22 de Março de 2019

2ª Semana da Quaresma - Sexta-feira

- por Padre Alexandre Fernandes

SEXTA FEIRA –II SEMANA DA QUARESMA

(Roxo, ofício do dia)

 

Antífona da entrada

 

– Senhor, a vós recorro, que eu não seja confundido para sempre. Vós me tirais do laço que me amarraram, vós sois meu protetor (Sl 30,2.5).

 

Oração do dia

 

– Concedei-nos, ó Deus todo-poderoso, que, purificados pelo esforço da penitência, cheguemos de coração sincero às festas da Páscoa que se aproximam. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo.

 

1ª Leitura: Gn 37,3-4.12-13.17-28

 

– Leitura do livro do Gênesis: 3Israel amava mais a José do que a todos os outros filhos, porque lhe tinha nascido na velhice. E por isso mandou fazer para ele uma túnica de mangas longas. 4Vendo os irmãos que o pai o amava mais do que a todos eles, odiavam-no e já não lhe podiam falar pacificamente.
12Ora, como os irmãos de José tinham ido apascentar o rebanho do pai em Siquém, 13adisse Israel a José: “Teus irmãos devem estar com os rebanhos em Siquém. Vem, vou enviar-te a eles”. 17bPartiu, pois, José atrás de seus irmãos e encontrou-os em Dotaim. 18Eles, porém, tendo-o visto ao longe, antes que se aproximasse, tramaram a sua morte. 19Disseram entre si: “Aí vem o sonhador! 20Vamos matá-lo e lançá-lo numa cisterna, depois diremos que um animal feroz o devorou. Assim veremos de que lhe servem os sonhos”. 21Rúben, porém, ouvindo isto, disse-lhes: 22“Não lhe tiremos a vida”! E acrescentou: “Não derrameis sangue, mas lançai-o naquela cisterna do deserto, e não o toqueis com as vossas mãos”. Dizia isto, porque queria livrá-lo das mãos deles e devolvê-lo ao pai. 23Assim que José chegou perto dos irmãos, estes despojaram-no da túnica de mangas longas, pegaram nele 24e lançaram-no numa cisterna que não tinha água. 25Depois, sentaram-se para comer. Levantando os olhos, avistaram uma caravana de ismaelitas, que se aproximava, proveniente de Galaad. Os camelos iam carregados de especiarias, bálsamo e resina, que transportavam para o Egito. 26E Judá disse aos irmãos: “Que proveito teríamos em matar nosso irmão e ocultar o seu sangue? 27É melhor vendê-lo a esses ismaelitas e não manchar nossas mãos, pois ele é nosso irmão e nossa carne”. Concordaram os irmãos com o que dizia. 28Ao passarem os comerciantes madianitas, tiraram José da cisterna, e por vinte moedas de prata o venderam aos ismaelitas: e estes o levaram para o Egito.

– Palavra do Senhor.

– Graças a Deus.

 

Salmo Responsorial: Sl 105,16-17.18-19.20-21 (R: 5a)

 

– Lembrai sempre as maravilhas do Senhor!
R: Lembrai sempre as maravilhas do Senhor!

– Mandou vir, então, a fome sobre a terra e os privou de todo pão que os sustentava; um homem enviara à sua frente, José que foi vendido como escravo.

R: Lembrai sempre as maravilhas do Senhor!

– Apertaram os seus pés entre grilhões e amarraram seu pescoço com correntes, até que se cumprisse o que previra, e a palavra do Senhor lhe deu razão.

R: Lembrai sempre as maravilhas do Senhor!

– Ordenou, então, o rei que o libertassem, o soberano das nações mandou soltá-lo; fez dele o senhor de sua casa, e de todos os seus bens o despenseiro.

R: Lembrai sempre as maravilhas do Senhor!
 

Evangelho de Jesus Cristo, segundo Mateus: Mt 21,33-43.45-46

 

Jesus Cristo, sois bendito, sois o ungido de Deus Pai!

Jesus Cristo, sois bendito, sois o ungido de Deus Pai!

 

– Deus o mundo tanto amou, que lhe deu seu próprio Filho, para que todo o que nele crer encontre vida eterna  (Jo 3,16)

 

Jesus Cristo, sois bendito, sois o ungido de Deus Pai!

 

– O Senhor esteja convosco.

– Ele está no meio de nós.

– Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo † segundo Mateus

– Glória a vós, Senhor!  

 

Naquele tempo, dirigindo-se Jesus aos chefes dos sacerdotes e aos anciãos do povo, disse-lhes: 33“Escutai esta outra parábola: Certo proprietário plantou uma vinha, pôs uma cerca em volta, fez nela um lagar para esmagar as uvas e construiu uma torre de guarda. Depois arrendou-a a vinhateiros, e viajou para o estrangeiro. 34Quando chegou o tempo da colheita, o proprietário mandou seus empregados aos vinhateiros para receber seus frutos.  35Os vinhateiros, porém, agarraram os empregados, espancaram a um, mataram a outro, e ao terceiro apedrejaram. 36O proprietário mandou de novo outros empregados, em maior número do que os primeiros. Mas eles os trataram da mesma forma. 37Finalmente, o proprietário enviou-lhes o seu filho, pensando: ‘Ao meu filho eles vão respeitar’. 38Os vinhateiros, porém, ao verem o filho, disseram entre si: ‘Este é o herdeiro. Vinde, vamos matá-lo e tomar posse da sua herança!’ 39Então agarraram o filho, jogaram-no para fora da vinha e o mataram. 40Pois bem, quando o dono da vinha voltar, que fará com esses vinhateiros?” 41Os sumos sacerdotes e os anciãos do povo responderam: “Com certeza mandará matar de modo violento esses perversos e arrendará a vinha a outros vinhateiros, que lhe entregarão os frutos no tempo certo”. 42Então Jesus lhes disse: “Vós nunca lestes nas Escrituras: ‘A pedra que os construtores rejeitaram tornou-se a pedra angular; isto foi feito pelo Senhor e é maravilhoso aos nossos olhos?” 43Por isso eu vos digo: o Reino de Deus vos será tirado e será entregue a um povo que produzirá frutos. 45Os sumos sacerdotes e fariseus ouviram as parábolas de Jesus, e compreenderam que estava falando deles. 46Procuraram prendê-lo, mas ficaram com medo das multidões, pois elas consideravam Jesus um profeta.

 

– Palavra da salvação.

– Glória a vós, Senhor!  

Santa Catarina de Gênova

- por Padre Alexandre Fernandes

Catarina, chamada pelos contemporâneos Catarininha, nasceu em Gênova em 1447, filha de Francisca di Negro e Tiago Fieschi, então vice-rei de Nápoles sob Renato de Anjou. Os Fieschi tinham dado à Igreja dois papas (Inocêncio IV e Adriano V) e com os Grimaldi chefiavam o partido guelfo. Quando completou 16 anos de idade, seus pais deram-na como esposa ao guibelino Juliano Adorno, não obstante ela ter pedido, três anos antes, para tornar-se cônega lateranense como sua irmã Limbânia. A vida desregrada e imoral de Juliano (que tinha cinco filhos naturais) influenciou negativamente

Catarina, que embasou os primeiros anos de seu matrimônio no autobiográfico Diálogo da chamada Catarininha entre a alma e o corpo. Junto com o amor próprio reduzido depois ao espírito com a humanidade.

A santa imagina uma alma fazendo com o corpo este trato: “Sairemos pelo mundo, e se eu encontrar coisa de que gosto, desfrutá-la-ei, e tu farás o mesmo quando encontrares algo de que gostas, e quem encontrar mais gozará mais”. Mas a aliança entre o corpo e o amor próprio, logo reduz a alma a mau partido: “À alma não ficou senão pequeno remorso, do qual, porém, nem fazia caso… Esta pobre alma, em pouco tempo se encontrou tão cheia de pecados e ingratidão nas costas, sem ver nenhuma saída, tanto que ficava fora de cogitação qualquer solução”. Então exclama: “Pobre de mim, quem me livrará de tantos ais? Só Deus o pode! Senhor, fazei com que eu veja a luz, para que possa sair de tantos laços”.

Tiveram início então suas experiências interiores nas quais Catarina se inspirou para outra famosa obra, o Tratado do Purgatório, cujo prólogo a declarava “colocada no purgatório do incendiado amor divino, que a queimava toda e purificava-a de tudo o que tinha a purificar”. Catarina concretizou o seu desejo de renovação espiritual na mortificação e na caridade.

Foi ela que estimulou Heitor Vernazza a transformar a companhia da Misericórdia em Companhia (e depois Oratório) do Divino Amor, iniciativa que se difundiu também em Roma e em Nápoles e que teve como “sócios” são Caetano de Thiene e o futuro Paulo IV. Era a realização de tudo o que escrevera no Diálogo: “Não se encontra caminho mais breve, nem melhor, nem mais seguro para a nossa salvação do que esta nupcial e doce veste da caridade”.

FONTE: PAULUS 

Meditação

- por Padre Alexandre Fernandes

A época das colheitas… (Mt 21,33-43.45-46)

 

            Nós vivemos no tempo. Humanos, somos seres “históricos”. Depois, além do tempo, virá a eternidade. Por ora, nós ainda temos um tempo (ninguém sabe quanto!) para viver e cumprir a tarefa que nos foi confiada…

 

            Esta duração a que chamamos “tempo” se manifesta em ciclos sucessivos. Assim sobrevêm as estações do ano: primavera, verão, outono, inverno. Chuvas e neves, frio e calor, flores e frutos. Nossos poetas (essa estranha raça movida a lirismo!) não se cansam de recorrer ao ciclo das estações como imagem da própria vida humana: infância, juventude, maturidade, velhice.

 

            Desde que nós inventamos os medidores de tempo, cada vez mais sofisticados – o quadrante solar, a ampulheta, a clepsidra, o relógio mecânico, o atômico – estamos atentos à passagem do tempo e à sucessão das horas. Até mesmo a vida monástica se organizou em torno das “Horas”: matinas e laudes, prima, terça, sexta e noa, vésperas e completas. Toca o sino, cortando o dia e a noite em fatias de orar e laborar. Ora et labora. Enquanto os monges rezam, a vida passa…

 

            É assim também a vida no campo: preparar a terra, semear, deixar crescer e, enfim, colher. Quem não semeia, não colhe. O futuro é feito do passado. “Quem semeia entre lágrimas, há de colher com alegria”, diz o salmista. (Sl 126,5.) E “o que semeia pouco, pouco há de ceifar” (cf. 2Cor 9,6). Mas virá a hora da colheita – diz a parábola de hoje -, quando o Senhor da Terra há de verificar o trabalho que fizemos, à espera de algum retorno para seu investimento em nós.

 

            Nesta expressiva parábola, o fruto do trabalho humano não só é negado ao legítimo Dono, mas até mesmo seu Filho único é morto pelos vinhateiros. Os lavradores da vinha agem como se fossem senhores da terra. Uma usurpação. Um misto de rebeldia e rejeição que não ficará sem castigo…

 

            Claro que Jesus Cristo – por acaso o narrador da história e, ao mesmo tempo, o Filho assassinado! – se refere pontualmente à história de seu próprio povo, a quem Deus já se dirigira primeiramente através dos profetas e, na plenitude dos tempos (isto é, na hora da colheita!) através de seu próprio Filho. História de um povo amado, escolhido, privilegiado. Assim como nós…

 

            Estamos diante do terrível mistério da recusa de Deus. Ele se mostra, se oferece, se entrega… e nós o recusamos? Qual será a nossa colheita?

 

Orai sem cessar: “Minhas horas estão em tuas mãos, Senhor!” (Sl 31,16)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

29ª Semana do Tempo Comum

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