20 de Agosto de 2019

20ª semana comum Terça-feira

- por Padre Alexandre Fernandes

TERÇA FEIRA – SÃO BERNARDO – ABADE E DOUTOR

(Branco, pref. comum ou dos santos – ofício da memória)

 

Antífona da entrada

 

– No meio da Igreja o Senhor colocou a palavra nos seus lábios; deu-lhe o espírito de sabedoria e inteligência e o revestiu de glória..

 

Oração do dia

 

– Ó Deus que fizestes do abade são Bernardo, inflamado de zelo por vossa casa, uma luz que brilha e ilumina a Igreja, dai-nos por sua intercessão, o mesmo fervor para caminharmos sempre como filhos da luz. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

1ª Leitura: Jz 6,11-24a

 

– Leitura do livro dos Juízes: Naqueles dias, 11veio o anjo do Senhor e sentou-se debaixo de um carvalho que havia em Efra, e pertencia a Joás, da família de Abiezer. Gedeão, seu filho, estava sacudindo e limpando o trigo na eira, para o esconder dos madianitas, 12quando o anjo do Senhor lhe apareceu e disse: “O Senhor está contigo, valente guerreiro!” 13Gedeão respondeu: “Se o Senhor está conosco, peço-te, Senhor, que me digas por que nos aconteceu tudo isto? Onde estão aquelas tuas maravilhas que nossos pais nos contaram, dizendo: ‘O Senhor nos tirou do Egito’? Mas agora o Senhor nos abandonou e nos entregou nas mãos dos madianitas”. 14Então o Senhor voltou-se para ele e disse: “Vai, e com essa força que tens livra Israel da mão dos madianitas. Sou eu que te envio”. 15Gedeão replicou-lhe: “Dize-me, te peço, meu Senhor, como poderei eu libertar Israel? Minha família é a mais humilde de Manassés, e eu sou o último na casa de meu pai”. 16O Senhor lhe respondeu: “Eu estarei contigo, e tu derrotarás os madianitas como se fossem um só homem”. 17E Gedeão prosseguiu: “Se achei graça diante de ti, dá-me um sinal de que és tu que falas comigo. 18Não te afastes daqui, até que eu volte, com uma oferenda para te apresentar”. E o Senhor respondeu: “Ficarei aqui até voltares”. 19Gedeão retirou-se, preparou um cabrito e, com uma medida de farinha, fez pães ázimos. Pôs a carne num cesto e o caldo numa vasilha, levou tudo para debaixo do carvalho e lhe apresentou. 20O anjo do Senhor lhe disse: “Toma a carne e os pães ázimos, coloca-os sobre esta pedra e derrama por cima o caldo”. E Gedeão assim fez. 21O anjo do Senhor estendeu a ponta da vara que tinha na mão e tocou na carne e nos pães ázimos. Levantou-se então um fogo da pedra e consumiu a carne e os pães. E o anjo do Senhor desapareceu da sua vista. 22Percebendo que era o anjo do Senhor, Gedeão exclamou: “Ai de mim, Senhor Deus, porque vi o anjo do Senhor face a face!” 23Mas o Senhor lhe disse: “A paz esteja contigo, não tenhas medo: não morrerás!” 24aEntão Gedeão construiu ali mesmo um altar ao Senhor e o chamou: “O Senhor é paz”.

 

– Palavra do Senhor.

– Graças a Deus.

 

Salmo Responsorial: Sl 85, 9.11-12.13-14 (R: 9b)

 

– O Senhor anunciará a paz para o seu povo.
R: O Senhor anunciará a paz para o seu povo.

 

 – Quero ouvir o que o Senhor irá falar: é a paz que ele vai anunciar. A paz para o seu povo e seus amigos, para os que voltam ao Senhor seu coração.

R: O Senhor anunciará a paz para o seu povo.

 

– A verdade e o amor se encontrarão, a justiça e a paz se abraçarão; da terra brotará a fidelidade e a justiça olhará dos altos céus.

R: O Senhor anunciará a paz para o seu povo.

 

– O Senhor nos dará tudo o que é bom, e a nossa terra nos dará suas colheitas; a justiça andará na sua frente e a salvação há de seguir os passos seus.

R: O Senhor anunciará a paz para o seu povo.

 

Aclamação ao santo Evangelho

 

Aleluia, aleluia, aleluia.

Aleluia, aleluia, aleluia.

 

– Jesus Cristo, Senhor nosso, embora sendo rico, para nós se tornou pobre, afim de enriquecer-nos mediante sua pobreza  (2Cor 8,9).

 

Aleluia, aleluia, aleluia.

 

Evangelho de Jesus Cristo, segundo Mateus: Mt 19,23-30

 

– O Senhor esteja convosco.

– Ele está no meio de nós.

– Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo † segundo Mateus

– Glória a vós, Senhor!   

 

– Naquele tempo, 23Jesus disse aos discípulos: “Em verdade vos digo, dificilmente um rico entrará no reino dos Céus. 24E digo ainda: é mais fácil um camelo entrar pelo buraco de uma agulha, do que um rico entrar no Reino de Deus”. 25Ouvindo isso, os discípulos ficaram muito espantados, e perguntaram: “Então, quem pode ser salvo?” 26Jesus olhou para eles e disse: “Para os homens isso é impossível, mas para Deus tudo é possível”. 27Pedro tomou a palavra e disse a Jesus: “Vê! Nós deixamos tudo e te seguimos. Que haveremos de receber?” 28Jesus respondeu: “Em verdade vos digo, quando o mundo for renovado e o Filho do Homem se sentar no trono de sua glória, também vós, que me seguistes, havereis de sentar-vos em doze tronos para julgar as doze tribos de Israel. 29E todo aquele que tiver deixado casas, irmãos, irmãs, pai, mãe, filhos, campos, por causa do meu nome, receberá cem vezes mais e terá como herança a vida eterna. 30Muitos que agora são os primeiros, serão os últimos. E muitos que agora são os últimos, serão os primeiros.

 

– Palavra da salvação.

– Glória a vós, Senhor!   

Santo André Kim

- por Padre Alexandre Fernandes

Os primeiros mártires coreanos escreveram, com sangue, as primeiras páginas da história na Igreja

Tornamos célebre neste dia o testemunho dos 103 mártires coreanos que foram canonizados pelo Papa João Paulo II, na sua visita a Seul em maio de 1984.

Tudo começou no Século XVII, com o interesse pelo Cristianismo por parte de um grupo de letrados que ao lerem o livro do missionário Mateus Ricci com o título “O verdadeiro sentido de Deus”, tiveram a iniciativa de encarregar o filho do embaixador coreano na China, na busca das riquezas de Jesus Cristo.

Yi Sung-Hun dirigiu-se ao Bispo de Pequim que o catequizou e batizou, entrando por aí a Boa Nova na Coréia, ou seja, por meio de um jovem e ousado leigo cristão que, com amigos, fundaram uma primeira comunidade cristã.

Com a eficácia do Espírito, começaram a evangelizar de aldeia em aldeia ao ponto de somarem, em dez anos, dez mil testemunhas da presença do Ressuscitado. Várias vezes solicitaram do Bispo de Pequim o envio de sacerdotes, a fim de organizarem a Igreja. Roma, porém, era de difícil acesso e o Papa sofria com a prepotência de Napoleão, resultado: somente a Igreja pôde socorrer aos cristãos coreanos, trinta anos depois, quando os cristãos coreanos tinham sido martirizados aos milhares, juntamente com os 103 mártires, dentre estes: André Kim, o primeiro padre coreano morto em 1845; dez clérigos e 92 leigos.

Alguns testemunhos ficaram gravados, e dentre tantos: “Dado que o Senhor do céu é o Pai de toda a humanidade e o Senhor de toda a criação, como podeis pedir-me para o trair? Se neste mundo aquele que trair o pai ou a mãe não é perdoado, com maior razão, não posso nunca, trair aquele que é o Pai de todos nós!” (Teresa Kwon).

Os primeiros mártires coreanos escreveram, com sangue, as primeiras páginas da história na Igreja da própria pátria. Na data da canonização, bicentenária do início da evangelização da Coréia, esta nação contava com 1.4000.000 católicos, 14 Dioceses, 1.200 sacerdotes, 3.500 religiosos e 4.500 catequistas, atestando mais uma vez a frase de Tertuliano: “O sangue dos mártires é sangue de novos cristãos!”

Santo André Kim e companheiros mártires, rogai por nós!

FONTE: Canção Nova 

 

 

Meditação

- por Padre Alexandre Fernandes

O camelo no buraco da agulha… (Mt 19,23-30)

 

            Um divertido ensinamento de Jesus: vocês querem salvar-se? Então, sejam como um camelo que passa pelo furo de uma agulha. Para desgosto e incômodo de especialistas que tentam reduzir ou reinterpretar as palavras do Mestre, estamos diante de uma evidência: Jesus escolheu exatamente o maior animal da Palestina – o camelo – e o menor buraco da época – o furo de uma agulha. Mais uma vez, o Mestre apoia seus ensinamentos em coisas do dia a dia de seus ouvintes.

 

            Para que ele fez isto? Ora, para deixar bem claro que a salvação não é de modo algum uma conquista humana. Não será por nossos méritos acumulados, nem sangue, nem suor, nem mangas arregaçadas, que conseguiremos passar pelo “furo da agulha”. Ou Deus nos dá a salvação – pura graça – ou estamos condenados… Curiosamente, muitos honestos ficam incomodados com a descoberta. Os santos, ao contrário, ficam felizes: “Graças a Deus! Não depende de mim! É puro dom!”

 

            Assim comenta Helmut Gollwitzer: “Do ponto de vista humano, a questão da vida eterna acabaria em uma derrota, batendo de frente com o muro deste ‘impossível’! O destino ou as condições humanas desfavoráveis da existência humana nada podem fazer diante deste fracasso: a impossibilidade em questão é ainda mais grave. A derrota do homem provém da escravidão a que seu próprio eu o acorrenta. Assim ele fecha para si mesmo o caminho da vida eterna”.

 

            Então, nós estamos perdidos? Não, de modo algum. O impossível humano é possível para Deus (Mt 19,26). “Aquilo que a Lei não podia fazer – comenta Gollwitzer – Deus o realizou enviando-nos o seu próprio Filho. Tendo o homem fracassado diante dos mandamentos, Deus retoma em suas mãos a obra da salvação. Doravante, fica esclarecido o sentido da Graça.”

 

            Então, não é preciso o meu esforço? Precisa, sim… Se colaboramos, facilitamos a obra de Deus. Ganhar o Reino supõe, no começo, a perda e o abandono, diz o mesmo autor. Deixar a casa, os irmãos, os pais, a mulher e os filhos. Mas esta renúncia é apenas o início, não o fim. É assim que os olhos dos discípulos, apegados às coisas deste mundo, são orientados para o eon que vem.

 

            O mundo passa. Jesus não passa. Sem dúvida, deixar pelo caminho os pesados fardos acumulados pela vida a fora ajudará o camelo a transpor o caminho estreito. E o buraco da agulha se abrirá àquele que abandonou o supérfluo para receber – gratuitamente – o único necessário: o próprio Senhor dos impossíveis…

 

Orai sem cessar: “O Senhor resgata a vida de seus servos!” (Sl 34,23)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

26ª Semana do Tempo Comum