19 de Setembro de 2019

24ª Semana Comum Quinta-feira

- por Padre Alexandre Fernandes

QUINTA FEIRA DA XXIV SEMANA COMUM
(verde – ofício do dia)

 

Antífona da entrada

 

– Ouvi, Senhor, as preces do vosso servo e do vosso povo eleito: dai a paz àqueles que esperam em vós, para que os vossos profetas sejam verdadeiros (Eclo 36,18).

 

Oração do dia

 

– Ó Deus, criador de todas as coisas, volvei para nós o vosso olhar e, para sentirmos em nós a ação do vosso amor, fazei que vos sirvamos de todo coração. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

1ª Leitura: 1 Tm 4, 12-16

– Leitura da primeira carta de são Paulo a Timóteo –  Caríssimo: 12Ninguém te despreze por seres jovem. Pelo contrário, serve de exemplo para os fiéis, na palavra, na conduta, na caridade, na fé, na pureza. 13Até que eu chegue, dedica-te à leitura, à exortação, ao ensino. 14Não descuides o dom da graça que tu tens 
e que te foi dada por indicação da profecia, acompanhada da imposição das mãos do presbitério. 15Com perseverança, põe estas coisas em prática, para que todos vejam o teu progresso. 16Cuida de ti mesmo e daquilo que ensinas. Mostra-te perseverante. Assim te salvarás a ti mesmo e também àqueles que te escutam. 

 

– Palavra do Senhor.

– Graças a Deus.

 

Salmo Responsorial: Sl 111, 7-8.9-10 (R: 2a)

 

– Grandiosas são as obras do Senhor!

R: Grandiosas são as obras do Senhor!

 

– As obras de suas mãos são verdade e justiça, imutáveis os seus preceitos, Irrevogáveis pelos séculos eternos, instituídos com justiça e equidade.

R: Grandiosas são as obras do Senhor!

 

– Enviou a seu povo a redenção, concluiu com ele uma aliança eterna. Santo e venerável é o seu nome.

R: Grandiosas são as obras do Senhor!

 

– O temor do Senhor é o começo da sabedoria; sábios são aqueles que o adoram. Sua glória subsiste eternamente.

R: Grandiosas são as obras do Senhor!

 

Aclamação ao santo Evangelho.

 

Aleluia, aleluia, aleluia.

Aleluia, aleluia, aleluia.

 

 – Vinde a mim, todos vós que estais cansados, e descanso eu vos darei, diz o Senhor (Mt 11,28).

 

Aleluia, aleluia, aleluia.

 

Evangelho de Jesus Cristo, segundo Lucas: Lc 7,36-50

– O Senhor esteja convosco.

– Ele está no meio de nós.

– Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo † segundo Lucas.

– Glória a vós, Senhor!

 

– Naquele tempo, 36Um fariseu convidou Jesus a ir comer com ele. Jesus entrou na casa dele e pôs-se à mesa. 37Uma mulher pecadora da cidade, quando soube que estava à mesa em casa do fariseu, trouxe um vaso de alabastro cheio de perfume; 38e, estando a seus pés, por detrás dele, começou a chorar. Pouco depois suas lágrimas banhavam os pés do Senhor e ela os enxugava com os cabelos, beijava-os e os ungia com o perfume. 39Ao presenciar isto, o fariseu, que o tinha convidado, dizia consigo mesmo: Se este homem fosse profeta, bem saberia quem e qual é a mulher que o toca, pois é pecadora. 40Então Jesus lhe disse: Simão, tenho uma coisa a dizer-te. Fala, Mestre, disse ele. 41Um credor tinha dois devedores: um lhe devia quinhentos denários e o outro, cinquenta. 42Não tendo eles com que pagar, perdoou a ambos a sua dívida. Qual deles o amará mais? 43Simão respondeu: A meu ver, aquele a quem ele mais perdoou. Jesus replicou-lhe: Julgaste bem. 44E voltando-se para a mulher, disse a Simão: Vês esta mulher? Entrei em tua casa e não me deste água para lavar os pés; mas esta, com as suas lágrimas, regou-me os pés e enxugou-os com os seus cabelos. 45Não me deste o ósculo; mas esta, desde que entrou, não cessou de beijar-me os pés. 46Não me ungiste a cabeça com óleo; mas esta, com perfume, ungiu-me os pés. 47Por isso te digo: seus numerosos pecados lhe foram perdoados, porque ela tem demonstrado muito amor. Mas ao que pouco se perdoa, pouco ama. 48E disse a ela: Perdoados te são os pecados. 49Os que estavam com ele à mesa começaram a dizer, então: Quem é este homem que até perdoa pecados? 50Mas Jesus, dirigindo-se à mulher, disse-lhe: Tua fé te salvou; vai em paz.

 

– Palavra da salvação.

– Glória a vós, Senhor!

São Januário foi zeloso, bondoso e sábio

- por Padre Alexandre Fernandes

São Januário foi venerado como protetor da peste e das erupções do vulcão Vesúvio

A história do santo deste dia se entrelaça com a cidade italiana de Nápoles, onde o corpo e sangue de Januário estão guardados. Este santo viveu no fim do século III e se tornara Bispo de Benevento, cidade próxima a Nápoles.

Como cristão estava constantemente se preparando para testemunhar (se preciso com o derramamento do próprio sangue) seu amor ao Senhor, já que naqueles tempos em que a Igreja estava sendo perseguida, não era difícil ser preso, condenado e martirizado pelos inimigos da Verdade.

Na função de Bispo foi zeloso, bondoso e sábio, até ser juntamente com seus diáconos, preso e condenado a virar comida dos leões no anfiteatro da cidade de Pozzuoli (a primeira terra italiana que pisou o apóstolo Paulo a caminho de Roma). Igual ao profeta Daniel e muitos outros, as feras lamberam, mas não avançaram nestes homens protegidos por Jesus. Nesse caso, sob a ordem do terrível imperador Diocleciano (último grande perseguidor), a única solução era a espada manejada pela irracional maldade humana. Foram decapitados. Isto ocorreu no ano 305.

Alguns cristãos, piedosamente, recolheram numa ampola o sangue do Bispo Januário para conservá-lo como preciosa relíquia e seu corpo acabou na Catedral de Nápoles. A partir disso, os napolitanos começaram a venerar o santo como protetor da peste e das erupções do vulcão Vesúvio.

Dentre tantos milagres alcançados pela sua intercessão, talvez o maior se deve ao seu sangue,“aquele guardado na ampola”.Acontece que o sangue é exposto na Catedral, no dia da festa de São Januário e o extraordinário é que há séculos, o sangue, durante uma cerimônia, do estado sólido passa para o estado líquido, mudando de cor, de volume e até seu peso duplica. A multidão edificada se manifesta com gritos, enquanto a ciência, que já provou ser sangue humano, silencia quanto a uma explicação para este fato, esclarecido somente pela fé.

São Januário, rogai por nós!

 

FONTE: Canção Nova

Meditação

- por Padre Alexandre Fernandes

Mostrou muito amor… (Lc 7,36-50)

 

            Este Evangelho traz uma cena incômoda. Sem mais rodeios, São Lucas registra a “saia justa” em que Jesus se surpreende, quando uma mulher de má fama invade o banquete, em casa de um fariseu, e se põe a beijar os pés de Jesus, molha-os com suas lágrimas e enxuga-os com os próprios cabelos.

 

            Em silêncio, o rígido anfitrião julga Jesus: “Não pode ser profeta o homem que se sujeita a essa relação impura”. Jesus, ao contrário, avalia tudo com outro olhar: “Ela muito amou…”

 

            O legalismo dos fariseus manifesta uma fixação na pureza ritual, separando estritamente pessoas e objetos em duas classes: puros e impuros. Naturalmente, eles se julgavam puros. Jesus, ao contrário, toca os leprosos, acolhe os pecadores e revela seu infinito potencial de transformar nossa impureza em sanidade, mudar pecado em perdão. Ele diz explicitamente: “Eu vim para os pecadores!” (Mc 2,17)

 

            Mas não podemos nos centrar no gesto de amor dessa mulher. Sim, ela muito amou, mas existe alguém que amou muito mais que ela: o próprio Deus! E é por meio de nossos pecados que esse amor se revela.

 

            Eis o que diz André Louf: “Para a mulher pecadora, foi necessário o pecado e o perdão. Mas para Deus, igualmente – e São Paulo o diz de maneira explícita – era necessário o pecado do homem, o de Adão e o nosso, para conseguir revelar- nos o amor de Deus. ‘A prova de que Deus nos ama, é que Cristo morreu por nós quando ainda éramos pecadores’ (Rm 5,8). Em sua Sabedoria misericordiosa, assim Deus o quis: o amor de Deus não é uma recompensa concedida àquele que é justo e não precisa de perdão. Ele é uma força que perdoa e restaura, que cobre uma multidão de pecados, que transborda e supera o fosso cavado entre Deus e sua criatura”.

 

            Esta verdade paradoxal parece inteiramente fora do alcance do fariseu legalista. Ele estava pronto a oferecer um banquete material só para justos, mas Jesus Cristo oferece um banquete espiritual para todo pecador capaz de chorar seus pecados.

 

            E o engano de Simão é denunciado à luz do sol quando o Mestre compara seu comportamento com o gesto da pecadora. Ele negara ao visitante a água para lavar os pés, o ósculo na face e o óleo perfumado; ela oferece lágrimas, beija os pés de Jesus e unge-os com uma essência preciosa (cf. Jo 12,3).

 

            Quem muito ama, muito é perdoado… Quem muito ama, muito perdoa…

 

Orai sem cessar: “Nossas culpas pesam sobre nós, mas tu as perdoas…” (Sl 65,4)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

18ª Semana do Tempo Comum