17 de Setembro de 2020

24a semana comum Quinta-feira

- por Pe. Alexandre

QUINTA FEIRA – XXIV SEMANA DO TEMPO COMUM
(verde, glória, creio – IV semana do saltério)

 

Antífona da entrada

– Ouvi, Senhor, as preces de vosso servo e do vosso povo eleito: dai a paz àqueles que esperam em vós, para que vossos profetas sejam verdadeiros

(Eclo 36,18).

 

Oração do dia

 

– Ó Deus, criador de todas as coisas, volvei para nós o vosso olhar e, para sentirmos em nós a ação do vosso amor, fazei que vos sirvamos de todo o coração. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

1ª Leitura: 1Cor 15,1-11

– Leitura da primeira carta de são Paulo aos Coríntios: 1Irmãos, quero lembrar-vos do evangelho que vos preguei e que recebestes, e no qual estais firmes. 2Por ele sois salvos, se o estais guardando tal qual ele vos foi pregado por mim. De outro modo teríeis abraçado a fé em vão. 3Com efeito, transmiti-vos, em primeiro lugar, aquilo que eu mesmo tinha recebido, a saber: que Cristo morreu por nossos pecados, segundo as Escrituras; 4que foi sepultado; que ao terceiro dia, ressuscitou, segundo as Escrituras, 5e que apareceu a Cefas e, depois, aos Doze. 6Mais tarde, apareceu a mais de quinhentos irmãos, de uma vez. Destes, a maioria ainda vive e alguns já morreram. 7Depois, apareceu a Tiago e, depois, apareceu aos apóstolos todos juntos. 8Por último, apareceu também a mim, como a um abortivo. 9Na verdade, eu sou o menor dos apóstolos, nem mereço o nome de apóstolo, porque persegui a Igreja de Deus. 10É pela graça de Deus que eu sou o que sou. Sua graça para comigo não foi estéril: prova é que tenho trabalhado mais do que os outros apóstolos – não propriamente eu, mas a graça de Deus comigo. 11É isso, em resumo, o que eu e eles temos pregado e é isso o que crestes.

 

– Palavra do Senhor.

– Graças a Deus.

 

Salmo Responsorial: Sl 118,1-2.16ab-17.28 (R: 1)

 

– Dai graças ao Senhor, porque Ele é bom!
R: Dai graças ao Senhor, porque Ele é bom!

– Dai graças ao Senhor porque Ele é bom. Eterna é a sua misericórdia. A casa de Israel agora o diga: Eterna é a sua misericórdia.

R: Dai graças ao Senhor, porque Ele é bom!

– A mão direita do Senhor fez maravilhas, a mão direita do Senhor me levantou, a mão direita do Senhor fez maravilhas. Não morrerei, mas ao contrário, viverei para cantar as grandes obras do Senhor.

R: Dai graças ao Senhor, porque Ele é bom!

– Vós sois meu Deus, eu vos bendigo e agradeço. Vós sois meu Deus, eu vos exalto com louvores.

R: Dai graças ao Senhor, porque Ele é bom!
Aclamação ao santo Evangelho.

 

Aleluia, aleluia, aleluia.

Aleluia, aleluia, aleluia.

 

– Vinde a mim, todos vós que estais cansados, e descanso eu vos darei, diz o Senhor (Mt 11,28)

 

Aleluia, aleluia, aleluia.

 

Evangelho de Jesus Cristo, segundo Lucas: Lc 7,36-50

– O Senhor esteja convosco.

– Ele está no meio de nós.

– Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo † segundo Lucas.

– Glória a vós, Senhor!

 

– Naquele tempo, 36um fariseu convidou Jesus para uma refeição em sua casa. Jesus entrou na casa do fariseu e pôs-se à mesa. 37Certa mulher, conhecida na cidade como pecadora, soube que Jesus estava à mesa, na casa do fariseu. Ela trouxe um frasco de alabastro com perfume, 38e, ficando por detrás, chorava aos pés de Jesus; com as lágrimas começou a banhar-lhe os pés, enxugava-os com os cabelos, cobria-os de beijos e os ungia com o perfume.
39Vendo isso, o fariseu que o havia convidado ficou pensando: “Se este homem fosse um profeta, saberia que 40tipo de mulher está tocando nele, pois é uma pecadora”. Jesus disse então ao fariseu: “Simão, tenho uma coisa para te dizer”. Simão respondeu: “Fala, mestre”! 41“Certo credor tinha dois devedores; um lhe devia quinhentas moedas de prata, o outro cinquenta. 42Como não tivessem com que pagar, o homem perdoou os dois. Qual deles o amará mais?” 43Simão respondeu: “Acho que é aquele ao qual perdoou mais”. Jesus lhe disse: “Tu julgaste corretamente”. 44Então Jesus virou-se para a mulher e disse a Simão: “Estás vendo esta mulher? Quando entrei em tua casa, tu não me ofereceste água para lavar os pés; ela, porém, banhou meus pés com lágrimas e enxugou-os com os cabelos. 45Tu não me deste o beijo de saudação; ela, porém, desde que entrei, não parou de beijar meus pés. 46Tu não derramaste óleo na minha cabeça; ela, porém, ungiu meus pés com perfume. 47Por esta razão, eu te declaro: os muitos pecados que ela cometeu estão perdoados porque ela mostrou muito amor. Aquele a quem se perdoa pouco mostra pouco amor”. 48E Jesus disse à mulher: “Teus pecados estão perdoados”. 49Então, os convidados começaram a pensar: “Quem é este que até perdoa pecados?” 50Mas Jesus disse à mulher: “Tua fé te salvou. Vai em paz”.

– Palavra da salvação.

– Glória a vós, Senhor!

 

São Roberto Belarmino

- por Pe. Alexandre

Celebramos o grande santo jesuíta, Belarmino, que nasceu em Montepulciano, no centro da Itália, em 1542. Querido pelos pais e de muitas qualidades, era irmão de cinco religiosos, dentre os doze, que enriqueciam a família dos dedicados pais.

Quando os padres da Companhia de Jesus abriram um colégio em Montepulciano, Roberto foi um dos primeiros alunos na matrícula e no desempenho. O contato com os padres fez com que o jovem mudasse sua primeira ideia de ser médico, para inclinar-se em favor da vida religiosa jesuíta.

Depois de conseguir a permissão do pai, que ao contrário da mãe, apresentava uma certa resistência frente a opção do amável filho, Belarmino com 18 anos, iniciou e concluiu de maneira brilhante sua formação religiosa e seus estudos de filosofia e teologia, tanto que antes de ser ordenado sacerdote foi enviado como professor e pregador em Lovaina, na Bélgica, onde ficou dez anos.

Teve importante papel na aplicação do Concílio de Trento, já que ajudou na formação apologética dos teólogos e pregadores responsáveis na defesa da fé. Neste sentido Roberto, muito contribuiu ao escrever sua obra de nome “Controvérsia” e o livro chamado “Catecismo”. Em sua obra “Controvérsias”, Belarmino explana os seus três grandes amores. Trata da Palavra de Deus, de Cristo cabeça da Igreja e do Sumo Pontífice.

Era também diretor espiritual do Colégio Romano, tendo sob sua responsabilidade a formação ascética dos alunos que muito o respeitavam e admiravam. O Papa Clemente VIII o elevou a cardeal com esta motivação:

“Nós o escolhemos porque não há na Igreja de Deus outro que possa equiparar-se ele em ciência e sabedoria”.

Quando ficou muito doente em setembro de 1621, os confrades foram testemunhas do último diálogo dele com Deus: “Ó meu Deus, dai à minha alma, asas de pomba, para que possa voar para junto de vós”. Morreu no dia 17 do mesmo mês, e pelos seus escritos recebeu o título de Doutor da Igreja.

São Roberto Belarmino, rogai por nós!

Meditação

- por Pe. Alexandre

7. RECEBER BEM A JESUS

– Um fariseu convidou Jesus para almoçar.

– O Senhor vem à nossa alma.

– Preparação da Comunhão.

I. O EVANGELHO DA MISSA relata‑nos que certa vez Jesus foi convidado para almoçar por um rico fariseu chamado Simão1. Quando a refeição já tinha começado, e de modo inesperado para todos, entrou na sala uma mulher pecadora que havia na cidade.

Foi mais uma ocasião para que Jesus demonstrasse a grandeza do seu Coração e da sua misericórdia; apesar da sua má vida, essa mulher sentiu‑se desde o primeiro momento compreendida, acolhida e perdoada. Talvez já tivesse escutado Jesus em outras ocasiões, e os propósitos de mudança que brotaram então chegavam agora ao auge. O amor por Cristo deu‑lhe a audácia necessária para se apresentar no meio daquela sala, coisa deveras impressionante se se têm em conta os costumes judeus da época. Os comensais devem ter ficado confusos e admirados. A pecadora pública tornava‑se o centro dos olhares e pensamentos de todos. Talvez tenha sido por isso que ninguém reparou no descumprimento das normas tradicionais de hospitalidade por parte do anfitrião.

Mas Jesus, sim, foi consciente desses esquecimentos. As palavras do Senhor deixam entrever que os notou, como notara a falta de agradecimento daqueles leprosos que tinham sido curados por Ele. A descortesia de Simão ressalta ainda mais pelo contraste com as provas de amor da pecadora, que levou um vaso de alabastro cheio de bálsamo e, colocando‑se a seus pés por detrás dele, começou a banhar‑lhe os pés com lágrimas, e os enxugava com os cabelos da sua cabeça, e os ungia com o bálsamo. A delicadeza dessa mulher para com o Senhor foi como um espelho em que se refletiu mais claramente a falta dos pormenores de hospitalidade e de atenção que Simão deveria ter tido com Ele, como hóspede de honra que era.

Perante os juízos negativos e mesquinhos dos comensais para com a mulher, Jesus não teve nenhum reparo em mostrar‑lhes a verdadeira realidade, a realidade diante de Deus, que é a que conta. Voltando‑se para a mulher, disse a Simão: Vês esta mulher? Entrei em tua casa e não me deste água para os pés; e esta, com as suas lágrimas, banhou os meus pés e enxugou‑os com os seus cabelos. Não me deste o ósculo da paz; e esta, desde que entrou, não cessou de beijar os meus pés. Não ungiste a minha cabeça com óleo; e esta ungiu os meus pés com perfume. E, a seguir, a maior recompensa que uma alma pode receber: Pelo que te digo: são‑lhe perdoados os seus muitos pecados, porque muito amou. Depois, umas palavras imensamente consoladoras para os pecadores de todos os tempos, para nós: … Aquele a quem menos se perdoa, menos ama. As fraquezas diárias – as próprias quedas, se o Senhor as permite – devem levar‑nos a amar mais, a unir‑nos mais a Cristo mediante a contrição e o arrependimento.

Então Jesus disse à mulher: São‑te perdoados os teus pecados. E a mulher retirou‑se com uma grande alegria, com a alma limpa e uma vida nova por estrear.

II. NAS PALAVRAS DE JESUS a Simão nota‑se – como no caso dos leprosos curados2 – um certo tom de tristeza: Entrei em tua casa e não me deste água para os pés. O Senhor, que não põe limites aos seus sofrimentos quando se trata de padecer pela salvação das almas, sente agora a falta dessas manifestações de carinho, dessa cortesia no trato. Não terá hoje alguma coisa a censurar‑nos pelo modo como o recebemos?

O exemplo simples de um catequista a uns meninos que se preparavam para receber o Senhor pela primeira vez pode ajudar‑nos hoje a refletir. Dizia‑lhes que, na casa onde morou um personagem ilustre, para que não se apague a memória do acontecimento, costuma‑se colocar uma placa com uma inscrição: “Aqui morou Cervantes”; “Nesta casa hospedou‑se o Papa N.”; “Neste hotel hospedou‑se o Imperador X”… Sobre o peito do cristão que recebeu a Sagrada Comunhão poderia escrever‑se: “Aqui hospedou‑se Jesus Cristo”3.

Se o quisermos, o Senhor pode vir diariamente à nossa casa, à nossa alma: Adoro‑Vos com devoção, Deus escondido4, dir‑lhe‑emos na intimidade do nosso coração. E procuraremos recebê‑lo melhor do que a qualquer pessoa importante da terra, de tal maneira que nunca tenha que dizer‑nos: Entrei em tua casa e não me deste água para os pés…, não tiveste muitas atenções comigo, estiveste com a mente posta em outras coisas, não me atendeste…

“Temos de receber o Senhor, na Eucaristia, como aos grandes da terra, e melhor! Com adornos, luzes, roupa nova…

“– E se me perguntas que limpeza, que adornos e que luzes hás de ter, responder‑te‑ei: limpeza nos teus sentidos, um por um; adorno nas tuas potências, uma por uma; luz em toda a tua alma”5.

“Já nos ocorreu pensar como nos comportaríamos, se só pudéssemos comungar uma vez na vida?

“Quando eu era criança – recordava o bem-aventurado Josemaría Escrivá –, ainda não estava estendida a prática da Comunhão freqüente. Lembro‑me do modo como as pessoas se preparavam para comungar: havia esmero em preparar bem a alma e o corpo. As melhores roupas, o cabelo bem penteado, o corpo fisicamente limpo, talvez até com um pouco de perfume… Eram delicadezas próprias de gente enamorada, de almas finas e enérgicas, que sabiam pagar com amor o Amor”. E em seguida recomendava vivamente: “Comunguemos com fome, mesmo que nos sintamos gelados, mesmo que a emotividade não nos acompanhe: comunguemos com fé, com esperança, com inflamada caridade”6.

É o que procuraremos fazer, alegrando‑nos em extremo porque o Senhor nos visita e se coloca à nossa disposição.

III. NUM SERMÃO sobre a preparação para receber o Senhor, São João de Ávila exclamava: “Que alegre partiria um homem deste sermão se lhe dissessem: «O rei irá a tua casa amanhã e te fará grandes mercês!» Acredito que não comeria de tanto gozo e cuidado, nem dormiria em toda a noite, pensando: «O rei vem a minha casa, como poderei recebê‑lo bem?» Irmãos, eu vos digo da parte do Senhor que Deus quer vir até vós e que traz um reino de paz”7. É uma realidade imensa! É uma notícia para nos cumular de alegria!

O próprio Cristo, que está glorioso no Céu, vem sacramentalmente à nossa alma. Ele deseja estar conosco, e repete‑nos a cada um aquelas memoráveis palavras da última Ceia: Desejei ardentemente comer convosco esta Páscoa…8 “Vem com amor; recebe‑o com amor”9. O amor implica a aspiração ardente de ter o Senhor conosco do melhor modo possível.

“A morada que Ele deseja é a alma de cada um; aí quer Ele descansar, e que a pousada esteja bem arrumada, muito limpa, expurgada de tudo o que é terreno. Não há relicário, não há ostensório, por mais rico que seja, por mais pedras preciosas que contenha, que se iguale a esta pousada para Jesus Cristo. Com amor vem hospedar‑se na tua alma; com amor quer ser recebido”10, não com tibieza ou de espírito distraído. É o maior acontecimento do dia e da própria vida! Os anjos enchem‑se de admiração quando vamos comungar, Quanto mais próximo estiver esse momento, mais vivo deve ser o nosso desejo de receber o Senhor.

E com o desejo de recebê‑lo, deve crescer em nós a vontade de purificar‑nos, de chorar as nossas faltas, como a pecadora do Evangelho. “O maior louco que já houve e haverá é Ele. É possível maior loucura do que entregar‑se como Ele se entrega, e àqueles a quem se entrega?

“Porque, na verdade, já teria sido loucura ficar como um Menino indefeso; mas, nesse caso, até mesmo muitos malvados se enterneceriam, sem atrever‑se a maltratá‑Lo. Achou que era pouco: quis aniquilar‑se mais e dar‑se mais. E fez‑se comida, fez‑se Pão.

“Divino Louco! Como é que te tratam os homens?… E eu mesmo?”11

Quanto mais amiúde comungamos, porventura não sentimos mais a nossa indignidade, a carência de um amor que é sempre pequeno para o Amor divino? Ou será que nos habituamos e tornamos compatíveis as nossas comunhões com uma vida cheia de imperfeições, de desleixos consentidos?

A Virgem Nossa Senhora há de ensinar‑nos a receber e a ter conosco o seu Filho com a pureza e a devoção com que Ela o recebeu. Nenhuma criatura soube tratá‑lo melhor do que Ela.

29ª Semana do Tempo Comum

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