22 de Março de 2020

4a Semana da Quaresma Domingo

- por Padre Alexandre Fernandes

IV DOMINGO DA QUARESMA 

(Roxo, creio, prefácio próprio, IV semana do saltério)

 

Antífona da entrada

 

– Alegra-te Jerusalém! Reuni-vos todos que a amais: vós que estais tristes, exultai de alegria! Saciai-vos com a abundância de suas consolações

(Is 66,10).

 

Oração do dia

 

– Ó Deus, que por vosso Filho realizais de modo admirável a reconciliação do gênero humano, concedei ao povo cristão correr ao encontro das festas que se aproximam cheio de fervor e exultando de fé. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

1ª Leitura: 1 Sm 16,1b.6-7.10-13a

 

– Leitura do primeiro livro de Samuel – Naqueles dias, o Senhor disse a Samuel: 1b Enche o chifre de óleo e vem para que eu te envie à casa de Jessé de Belém, pois escolhi um rei para mim entre os seus filhos. 6Assim que chegou, Samuel viu a Eliab e disse consigo "Certamente é este o ungido do Senhor!" 7Mas o Senhor disse-lhe: "Não olhes para a sua aparência nem para a sua grande estatura, porque eu o rejeitei. Não julgo segundo os critérios do homem: o homem vê as aparências, mas o Senhor olha o coração". 10Jessé fez vir seus sete filhos à presença de Samuel, mas Samuel disse: "O Senhor não escolheu a nenhum deles". 11E acrescentou: "Estão aqui todos os teus filhos?" Jessé respondeu: Resta ainda o mais novo que está apascentando as ovelhas". E Samuel ordenou a Jessé: "Manda buscá-lo, pois não nos sentaremos à mesa enquanto ele não chegar". 12Jessé mandou buscá-lo. Era Davi, ruivo, de belos olhos e de formosa aparência. E o Senhor disse: "Levanta-te, unge-o: é este!" 13ª Samuel tomou o chifre com óleo e ungiu a Davi na presença de seus irmãos. E a partir daquele dia o espírito do Senhor se apoderou de Davi.
 

– Palavra do Senhor.

– Graças a Deus.

 

Salmo Responsorial: Sl 23,1-3a.3b-4.5.6 (R: 1)

 

– O Senhor é o pastor que me conduz; não me falta coisa alguma.
R: O Senhor é o pastor que me conduz; não me falta coisa alguma.

– O Senhor é o pastor que me conduz; não me falta coisa alguma. Pelos prados e campinas verdejantes ele me leva a descansar. Para as águas repousantes me encaminha, e restaura as minhas forças.

R: O Senhor é o pastor que me conduz; não me falta coisa alguma.

– Ele me guia no caminho mais seguro, pela honra do seu nome. Mesmo que eu passe pelo vale tenebroso, nenhum mal eu temerei. Estais comigo com bastão e com cajado, eles me dão a segurança!

R: O Senhor é o pastor que me conduz; não me falta coisa alguma.

– Preparais à minha frente uma mesa, bem à vista do inimigo; com óleo vós ungis minha cabeça, e o meu cálice transborda.

R: O Senhor é o pastor que me conduz; não me falta coisa alguma.

– Felicidade e todo bem hão de seguir-me, por toda a minha vida; e, na casa do Senhor, habitarei pelos tempos infinitos.

R: O Senhor é o pastor que me conduz; não me falta coisa alguma.

 

 

2ª Leitura: Ef 5,8-14

 

– Leitura da carta de são Paulo aos Efésios – Irmãos: 8Outrora éreis trevas, mas agora sois luz no Senhor. Vivei como filhos da luz. 9E o fruto da luz chama-se: bondade, justiça, verdade. 10Discerni o que agrada ao Senhor. 11Não vos associeis às obras das trevas, que não levam a nada; antes, desmascarai-as. 12O que essa gente faz em segredo, tem vergonha até de dizê-lo. 13Mas tudo que é condenável torna-se manifesto pela luz; e tudo o que é manifesto é luz. 14É por isso que se diz: "Desperta, tu que dormes, levanta-te dentre os mortos e sobre ti Cristo resplandecerá".
 

– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.

 

Evangelho de Jesus Cristo, segundo João: Jo 9,1-41

 

Louvor e honra a vós, Senhor Jesus…

Louvor e honra a vós, Senhor Jesus…

 

– Pois eu sou a luz do mundo, quem nos diz é o Senhor; e vai ter a luz da vida quem se faz meu seguidor! (Jo 8,12).

 

Louvor e honra a vós, Senhor Jesus…

 

– O Senhor esteja convosco.

– Ele está no meio de nós.

– Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo † segundo João

– Glória a vós, Senhor!  

Naquele tempo: 1Ao passar, Jesus viu um homem cego de nascença. 2Os discípulos perguntaram a Jesus: 'Mestre, quem pecou para que nascesse cego:
ele ou os seus pais?' 3Jesus respondeu: 'Nem ele nem seus pais pecaram, mas isso serve para que as obras de Deus se manifestem nele. 4É necessário que nós realizemos as obras daquele que me enviou, enquanto é dia. Vem a noite, em que ninguém pode trabalhar. 5Enquanto estou no mudo, eu sou a luz do mundo.' 6Dito isto, Jesus cuspiu no chão, fez lama com a saliva e colocou-a sobre os olhos do cego. 7E disse-lhe: 'Vai lavar-te na piscina de Siloé' (que quer dizer: Enviado). O cego foi, lavou-se e voltou enxergando. 8Os vizinhos e os que costumavam ver o cego – pois ele era mendigo – diziam: 'Não é aquele que ficava pedindo esmola?' 9Uns diziam: 'Sim, é ele!' Outros afirmavam: 'Não é ele, mas alguém parecido com ele.' Ele, porém, dizia: 'Sou eu mesmo!' 10Então lhe perguntaram: 'Como é que se abriram os teus olhos?' 11Ele respondeu: 'Aquele homem chamado Jesus fez lama, colocou-a nos meus olhos e disse-me: 'Vai a Siloé e lava-te'. Então fui, lavei-me e comecei a ver.' 12Perguntaram-lhe: 'Onde está ele?' Respondeu: 'Não sei.' 13Levaram então aos fariseus o homem que tinha sido cego. 14Ora, era sábado, o dia em que Jesus tinha feito lama e aberto os olhos do cego. 15Novamente, então, lhe perguntaram os fariseus como tinha recuperado a vista. Respondeu-lhes: 'Colocou lama sobre meus olhos, fui lavar-me e agora vejo!' 16Disseram, então, alguns dos fariseus: 'Esse homem não vem de Deus, pois não guarda o sábado.' Mas outros diziam: 'Como pode um pecador fazer tais sinais?' 17E havia divergência entre eles. Perguntaram outra vez ao cego: 'E tu, que dizes daquele que te abriu os olhos?' Respondeu: 'É um profeta.' 18Então, os judeus não acreditaram que ele tinha sido cego e que tinha recuperado a vista. Chamaram os pais dele 19e perguntaram-lhes: 'Este é o vosso filho, que dizeis ter nascido cego? Como é que ele agora está enxergando?' 20Os seus pais disseram: 'Sabemos que este é nosso filho e que nasceu cego. 21Como agora está enxergando, isso não sabemos. E quem lhe abriu os olhos também não sabemos. Interrogai-o, ele é maior de idade, ele pode falar por si mesmo.' 22Os seus pais disseram isso, porque tinham medo das autoridades judaicas. De fato, os judeus já tinham combinado expulsar da comunidade quem declarasse que Jesus era o Messias. 23Foi por isso que seus pais disseram: 'É maior de idade. Interrogai-o a ele.' 24Então, os judeus chamaram de novo o homem que tinha sido cego. Disseram-lhe: 'Dá glória a Deus! Nós sabemos que esse homem é um pecador.' 25Então ele respondeu: 'Se ele é pecador, não sei. Só sei que eu era cego e agora vejo.' 26Perguntaram-lhe então: 'Que é que ele te fez? Como te abriu os olhos?' 27Respondeu ele: 'Eu já vos disse, e não escutastes. Por que quereis ouvir de novo? Por acaso quereis tornar-vos discípulos dele?' 28Então insultaram-no, dizendo: 'Tu, sim, és discípulo dele! Nós somos discípulos de Moisés. 29Nós sabemos que Deus falou a Moisés, mas esse, não sabemos de onde é.' 30Respondeu-lhes o homem: 'Espantoso! Vós não sabeis de onde ele é? No entanto, ele abriu-me os olhos! 31Sabemos que Deus não escuta os pecadores, mas escuta aquele que é piedoso e que faz a sua vontade. 32Jamais se ouviu dizer que alguém tenha aberto os olhos a um cego de nascença. 33Se este homem não viesse de Deus, não poderia fazer nada'. 34Os fariseus disseram-lhe: 'Tu nasceste todo em pecado e estás nos ensinando?' E expulsaram-no da comunidade. 35Jesus soube que o tinham expulsado. Encontrando-o, perguntou-lhe: 'Acreditas no Filho do Homem?' 36Respondeu ele: 'Quem é, Senhor, para que eu creia nele?' 37Jesus disse: 'Tu o estás vendo; é aquele que está falando contigo.' Exclamou ele: 38'Eu creio, Senhor'! E prostrou-se diante de Jesus. 39Então, Jesus disse: 'Eu vim a este mundo para exercer um julgamento, a fim de que os que não veem, vejam, e os que veem se tornem cegos.' 40Alguns fariseus, que estavam com ele, ouviram isto e lhe disseram:
'Porventura, também nós somos cegos?' 41Respondeu-lhes Jesus: 'Se fôsseis cegos, não teríeis culpa; mas como dizeis: 'Nós vemos', o vosso pecado permanece.'

 

– Palavra da salvação.

– Glória a vós, Senhor!  

Santa Catarina de Gênova

- por Padre Alexandre Fernandes

Catarina nasceu na cidade de Gênova, na Itália, em 1447. Filha de família nobre, recebeu uma educação cristã, católica, fervorosa. Casou-se com Giuliano Adorno que, logo após o casamento, passa a apresentar um caráter diferente, nada nobre, gastando mito dinheiro em jogos de azar. A própria Catarina foi induzida a levar uma vida mundana, na qual não encontrava serenidade e paz. Após dez anos, sentia um profundo sentimento de vazio e amargura em seu coração.

 

Catarina, então, procura um diretor espiritual e começa a abrir-se com ele e percebe que o caminho que estava seguindo não era bom. Seu conselheiro lhe aponta um novo caminho de vida, ajudando-a a fazer uma purificação, readquirindo os valores que ela sempre carregou consigo, mas que havia perdido. Assim, aos poucos, Catarina recupera a dignidade de filha de Deus.

 

Novamente, Catarina se abandona nas mãos de Deus, deixando a vida mundana, levando uma vida de profunda união com Deus, sobretudo com a prática dos santos sacramentos. Por graça de Deus, ela consegue, também, a conversão do seu esposo, que deixou a vida mundana, passando a ajudar nas obras de caridade.

 

Catarina de Gênova destacou-se na ajuda aos doentes. Trabalhou até o último ano de sua vida, em 1510. Sua vida nos ensina que Deus nos chama à conversão, em qualquer momento de nossa vida. Catarina ouviu o chamado de Deus e respondeu com generosidade, ganhando a vida eterna e tornando-se modelo de santidade no cotidiano da vida.

Santa Catarina de Gênova, Rogai por nós!

Meditação

- por Padre Alexandre Fernandes

 

 

TEMPO DA QUARESMA. QUARTO DOMINGO

26. A ALEGRIA DA CRUZ

– A alegria é compatível com a mortificação e a dor. Opõe-se à tristeza, não à penitência.

– A alegria tem uma origem espiritual, surge de um coração que ama e se sente amado por Deus.

– Deus ama aquele que dá com alegria.

I. REGOZIJA-TE, JERUSALÉM; e alegrai-vos com ela, vós que a amais; regozijai-vos com a sua alegria…, rezamos na antífona de entrada da Missa: Laetare, Ierusalem…1

A alegria é uma característica essencial do cristão, e a Igreja não deixa de no-la recordar neste tempo litúrgico, para que não esqueçamos que ela deve estar presente em todos os momentos da nossa vida.

Existe uma alegria que sobressai na esperança do Advento, outra viva e radiante no tempo de Natal; mais tarde, a alegria de estar com Cristo ressuscitado; e hoje, já avançada a Quaresma, meditamos na alegria da Cruz. É sempre o mesmo júbilo de estar com Cristo: “Somente dEle é que cada um de nós pode dizer com plena verdade, juntamente com São Paulo: Amou-me e entregou-se por mim (Gal 2, 20). Daí deve partir a vossa alegria mais profunda, daí deve advir também a vossa força e o vosso ponto de apoio. Se, por desgraça, deveis encontrar amarguras, padecer sofrimentos, experimentar incompreensões e até cair em pecado, que o vosso pensamento se dirija rapidamente para Aquele que vos ama sempre e que, com o seu amor ilimitado, faz vencer todas as provas, preenche todos os nossos vazios, perdoa todos os nossos pecados e nos impele com entusiasmo para um caminho novamente seguro e alegre”2.

Este domingo é tradicionalmente conhecido por Domingo “Laetare”, em vista da primeira palavra do Intróito da Missa. Interrompe-se a severidade da liturgia quaresmal, que é substituída pela alegria. Hoje permite-se que os paramentos do sacerdote – se se dispõe deles – sejam de cor rosa ao invés de roxos3, e que se enfeite o altar com flores, coisa que não se faz nos outros dias da Quaresma4.

A Igreja quer recordar-nos assim que a alegria é perfeitamente compatível com a mortificação e a dor. O que se opõe à alegria é a tristeza, não a penitência. Vivendo com profundidade este tempo litúrgico que conduz à Paixão – e portanto à dor –, compreendemos que aproximar-se da Cruz significa também aproximar-se do momento da Redenção, e por isso a Igreja e cada um dos seus filhos se enchem de alegria:Laetare: Rogozija-te, Jerusalém, e alegrai-vos com ela, vós que a amais.

A mortificação que procuramos viver nestes dias não deve ensombrar a nossa alegria interior, mas, pelo contrário, deve fazê-la crescer, porque está prestes a realizar-se essa sobreabundância de amor pelos homens que é a Paixão, e é iminente o júbilo da Páscoa. Por isso queremos estar muito unidos ao Senhor, para que também na nossa vida se repita o mesmo processo da sua: chegarmos, pela sua Paixão e Cruz, à glória e à alegria da sua Ressurreição.

II. ALEGRAI-VOS SEMPRE no Senhor; digo-vos mais uma vez: alegrai-vos5. Devemos alegrar-nos com uma alegria que há de ser sinônimo de júbilo interior, de felicidade, e que logicamente se manifestará também exteriormente.

“Como se sabe – diz Paulo VI –, existem diversos graus de «felicidade». A sua expressão mais elevada é a alegria ou «felicidade» no sentido estrito da palavra, quando o homem, no nível das suas faculdades superiores, encontra a sua satisfação na posse de um bem conhecido e amado […]. Com muito mais razão chega ele a conhecer a alegria e a felicidade espiritual quando o seu espírito entra na posse de Deus, conhecido e amado como bem supremo e imutável”6. E o Papa continua: “A sociedade técnica conseguiu multiplicar as ocasiões de prazer, mas é-lhe muito difícil engendrar a alegria, pois a alegria provém de outra fonte: é espiritual. Muitas vezes, não faltam, com efeito, o dinheiro, o conforto, a higiene e a segurança material; apesar disso, o tédio, o mau humor e a tristeza continuam infelizmente a ser a sorte de muitos”7.

O cristão entende perfeitamente estas idéias expressas pelo Sumo Pontífice. E sabe que a alegria surge de um coração que se sente amado por Deus e que, por sua vez, ama com loucura o Senhor; de um coração que, além disso, se esforça por traduzir esse amor em obras, porque sabe – com o ditado castelhano – que “obras é que são amores, não as boas razões”.

Os sofrimentos e as tribulações acompanham todos os homens na terra, mas o sofrimento, por si só, não transforma nem purifica; pode até causar revolta e ódio. Alguns cristãos separam-se do Mestre quando chegam até a Cruz, porque esperavam uma felicidade puramente humana, que estivesse isenta de dor e acompanhada de bens naturais.

Para o amarmos com obras, o Senhor pede-nos que percamos o medo à dor, às tribulações, e o procuremos onde Ele nos espera: na Cruz. A nossa alma ficará então mais purificada e o nosso amor mais forte. Então compreenderemos que a alegria está muito perto da Cruz. Mais ainda: que nunca seremos felizes se não amarmos o sacrifício.

Essas tribulações que, à luz exclusiva da razão, nos parecem injustas e sem sentido, são necessárias para a nossa santidade pessoal e para a salvação de muitas almas. No mistério da corredenção, a nossa dor, unida aos sofrimentos de Cristo, adquire um valor incomparável para toda a Igreja e para toda a humanidade. O Senhor faz-nos ver que tudo – mesmo aquilo que não tem muita explicação humana – concorre para o bem daqueles que o amam8. A dor, quando lhe damos o seu verdadeiro sentido, quando serve para amar mais, produz uma paz íntima e uma profunda alegria. Por isso, em muitas ocasiões, o Senhor abençoa-nos com a Cruz.

Assim temos que percorrer “o caminho da entrega: a Cruz às costas, com um sorriso nos lábios, com uma luz na alma”9.

III. O CRISTÃO DÁ-SE A DEUS e aos outros, mortifica-se e é exigente consigo próprio, suporta as contrariedades… e tudo isso, realiza-o com alegria, porque sabe que essas coisas perdem muito do seu valor se as faz arreganhando os dentes: Deus ama aquele que dá com alegria10. Não deve surpreender-nos o fato de a mortificação e a penitência nos custarem; o importante é que saibamos abraçá-las com decisão, com a alegria de agradar a Deus, que nos vê.

“«Contente?» – A pergunta deixou-me pensativo. – Ainda não se inventaram as palavras para exprimir tudo o que se sente – no coração e na vontade – quando se sabe que se é filho de Deus”11. É lógico que quem se sente filho de Deus experimente esse júbilo interior.

Neste sentido, a experiência que os santos nos transmitem é unânime. Basta recordar a confidência do Apóstolo São Paulo aos fiéis de Corinto: …Estou cheio de consolação, transbordo de gozo em todas as nossas tribulações12. E convém lembrar-se de que a vida de São Paulo não foi fácil nem cômoda: Cinco vezes recebi dos judeus quarenta açoites menos um; três vezes fui açoitado com varas; uma vez apedrejado; três vezes naufraguei; passei uma noite e um dia à beira do abismo no mar alto. Nas minhas viagens sem conta, expus-me a perigos nos rios, perigos de salteadores, perigos por parte dos da minha raça, perigos dos pagãos, perigos na cidade, perigos no deserto, perigos no mar, perigos entre falsos irmãos. Trabalhos e fadigas, repetidas vigílias, com fome e com sede, freqüentes jejuns, com frio e nudez13. Pois bem, depois de toda esta enumeração, São Paulo é veraz quando nos diz: Estou cheio de consolação, transbordo de gozo em todas as nossas tribulações.

Aproximam-se a Semana Santa e a Páscoa, e portanto o perdão, a misericórdia, a compaixão divina, a superabundância da graça. Mais uns dias, e consumar-se-á o mistério da nossa salvação. Se alguma vez tivemos medo da penitência, da expiação, enchamo-nos de coragem, lembrando-nos de que o tempo é breve e grande o prêmio, sem proporção com a pequenez do nosso esforço. Sigamos Jesus com alegria, até Jerusalém, até o Calvário, até a Cruz. Além disso, “não é verdade que, mal deixas de ter medo à Cruz, a isso que a gente chama de cruz, quando pões a tua vontade em aceitar a Vontade divina, és feliz, e passam todas as preocupações, os sofrimentos físicos ou morais?”14

 

18ª Semana do Tempo Comum