19 de Fevereiro de 2020

6a Semana Comum Quarta-feira

- por Padre Alexandre Fernandes

 

QUARTA-FEIRA DA VI SEMANA DO TEMPO COMUM
(cor verde – ofício do dia)

 

Antífona da entrada

 

– Sede o rochedo que me abriga, a casa bem defendida que me salva. Sois minha fortaleza e minha rocha; para a honra do vosso nome, vós me conduzis e alimentais (Sl 30,3).

 

Oração do dia

 

– Ó Deus, que prometestes permanecer nos corações sinceros e retos, dai-nos, por vossa graça, viver de tal modo, que possais habitar em nós. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

1ª Leitura: Tg 1,19-27

– Leitura da carta de são Tiago: 19Meus queridos irmãos, sabei que todo homem deve ser pronto para ouvir, mas moroso para falar e moroso para se irritar. 20Pois a cólera do homem não é capaz de realizar a justiça de Deus. 21Por esta razão, rejeitai toda impureza e todos os excessos do mal, mas recebei com humildade a Palavra que em vós foi implantada, e que é capaz de salvar as vossas almas. 22Todavia, sede praticantes da Palavra e não meros ouvintes, enganando-vos a vós mesmos. 23Com efeito, aquele que ouve a Palavra e não a põe em prática é semelhante a uma pessoa que observa o seu rosto no espelho: 24apenas se observou, vai-se embora e logo esquece como era a sua aparência. 25Aquele, porém, que se debruça sobre a Lei da liberdade, agora levada à perfeição, e nela persevera, não como um ouvinte distraído, mas praticando o que ela ordena, esse será feliz naquilo que faz. 26Se alguém julga ser religioso e não refreia a sua língua, engana-se a si mesmo: a sua religião é vã. 27Com efeito, a religião pura e sem mancha diante de Deus Pai é esta: assistir os órfãos e as viúvas em suas tribulações e não se deixar contaminar pelo mundo.

 

– Palavra do Senhor.

– Graças a Deus.

 

Salmo Responsorial: Sm 15,2-3ab.3cd-4ab (R: 1b)

 

– Senhor, quem morará em vosso Monte Santo?
R: Senhor, quem morará em vosso Monte Santo?

– É aquele que caminha sem pecado e pratica a justiça fielmente; que pensa a verdade no seu íntimo e não solta em calúnias sua língua.

R: Senhor, quem morará em vosso Monte Santo?

– Que em nada prejudica o seu irmão, nem cobre de insultos seu vizinho; que não dá valor algum ao homem ímpio, mas honra os que respeitam o Senhor.

R: Senhor, quem morará em vosso Monte Santo?

– Não empresta o seu dinheiro com usura, nem se deixa subornar contra o inocente. Jamais vacilará quem vive assim!

R: Senhor, quem morará em vosso Monte Santo?
 

Aclamação ao santo Evangelho.

 

Aleluia, aleluia, aleluia.

Aleluia, aleluia, aleluia.

 

– Que o Pai do Senhor Jesus Cristo vos dê do saber o Espírito; para que conheçais a esperança, reservada para vós como herança! (Ef 1,17)

 

Aleluia, aleluia, aleluia.

 

Evangelho de Jesus Cristo, segundo Marcos: Mc 8,22-26

– O Senhor esteja convosco.

– Ele está no meio de nós.

– Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo † segundo Marcos.

– Glória a vós, Senhor!

 

– Naquele tempo, 22Jesus e seus discípulos chegaram a Betsaida. Algumas pessoas trouxeram-lhe um cego e pediram a Jesus que tocasse nele. 23Jesus pegou o cego pela mão, levou-o para fora do povoado, cuspiu nos olhos dele, pôs as mãos sobre ele, e perguntou: "Estás vendo alguma coisa?" 24O homem levantou os olhos e disse: "Estou vendo os homens. Eles parecem árvores que andam". 25Então Jesus voltou a por as mãos sobre os olhos dele e ele passou a enxergar claramente. Ficou curado, e enxergava todas as coisas com nitidez. 26Jesus mandou o homem ir para casa, e lhe disse: "Não entres no povoado!"

 

– Palavra da salvação.

– Glória a vós, Senhor!

São Conrado

- por Padre Alexandre Fernandes

O santo de hoje viveu em Placência, na Itália, lugar onde casou-se também. Um homem de muitos bens, dado aos divertimentos e à caça. Numa ocasião de caçada, acidentalmente provocou um incêndio, prejudicando a muitas pessoas.

Ele então fugiu, e a polícia prendeu um inocente, que não sabendo se defender, estava prestes a ser condenado e executado. Quando Conrado soube disso, se apresentou como responsável pelo incêndio e se propôs a vender todos os bens para reconstruir tudo o que o incêndio destruiu.

A partir daí, ele e sua esposa começaram a fazer uma caminhada séria e profunda no Cristianismo, buscando a vontade de Deus.

No discernimento dessa vontade, o casal fez o ‘voto josefino’. Ambos se consagraram a Deus para viverem o celibato. Ela foi para um convento e ele retirou-se para um alto monte vivendo por quarenta anos como um eremita. Na oração e na intimidade com Deus, se ofertou a muitos. A muitos que hoje causam prejuízos para si e para os outros.

São Conrado, rogai por nós!

 

Meditação

- por Padre Alexandre Fernandes

TEMPO COMUM. SEXTA SEMANA. QUARTA-FEIRA

48. COM O OLHAR LIMPO

– A guarda da vista.

– No meio do mundo, sem ser mundanos.

– Um cristão não vai a lugares ou espetáculos que desdigam da sua condição de discípulo de Cristo.

I. JESUS CHEGOU A BETSAIDA com os seus discípulos, e logo lhe levaram um cego para que o tocasse. O Senhor tomou o cego pela mão, levou-o para fora da aldeia e ali fez lodo com saliva e aplicou-o nos seus olhos; a seguir, impôs-lhe as mãos e perguntou-lhe se via alguma coisa. O cego, levantando os olhos, disse: Vejo os homens como se fossem árvores que andam. O Senhor voltou a impor-lhe as mãos sobre os olhos e então o cego começou a ver, de modo que distinguia bem e claramente todas as coisas1.

As curas do Senhor costumavam ser instantâneas. Esta, porém, seguiu um pequeno processo, talvez porque a fé do cego no começo fosse fraca e Jesus quisesse curar-lhe ao mesmo tempo a alma e o corpo2: ajudou esse homem, a quem tomou pela mão com tanta piedade, para que a sua fé se fortalecesse. Passar de não ter nenhuma luz a ver confusamente já era alguma coisa, mas o Mestre queria dar-lhe uma visão nítida e penetrante para que pudesse contemplar as maravilhas da criação. Muito provavelmente, a primeira coisa que o cego viu foi o rosto de Jesus, que olhava para ele comprazido.

O que aconteceu a este homem cego em relação às coisas materiais pode servir-nos para considerar a cegueira espiritual. Freqüentemente, encontramos muitos cegos espirituais que não vêem o essencial: o rosto de Cristo, presente na vida do mundo. O Senhor referiu-se muitas vezes a este tipo de cegueira, por exemplo quando dizia aos fariseus que eram cegos3, ou quando aludia àqueles que têm os olhos abertos mas não vêem4.

É um grande dom de Deus manter o olhar limpo para o bem, ver o Senhor no meio dos afazeres diários, encarar os homens como filhos de Deus, penetrar no que realmente vale a pena…, e mesmo contemplar junto de Deus e com os olhos de Deus a beleza divina que Ele deixou como um rasto nas obras da criação. Por outro lado, é necessário ter o olhar limpo para que o coração possa amar, para mantê-lo jovem, como Deus deseja.

Muitos homens não estão inteiramente cegos, mas têm uma fé muito fraca e um olhar apagado para o bem. Esses cristãos mal reparam no valor da presença de Cristo na Sagrada Eucaristia, no imenso bem do sacramento da Penitência, no valor infinito de uma única Missa, na presença a seu lado do Anjo da Guarda, na beleza do celibato apostólico… Falta-lhes limpeza de alma e uma maior vigilância na guarda dos sentidos – que são como as portas da alma –, e de modo particular da vista.

Todo aquele que começa a ter vida interior aprecia o tesouro que traz no coração e procura evitar com o maior esmero a entrada na alma de imagens que impossibilitem ou dificultem o seu relacionamento com Deus. Não se trata de “não ver” – porque precisamos da vista para andar pela rua, para trabalhar, para nos relacionarmos –, mas de “não reparar” naquilo em que não se deve reparar, de sermos limpos de coração, de vivermos com naturalidade o necessário recolhimento dos sentidos. E isto no ambiente em que estamos, nas relações sociais, ao irmos de um lado para outro. A lâmpada do corpo é o olho. Se o teu olho for simples, todo o teu corpo estará iluminado. Mas se o teu olho for malicioso, todo o teu corpo estará em trevas5.

Seria uma pena se alguma vez – por não termos sido delicadamente fiéis nesta matéria –, ao invés de vermos o rosto de Cristo com toda a nitidez, divisássemos apenas uma imagem esfumada e longínqua da sua figura! Examinemos hoje na nossa oração como vivemos essa “guarda da vista”, tão necessária para a vida sobrenatural, isto é, para ver a Deus, persuadidos de que, se não se tem esse olhar limpo, a visão torna-se confusa e disforme.

II. O CRISTÃO DEVE SABER ficar a salvo dessa grande onda de consumismo e de sensualidade que parece querer arrasar tudo. Não temos medo do mundo, porque nele recebemos a nossa chamada para a santidade, nem podemos desertar dele, porque o Senhor nos quer como fermento na massa; nós, os cristãos, “somos uma injeção intravenosa na corrente circulatória da sociedade”6.

Mas estar no meio do mundo não significa sermos frívolos e mundanos: Não te peço que os tires do mundo – pediu Jesus ao Pai –, mas que os livres do mal7. E os Apóstolos alertaram aqueles que se convertiam à fé para que vivessem a doutrina e a moral de Cristo precisamente num ambiente pagão muito parecido ao que nos rodeia nestes tempos8. Se alguém não se precavesse de uma maneira decidida, seria arrastado por esse clima de materialismo e de permissivismo. Mesmo em países de profunda tradição cristã, salta aos olhos como se têm difundido maneiras de viver e de pensar em clara oposição às exigências morais da fé cristã e até da própria lei natural.

Os propagadores do novo paganismo encontraram um aliado eficaz nessas diversões de massa que exercem uma grande influência no ânimo dos espectadores. Nos últimos anos, têm proliferado cada vez mais esses espetáculos que, sob os mais diversos pretextos ou sem pretexto algum, fomentam a concupiscência e um estado interior de impureza que dá lugar a muitos pecados internos e externos contra a castidade. A uma alma que vivesse nesse clima sensual, ser-lhe-ia impossível seguir o Senhor de perto…, e talvez nem sequer de longe.

Os Santos Padres utilizaram na sua pregação palavras duras para afastar os cristãos dos primeiros séculos dos espetáculos e diversões imorais9. E aqueles fiéis souberam prescindir – porque assim o pediam os novos ideais que haviam encontrado ao conhecerem a Cristo – das diversões que podiam desdizer das suas ânsias de santidade ou pôr em perigo a sua alma, a tal ponto que não raramente os pagãos se apercebiam da conversão de um amigo, de um parente ou de um vizinho porque deixava de assistir a esses espetáculos10, pouco coerentes ou totalmente opostos à delicadeza de consciência de uma pessoa que na sua vida encontrou a Cristo.

Sabemos nós fazer o mesmo? Sabemos cortar com diversões ou deixar de freqüentar lugares que desdizem de um cristão? Cuidamos da fé e da santa pureza dos filhos, dos irmãos mais novos, quando, por exemplo, um programa ou um seriado de televisão é inconveniente? Peçamos ao Senhor uma consciência delicada para afastarmos com firmeza, sem contemplações, tudo o que nos pode separar dEle ou esfriar o nosso propósito de segui-lo.

III. O CRISTIANISMO NÃO MUDOU: Jesus Cristo é o mesmo ontem, hoje e sempre11, e pede-nos a mesma fidelidade, fortaleza e exemplaridade que pedia aos primeiros discípulos. Nos nossos dias, também devemos navegar contra a corrente muitas vezes, ainda que os nossos amigos não nos entendam num primeiro momento, pois, além do mais, isso será freqüentemente um primeiro passo para que se aproximem de Deus e se decidam a viver uma profunda vida cristã.

A nossa lealdade para com Deus deve levar-nos a evitar as ocasiões de perigo para a alma. Por isso, antes de ligarmos a televisão ou de irmos a um espetáculo, devemos ter a certeza de que não serão ocasião de pecado. Na dúvida, devemos prescindir desses entretenimentos, e se, por estarmos mal informados, assistimos a um espetáculo que não condiz com a moral, lembremo-nos de que a atitude de todo o bom cristão é levantar-se e ir-se embora: Se o teu olho direito te escandaliza, arranca-o e atira-o para longe de ti12. Não assistir ou irmo-nos embora, é isso o que devemos fazer, sem medo de “parecermos estranhos” ou pouco naturais, pois o pouco natural em quem segue a Cristo é justamente o contrário.

Para vivermos como verdadeiros cristãos, devemos pedir ao Senhor a virtude da fortaleza, a fim de não transigirmos conosco próprios e sabermos falar com clareza aos outros sem medo do que poderão dizer, ainda que pareça que não vão entender as explicações que lhes dermos. As nossas palavras, acompanhadas pelo exemplo e por uma atitude cheia de segurança e de alegria, ajudá-los-ão a compreender e a procurar uma vida mais firme, princípios mais sólidos.

E se alguém afirma que essas diversões não lhe fazem mal algum, poderemos recordar-lhe que, de um modo imperceptível, se vai criando na alma uma crosta que impede o trato com Deus e a delicadeza e o respeito que todo o amor humano verdadeiro exige. Quando alguém diz que freqüentar esses lugares ou ver esses programas não passa para ele de um divertimento inofensivo, talvez seja esse precisamente o sinal de que necessita mais do que os outros de se abster deles. Possivelmente, já tem a alma endurecida e os olhos obnubilados para o bem.

Os cristãos, além de não assistirem a esses programas, de não contribuírem para eles nem com a mais pequena moeda, e de se esforçarem, cada um na medida das suas possibilidades, por impedi-los, devem contribuir positivamente para que haja espetáculos e diversões sadias e limpas, que sirvam para descansar do trabalho, para manter e fomentar o relacionamento, para cultivar o espírito de forma amena, etc.

São José, fiel à sua vocação de protetor de Jesus e de Maria, amou-os com amor puríssimo. Peçamos-lhe hoje que nos ajude a saber empregar com fortaleza os meios necessários para podermos contemplar a Deus com um olhar límpido e puro.

18ª Semana do Tempo Comum