18 de Fevereiro de 2020

6a Semana Comum Terça-feira

- por Padre Alexandre Fernandes

TERÇA FEIRA DA VI SEMANA DO TEMPO COMUM

 (cor verde – ofício do dia)

 

Antífona da entrada

 

– Sede o rochedo que me abriga, a casa bem defendida que me salva. Sois minha fortaleza e minha rocha; para a honra do vosso nome, vós me conduzis e alimentais (Sl 30,3).

 

Oração do dia

 

– Ó Deus, que prometestes permanecer nos corações sinceros e retos, dai-nos, por vossa graça, viver de tal modo, que possais habitar em nós. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

1ª Leitura: Tg 1,12-18

– Leitura da carta de são Tiago: 12Feliz o homem que suporta a provação. Porque, uma vez provado, receberá a coroa da vida, que o Senhor prometeu àqueles que o amam. 13Ninguém, ao ser tentado, deve dizer: “É Deus que me está tentando”, pois Deus não pode ser tentado pelo mal e tampouco ele tenta a ninguém. 14Antes, cada qual é tentado por sua própria concupiscência, que o arrasta e seduz. 15Em seguida, a concupiscência concebe o pecado e o dá à luz, e o pecado, uma vez consumado, gera a morte. 16Meus queridos irmãos, não vos enganeis. 17Todo dom precioso e toda dádiva perfeita vêm do alto; descem do Pai das luzes, no qual não há mudança, nem sombra de variação. 18De livre vontade ele nos gerou, pela Palavra da verdade, a fim de sermos como que as primícias de suas criaturas.

 

– Palavra do Senhor.

– Graças a Deus.

 

Salmo Responsorial: Sl 94,12-13a,14-15,18-19 (R: 12a)

 

– Bem-aventurado é aquele a quem ensinais vossa lei!
R: Bem-aventurado é aquele a quem ensinais vossa lei!

– É feliz, ó Senhor, quem formais e educais nos caminhos da Lei, para dar-lhe um alívio na angústia.

R: Bem-aventurado é aquele a quem ensinais vossa lei!

– O Senhor não rejeita o seu povo e não pode esquecer sua herança: voltarão a juízo as sentenças; quem é reto andará na justiça.

R: Bem-aventurado é aquele a quem ensinais vossa lei!

– Quando eu penso: “Estou quase caindo!” Vosso amor me sustenta, Senhor! Quando o meu coração se angustia, consolais e alegrais minha alma.

R: Bem-aventurado é aquele a quem ensinais vossa lei!
 

Aclamação ao santo Evangelho.

 

Aleluia, aleluia, aleluia.

Aleluia, aleluia, aleluia.

 

– Quem me ama, realmente, guardará minha palavra e meu Pai o amará, e a ele nós viremos (Jo 14,2).

 

Aleluia, aleluia, aleluia.

 

Evangelho de Jesus Cristo, segundo Marcos: Mc 8,14-21

– O Senhor esteja convosco.

– Ele está no meio de nós.

– Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo † segundo Marcos.

– Glória a vós, Senhor!

 

– Naquele tempo, 14os discípulos tinham se esquecido de levar pães. Tinham consigo na barca apenas um pão. 15Então Jesus os advertiu: "Prestai atenção e tomai cuidado com o fermento dos fariseus e com o fermento de Herodes". 16Os discípulos diziam entre si: "É porque não temos pão". 17Mas Jesus percebeu e perguntou-lhes: "Por que discutis sobre a falta de pão? Ainda não entendeis e nem compreendeis? Vós tendes o coração endurecido? 18Tendo olhos, não vedes, e tendo ouvidos, não ouvis? Não vos lembrais 19de quando reparti cinco pães para cinco mil pessoas? Quantos cestos vós recolhestes cheios de pedaços?" Eles responderam: "Doze". 20Jesus perguntou: E quando reparti sete pães com quatro mil pessoas, quantos cestos vós recolhestes cheios de pedaços? Eles responderam: "Sete." 21Jesus disse: "E ainda não compreendeis?"

 

– Palavra da salvação.

– Glória a vós, Senhor!

São Teotônio

- por Padre Alexandre Fernandes

Nascido em Ganfei, Portugal, no ano de 1082, São Teotônio recebeu uma ótima formação. Primeiramente, junto a um convento beneditino de Coimbra; depois, ao ser assumido por seu tio Crescêncio, Bispo de Coimbra, ele foi correspondendo à graça de Deus em sua vida. Com a morte do tio, dirigiu-se para Viseu, onde terminou seus estudos básicos e recebeu o dom da ordenação sacerdotal.

Homem de oração e penitência, centrado no mistério da Eucaristia, e peregrino, fez duas viagens à Terra Santa, que muito marcaram a sua história, até que os cônegos de Santo Agostinho pediram que ele ficasse ali como um dirigente, mas, em nome da obediência, ele não poderia fazê-lo, uma vez que já ocupava o cargo de prior da Sé de Viseu. No retorno, abriu mão deste serviço e se dedicou ainda mais à evangelização.

Ele já era conhecido e respeitado por muitas autoridades. Inclusive, o rei Afonso Henriques e a rainha, dona Mafalda, por motivos de guerra, acabaram retendo muitos cristãos e ele foi interceder em prol desses cristãos. Muitos foram liberados, mas o santo foi além. Como já tinha fundado, a pedido de amigos, a Nova Ordem dos Cônegos Regulares sob a luz da Santa Cruz, aos pés do Mosteiro, ele não só acolheu aqueles filhos de Deus, mas também pôde mantê-los como um verdadeiro pai. No mosteiro, ele era um pai, um prior não só por serviço e autoridade, mas um exemplo refletindo a misericórdia do mistério da cruz do Senhor, refletindo o seu amor apaixonado pelo mistério da Eucaristia.

Mariano e devoto dos Santos Anjos, ele despojou-se e se retirou em contemplação e intercessão. Foi assim que, em 18 de fevereiro, esse grande santo português, em 1162, partiu para a glória.

Peçamos a intercessão de São Teotônio para que possamos glorificar a Deus pela obediência, sempre voltando-nos para os mais pequeninos.

São Teotônio, rogai por nós!

Meditação

- por Padre Alexandre Fernandes

47. A TAREFA SALVADORA DA IGREJA

– A Igreja, lugar de salvação instituído por Jesus Cristo.

– A oração pela Igreja.

– Pelo Batismo, somos constituídos instrumentos de salvação no nosso ambiente.

I. O GÊNESIS NARRA que, vendo o Senhor como crescia a maldade do homem e como o seu modo de pensar era sempre perverso, se arrependeu de tê-lo criado e pensava em varrê-lo da superfície da terra1. Mas uma vez mais a sua paciência se pôs de manifesto e decidiu salvar o gênero humano na figura de Noé. O Senhor disse a Noé: Entra na arca com toda a tua família, pois és o único justo que encontrei na tua geração. Depois veio o Dilúvio com que Deus castigou os homens pela sua má conduta.

Os Padres da Igreja viram em Noé a figura de Jesus Cristo, que havia de ser o princípio de uma nova criação. Na arca vislumbraram a imagem da Igreja, que navega nas águas deste mundo e acolhe todos os que querem salvar-se2.

Santo Agostinho comenta: “No símbolo do Dilúvio, em que os justos foram salvos na arca, está profetizada a futura Igreja, que salva da morte neste mundo por meio de Cristo e do mistério da Cruz”3.

Antes da sua Ascensão aos céus, o Senhor confiou aos Apóstolos os seus próprios poderes com vistas à salvação do mundo4. O Mestre falou-lhes com a majestade própria de Deus: Todo o poder me foi dado no céu e na terra. Ide, pois, e fazei todos os povos meus discípulos…; e a Igreja começou imediatamente a exercer o seu poder salvador com autoridade divina.

Imitando a vida de Cristo, que passou fazendo o bem5, confortando, ensinando, curando, a Igreja procura fazer o bem onde quer que esteja. Ao longo da história, têm sido muitas as iniciativas dos cristãos e de variadíssimas instituições da Igreja destinadas a remediar os males dos homens, a prestar uma ajuda humana aos necessitados, aos doentes, aos refugiados, etc. Essa ajuda humana é e será sempre grande, mas é, ao mesmo tempo, muito secundária; pela missão recebida de Cristo, a Igreja aspira a muito mais: a dar aos homens a doutrina de Cristo e a levá-los à salvação. “E a todos – tanto aos necessitados de uma ou de outra forma, como aos que pensam estar gozando da plenitude dos bens da terra –, a Igreja vem confirmar-lhes uma só coisa essencial, definitiva: que o nosso destino é eterno e sobrenatural, que só em Jesus Cristo nos salvamos para sempre, e que só nEle alcançaremos já de alguma forma nesta vida a paz e a felicidade verdadeiras”6.

II. A PESSOA DO SUMO PONTÍFICE, a sua tarefa a serviço da Igreja universal, a ajuda que lhe prestam os seus colaboradores mais diretos, devem ocupar diariamente um lugar primordial nas nossas orações: Dominus conservet eum, et vivificet eum, et beatum faciat eum in terra, et non tradat eum in animam inimicorum eius7, ensina-nos a pedir a liturgia. “Que o Senhor o conserve, e lhe dê vida, e o faça feliz na terra, e não o deixe cair nas mãos dos seus inimigos”.

O peso que o Vigário de Cristo deve carregar sobre os ombros com solicitude paternal é esmagador. Basta que nos detenhamos a considerar a resistência com que é combatido pelos inimigos da fé; basta que nos apercebamos da pressão que exercem contra a sua autoridade os que abominam o ímpeto apostólico dos cristãos, para nos sentirmos urgidos a pedir ardentemente ao Senhor que conserve o Sumo Pontífice, que o vivifique com o seu alento divino, que o faça santo e o encha dos seus dons, que o proteja de modo especialíssimo.

No Evangelho da Missa de hoje8, o Senhor pede aos seus discípulos que estejam alerta e se resguardem de um fermento: o dos fariseus e o de Herodes. Não se refere aqui ao fermento bom que os seus discípulos estão chamados a ser, mas a outro, capaz também de transformar a massa por dentro, mas para o mal. A hipocrisia farisaica e a vida desregrada de Herodes, que só se movia por ambições pessoais, eram um mau fermento que contagiava a massa de Israel, corrompendo-a.

Nós temos o gratíssimo dever de rezar diariamente para que todos os fiéis cristãos sejam verdadeiro fermento no meio de um mundo afastado de Deus, que a Igreja pode salvar. “Estes tempos são tempos de prova e devemos pedir ao Senhor – com um clamor que não cesse (cfr. Is 58, 1) – que os encurte, que olhe com misericórdia para a sua Igreja e conceda novamente luz sobrenatural às almas dos pastores e às de todos os fiéis”9. Não podemos negligenciar este dever filial para com a nossa Mãe a Igreja, misteriosamente necessitada de proteção e de ajuda: “Ela é Mãe…, e uma mãe deve ser amada”10.

mau fermento da doutrina adulterada e dos maus exemplos, ampliados e difundidos por pessoas sectárias, causa um grande mal às almas. Sempre que nos encontremos perante surtos violentos de falsa doutrina, perante situações claramente escandalosas, devemos perguntar-nos no nosso exame de consciência: Que fiz eu para semear a boa doutrina? Que faço para que os meus filhos, os meus irmãos, os meus amigos adquiram a doutrina de Jesus Cristo? Qual é a qualidade da minha oração e da minha mortificação pela Igreja?

Devemos pedir também por todos os Pastores da Igreja de Deus: pelos bispos que cerram fileiras em torno do Papa. É antiquíssima a oração com que os fiéis rezam pelo bispo do lugar: Stet et pascat in fortitudine tua, Domine, in sublimitate nominis tui. “Esteja e apascente na tua fortaleza, Senhor, na sublimidade do teu nome”. Os Pastores da Igreja têm sempre uma grande necessidade do favor divino para levarem adiante a sua missão. Temos a responsabilidade de ajudá-los e para isso pedimos a Deus que os sustente e os ajude a apascentar o seu rebanho com fortaleza divina e com a suavidade e a altíssima sabedoria que vem do Céu.

Todos os dias, na Santa Missa, com estas ou outras palavras das demais Orações Eucarísticas, o sacerdote reza: “Pela vossa Igreja dispersa pelo mundo inteiro: concedei-lhe paz e proteção, unindo-a num só corpo e governando-a por toda a terra […]. Pelo vosso servo o Papa…, pelo nosso bispo…, e por todos os que guardam a fé que receberam dos Apóstolos”11. Unindo-nos ao sacerdote, podemos assim rezar pelas intenções do Papa e dos bispos, pelos sacerdotes, pelos religiosos e por todo o Povo de Deus; como também por aquele que, dentro do Corpo Místico de Cristo, esteja nesse momento mais necessitado de auxílio. Assim viveremos com naturalidade o dogma da Comunhão dos Santos.

III. NUMA CARTA de São João Leonardi ao Papa Paulo V (1605-1621) – que lhe pedia alguns conselhos para revitalizar o Povo de Deus –, o Santo dizia: “Quanto a estes remédios, já que hão de ser comuns a toda a Igreja […], seria preciso fixar a atenção antes de mais nada em todos aqueles que estão à testa dos outros, para que assim a reforma começasse pelo ponto a partir do qual deve estender-se às demais partes do corpo. Seria necessário pôr um grande empenho em que os cardeais, os patriarcas, os arcebispos, os bispos e os párocos, aos quais se confiou diretamente a cura de almas, fossem tais que se lhes pudesse confiar com toda a segurança o governo da grei do Senhor”12. Não deixemos de pedir cada dia pela santidade de todos eles: que amem cada dia mais a Jesus presente na Sagrada Eucaristia, que rezem com uma piedade cada vez maior à Santíssima Virgem, que sejam fortes, caritativos, que tenham um grande amor pelos doentes e pelos necessitados, que cuidem com esmero do ensino do Catecismo, que dêem um testemunho claro de desprendimento e de sobriedade…

Mas a Igreja somos todos os batizados, e todos somos instrumentos de salvação para os outros quando procuramos permanecer unidos a Cristo no cumprimento fiel dos nossos deveres religiosos: a Santa Missa, a oração, os atos de presença de Deus durante o dia…; quando somos exemplares no cumprimento dos nossos deveres profissionais, familiares, cívicos; quando nos empenhamos numa ação apostólica eficaz na trama de relações em que decorre a nossa vida.

Avivemos a nossa fé. O Povo de Deus – ensina o Concílio Vaticano II – deve abarcar o mundo inteiro, reunindo todos os homens dispersos, desorientados. E para isso Deus enviou o seu Filho, constituído herdeiro universal, a fim de que fosse o nosso Mestre, Sacerdote e Rei13. Podemos hoje recordar o Salmo II, que proclama a realeza de Cristo, e pedir a Deus Pai que sejam muitas as almas em que o Senhor reine, muitos os povos que acolham a palavra de salvação que a Igreja proclama, já que também a ela – como nos recorda a Constituição Lumen gentium – foram dadas em herança todas as nações14.

18ª Semana do Tempo Comum