23 de Fevereiro de 2021

1a Semana da Quaresma terça-feira

- por Pe. Alexandre

TERÇA-FEIRA DA I SEMANA DA QUARESMA
(roxo – ofício do dia)

 

Antífona da entrada

 

– Vós fostes, Senhor, o refúgio para nós de geração em geração: desde sempre e para sempre vós sois Deus (Sl 89,1).

 

Oração do dia

– Olhai, ó Deus, vossa família e fazei crescer no vosso amor aqueles que agora se mortificam pela penitência corporal. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

1ª Leitura: Is 55,10-11

– Leitura do livro do profeta Isaías- Isto diz o Senhor: 10Assim como a chuva e a neve descem do céu e para lá não voltam mais, mas vêm irrigar e fecundar a terra, e fazê-la germinar e dar semente, para o plantio e para a alimentação, 11assim a palavra que sair de minha boca, não voltará para mim vazia; antes, realizará tudo que for de minha vontade e produzirá os efeitos que pretendi, ao enviá-la.

 

– Palavra do Senhor.

– Graças a Deus.

 

Salmo Responsorial: Sl 34,4-5.6-7.16-17.18-19 (R: 18b)

 

– O Senhor liberta os justos de todas as angústias.

R: O Senhor liberta os justos de todas as angústias.

 

– Comigo engrandecei ao Senhor Deus, exaltemos todos juntos o seu nome! Todas as vezes que o busquei, ele me ouviu, e de todos os temores me livrou.

R: O Senhor liberta os justos de todas as angústias.

 

– Contemplai a sua face e alegrai-vos, e vosso rosto não se cubra de vergonha! Este infeliz gritou a Deus, e foi ouvido, e o Senhor o libertou de toda a angústia.

R: O Senhor liberta os justos de todas as angústias.

 

– O Senhor pousa seus olhos sobre os justos, e seu ouvido está atento ao seu chamado; mas ele volta a sua face contra os maus, para da terra apagar sua lembrança.

R: O Senhor liberta os justos de todas as angústias.

 

– Clamam os justos, e o Senhor bondoso escuta e de todas as angústias os liberta. Do coração atribulado ele está perto e conforta os de espírito abatido.

R: O Senhor liberta os justos de todas as angústias.

 

Evangelho de Jesus Cristo, segundo Mateus: Mt 6,7-15

 

Glória a Cristo, Palavra eterna do Pai, que é amor!

Glória a Cristo, Palavra eterna do Pai, que é amor!

 

– O homem não vive somente de pão, mas de toda palavra da boca de Deus (MT 4,4)

 

Glória a Cristo, Palavra eterna do Pai, que é amor!

 

– O Senhor esteja convosco.

– Ele está no meio de nós.

– Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo † segundo Mateus.

– Glória a vós, Senhor!

 

– Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 7“Quando orardes, não useis muitas palavras, como fazem os pagãos. Eles pensam que serão ouvidos por força das muitas palavras. 8Não sejais como eles, pois vosso Pai sabe do que precisais, muito antes que vós o peçais. 9Vós deveis rezar assim: Pai nosso que estás nos céus, santificado seja o teu nome; 10venha o teu Reino; seja feita a tua vontade, assim na terra como nos céus. 11O pão nosso de cada dia dá-nos hoje. 12Perdoa as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido. 13E não nos deixes cair em tentação, mas livra-nos do mal. 14De fato, se vós perdoardes aos homens as faltas que eles cometeram, vosso Pai que está nos céus também vos perdoará. 15Mas, se vós não perdoardes aos homens, vosso Pai também não perdoará as faltas que vós cometestes”.

– Palavra da salvação.

– Glória a vós, Senhor!

São Policarpo

- por Pe. Alexandre

O santo deste dia é um dos grandes Padres Apostólicos, ou seja, pertencia ao número daqueles que conviveram com os primeiros apóstolos e serviram de elo entre a Igreja primitiva e a Igreja do mundo greco-romano.

São Policarpo foi ordenado Bispo de Esmirna pelo próprio São João, o Evangelista. De caráter reto, de elevado saber, amor à Igreja e fiel à ortodoxia da fé, era respeitado por todos no Oriente.

Com a perseguição aos cristãos, o santo Bispo de 86 anos, escondeu-se até ser preso e levado para o governador, que pretendia convencê-lo de ofender a Cristo. Policarpo, porém, proferiu estas palavras: “Há oitenta e seis anos sirvo a Cristo e nenhum mal tenho recebido dele. Como poderei rejeitar Àquele a quem prestei culto e reconheço como meu Salvador”.

Condenado à morte no estádio da cidade, ele próprio subiu na fogueira e testemunhou para o povo: “Sede bendito para sempre, ó Senhor; que o Vosso Nome adorável seja glorificado por todos os séculos”. São Policarpo viveu o seu nome – poli=muitos, carpo=fruto – muitos frutos”, que foram regados com suor, lágrimas e, no seu martírio no ano de 155, regado também com sangue.

São Policarpo, rogai por nós!

 

 

Meditação

- por Pe. Alexandre

Pai nosso… (Mt 6,7-15)

 

O cristão não reza assim: “Pai meu…” Ao ser batizado, ele foi mergulhado no seio da família trinitária. Por esse mesmo pórtico, ele entrou na Igreja e passou a fazer parte de uma família. Por isso, desde então, ele reza assim: “Pai nosso…”

 

Em seus “Cadernos”, Charles de Foucauld anotou em oração: “Já que sois meu Pai, ó meu Deus, quanto eu devo sempre esperar em Vós! Mas também, já que sois tão bom para mim, quanto eu devo ser bom para os outros! Já que Vós quereis ser meu Pai e Pai de todos os homens, como eu devo ter para todo homem – seja quem for, por pior que ele seja – os sentimentos de um terno irmão! […] Nosso Pai, Pai nosso, ensinai-me a ter este nome sem cessar em meus lábios, com Jesus, nele e por ele, pois poder dizê-lo é minha maior felicidade…”

 

Mas não podemos estacionar no porto do lirismo. Reconhecer que Deus é Pai NOSSO traz exigências de comunhão. Se o Pai é NOSSO, então serão igualmente “nossos”: o PÃO, as OFENSAS, o BEM. Pão para a partilha. Ofensas para o perdão. E o Bem que chamamos de bem-comum. E nós, os cristãos, devemos lutar para tornar real essa comunhão que foi iniciada por nosso Batismo.

 

É nesta moldura que podemos entender o quadro da Igreja de Pentecostes: “A multidão dos fiéis era um só coração e uma só alma. Ninguém dizia que eram suas as coisas que possuía: mas tudo entre eles era comum.” (At 4,32-33.)

 

Na prática, se não temos um Pai comum, não somos irmãos. A experiência da fraternidade deriva diretamente da experiência da filiação. Enquanto não re-conheço meu Pai, não re-conhecerei meus irmãos… A história de José do Egito é proverbial nesse sentido. Quando o Pai nos adotou a todos… Quando o Filho morreu por todos… Quando o Espírito de Pentecostes faz falar “todas as nações que há debaixo do céu” … é porque se faz possível uma nova relação entre todos os homens, acima e além de qualquer barreira racial, política ou ideológica!

 

Não há nada mais comprometedor que rezar o Pai-Nosso. Para entrar em seu sacrário interior, esta oração exige que deixemos lá fora o sentimento de superioridade, os rancores e os projetos de vingança. Exige que abramos braços e coração. Do contrário, poderemos ouvir a pergunta feita a Caim: “Onde está o teu irmão?”

29ª Semana do Tempo Comum

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