22 de Janeiro de 2020

2a Semana Comum Quarta-feira

- por Padre Alexandre Fernandes

QUARTA FEIRA – II SEMANA COMUM

(verde – ofício do dia)

 

Antífona da entrada

 

– Que toda a terra se prostre diante de vós, ó Deus, e cante louvores ao vosso nome, Deus altíssimo! (Sl 65,4)

 

Oração do dia

 

– Deus eterno e todo-poderoso, que governais o céu e a terra, escutai com bondade as preces do vosso povo e dai ao nosso tempo a vossa paz. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

1ª Leitura: 1 Sm 17,32-33.37.40-51

– Leitura do primeiro livro de Samuel: Naqueles dias, 32Davi foi conduzido a Saul e lhe disse: “Ninguém desanime por causa desse filisteu! Eu, teu servo, lutarei contra ele”. 33Mas Saul ponderou: “Não poderás enfrentar esse filisteu, pois tu és só ainda um jovem, e ele é um homem de guerra desde a sua mocidade”. 37Davi respondeu: “O Senhor me livrou das garras do leão e das garras do urso. Ele me salvará também das mãos deste filisteu”. Então Saul disse a Davi: “Vai, e que o Senhor esteja contigo”. 40Em seguida, tomou o seu cajado, escolheu no regato cinco pedras bem lisas e colocou-as no seu alforje de pastor, que lhe servia de bolsa para guardar pedras. Depois, com a sua funda na mão, avançou contra o filisteu. 41Este, que se vinha aproximando mais e mais, precedido do seu escudeiro, 42quando pôde ver bem Davi desprezou-o, porque era muito jovem, ruivo e de bela aparência. 43E lhe disse: “Sou por acaso um cão, para vires a mim com um cajado?” E o filisteu amaldiçoou Davi em nome de seus deuses. 44E acrescentou: “Vem, e eu darei a tua carne às aves do céu e aos animais da terra!” 45Davi respondeu: “Tu vens a mim com espada, lança e escudo; eu, porém, vou a ti em nome do Senhor todo-poderoso, o Deus dos exércitos de Israel que tu insultaste! 46Hoje mesmo, o Senhor te entregará em minhas mãos, e te abaterei e te cortarei a cabeça, e darei o teu cadáver e os cadáveres do exército dos filisteus às aves do céu e aos animais da terra, para que toda a terra saiba que há um Deus em Israel. 47E toda esta multidão de homens conhecerá que não é pela espada nem pela lança que o Senhor concede a vitória; porque o Senhor é o árbitro da guerra, e ele vos entregará em nossas mãos”. 48Logo que o filisteu avançou e marchou em direção a Davi, este saiu das linhas de formação e correu ao encontro do filisteu. 49Davi meteu, então, a mão no alforje, apanhou uma pedra e arremessou-a com a funda, atingindo o filisteu na fronte com tanta força, que a pedra se encravou na sua testa e o gigante tombou com o rosto em terra. 50E assim Davi venceu o filisteu, ferindo-o de morte com uma funda e uma pedra. 51E, como não tinha espada na mão, correu para o filisteu, chegou junto dele, arrancou-lhe a espada da bainha e acabou de matá-lo, cortando-lhe a cabeça. Vendo morto o seu guerreiro mais valente, os filisteus fugiram.

 

– Palavra do Senhor.

– Graças a Deus.

 

Salmo Responsorial: Sl 144,1.2.9-10 (R: 1a)

 

– Bendito seja o Senhor, meu rochedo!
R: Bendito seja o Senhor, meu rochedo!

– Bendito seja o Senhor, meu rochedo, que adestrou minhas mãos para a luta, e os meus dedos treinou para a guerra!

R: Bendito seja o Senhor, meu rochedo!

– Ele é meu amor, meu refúgio, libertador, fortaleza e abrigo; É meu escudo: é nele que espero, ele submete as nações a meus pés.

R: Bendito seja o Senhor, meu rochedo!

– Um canto novo, meu Deus, vou cantar-vos, nas dez cordas da harpa louvar-vos, a vós que dais a vitória aos reis e salvais vosso servo Davi.

R: Bendito seja o Senhor, meu rochedo!
 

Aclamação ao santo Evangelho

 

Aleluia, aleluia, aleluia.

Aleluia, aleluia, aleluia.

 

– Jesus pregava a boa nova, o reino anunciando, e curava toda espécie de doenças entre o povo (MT 4,23).

 

Aleluia, aleluia, aleluia.

 

Evangelho de Jesus Cristo, segundo Marcos: Mc 3,1-6

– O Senhor esteja convosco.

– Ele está no meio de nós.

– Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo † segundo Marcos.

– Glória a vós, Senhor!

 

– Naquele tempo, 1Jesus entrou de novo na sinagoga. Havia ali um homem com a mão seca. 2Alguns o observavam para ver se haveria de curar em dia de sábado, para poderem acusá-lo. 3Jesus disse ao homem da mão seca: “Levanta-te e fica aqui no meio!” 4E perguntou-lhes: “É permitido no sábado fazer o bem ou fazer o mal? Salvar uma vida ou deixá-la morrer?” Mas eles nada disseram. 5Jesus, então, olhou ao seu redor, cheio de ira e tristeza, porque eram duros de coração; e disse ao homem: “Estende a mão”. Ele a estendeu e a mão ficou curada. 6Ao saírem, os fariseus com os partidários de Herodes, imediatamente tramaram, contra Jesus, a maneira como haveriam de matá-lo.

 

– Palavra da salvação.

– Glória a vós, Senhor!

São Vicente

- por Padre Alexandre Fernandes

São Vicente tornou-se modelo para todos os cristãos e também padroeiro principal do patriarcado de Lisboa

Um santo amado e citado por muitos santos, como Santo Agostinho, Santo Ambrósio, São Prudêncio e outros que trouxeram à tona o testemunho desse grande diácono e mártir da Igreja.

Nasceu na Espanha, em Huesca, no século terceiro. De uma família muito distinta e conhecida por todos, ele escolheu ser cristão e, assim, viver a santidade.

Vicente viveu num período muito difícil da Igreja. Um tempo em que Diocleciano e Maximiano – imperadores –, começaram a perseguir os cristãos e forçar muitos a se declararem a favor dos deuses; caso contrário, seriam martirizados. O santo de hoje foi um dos que fez a opção por Jesus.

Ele era um grande pregador da Palavra, mais do que isso, buscava viver a Palavra que pregava, esta que é, antes de tudo, Cristo Jesus, o Santo dos Santos, o nosso modelo, o nosso Senhor e Salvador. Diante das ameaças do governador Darciano, ele não recusou a se dizer cristão e fiel ao Senhor.

Os tormentos o perseguiram. Foi um martírio lento, sempre com o objetivo de vencê-lo para que Darciano se desse como herói diante do Cristianismo, mas também com o objetivo de levar São Vicente a renunciar a própria fé, a sacrificar aos deuses. Fiel a Deus e sustentado pela oração, diante de si ele tinha o seu grande amor: Deus. Sendo assim, ele for martirizado aos poucos, até mesmo levado à grelha, tendo seu corpo dilacerado, jogado numa prisão e, por fim, Darciano deixou-o num leito pedindo que cuidassem dele. Ali, sim, ele foi visitado por outros cristãos e entregou-se a Deus.

São Vicente tornou-se modelo para todos os cristãos e também padroeiro principal do patriarcado de Lisboa e também da diocese de Faro.

São Vicente, rogai por nós!

Meditação

- por Padre Alexandre Fernandes

Um olhar de indignação… (Mc 3,1-6)

 

            No meio da sinagoga, Jesus faz a pergunta: “É lícito, ou não, salvar uma vida em dia de sábado?” O que está em questão é certa hierarquia nos mandamentos e preceitos. E existe para os judeus um valor supremo: a vida humana. Para preservá-la, era lícito quebrar qualquer preceito, com três exceções: a interdição do homicídio (mesmo como autodefesa!), do adultério e da idolatria. No caso de risco iminente de idolatria, os sábios do Talmud admitiam até o suicídio. Foi assim que os defensores da fortaleza de Massada preferiram matar-se a se renderem aos romanos que sitiavam a montanha.

 

            Diante da pergunta de Jesus, na sinagoga, todos se calam, mesmo conhecendo a resposta. É o sinal muito claro da má consciência. Esperavam que Jesus curasse no sábado para, a seguir, acusá-lo de impiedade. Em sua indiferença para com o aleijado, de certa forma, repetem a pergunta de Caim: “Sou eu, por acaso, o guarda de meu irmão?” E o “irmão” está ali, bem à frente deles: o homem de mão seca. Se fosse o jumento caído no fosso em pleno sábado, correriam a retirá-lo. Já o homem aleijado deveria esperar pelo dia seguinte, se algum médico se dispusesse a cuidar dele…

 

            Daí o olhar de Jesus: olhar de indignação. No latim da Vulgata, Jesus olhou em volta “cum ira”. É das raras situações em que Jesus aparece dominado por sentimentos dessa natureza. Antes, o vemos calmo, amoroso, comovido com a dor alheia, até mesmo em lágrimas pelo amigo morto.

 

            E que é que deixa Jesus irado? A perda do sentido do sagrado (como quando expulsa os mercadores do Templo) e a indiferença diante das necessidades dos pequenos deste mundo, sejam as criancinhas (espantadas pelos discípulos), os leprosos (marginalizados pela sociedade) ou os enfermos (como este homem “de mão seca”)…

 

            Examinemos nossa própria vida. Qual será o olhar de Jesus sobre nós, levando-se em conta nossas atitudes nestas duas situações: o respeito pelas coisas sagradas e nossa acolhida aos mais abandonados?

 

            Afinal, há dois tipos de Templo onde Deus habita: o templo material (feito de pedras, madeira, alvenaria, como a basílica romana e a capelinha no alto do morro) e o templo humano (o coração do homem e da mulher, onde habita o Espírito de Deus).

 

            Como está nossa veneração pelo Templo do Senhor?

 

Orai sem cessar: “Senhor, tu me tomaste a mão direita!” (Sl 73,23)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

29ª Semana do Tempo Comum