18 de Março de 2020

3a Semana da Quaresma Quarta-feira

- por Padre Alexandre Fernandes

QUARTA FEIRA DA III SEMANA DA QUARESMA

(Roxo, ofício do dia)

 

Antífona da entrada

 

– Orientai meus passos, Senhor, segundo vossa palavra, e que o mal não domine sobre mim!

 

Oração do dia

 

– Ó Deus de bondade, concedei que, formados pela observância da Quaresma e nutridos por vossa palavra, saibamos mortificarmos para vos servir com fervor, sempre unânimes na oração. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

1ª Leitura: Dt 4,1.5-9

 

– Leitura do livro do Deuteronômio: Moisés falou ao povo, dizendo: 1“Agora, Israel, ouve as leis e os decretos que eu vos ensino a cumprir, para que, fazendo-o, vivais e entreis na posse da terra prometida que o Senhor Deus de vossos pais vos dará. 5Eis que vos ensinei leis e decretos conforme o Senhor meu Deus me ordenou, para que os pratiqueis na terra em que ides entrar e da qual tomareis posse. 6Vós os guardareis, pois, e os poreis em prática, porque neles está vossa sabedoria e inteligência perante os povos, para que, ouvindo todas estas leis, digam: ‘Na verdade, é sábia e inteligente esta grande nação!’ 7Pois, qual é a grande nação cujos deuses lhe são tão próximos quanto o Senhor nosso Deus, sempre que o invocamos? 8E que nação haverá tão grande que tenha leis e decretos tão justos, quanto esta lei que hoje vos ponho diante dos olhos? 9Mas toma cuidado! Procura com grande zelo não te esqueceres de tudo o que viste com os próprios olhos, e nada deixes escapar do teu coração por todos os dias de tua vida; antes, ensina-o a teus filhos e netos”.

– Palavra do Senhor.

– Graças a Deus.

 

Salmo Responsorial: Sl 147B,12-13.15-16.19-20 (R: 12a)

 

– Glorifica o Senhor, Jerusalém!
R: Glorifica o Senhor, Jerusalém!

– Glorifica o Senhor, Jerusalém! Ó Sião, canta louvores ao teu Deus! Pois reforçou com segurança as tuas portas, e os teus filhos em teu seio abençoou.

R: Glorifica o Senhor, Jerusalém!

– Ele envia suas ordens para a terra, e a palavra que ele diz corre veloz. Ele faz cair a neve como lã e espalha a geada como cinza.

R: Glorifica o Senhor, Jerusalém!

– Anuncia a Jacó sua palavra, seus preceitos e suas leis a Israel. Nenhum povo recebeu tanto carinho, a nenhum outro revelou os seus preceitos.

R: Glorifica o Senhor, Jerusalém!
 

Evangelho de Jesus Cristo, segundo Mateus: Mt 5,17-19

 

Glória a Cristo, palavra eterna do Pai, que é amor!

Glória a Cristo, palavra eterna do Pai, que é amor!

 

– Senhor, tuas palavras são espírito, são vida; só tu tens palavras de vida eterna!  (Jo 6,63.68).

 

Glória a Cristo, palavra eterna do Pai, que é amor!

 

– O Senhor esteja convosco.

– Ele está no meio de nós.

– Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo † segundo Mateus

– Glória a vós, Senhor!  

 

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 17“Não penseis que vim abolir a Lei e os Profetas”. Não vim para abolir, mas para dar-lhes pleno cumprimento. 18Em verdade, eu vos digo: antes que o céu e a terra deixem de existir, nem uma só letra ou vírgula serão tiradas da lei, sem que tudo se cumpra. 19Portanto, quem desobedecer a um só desses mandamentos, por menor que seja, e ensinar os outros a fazerem o mesmo, será considerado o menor no Reino dos Céus. Porém, quem os praticar e ensinar, esse será considerado grande no Reino dos Céus.

 

– Palavra da salvação.

– Glória a vós, Senhor!  

São Cirilo de Jerusalém

- por Padre Alexandre Fernandes

O santo nasceu em 315, de família cristã e de boa situação financeira. Ele viveu em Jerusalém no século IV, quando a heresia do arianismo e do nestorianismo estavam dividindo profundamente os cristãos.
 

Desde pequeno teve conhecimento das Sagradas Escrituras e estudou as matérias humanísticas. Tanto que em 345 foi ordenado sacerdote.

 

Três anos depois, em 348, foi consagrado Bispo de Jerusalém, cargo que exerceu por 35 anos. Ele era responsável por preparar os adultos que se convertiam e queriam ser batizados, os chamados catecúmenos.

 

Cirilo era conhecido por saber ensinar o Evangelho, ele escreveu dezoito discursos catequéticos, um sermão, a carta o imperador Constantino e outros pequenos fragmentos. Seus escritos eram didáticos e explicavam o porquê de cada oração, do batismo, crisma, penitência, dos mistérios e dogmas.

 

Durante seu bispado, passou dezesseis anos no exílio. Uma vez porque o Bispo Acácio o acusou de heresia, outra porque o imperador Constâncio entendeu que ele era simpatizante de heresia e a última vez porque o imperador Valente, decidiu mandar de volta ao exílio todos os bispos anistiados, fato que fez Cirilo peregrinar durante onze anos, por várias cidades da Ásia.

 

Cirilo vendia preciosidades eclesiásticas para matar a fome dos pobres. Ele sabia como viver, na prática, a religião cristã.

 

No III Concílio ecumênico de Constantinopla, em 382, aderiu a doutrina ortodoxa da Igreja. Os Bispos e amigos, Atanásio e Hilário, o chamaram de “valente lutador para defender a Igreja dos hereges que negam as verdades de nossa religião”.

 

O santo morreu em 386. Em 1882, o Papa Leão XIII, na solenidade em que instituiu sua veneração, honrou São Cirilo de Jerusalém, com os títulos de doutor da Igreja e príncipe dos catequistas católicos.

Meditação

- por Padre Alexandre Fernandes

Não vim abolir, mas cumprir… (Mt 5,17-19)

 

            Se os pais amam os filhos, seu amor se manifesta em recomendações, conselhos e… proibições. A mãe adverte: “Não brinque com fogo! Cuidado com o carro! Atravesse na faixa! Não fale com estranhos! Tira isso da boca!” Tudo por amor…

 

            A Lei antiga – as Dez Palavras – mostra que Deus ama seu povo e quer protegê-lo de inúmeros riscos da caminhada. Imaginem uma multidão que vagueia pelo deserto e, enquanto isto, desejam a mulher do próximo, surrupiam os objetos alheios, perdem o respeito pelos pais, roubam e matam! Teríamos uma espécie de guerra civil, semelhante à que se vive, hoje, nas grandes cidades brasileiras…

 

            Uma Lei que brota do amor do Pai pelos filhos não é um decreto que possa ser abolido, ainda que venha a evoluir conforme o grau de amadurecimento dos mesmos filhos, a caminho de uma liberdade crescente e responsável. Por isso mesmo, Jesus afirma a respeito da Lei mosaica: “Eu não vim abolir, mas cumprir”.

 

            Naturalmente, se forem rompidos os laços de amor entre Pai e filhos, aquelas normas de amor passam a ser vistas como decretos opressivos, cabrestos inaceitáveis. Sem amor, a obediência é absurda. Isto ajuda a entender a atual gritaria que clama por uma certa “modernização” da Igreja Católica, acusada de retrógrada e ultrapassada.

 

Para tais críticos, “modernizar” significa, na prática, aceitar que a pessoa humana seja tratada como matéria-prima, com seus embriões imolados à pesquisa científica. Significa arremessar ao lixo a santidade do matrimônio, transformado em simples acasalamento. Significa autorizar que alguém decida quem deve nascer e quem não deve vir à luz, pelo aborto legal.

 

            Ora, Jesus não aboliu a Lei. A voz do Sinai continua a clamar: “Não matarás! Não cometerás adultério! Honrarás teu pai e tua mãe!” (Dt 5.) Não perderam o seu valor os preceitos morais do Antigo Testamento, pois estão ligados à própria natureza humana, e não a modismos que passam com o tempo.

 

            Na prática, o Evangelho de Jesus Cristo mostrou-se ainda mais exigente, superando a letra fria da Lei e chamando cada fiel a uma existência orientada pelo amor, que dá a vida pelo amigo.

 

            Obedeço por amor a meu Pai? Ou sou daqueles que veem a Deus como um feitor de escravos?

14º Domingo do Tempo Comum