23 de Fevereiro de 2020

7a Semana Comum Domingo

- por Padre Alexandre Fernandes

DOMINGO DA VII SEMANA DO TEMPO COMUM
(cor verde, glória, creio – III semana do saltério)

 

Antífona da entrada

 

– Confiei, Senhor, na vossa misericórdia; meu coração exulta porque me salvais. Cantarei ao Senhor pelo bem que me fez (Sl 12,6).

 

Oração do dia

 

– Concedei, ó Deus todo poderoso, que, procurando conhecer sempre o que é reto, realizemos vossa vontade em nossas palavras e ações. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

1ª Leitura: Lv 19,1-2.17-18

 

– Leitura do livro do Levítico: 1O Senhor falou a Moisés, dizendo: 2“Fala a toda a comunidade dos filhos de Israel e dize-lhes: ‘Sede santos, porque eu, o Senhor vosso Deus, sou santo. 17Não tenhas no coração ódio contra teu irmão. Repreende o teu próximo, para não te tornares culpado de pecado por causa dele. 18Não procures vingança, nem guardes rancor dos teus compatriotas. Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Eu sou o Senhor!’”

 

– Palavra do Senhor.

– Graças a Deus.

 

Salmo Responsorial: 103,1-2.3-4.8.10.12-13 (R: 1a8b)

 

– Bendize, ó minh’alma, ao Senhor, pois ele é bondoso e compassivo!
R: Bendize, ó minh’alma, ao Senhor, pois ele é bondoso e compassivo!

– Bendize, ó minha alma, ao Senhor, e todo o meu ser, seu santo nome! Bendize, ó minha alma, ao Senhor, não te esqueças de nenhum de seus favores!

R: Bendize, ó minh’alma, ao Senhor, pois ele é bondoso e compassivo!

– Pois ele te perdoa toda culpa, e cura toda a tua enfermidade; da sepultura ele salva a tua vida e te cerca de carinho e compaixão.

R: Bendize, ó minh’alma, ao Senhor, pois ele é bondoso e compassivo!

– O Senhor é indulgente, é favorável, é paciente, é bondoso e compassivo. Não nos trata como exigem nossas faltas, nem nos pune em proporção às nossas culpas.

R: Bendize, ó minh’alma, ao Senhor, pois ele é bondoso e compassivo!

– Quanto dista o nascente do poente, tanto afasta para longe nossos crimes. Como um pai se compadece de seus filhos, o Senhor tem compaixão dos que o temem.

R: Bendize, ó minh’alma, ao Senhor, pois ele é bondoso e compassivo!
 

2ª Leitura: 1Cor 3,16-23

– Leitura da primeira carta de são Paulo aos Coríntios: Irmãos: 16Acaso não sabeis que sois santuário de Deus e que o Espírito de Deus mora em vós?
17Se alguém destruir o santuário de Deus, Deus o destruirá, pois o santuário de Deus é santo, e vós sois esse santuário. 18Ninguém se iluda: Se algum de vós pensa que é sábio nas coisas deste mundo, reconheça sua insensatez, para se tornar sábio de verdade; 19pois a sabedoria deste mundo é insensatez diante de Deus. Com efeito, está escrito: “Aquele que apanha os sábios em sua própria astúcia”, 20e ainda: “O Senhor conhece os pensamentos dos sábios; sabe que são vãos”. 21Portanto, que ninguém ponha sua glória em homem algum. Com efeito, tudo vos pertence: 22Paulo, Apolo, Cefas, o mundo, a vida, a morte, o presente, o futuro; tudo é vosso, 23mas vós sois de Cristo, e Cristo é de Deus.

 

– Palavra do senhor.

– Graças a Deus.

 

Aclamação ao santo Evangelho.

 

Aleluia, aleluia, aleluia.

Aleluia, aleluia, aleluia.

 

– É perfeito o amor de Deus em quem guarda sua palavra (1Jo 2,5)

 

Aleluia, aleluia, aleluia.

 

Evangelho de Jesus Cristo, segundo Mateus: Mt 5, 38-48

– O Senhor esteja convosco.

Ele está no meio de nós.

– Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo † segundo Mateus.

Glória a vós, Senhor.

 

– Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: 38“Vós ouvistes o que foi dito: ‘Olho por olho e dente por dente!’ 39Eu, porém, vos digo: Não enfrenteis quem é malvado! Pelo contrário, se alguém te dá um tapa na face direita, oferece-lhe também a esquerda!  40Se alguém quiser abrir um processo para tomar a tua túnica, dá-lhe também o manto! 41Se alguém te forçar a andar um quilômetro, caminha dois com ele! 42Dá a quem te pedir e não vires as costas a quem te pede emprestado. 43Vós ouvistes o que foi dito: ‘Amarás o teu próximo e odiarás o teu inimigo!’ 44Eu, porém, vos digo: Amai os vossos inimigos e rezai por aqueles que vos perseguem! 45Assim, vos tornareis filhos do vosso Pai que está nos céus, porque ele faz nascer o sol sobre maus e bons, e faz cair a chuva sobre justos e injustos. 46Porque, se amais somente aqueles que vos amam, que recompensa tereis? Os cobradores de impostos não fazem a mesma coisa? 47E se saudais somente os vossos irmãos, o que fazeis de extraordinário? Os pagãos não fazem a mesma coisa? 48Portanto, sede perfeitos como o vosso Pai celeste é perfeito!”

 

– Palavra da salvação.

Glória a vós, Senhor.

São Policarpo

- por Padre Alexandre Fernandes

O santo deste dia é um dos grandes Padres Apostólicos, ou seja, pertencia ao número daqueles que conviveram com os primeiros apóstolos e serviram de elo entre a Igreja primitiva e a Igreja do mundo greco-romano.

São Policarpo foi ordenado Bispo de Esmirna pelo próprio São João, o Evangelista. De caráter reto, de elevado saber, amor à Igreja e fiel à ortodoxia da fé, era respeitado por todos no Oriente.

Com a perseguição aos cristãos, o santo Bispo de 86 anos, escondeu-se até ser preso e levado para o governador, que pretendia convencê-lo de ofender a Cristo. Policarpo, porém, proferiu estas palavras: “Há oitenta e seis anos sirvo a Cristo e nenhum mal tenho recebido dele. Como poderei rejeitar Àquele a quem prestei culto e reconheço como meu Salvador”.

Condenado à morte no estádio da cidade, ele próprio subiu na fogueira e testemunhou para o povo: “Sede bendito para sempre, ó Senhor; que o Vosso Nome adorável seja glorificado por todos os séculos”. São Policarpo viveu o seu nome – poli=muitos, carpo=fruto – muitos frutos”, que foram regados com suor, lágrimas e, no seu martírio no ano de 155, regado também com sangue.

São Policarpo, rogai por nós!

 

Meditação

- por Padre Alexandre Fernandes

Amai vossos inimigos! (Mt 5,38-48)

 

            Eis a novidade do Evangelho: querer o bem de quem nos faz mal. Não admira tantos façam caretas ao ouvir este mandamento que está no coração da Boa Nova de Jesus. É bem mais fácil lembrar o direito de defesa, recorrer aos tribunais ou escolher uma reação no variado leque das vinganças humanas…

 

            A situação parece ainda mais grave quando tomamos consciência de que o próprio Jesus praticou o que havia ensinado. Em plena crise, sob tortura, cravado num poste, o Filho de Maria reza: “Pai, perdoai-lhes. Eles não sabem o que fazem!” (Lc 23,34) Pisando suas pegadas, o primeiro mártir da Igreja, Estêvão, repetirá a mesma oração ao ser apedrejado pelos judeus (cf. At 7,60).

 

            O staretz Silvano do Monte Athos [1866-1938] reflete a passagem:

 

            “O Senhor nos falou: ‘Amai vossos inimigos!’ Aquele que ama seus inimigos é semelhante ao Senhor. Mas só é possível amar seus inimigos pela graça do Espírito Santo. Quem não ama seus inimigos não pode conhecer o Senhor, nem a doçura do Espírito Santo. O Espírito Santo ensina a amar os inimigos a ponto de se ter compaixão deles como dos próprios filhos. Por isso, desde que alguém te feriu, reza a Deus por ele e guardarás a paz e a graça divina. Sem rezar pelos inimigos a alma não pode ter paz.”

 

            Muito estranho para nosso gosto… Entendemos a paz como a supressão dos inimigos, o fim das hostilidades, a supremacia de nossos exércitos. Aí, vem Jesus de Nazaré a ensinar que a guerra se acaba com… amor?!

 

            Silvano dá um exemplo: “Abba Paíssios rezava por seu discípulo que havia renegado a Cristo, a fim de que o Senhor o perdoasse. E o Senhor ficou tão contente com essa oração, que lhe apareceu e disse: ‘Paíssios, por que rezas por aquele que me renegou?’ Respondeu Paíssios: ‘Senhor, se tu és misericordioso, perdoa-o!’ Então, o Senhor lhe disse: ‘Ó Paíssios, por teu amor tu te assemelhaste a mim’ – a tal ponto é agradável ao Senhor a prece pelos inimigos.”

 

            Em seus 13 anos de cárcere, o Arcebispo de Saigon, F.-X. Nguyên Van Thuân tratou tão bem seus carcereiros comunistas, que estes perceberam nele um traço especial da espiritualidade cristã. Ele declarou: “Passei a metade da minha vida esperando. É verdade: todos os prisioneiros, inclusive eu, esperam a cada minuto sua libertação. Porém, depois decidi: Eu não esperarei. Vou viver o momento presente, enchendo-o de amor”.

 

14º Domingo do Tempo Comum