22 de Dezembro de 2019

4a semana do Advento Domingo

- por Padre Alexandre Fernandes

DOMINGO DA IV SEMANA DO DO ADVENTO
(roxo, creio, pref. do Advento IIA – IV semana do saltério )

 

Antífona da entrada

 

– Céus, deixai cair o orvalho, nuvens, chovei o justo; abra-se a terra e brote o Salvador! (Is 45,8)

 

Oração do dia

 

– Derramai, ó Deus, a vossa graça em nossos corações para que, conhecendo pela mensagem do anjo a encarnação do vosso Filho, cheguemos, por sua paixão e cruz, à glória da ressurreição. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

1ªLeitura: Is 7,10-14

 

– Leitura do livro do profeta Isaías: Naqueles dias, 10o Senhor falou com Acaz, dizendo: 11“Pede ao Senhor teu Deus que te faça ver um sinal, quer provenha da profundeza da terra, quer venha das alturas do céu”. 12Mas Acaz respondeu: “Não pedirei nem tentarei o Senhor”. 13Disse o profeta: “Ouvi então, vós, casa de Davi; será que achais pouco incomodar os homens e passais a incomodar até o meu Deus? 14Pois bem, o próprio Senhor vos dará um sinal: Eis que uma virgem conceberá e dará à luz um filho, e lhe porá o nome de Emanuel.

 

– Palavra do Senhor.

– Graças a Deus.

 

Salmo Responsorial: Sl 24,1-2.3-4ab.5-6 (R: 7c.10ab)

 

– O rei da glória é o Senhor onipotente; abri as portas para que ele possa entrar!
R: O rei da glória é o Senhor onipotente; abri as portas para que ele possa entrar!

– Ao Senhor pertence a terra e o que ela encerra, o mundo inteiro com os seres que o povoam; porque ele a tornou firme sobre os mares, e sobre as águas a mantém inabalável.

R: O rei da glória é o Senhor onipotente; abri as portas para que ele possa entrar!

– “Quem subirá até o monte do Senhor, quem ficará em sua santa habitação? ” “Quem tem mãos puras e inocente coração, quem não dirige sua mente para o crime.

R: O rei da glória é o Senhor onipotente; abri as portas para que ele possa entrar!

– Sobre este desce a bênção do Senhor e a recompensa de seu Deus e Salvador”. “É assim a geração dos que o procuram, e do Deus de Israel buscam a face”.

R: O rei da glória é o Senhor onipotente; abri as portas para que ele possa entrar!
 

2ª Leitura: Rom 1,1-7

 

– Leitura da carta de são Paulo aos Romanos: 1Eu, Paulo, servo de Jesus Cristo, apóstolo por vocação, escolhido para o Evangelho de Deus, 2que pelos profetas havia prometido, nas Sagradas Escrituras 3e que diz respeito a seu Filho, descendente de Davi segundo a carne, 4autenticado como Filho de Deus com poder, pelo Espírito de Santidade que o ressuscitou dos mortos, Jesus Cristo, Nosso Senhor. 5É por ele que recebemos a graça da vocação para o apostolado, a fim de podermos trazer à obediência da fé todos os povos pagãos, para a glória de seu nome. 6Entre esses povos estais também vós, chamados a ser discípulos de Jesus Cristo. 7A vós todos, que morais em Roma, amados de Deus e santos por vocação, graça e paz da parte de Deus, nosso Pai, e de nosso Senhor Jesus Cristo.

 

– Palavra do Senhor.

– Graças a Deus.

 

Aclamação ao santo Evangelho

 

Aleluia, aleluia, aleluia.

Aleluia, aleluia, aleluia.

 

 – Eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho. Chamar-se-á Emanuel, que significa: Deus conosco (Mt 1,23)

 

Aleluia, aleluia, aleluia.

 

Evangelho de Jesus Cristo, segundo Mateus: Mt 1,18-24

 

– O Senhor esteja convosco.

– Ele está no meio de nós.

– Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo † segundo Mateus.

– Glória a vós, Senhor!  

 

18A origem de Jesus Cristo foi assim: Maria, sua mãe, estava prometida em casamento a José, e, antes de viverem juntos, ela ficou grávida pela ação do Espírito Santo. 19José, seu marido, era justo e, não querendo denunciá-la, resolveu abandonar Maria, em segredo. 20Enquanto José pensava nisso, eis que o anjo do Senhor lhe apareceu, em sonho, e lhe disse: “José, Filho de Davi, não tenhas medo de receber Maria como tua esposa, porque ela concebeu pela ação do Espírito Santo. 21Ela dará à luz um filho, e tu lhe darás o nome de Jesus, pois ele vai salvar o seu povo de seus pecados”. 22Tudo isso aconteceu para se cumprir o que o Senhor havia dito pelo profeta: 23“Eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho. Ele será chamado pelo nome de Emanuel, que significa: Deus está conosco”. 24Quando acordou, José fez como o anjo do Senhor havia mandado e aceitou sua esposa.

 

– Palavra da salvação.

– Glória a vós, Senhor!  

Santa Francisca Xavier Cabríni

- por Padre Alexandre Fernandes

Santa Francisca, seguiu a carreira do magistério com as religiosas Filhas do Sagrado Coração de Jesus

Chamada por Pio XII de “heroína dos tempos modernos”, Santa Francisca nasceu em Sant’Angelo de Lódi, na Lomabardia, Itália, em 1850. Última dos 13 filhos de Agostinho Cabríni e Estela Oldini, recebeu no batismo o nome de Maria Francisca, ao qual mais tarde ajuntou o de Xavier, pelo seu amor e veneração ao apóstolo das Índias.

Aos 11 anos fez voto de castidade. Seguiu a carreira do magistério com as religiosas Filhas do Sagrado Coração de Jesus, em Arluno, terminando-a aos 18 anos. Sentindo vocação divina, pretendeu entrar para essa Congregação religiosa, mas foi recusada por falta de saúde.

Exerceu durante dois anos o cargo de professora primária em Vidardo e durante três anos dedicou-se na sua terra à instrução religiosa da juventude e ao tratamento dos enfermos e daqueles que eram atingidos pela peste. Aos 23 anos tentou mais uma vez ser religiosa nas Filhas do Sagrado Coração, mas de novo obteve uma negativa.

Após isso, Santa Francisca transladou-se à “Casa da Providência” em Codogno, a fim de a reformar, pois estava em franca decadência. Fez a profissão em 1877 e a partir disso, em meio a grandes tribulações e sofrimentos, ela encontrou as sete primeiras companheiras de sua futura Obra.

Três anos mais tarde, fundou uma nova Congregação religiosa. A 10 de novembro de 1880 alojou-se, com sete companheiras, num desmantelado Convento franciscano, onde, a 14 do mesmo mês, deu princípio ao novo Instituto, com a inauguração de uma capela em honra ao Sagrado Coração de Jesus. Um mês mais tarde, a sua Obra recebia a aprovação episcopal. Francisca contava então 30 anos.

Enquanto se dedicava com as companheiras à educação das meninas e à catequização dos rapazes, foi compondo as regras do seu Instituto, obra de prudência sobre-humana, que recebeu aprovação episcopal em 1881 e a definitiva da Santa Sé em 1907. Em 1884, com 7 anos de vida, a Obra já contava com cinco casas.

Em 1887, partiu para Roma onde, a princípio, só encontrou dificuldades e portas fechadas até que, com fé, simplicidade e perseverança, Santa Francisca obteve a autorização do Cardeal Vigário para construir uma escola gratuita para pobres fora da Porta Pia e um asilo infantil na Sabina, em Aspra.

O problema da emigração italiana para a América do Norte preocupava o então Bispo de Placença, Mons. Scalabrini, que pediu à serva de Deus algumas das suas religiosas para irem socorrer aqueles desamparados. Mas a virtuosa fundadora não se decidia a responder, pois pensava nas Missões do Oriente. Foi então consultar o Papa Leão XIII que, após ouvir Francisca, concluiu: “Não ao Oriente mas ao Ocidente”. E desde esse momento ficou decidida a sua partida para Nova Iorque, a qual veio realizar pela primeira vez em 1889.

Quase aos 40 anos de idade, começa uma série ininterrupta de viagens, percorrendo a América inteira, transpondo a cavalo a Cordilheira dos Andes, sendo por toda parte conhecida como a “Mãe dos emigrados”. Ia de casa em casa, a procura da ovelha perdida, do enfermo e da criança ignorante. Lutou denotadamente contra a fome, as enfermidades e a própria morte.

Em 1912 fez a sua última viagem de Roma a Nova Iorque. A santa fundadora das Missionárias do Sagrado Coração morreu em Illinois, perto de Chicago, a 22 de dezembro de 1917, com 67 anos de idade. Igual era o número das casas que então deixara fundadas e que em 1938 subiam a mais de 100, com cerca de 4.000 religiosas.

A fama das suas virtudes e os prodígios por ela operados fizeram que logo após a morte se começasse o processo da sua beatificação, que veio a se realizar em 1938. Foi canonizada pelo Papa Pio XII a 7 de julho de 1946.

Santa Francisca Xavier Cabríni, rogai por nós!

Meditação

- por Padre Alexandre Fernandes

Não tenhas receio… (Mt 1,18-24)

 

            Os ícones da Natividade sempre incluem a figura de José. Ele aparece como alguém que enfrenta uma tentação: a dúvida que seria desvanecida pela revelação em sonhos. No romance “A Sombra do Pai”, que tive a alegria de traduzir, o escritor polonês Jan Dobraczynski narra a “anunciação” a José:

 

“- Não temas, acolhe-a em tua casa…

 

José ouviu estas palavras como se alguém as tivesse pronunciado bem ao seu lado, em voz alta. Voltou-se bruscamente. Mas nada havia mudado à sua volta. A noite continuava prateada e gélida. A claridade das estrelas era tão viva, que podia ver tudo ao seu redor. Não havia ninguém. Apenas ali perto brotara uma flor branca que difundia intenso perfume. Não a tinha visto antes. É possível que a flor estivesse fechada e só tivesse aberto suas pétalas na obscuridade.

 

– Aceita-a em tua casa como esposa. Não foi um homem quem a arrebatou de ti… Foi Ele quem se inclinou sobre ela. O que há de nascer será o Salvador esperado por todos. O profeta falou sobre ela e sobre Ele. Virá para ensinar o maior dos amores. Não tenho palavras para sequer expressar o quanto Ele vos ama… Ele mesmo o dirá a vós, gênero humano. Ele vo-lo mostrará. Mas até que isto aconteça, tudo terá de permanecer oculto. Ele o quer assim, para não cegar com sua luz. Para não fazer violência. Quer conquistar-vos como um jovem conquista sua amada, vestindo-se de mendigo e depositando seu coração a seus pés. Exatamente tu deverias entender isto…

 

– Poderei fazê-lo? – Sussurrou. Eu a amo tanto!

 

– Acolhe-a em tua casa…

 

As últimas palavras diluíram-se no silêncio. Quando José se pôs de pé, a flor tinha desaparecido.

 

José sacudiu fortemente a cabeça, como se quisesse com esse movimento lançar para longe todos os ressentimentos humanos.

Bem ao longe, por cima do cume reluzente do Hermon, quebrou-se a cortina da noite. Uma franja clara de luz apareceu sobre a coroa dos picos.

Diante do dia nascente, ele estava como Josué no umbral da Terra Prometida e, como ele, sussurrou uma antiga oração:

 

– Aceito o peso de teu Reino, Senhor nosso…”

 

Orai sem cessar: “Na hora do medo, em Ti me refugio!” (Sl 56,4)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

18ª Semana do Tempo Comum