19 de Abril de 2020

2a Semana da Páscoa Domingo

- por Padre Alexandre Fernandes

DOMINGO – II SEMANA DA PÁSCOA OU DIVINA MISERICÓRDIA

(Branco, glória, creio, pref. da Páscoa II semana do saltério)

 

Antífona da entrada

 

– Como crianças recém-nascidas, desejai o puro leite espiritual para crescerdes na salvação, aleluia!  (1Pd 2,2).

 

Oração do dia

 

– Ó Deus de eterna misericórdia, que reacendeis a fé do vosso povo na renovação da festa pascal, aumentai a graça que nos destes. E fazei que compreendamos melhor o batismo que nos lavou, o espírito que nos deu nova vida e o sangue que nos redimiu. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

1ª Leitura: At 2,42-47

 

– Leitura dos Atos dos Apóstolos: Os que se haviam convertido 42eram perseverantes em ouvir o ensinamento dos apóstolos, na comunhão fraterna, na fração do pão e nas orações. 43E todos estavam cheios de temor por causa dos numerosos prodígios e sinais que os apóstolos realizavam. 44Todos os que abraçavam a fé viviam unidos e colocavam tudo em comum; 45vendiam suas propriedades e seus bens e repartiam o dinheiro entre todos, conforme a necessidade de cada um. 46Diariamente, todos frequentavam o Templo, partiam o pão pelas casas e, unidos, tomavam a refeição com alegria e simplicidade de coração. 47Louvavam a Deus e eram estimados por todo o povo. E, cada dia, o Senhor acrescentava ao seu número mais pessoas que seriam salvas.

 

– Palavra do Senhor.

– Graças a Deus.

 

Salmo Responsorial: Sl 118, 2-4.13-15.22-24 (R: 1)

 

– Dai graças ao Senhor, porque ele é bom! “Eterna é a sua misericórdia!”
R: Dai graças ao Senhor, porque ele é bom! “Eterna é a sua misericórdia!”

– A casa de Israel agora o diga: “Eterna é a sua misericórdia”! A casa de Aarão agora o diga: “Eterna é a sua misericórdia”! Os que temem o Senhor, agora o digam: “Eterna é a sua misericórdia”!

R: Dai graças ao Senhor, porque ele é bom! “Eterna é a sua misericórdia!”

– Empurram-me, tentando derrubar-me, mas veio o Senhor em meu socorro. O Senhor é minha força e o meu canto, e tornou-se para mim o Salvador. “Clamores de alegria e de vitória ressoem pelas tendas dos fiéis”.
R: Dai graças ao Senhor, porque ele é bom! “Eterna é a sua misericórdia!”

– “A pedra que os pedreiros rejeitaram tornou-se agora a pedra angular”. Pelo Senhor é que foi feito tudo isso: Que maravilhas ele fez a nossos olhos! Este é o dia que o Senhor fez para nós, alegremo-nos e nele exultemos!

R: Dai graças ao Senhor, porque ele é bom! “Eterna é a sua misericórdia!”
 

2ª Leitura: 1 Pd 1,3-9

 

– Leitura da primeira carta de são Pedro: 3Bendito seja Deus, Pai de nosso Senhor Jesus Cristo. Em sua grande misericórdia, pela ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos, ele nos fez nascer de novo, para uma esperança viva, 4para uma herança incorruptível, que não se mancha nem murcha, e que é reservada para vós nos céus. 5Graças à fé, e pelo poder de Deus, vós fostes guardados para a salvação que deve manifestar-se nos últimos tempos. 6Isto é motivo de alegria para vós, embora seja necessário que agora fiqueis por algum tempo aflitos, por causa de várias provações. 7Deste modo, a vossa fé será provada como sendo verdadeira — mais preciosa que o ouro perecível, que é provado no fogo — e alcançará louvor, honra e glória no dia da manifestação de Jesus Cristo. 8Sem ter visto o Senhor, vós o amais. Sem o ver ainda, nele acreditais. Isso será para vós fonte de alegria indizível e gloriosa, 9pois obtereis aquilo em que acreditais: a vossa salvação.

– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.

 

Aclamação ao santo Evangelho

 

Aleluia, aleluia, aleluia.

Aleluia, aleluia, aleluia.

 

– Acreditastes Tomé, porque me viste. Felizes aqueles que creram sem ter visto! (Jo 20,29)

 

Aleluia, aleluia, aleluia.

 

Evangelho de Jesus Cristo, segundo João: Jo 20,19-31

 

– O Senhor esteja convosco.

– Ele está no meio de nós.

– Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo † segundo João

– Glória a vós, Senhor!  

 

19Ao anoitecer daquele dia, o primeiro da semana, estando fechadas, por medo dos judeus, as portas do lugar onde os discípulos se encontravam, Jesus entrou e, pondo-se no meio deles, disse: “A paz esteja convosco”. 20Depois dessas palavras, mostrou-lhes as mãos e o lado. Então os discípulos se alegraram por verem o Senhor. 21Novamente, Jesus disse: “A paz esteja convosco. Como o Pai me enviou, também eu vos envio”. 22E, depois de ter dito isso, soprou sobre eles e disse: “Recebei o Espírito Santo. 23A quem perdoardes os pecados, eles lhes serão perdoados; a quem os não perdoardes, eles lhes serão retidos”.
24Tomé, chamado Dídimo, que era um dos doze, não estava com eles quando Jesus veio. 25Os outros discípulos contaram-lhe depois: “Vimos o Senhor!” Mas Tomé disse-lhes: “Se eu não vir a marca dos pregos em suas mãos, se eu não puser o dedo nas marcas dos pregos e não puser a mão no seu lado, não acreditarei”. 26Oito dias depois, encontravam-se os discípulos novamente reunidos em casa, e Tomé estava com eles. Estando fechadas as portas, Jesus entrou, pôs-se no meio deles e disse: “A paz esteja convosco”. 27Depois disse a Tomé: “Põe o teu dedo aqui e olha as minhas mãos. Estende a tua mão e coloca-a no meu lado. E não sejas incrédulo, mas fiel”. 28Tomé respondeu: “Meu Senhor e meu Deus!” 29Jesus lhe disse: “Acreditaste, porque me viste? Bem-aventurados os que creram sem terem visto!” 30Jesus realizou muitos outros sinais diante dos discípulos, que não estão escritos neste livro. 31Mas estes foram escritos para que acrediteis que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e, para que, crendo, tenhais a vida em seu nome.

 

– Palavra da salvação.

– Glória a vós, Senhor!  

Santa Ema

- por Padre Alexandre Fernandes

Por parte de mãe, não existia testemunho nem incentivo à santidade. O chamado que ela tinha no coração era ao matrimônio. Casou-se com o conde Ludgero e teve um filho, cujo chamado era para a vocação sacerdotal. Iluminado pelo testemunho da mãe, tornou-se sacerdote e depois bispo. Ao ficar viúva, essa santa discerniu e decidiu consagrar sua viuvez ao Senhor, numa vida de oração expressa na caridade. Muitos conventos e abadias foram construídos graças à sua generosidade. Ela vivia no meio da sociedade, administrando seus bens para o benefício do próximo.

Santa Ema passou os últimos momentos de sua vida numa abadia, após 40 anos de dedicação a Deus, faleceu em 1045. Depois de muito tempo abriram seu túmulo, e encontraram o seu corpo todo em pó, exceto a sua mão direita estava intacta, pois era com essa mão que ela praticava a caridade ao próximo. Um sinal de que a santidade passa pela caridade.

Santa Ema, rogai por nós!

Meditação

- por Padre Alexandre Fernandes

TEMPO PASCAL. SEGUNDO DOMINGO

54. A FÉ DE TOMÉ

– Aparição de Jesus aos Apóstolos quando Tomé estava ausente. Comunicam-lhe que Jesus ressuscitou. Apostolado com os que conheceram o Senhor, mas não procuram relacionar-se com Ele.

– O ato de fé do Apóstolo Tomé. A nossa fé deve ser operativa: atos de fé, confiança no Senhor, apostolado.

– A Ressurreição é um apelo para que manifestemos com a nossa vida que Cristo vive. Necessidade de nos formarmos bem.

I. O PRIMEIRO DIA da semana1, o dia em que o Senhor ressuscitou, o primeiro dia do novo mundo, está repleto de acontecimentos: desde a manhã, muito cedo2, quando as mulheres vão ao sepulcro, até à noite, muito tarde3, quando Jesus vem confortar os amigos mais íntimos: A paz esteja convosco, disse-lhes. Depois mostrou-lhes as mãos e o lado. Nesta ocasião, Tomé não estava com os demais Apóstolos; não pôde, pois, ver o Senhor nem ouvir as suas palavras consoladoras.

Fora este Apóstolo que dissera uma vez: Vamos também nós e morramos com Ele4. E na Última Ceia manifestara ao Senhor a sua ignorância com a maior simplicidade: Senhor, não sabemos para onde vais. Como podemos conhecer o caminho?5 Cheios de um profundo júbilo, os Apóstolos devem ter procurado Tomé por toda a Jerusalém naquela mesma noite ou no dia seguinte. Mal o encontraram, disseram-lhe: Vimos o Senhor! Mas Tomé continuava profundamente abalado com a crucifixão e a morte do Mestre. Não dá nenhum crédito ao que lhe dizem: Se não vir nas suas mãos o sinal dos pregos, e não puser o meu dedo no lugar dos pregos e a minha mão no seu lado, não acreditarei6. Os que tinham compartilhado com ele aqueles três anos, e que lhe estavam unidos por tantos laços, devem ter-lhe repetido então, de mil maneiras diferentes, a mesma verdade que era agora a sua alegria e a sua certeza: Vimos o Senhor!

Nós temos que fazer o mesmo: para muitos homens e para muitas mulheres, é como se Cristo estivesse morto, porque pouco significa para eles e quase não conta nas suas vidas. A nossa fé em Cristo ressuscitado anima-nos a ir ao encontro dessas pessoas e a dizer-lhes de mil maneiras diferentes que Cristo vive, que estamos unidos a Ele pela fé e permanecemos com Ele todos os dias, que Ele orienta e dá sentido à nossa vida.

Desta maneira, cumprindo essa exigência da fé que é difundi-la com o exemplo e a palavra, contribuímos pessoalmente para a edificação da Igreja, como aqueles primeiros cristãos de que falam os Atos dos Apóstolos: Cada vez mais aumentava o número dos homens e mulheres que acreditavam no Senhor7.

II. OITO DIAS DEPOIS, encontravam-se os seus discípulos outra vez no mesmo lugar e Tomé com eles. Estando trancadas as portas, veio Jesus, pôs-se no meio deles e disse: A paz esteja convosco. Depois disse a Tomé: Mete aqui o teu dedo e vê as minhas mãos; aproxima também a tua mão e mete-a no meu lado; e não sejas incrédulo, mas fiel8.

A resposta de Tomé é um ato de fé, de adoração e de entrega sem limites: Meu Senhor e meu Deus! São quatro palavras inesgotáveis. A fé do Apóstolo brota, não tanto da evidência de Jesus, mas de uma dor imensa. O que o leva à adoração e ao retorno ao apostolado não são tanto as provas como o amor. Diz a Tradição que o Apóstolo Tomé morreu mártir pela fé no seu Senhor. Consumiu a vida a seu serviço.

As dúvidas de Tomé viriam a servir para confirmar a fé dos que mais tarde haviam de crer nEle. “Porventura pensais – comenta São Gregório Magno – que foi um simples acaso que aquele discípulo escolhido estivesse ausente, e que depois, ao voltar, ouvisse relatar a aparição e, ao ouvir, duvidasse, e, duvidando, apalpasse, e, apalpando, acreditasse? Não foi por acaso, mas por disposição divina que isso aconteceu. A divina clemência agiu de modo admirável quando este discípulo que duvidava tocou as feridas da carne do seu Mestre, pois assim curava em nós as chagas da incredulidade […]. Foi assim, duvidando e tocando, que o discípulo se tornou testemunha da verdadeira ressurreição”9.

Se a nossa fé for firme, também haverá muitos que se apoiarão nela. É necessário que essa virtude teologal vá crescendo em nós de dia para dia, que aprendamos a olhar as pessoas e os acontecimentos como o Senhor os olha, que a nossa atuação no meio do mundo esteja vivificada pela doutrina de Jesus. Por vezes, ver-nos-emos faltos de fé, como o Apóstolo. Teremos então de crescer em confiança no Senhor, seja em face das dificuldades no apostolado, ou de acontecimentos que não sabemos interpretar do ponto de vista sobrenatural, ou de momentos de escuridão, que Deus permite para que se firmem em nós outras virtudes.

A virtude da fé é a que nos dá a verdadeira dimensão dos acontecimentos e a que nos permite julgar retamente todas as coisas. “Somente com a luz da fé e a meditação da palavra divina é que é possível reconhecer Deus sempre e por toda a parte, esse Deus em quem vivemos e nos movemos e existimos (At 17, 28). Somente assim é possível procurar a vontade divina em todos os acontecimentos, ver Cristo em todos os homens, sejam parentes ou estranhos, proferir juízos corretos sobre o verdadeiro significado e valor das coisas temporais, tanto em si mesmas como em relação ao fim do homem”10.

Meditemos o Evangelho da Missa de hoje. “Fixemos de novo o olhar no Mestre. Talvez também nós escutemos neste momento a censura dirigida a Tomé: Mete aqui o teu dedo e vê as minhas mãos; aproxima também a tua mão e mete-a no meu lado; e não sejas incrédulo, mas fiel (Ioh XX, 27). E, com o Apóstolo, sairá da nossa alma, com sincera contrição, aquele grito: Meu Senhor e meu Deus! (Ioh XX, 28), eu te reconheço definitivamente por Mestre, e já para sempre – com o teu auxílio – vou entesourar os teus ensinamentos e esforçar-me por segui-los com lealdade”11.

Meu Senhor e meu Deus! Estas palavras têm servido de jaculatória a muitos cristãos, e como ato de fé na presença real de Jesus Cristo na Sagrada Eucaristia, quando se passa diante de um sacrário ou no momento da Consagração da Missa… Também nos podem ajudar a nós a tornar atual a nossa fé e o nosso amor por Cristo ressuscitado.

III. O SENHOR RESPONDEU a Tomé: Creste porque me viste. Felizes os que crêem sem terem visto12. “É uma frase – diz São Gregório Magno – que se refere sem dúvida a nós, que confessamos com a alma Aquele que não vimos na carne. Mas refere-se a nós se vivermos de acordo com a fé, pois só crê verdadeiramente aquele que nas suas ações pratica o que crê”13. A Ressurreição do Senhor é um apelo para que manifestemos com a nossa vida que Ele vive. As obras do cristão devem ser fruto e manifestação da sua fé em Cristo.

Nos primeiros séculos, a difusão do cristianismo realizou-se principalmente pelo testemunho pessoal dos cristãos que se convertiam. Era uma pregação singela da Boa Nova: de homem para homem, de família para família; entre os que tinham o mesmo ofício, entre vizinhos; nos bairros, nos mercados, nas ruas. Hoje também o Senhor quer que o mundo, a rua, o trabalho, as famílias sejam veículo para a transmissão da fé.

Para confessarmos a nossa fé com a palavra, é necessário que conheçamos o seu conteúdo com clareza e precisão. Por isso, a nossa Mãe a Igreja tem feito tanto fincapé ao longo dos séculos em que se estudasse o Catecismo, pois contém de uma maneira breve e simples as verdades essenciais que temos de conhecer para podermos depois vivê-las. Já Santo Agostinho insistia com os catecúmenos que estavam prestes a receber o Batismo: “No próximo sábado, em que, se Deus quiser, celebraremos a vigília, recitareis não a oração (o Pai-Nosso), mas o símbolo (o Credo); porque, se não o aprenderdes agora, depois, na Igreja, não o ouvireis todos os dias da boca do povo. E, aprendendo-o bem, dizei-o diariamente para não o esquecerdes: ao levantar-vos da cama, ao ir dormir, recitai o vosso símbolo, oferecei-o a Deus, procurando memorizá-lo e repetindo-o sem preguiça. Para não esquecer, é bom repetir. Não digais: «Já o disse ontem, e digo-o hoje, e repito-o diariamente; tenho-o bem gravado na memória». Que seja para ti como um recordatório da tua fé e um espelho em que te possas olhar. Olha-te nele, verifica se continuas a acreditar em todas as verdades que de palavra dizes crer, e alegra-te diariamente na tua fé. Que essas verdades sejam a tua riqueza; que sejam como que o adorno da tua alma”14. Teríamos que dizer estas mesmas palavras a muitos cristãos, pois são muitos os que andam esquecidos do conteúdo essencial da sua fé.

Jesus Cristo pede-nos também que o confessemos com obras diante dos homens. Por isso, pensemos: não teríamos que ser mais valentes nesta ou naquela ocasião? Pensemos no nosso trabalho, no ambiente à nossa volta: somos conhecidos como pessoas que têm vida de fé? Não nos faltará audácia no apostolado?

Terminamos a nossa oração pedindo à Virgem, Sede da Sabedoria, Rainha dos Apóstolos, que nos ajude a manifestar com a nossa conduta e com as nossas palavras que Cristo vive.

18ª Semana do Tempo Comum