17 de Setembro de 2019

24ª Semana Comum Terça-feira

- por Padre Alexandre Fernandes

TERÇA FEIRA – XXIV SEMANA DO TEMPO COMUM

(Verde, glória, creio – IV semana do saltério)

 

Antífona da entrada

 

– Ouvi, Senhor, as preces de vosso servo e do vosso povo eleito: dai a paz àqueles que esperam em vós, para que vossos profetas sejam verdadeiros

(Eclo 36,18).

 

Oração do dia

 

– Ó Deus, criador de todas as coisas, volvei para nós o vosso olhar e, para sentirmos em nós a ação do vosso amor, fazei que vos sirvamos de todo o coração. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

 

1ª Leitura: 1Tm 3,1-13

 

– Leitura da primeira carta de são Paulo a Timóteo: Caríssimo, 1eis uma palavra verdadeira: quem aspira ao episcopado, saiba que está desejando uma função sublime. 2Porque o bispo tem o dever de ser irrepreensível, marido de uma só mulher, sóbrio, prudente, modesto, hospitaleiro, capaz de ensinar. 3Não deve ser dado a bebidas nem violento, mas condescendente, pacífico, desinteressado. 4Deve saber governar bem sua casa, educar os filhos na obediência e castidade. 5Pois, quem não sabe governar a própria casa, como governará a Igreja de Deus? 6Não pode ser um recém-convertido para não acontecer que, ofuscado pela vaidade, venha a cair na mesma condenação que o demônio. 7Importa também que goze de boa consideração da parte dos de fora para que não se exponha à infâmia e caia nas armadilhas do diabo. 8Do mesmo modo os diáconos devem ser pessoas de respeito, homens de palavra, não inclinados à bebida, nem a lucro vergonhoso. 9Possuam o mistério da fé junto com uma consciência limpa. 10Antes de receber o cargo sejam examinados; se forem considerados dignos, poderão exercer o ministério. 11Também as mulheres devem ser honradas sem difamação mas sóbrias e fiéis em tudo. 12Os diáconos sejam maridos de uma só mulher, e saibam dirigir bem os seus filhos e a sua própria casa. 13Pois os que exercem bem o ministério, recebem uma posição de estima e muita liberdade para falar da fé em Cristo Jesus.

 

– Palavra do Senhor.

– Graças a Deus.

 

Salmo Responsorial: Sl 101,1-2ab.2cd-3ab.5.6 (R: 2c)

 

– Viverei na pureza do meu coração!
R: Viverei na pureza do meu coração!

– Eu quero cantar o amor e a justiça, cantar os meus hinos a vós, ó Senhor! Desejo trilhar o caminho do bem, mas quando vireis até mim, ó Senhor?

R: Viverei na pureza do meu coração!

– Viverei na pureza do meu coração, no meio de toda a minha família. Diante dos olhos eu nunca terei qualquer coisa má, injustiça ou pecado.

R: Viverei na pureza do meu coração!

– Farei que se cale diante de mim quem é falso e às ocultas difama seu próximo; o coração orgulhoso, o olhar arrogante não vou suportar e não quero nem ver.

R: Viverei na pureza do meu coração!

– Aos fiéis desta terra eu volto meus olhos; que eles estejam bem perto de mim! Aquele que vive fazendo o bem será meu ministro, será meu amigo.

R: Viverei na pureza do meu coração!

Aclamação ao santo Evangelho

 

Aleluia, aleluia, aleluia.

Aleluia, aleluia, aleluia.

 

– Um grande profeta surgiu entre nós, e Deus visitou o seu povo (Lc 7,16).

 

Aleluia, aleluia, aleluia.

 

Evangelho de Jesus Cristo, segundo Lucas: Lc 7,11-17

 

– O Senhor esteja convosco.

– Ele está no meio de nós.

– Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo † segundo Lucas

– Glória a vós, Senhor!   

 

– Naquele tempo, 11Jesus dirigiu-se a uma cidade chamada Naim. Com ele iam seus discípulos e uma grande multidão. 12Quando chegou à porta da cidade, eis que levavam um defunto, filho único; e sua mãe era viúva. Grande multidão da cidade a acompanhava. 13Ao vê-la, o Senhor sentiu compaixão para com ela e lhe disse: “Não chores!  14Aproximou-se, tocou o caixão, e os que o carregavam pararam. Então, Jesus disse: “Jovem, eu te ordeno, levanta-te!” 15O que estava morto sentou-se e começou a falar. E Jesus o entregou à sua mãe. 16Todos ficaram com muito medo e glorificavam a Deus, dizendo: “Um grande profeta apareceu entre nós e Deus veio visitar o seu povo”. 17E a notícia do fato espalhou-se pela Judeia inteira e por toda a redondeza.

 

– Palavra da salvação.

– Glória a vós, Senhor!   

 

São Roberto Belarmino

- por Padre Alexandre Fernandes

São Roberto ajudou na formação apologética dos teólogos e pregadores responsáveis na defesa da fé

Celebramos o grande santo jesuíta, Belarmino, que nasceu em Montepulciano, no centro da Itália, em 1542. Querido pelos pais e de muitas qualidades, era irmão de cinco religiosos, dentre os doze, que enriqueciam a família dos dedicados pais.

Quando os padres da Companhia de Jesus abriram um colégio em Montepulciano, Roberto foi um dos primeiros alunos na matrícula e no desempenho. O contato com os padres fez com que o jovem mudasse sua primeira ideia de ser médico, para inclinar-se em favor da vida religiosa jesuíta.

Depois de conseguir a permissão do pai, que ao contrário da mãe, apresentava uma certa resistência frente a opção do amável filho, Belarmino com 18 anos, iniciou e concluiu de maneira brilhante sua formação religiosa e seus estudos de filosofia e teologia, tanto que antes de ser ordenado sacerdote foi enviado como professor e pregador em Lovaina, na Bélgica, onde ficou dez anos.

Teve importante papel na aplicação do Concílio de Trento, já que ajudou na formação apologética dos teólogos e pregadores responsáveis na defesa da fé. Neste sentido Roberto, muito contribuiu ao escrever sua obra de nome “Controvérsia” e o livro chamado “Catecismo”. Em sua obra “Controvérsias”, Belarmino explana os seus três grandes amores. Trata da Palavra de Deus, de Cristo cabeça da Igreja e do Sumo Pontífice.

Era também diretor espiritual do Colégio Romano, tendo sob sua responsabilidade a formação ascética dos alunos que muito o respeitavam e admiravam. O Papa Clemente VIII o elevou a cardeal com esta motivação:

“Nós o escolhemos porque não há na Igreja de Deus outro que possa equiparar-se ele em ciência e sabedoria”.

Quando ficou muito doente em setembro de 1621, os confrades foram testemunhas do último diálogo dele com Deus: “Ó meu Deus, dai à minha alma, asas de pomba, para que possa voar para junto de vós”. Morreu no dia 17 do mesmo mês, e pelos seus escritos recebeu o título de Doutor da Igreja.

São Roberto Belarmino, rogai por nós!

FONTE: Canção Nova

Meditação

- por Padre Alexandre Fernandes

E o entregou à sua mãe… (Lc 7,11-17)

 

            Nada mais pungente que a cena deste Evangelho: a mãe que acompanha o filho morto ao lugar de seu último descanso. E era um filho único…

 

            O filho já está morto. Dir-se-ia que já não há mais nada a fazer por ele. Mas a mãe discorda. Ela ainda pode cuidar para que ele tenha um enterro digno, em um túmulo decente. Afinal, os humanos são o único animal que enterra seus mortos, o que acena para alguma crença na vida após a morte.

 

            Jesus entrava na cidade quando o cortejo fúnebre saía. E ali se encontram – nesse limiar entre o lugar dos vivos e o lugar dos mortos – aquele que traz o sopro da vida e um defunto que já deu o último suspiro. A visão da mãe, a percepção de sua desolação, mexem com as entranhas de misericórdia do Filho de Deus. Ele detém o cortejo e toca o caixão. Diz uma frase curta: – “Jovem, eu te digo: levanta-te!” E este se ergue e começa a falar.

 

            A frase de Jesus inclui um EU e um TU. Ela faz contato entre os dois polos. E o verbo empregado – levanta-te (em grego, egerthéti) – é um dos verbos utilizados no Novo Testamento para a ressurreição do próprio Jesus. Com o jovem reanimado, Jesus o entrega de volta à sua mãe,

 

            Para o monge André Louf, a mulher deste Evangelho representa a Igreja que, como mãe, apresenta seus filhos fracos, enfermos e mortos ao Cristo. E como Cristo ama a Igreja, entregou-se por ela a fim de santificá-la (cf. Ef 5,25-26), ele não deixa de ter piedade dela.

 

            E diz mais: “Esta Igreja mãe é acima de tudo a comunidade eclesial à qual pertencemos. O amor de nossos irmãos nos envolve, nos cerca e suporta nossas fraquezas como também nós, por nossa vez, procuramos suportar as deles. Através de todas as nossas relações de irmãos, é o amor maternal da Igreja que se manifesta para cada um de nós: ‘Carregai os fardos uns dos outros e assim realizai a lei de Cristo’”. (Lc 16,6)

 

            O exemplo da viúva de Naim nos ensina a participar do sofrimento e somar nossas lágrimas ao pranto dos outros. Na Igreja – diz A. Louf – precisamos ser ao mesmo tempo mãe e filho, partilhar material e fraternalmente todo sofrimento e toda morte. É a maneira de ir ao encontro de Jesus, na certeza de que ele será novamente vencedor e ressuscitará os nossos mortos.

 

            O irmão que erra, que se desvia, que é execrado pela opinião pública, deve ser lembrado ainda como um de nossos mortos. Um daqueles que Cristo quer reanimar e devolver à vida.

 

Orai sem cessar: “Senhor, tu me darás a vida novamente!” (Sl 71,20)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

14º Domingo do Tempo Comum