18 de Abril de 2020

1a Semana da Páscoa Sábado

- por Padre Alexandre Fernandes

SABADO – OITAVA DA PÁCOA

(Branco, glória pref. da Páscoa I, ofício próprio)

 

Antífona da entrada

 

– O Senhor fez o seu povo sair com grande júbilo; com gritos de alegria, os seus eleitos, aleluia!  (Sl 104,43).

 

Oração do dia

 

– Ó Deus, que pela riqueza da vossa graça multiplicais os povos que crêem em vós, contemplai solícito aqueles que escolhestes e daí aos que renascem pelo batismo a veste da imortalidade. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

1ª Leitura: At 4,13-21

 

– Leitura dos Atos dos Apóstolos: Naqueles dias, os chefes dos sacerdotes, os anciãos e os escribas 13ficaram admirados ao ver a segurança com que Pedro e João falavam, pois eram pessoas simples e sem instrução. Reconheciam que eles tinham estado com Jesus. 14No entanto viam, de pé, junto a eles, o homem que tinha sido curado. E não podiam dizer nada em contrário.
15Mandaram que saíssem para fora do Sinédrio, e começaram a discutir entre si: 16“Que vamos fazer com esses homens? Eles realizaram um milagre claríssimo, e o fato tornou-se de tal modo conhecido por todos os habitantes de Jerusalém, que não podemos negá-lo. 17Contudo, a fim de que a coisa não se espalhe ainda mais entre o povo, vamos ameaçá-los, para que não falem mais a ninguém a respeito do nome de Jesus”. 18Chamaram de novo Pedro e João e ordenaram-lhes que, de modo algum, falassem ou ensinassem em nome de Jesus. 19Pedro e João responderam: “Julgai vós mesmos, se é justo diante de Deus que obedeçamos a vós e não a Deus! 20Quanto a nós, não nos podemos calar sobre o que vimos e ouvimos”.  21Então, insistindo em suas ameaças, deixaram Pedro e João em liberdade, já que não tinham meio de castigá-los, por causa do povo. Pois todos glorificavam a Deus pelo que havia acontecido.

 

– Palavra do Senhor.

– Graças a Deus.

 

Salmo Responsorial: Sl 118,1.14-15.16ab-18.19-21 (R: 21a)

 

– Dou-vos graças, ó Senhor, porque me ouvistes.
R: Dou-vos graças, ó Senhor, porque me ouvistes.

– Dai graças ao Senhor, porque ele é bom! “Eterna é a sua misericórdia!” O Senhor é minha força e o meu canto, e tornou-se para mim o Salvador. “Clamores de alegria e de vitória ressoem pelas tendas dos fiéis.

R: Dou-vos graças, ó Senhor, porque me ouvistes.

– A mão direita do Senhor fez maravilhas, a mão direita do Senhor me levantou, a mão direita do Senhor fez maravilhas! O Senhor severamente me provou, mas não me abandonou às mãos da morte.

R: Dou-vos graças, ó Senhor, porque me ouvistes.

– Abri-me vós, abri-me as portas da justiça: quero entrar para dar graças ao Senhor! “Sim, esta é a porta do Senhor, por ela só os justos entrarão!” Dou-vos graças, ó Senhor, porque me ouvistes e vos tornastes para mim o Salvador!

R: Dou-vos graças, ó Senhor, porque me ouvistes.

 

Aclamação ao santo Evangelho

 

Aleluia, aleluia, aleluia.

Aleluia, aleluia, aleluia.

 

– Este é o dia que o Senhor fez para nós, alegremo-nos e nele exultemos!

(Sl 117,24)

 

Aleluia, aleluia, aleluia.

 

Evangelho de Jesus Cristo, segundo Marcos: Mc 16,9-15

 

– O Senhor esteja convosco.

– Ele está no meio de nós.

– Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo † segundo Marcos

– Glória a vós, Senhor!  

 

9Depois de ressuscitar, na madrugada do primeiro dia após o sábado, Jesus apareceu primeiro a Maria Madalena, da qual havia expulsado sete demônios. 10Ela foi anunciar isso aos seguidores de Jesus, que estavam de luto e chorando. 11Quando ouviram que ele estava vivo e fora visto por ela, não quiseram acreditar. 12Em seguida, Jesus apareceu a dois deles, com outra aparência, enquanto estavam indo para o campo. 13Eles também voltaram e anunciaram isso aos outros. Também a estes não deram crédito. 14Por fim, Jesus apareceu aos onze discípulos enquanto estavam comendo, repreendeu-os por causa da falta de fé e pela dureza de coração, porque não tinham acreditado naqueles que o tinham visto ressuscitado. 15E disse-lhes: “Ide pelo mundo inteiro e anunciai o Evangelho a toda criatura!”

 

– Palavra da salvação.

– Glória a vós, Senhor!  

 

Santo Apolônio

- por Padre Alexandre Fernandes

Santo do século II, era uma figura pública, um senador. Pôde assistir e se deixar tocar pelo testemunho de inúmeros mártires no tempo de Nero.

Ele percebia naqueles cristãos, que viviam dentro de um contexto pagão, o único e verdadeiro Deus presente naqueles martírios por amor a Cristo.

Já adulto, com a ajuda do Papa Eleutério, ele quis ser cristão e foi muito bem formado até chegar à graça do Batismo. Apolônio, como muitos, ao se deparar com a lei de Nero, teve que se dizer, pois também foi denunciado.

Ele não renunciou a Jesus, mesmo ocupando uma alta posição na sociedade. Seu amor a Deus foi concreto. Santo Apolônio é exemplo, para que sejamos testemunhas do amor de Deus, onde quer que estejamos, na profissão que exerçamos, com a idade que tenhamos.

Santo Apolônio, rogai por nós!

Meditação

- por Padre Alexandre Fernandes

Censurou sua dureza de coração… (Mc 16,9-15)

 

            Depois de morto e sepultado, Jesus ressuscita, vencendo a morte, como ele mesmo anunciara antecipadamente (cf. Mt 16,21; 17,23; 20,19). Obviamente, os discípulos ouviram estes anúncios e não entenderam nada. A reação deles diante da morte de seu Mestre deixa claro que eles não alimentavam nenhuma esperança a respeito da ressurreição. Por isso mesmo, quando Jesus se manifesta vivo, eles reagem com espanto e descrença, chegando a confundi-lo com um fantasma (cf. Lc 24,37).

 

            Depois de Jesus ser encontrado vivo por Maria Madalena e pelos dois discípulos de Emaús, o testemunho destes não foi capaz de convencer os demais seguidores, ainda dominados pelo medo e pela decepção. Neste Evangelho, Jesus se manifesta aos Onze, enquanto eles comiam. E Jesus foi duro com eles…

 

            O evangelista Marcos anota que eles sofreram pesada censura do Mestre. O verbo grego utilizado no texto original – ôneidisen -expressa uma repreensão tão forte, que beira o insulto. O motivo de grave censura é a “dureza de coração” dos discípulos. No original grego, sklerocardia, algo como uma esclerose do coração, um endurecimento da alma petrificada pela falta de fé.

 

            Curiosamente, o Antigo Testamento já falava dessa “doença” do espírito. O Salmo 119 se refere aos adversários do Senhor como gente que tem um “coração de sebo” (v.70). Como se uma espécie de colesterol da alma impedisse que a Boa Nova penetrasse nos corações fechados em si mesmos. Tal “entupimento” leva alguém a recusar o testemunho daqueles que “viram o Senhor”.

 

            Na Carta aos Romanos, também Paulo se refere à falta de fé daqueles que recusaram a mensagem de Deus implícita na própria Criação. E observa que “eles se perderam em seus pensamentos fúteis, e seu coração insensato se obscureceu”. (Rm 1,21b)

 

            Os Onze logo receberão um “sopro de Jesus”, transmitindo-lhes o Espírito Santo (cf. Jo 20,22), absolutamente necessário para reforçar-lhes a fé estremecida e desentupir os corações esclerosados.

 

            Pedro, o instável, chamado a ser “rocha”, compreenderia depois a importância da fé, sem a qual a missão dos apóstolos seria impossível. “Graças à fé, e pelo poder de Deus, estais guardados para a salvação que deve revelar-se nos últimos tempos. Isso é motivo de alegria para vós, embora seja necessário que no momento estejais por algum tempo aflitos, por causa de várias provações.” (1Pd 1,5-6)

14º Domingo do Tempo Comum