiro de 2022

Segunda semana do tempo Comum- Segunda-feira

- por Pe. Alexandre

SEGUNDA FEIRA – SANTO ANTÃO – PAI DA VIDA MONACAL

(branco, pref. comum ou dos santos – ofício da memória)

 

Antífona da entrada

 

– O justo florescerá como a palmeira; crescerá como o cedro do Líbano, plantado na casa do Senhor, nos átrios de nosso Deus (Sl 91,13).

 

Oração do dia

 

– Ó Deus, que chamastes ao deserto santo Antão, pai dos monges, para vos servir por uma vida heroica, dai-nos, por suas preces, a graça de renunciar a nós mesmos e amar-vos acima de tudo. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

1ª Leitura: 1Sm 15,16-23

 

– Leitura do primeiro livro de Samuel: Naqueles dias, 16Samuel disse a Saul: “Basta! Deixa-me dizer-te o que o Senhor me revelou esta noite”. Saul disse: “Fala!” 17Então Samuel começou: “Por menor que sejas aos teus próprios olhos, acaso não és o chefe das tribos de Israel? O Senhor ungiu-te rei sobre Israel 18e te enviou em expedição, com a ordem de eliminar os amalecitas, esses malfeitores, combatendo até que fossem exterminados. 19Por que não ouviste a voz do Senhor, e te precipitaste sobre os despojos e fizeste o que desagrada ao Senhor?” 20Saul respondeu a Samuel: “Mas eu obedeci ao Senhor! Rea­lizei a expedição a que ele me enviou. Trouxe Agag, rei de Amalec, para cá, e exterminei os amalecitas. 21Quanto aos despojos, o povo reteve, das ovelhas e dos bois, o melhor do que devia ser eliminado para sacrificar ao Senhor teu Deus em Guilgal”. 22Mas Samuel replicou: “O Senhor quer holocaustos e sacrifícios, ou quer a obediência à sua palavra? A obediência vale mais que o sacrifício, a docilidade mais que oferecer gordura de carneiros. 23A rebelião é um verdadeiro pecado de magia, um crime de idolatria, uma obstinação. Assim, porque rejeitaste a palavra do Senhor, ele te rejeitou: tu não és mais rei”.

 

– Palavra do Senhor.

– Graças a Deus.

 

Salmo Responsorial: Sl 50, 8-9.16bc-17.21.23 (R:23b)

 

– A todo homem que procede retamente, eu mostrarei a salvação que vem de Deus.
R: A todo homem que procede retamente, eu mostrarei a salvação que vem de Deus.

– Eu não venho censurar teus sacrifícios, pois sempre estão perante mim teus holocaustos; não preciso dos novilhos de tua casa nem dos carneiros que estão nos teus rebanhos.

R: A todo homem que procede retamente, eu mostrarei a salvação que vem de Deus.

– Como ousas repetir os meus preceitos e trazer minha Aliança em tua boca? Tu que odiaste minhas leis e meus conselhos e deste as costas às palavras dos meus lábios!

R: A todo homem que procede retamente, eu mostrarei a salvação que vem de Deus.

– Diante disso que fizeste, eu calarei? Acaso pensas que eu sou igual a ti? É disso que te acuso e repreendo e manifesto essas coisas aos teus olhos.

R: A todo homem que procede retamente, eu mostrarei a salvação que vem de Deus.

– Quem me oferece um sacrifício de louvor, este sim é o que me honra de verdade. A todo homem que procede retamente, eu mostrarei a salvação que vem de Deus”.

R: A todo homem que procede retamente, eu mostrarei a salvação que vem de Deus.

Aclamação ao santo Evangelho

 

Aleluia, aleluia, aleluia.

Aleluia, aleluia, aleluia.

 

– A palavra do Senhor é viva e eficaz: ela julga os pensamentos e as intenções do coração (Hb 4,12).

 

Aleluia, aleluia, aleluia.

 

Evangelho de Jesus Cristo, segundo Marcos: Mc 2, 18-22

 

– O Senhor esteja convosco.

– Ele está no meio de nós.

– Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo † segundo Marcos.

– Glória a vós, Senhor!  


Naquele tempo, 18os discípulos de João Batista e os fariseus estavam jejuando. Então, vieram dizer a Jesus: “Por que os discípulos de João e os discípulos dos fariseus jejuam, e os teus discípulos não jejuam?” 19Jesus respondeu: “Os convidados de um casamento poderiam, por acaso, fazer jejum, enquanto o noivo está com eles? Enquanto o noivo está com eles, os convidados não podem jejuar. 20Mas vai chegar o tempo em que o noivo será tirado do meio deles; aí, então, eles vão jejuar. 21Ninguém põe um remendo de pano novo numa roupa velha; porque o remendo novo repuxa o pano velho e o rasgão fica maior ainda. 22Ninguém põe vinho novo em odres velhos; porque o vinho novo arrebenta os odres velhos e o vinho e os odres se perdem. Por isso, vinho novo em odres novos”.

 

– Palavra da salvação.

– Glória a vós, Senhor!  

 

Santo Antão

- por Pe. Alexandre

Pai do monaquismo cristão, Santo Antão nasceu no Egito em 251 e faleceu em 356; viveu mais de cem anos, mas a qualidade é maior do que a quantidade de tempo de sua vida, pois viveu com uma qualidade de vida santa que só Cristo podia lhe dar. Com apenas 20 anos, Santo Antão havia perdido os pais; ficou órfão com muitos bens materiais, mas o maior bem que os pais lhe deixaram foi uma educação cristã. Ao entrar numa Igreja, ele ouviu a proclamação da Palavra e se colocou no lugar daquele jovem rico, o qual Cristo chamava para deixar tudo e segui-Lo na radicalidade. Antão vendeu parte de seus bens, garantiu a formação de sua irmã, a qual entrou para uma vida religiosa.

Enfim, Santo Antão foi passo a passo buscando a vontade do Senhor. Antão deparou-se com outra palavra de Deus em sua vida: “Não vou preocupeis, pois, com o dia de amanhã. O dia de amanhã terá as suas preocupações próprias. A cada dia basta o seu cuidado”(Mt 6,34). O Espírito Santo o iluminou e ele abandonou todas as coisas para viver como eremita. Sabendo que na região existiam homens dedicados à leitura, meditação e oração, ele foi aprender. Aprendeu a ler e, principalmente a orar e contemplar. Assim, foi crescendo na santidade e na fama também.

Sentiu-se chamado a viver num local muito abandonado, num cemitério, onde as pessoas diziam que almas andavam por lá. Por isso, era inabitável. Ele não vivia de crendices; nenhum santo viveu. Então, foi viver neste local. Na verdade, eram serpentes que estavam por lá e , por isso, ninguém se aproximava. A imaginação humana vê coisas onde não há. Santo Antão construiu muros naquele lugar e viveu ali dentro, na penitência e na meditação. As pessoas eram canais da providência, pois elas lhe mandavam comida, o pão por cima dos muros; e ele as aconselhava. Até que, com tanta gente querendo viver como Santo Antão, naquele lugar surgiram os monges. Ele foi construindo lugares e aqueles que queriam viver a santidade, seguindo seus passos, foram viver perto dele. O número de monges foi crescendo, mas o interessante é que quando iam se aconselhar com ele, chegavam naquele lugar vários monges e perguntavam: “Onde está Antão?”. E lhes respondiam: “Ande por aí e veja a pessoa mais alegre, mais sorridente, mais espontânea; esse é Antão”.

Ele foi crescendo em idade, em sabedoria, graça e sensibilidade com as situações que afetavam o Cristianismo. Teve grande influência junto a Santo Atanásio no combate ao arianismo. Ele percebeu o arianismo também entre os monges, que não acreditavam na divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo. Antão também foi a Alexandria combater essa heresia. Santo Antão viveu na alegria, na misericórdia, na verdade. Tornou-se abade, pai, exemplo para toda a vida religiosa. Exemplo de castidade, de obediência e pobreza.

Santo Antão, rogai por nós!

Meditação

- por Pe. Alexandre

O Esposo lhes será tirado… (Mc 2,18-22)

 

Na Primeira Aliança, Israel, povo de Deus, é apresentado sob a figura da esposa. O Senhor Javé é o esposo fiel e sempre pronto a perdoar as infidelidades de seu povo. Esta é uma imagem forte, que acena para um profundo anseio de intimidade entre o Deus transcendente, inacessível, e a humanidade condensada em Israel. Nele, todos os povos participarão das núpcias definitivas.

No livro de Oséias, essa relação é agudizada: a esposa é uma ex-prostituta que, depois conquistada pelo profeta, volta à prostituição. Imagem do povo amado por Deus. “Ama de novo à mulher que foi amada de meu amigo, e que assim adultera, pois é assim que o Senhor ama os filhos de Israel!” (Os 3,1)

No incomparável “Cântico dos Cânticos”, o livro sagrado mostra o diálogo entre o Amado e a Amada. Todos os sentidos humanos são ali explorados – o rubro das maçãs e a alvura do lírio, o aroma do incenso e da canela, o sabor das uvas e das tâmaras, a vertigem das sandálias na dança – tudo para ilustrar “a paixão violenta como o Xeol”, isto é, o amor indizível do Esposo para com seu povo.

Na plenitude dos tempos, nascido de Mulher e humanado, vem o próprio Filho de Deus para nos ensinar a amar o amor definitivo, selando em sangue a Nova e Eterna Aliança. Às margens do Rio Jordão, João Batista corre a nos alertar: É Ele o esposo! Não podemos deixar que se afaste na escuridão da noite!

E querem esses loucos fariseus que nós façamos jejum?! Ora, é tempo de festa! É hora de esticar as cordas de nossa tenda! (Is 54,2) A vinha em flor exala o seu perfume (Ct 2,13). As talhas de vinho estão transbordando em Caná! (Jo 2) A colheita foi farta e os celeiros estão estufados de trigo! Um Deus se esconde em nossa casa! (Is 45,15)

 

Pois a Primavera passou. Os tamborins se calaram. A alcova foi devassada. O Noivo preso e condenado. Cravado na Cruz. Podem ouvir o seu lamento? Quem irá chorar por Ele? Quem levará aromas para seu sepulcro? Quem cobrirá de rosas o seu túmulo?

Até que Ele volte à vida, jejuaremos na noite, enquanto as lágrimas tornam férteis nossos campos e nossa terra… Porque nenhum consolo encontra a Filha de Sião…

 

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