23 de Julho de 2020

16a Semana Comum Quinta-feira

- por Pe. Alexandre

QUINTA FEIRA DA XVI SEMANA COMUM
(verde – ofício do dia)

 

Antífona da entrada

– É Deus quem me ajuda, é o Senhor quem decide a minha vida. Senhor, de todo o coração hei de vos oferecer o sacrifício e dar graças ao vosso nome, porque sois bom (Sl 53,6.8).

 

Oração do dia

– Ó Deus, sede generoso para com vossos filhos e filhas e multiplicai em nós os dons da vossa graça, para que, repletos de fé, esperança e caridade, guardemos fielmente os vossos mandamentos. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

1ª Leitura: Jr 2,1-3.7-8.12-13

– Leitura do livro do profeta Jeremias: 1A palavra do Senhor foi-me dirigida, dizendo: 2“Vai e grita aos ouvidos de Jerusalém. Isto diz o Senhor: Lembro-me de ti, da afeição da jovem, do amor da noiva, de quando me seguias no deserto, numa terra inculta. 3Israel, consagrado ao Senhor, era como as primícias de sua colheita; todos os que dele comiam, pecavam; males caíam sobre eles”, diz o Senhor. 7“Eu vos introduzi numa terra de pomares, para que gozásseis de seus melhores produtos, mas, apenas chegados, contaminastes o país e tornastes abominável minha herança. 8Os sacerdotes nem perguntaram onde está o Senhor. Os versados na Lei não me reconheceram, e os chefes do povo voltaram-me as costas, os profetas profetizaram em nome de Baal e correram atrás de coisas que para nada servem. 12Ó céus, espantai-vos diante disso, enchei-vos de grande horror”, diz o Senhor. 13“Dois pecados cometeu meu povo: abandonou-me a mim, fonte de água viva, e preferiu cavar cisternas, cisternas defeituosas que não podem reter água”.

– Palavra do Senhor.

Graças a Deus.

 

Salmo Responsorial: Sl 36,6-7ab.8-11 (R: 10a)

 

– Em vós está a fonte da vida, ó Senhor!

R: Em vós está a fonte da vida, ó Senhor!

 

– Vosso amor chega aos céus, ó Senhor, chega às nuvens a vossa verdade. Como as altas montanhas eternas é a vossa justiça, Senhor.

R: Em vós está a fonte da vida, ó Senhor!

 

–  Quão preciosa é, Senhor, vossa graça! Eis que os filhos dos homens se abrigam sob a sombra das asas de Deus. Na abundância de vossa morada, eles vêm saciar-se de bens. Vós lhes dais de beber água viva, na torrente das vossas delícias.

R: Em vós está a fonte da vida, ó Senhor!

 

– Pois em vós está a fonte da vida, e em vossa luz contemplamos a luz. Conservai aos fiéis vossa graça, e aos retos, a vossa justiça!

R: Em vós está a fonte da vida, ó Senhor!

 

Aclamação ao santo Evangelho.

Aleluia, aleluia, aleluia.

Aleluia, aleluia, aleluia.

– Graças te dou, ó Pai, Senhor do céu e da terra, pois revelastes os mistérios   do seu reino aos pequeninos, escondendo-os aos doutores! (Mt 11,25).

Aleluia, aleluia, aleluia.

 

Evangelho de Jesus Cristo, segundo Mateus: Mt 13, 10-17

– O Senhor esteja convosco.

– Ele está no meio de nós.

– Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo † segundo Mateus.

– Glória a vós, Senhor!

 

– Naquele tempo, 10os discípulos aproximaram-se e disseram a Jesus: “Por que tu falas ao povo em parábolas?”11Jesus respondeu: “Porque a vós foi dado o conhecimento dos mistérios do Reino dos Céus, mas a eles não é dado.12Pois à pessoa que tem, será dado ainda mais, e terá em abundância; à pessoa que não tem, será tirado até o pouco que tem. 13É por isso que eu lhes falo em parábolas: porque olhando, eles não veem, e ouvindo, eles não escutam, nem compreendem. 14Deste modo se cumpre neles a profecia de Isaías: ‘Havereis de ouvir, sem nada entender. Havereis de olhar, sem nada ver. 15Porque o coração deste povo se tornou insensível. Eles ouviram com má vontade e fecharam seus olhos, para não ver com os olhos nem ouvir com os ouvidos, nem compreender com o coração, de modo que se convertam e eu os cure’. 16Felizes sois vós, porque vossos olhos veem e vossos ouvidos ouvem. 17Em verdade vos digo, muitos profetas e justos desejaram ver o que vedes, e não viram, desejaram ouvir o que ouvis, e não ouviram”.

– Palavra da salvação.

– Glória a vós, Senhor!

 

Santa Brígida

- por Pe. Alexandre

A santa de hoje nasceu na Suécia, no ano de 1302. Ela foi entregue em casamento a um jovem chamado Wulfon, príncipe de Nerícia.

Ao casar-se com Wulfon, Santa Brígida assumiu, com orações e sacrifícios, a missão de lutar pela conversão de seu esposo, um homem entregue aos vícios e paixões desregradas.

Santa Brígida alcançou esta graça. E, juntamente com seu esposo (agora convertido) numa vida com muitas práticas de piedade, foram a diversas peregrinações, até que aos 32 anos Wulfon veio a falecer.

Agora viúva e mãe de 8 filhos, Santa Brígida dedicou-se inteiramente ao serviço dos mais necessitados, cuidando dos enfermos (dentro de um hospital fundado por ela mesma e por seu esposo). E tudo isto sem perder de vista a formação cristã de seus filhos.

Devota do Sagrado Coração de Jesus e da Santíssima Virgem, Santa Brígida passava horas em adoração a Jesus Sacramentado. Inspirada pelo Espírito Santo, fundou uma Ordem feminina e outra masculina. Consagrou-se na vida religiosa, e em meio a sofrimentos e inspirações reveladoras do próprio Jesus, aprofundou-se no mistério do Cristo crucificado, até que mergulhasse definitivamente neste mistério, quando em Roma, aos 71 anos, entrou na eternidade.

Santa Brígida, rogai por nós!

Meditação

- por Pe. Alexandre

Os mistérios do Reino… (Mt 13,10-17)

 

Este Evangelho incomoda muita gente, pois parece manifestar um tratamento “desigual” da parte de Deus para com os homens. Será que nosso Deus faz acepção de pessoas? Um comentário de Orígenes [+ 253 d.C.] pode nos ajudar:

“Todos aqueles que vêem não são igualmente iluminados por Cristo, mas cada um o é na medida em que pode receber a luz. Os olhos de nosso corpo também não são igualmente aclarados pelo sol; quanto mais se sobe em lugares elevados, tanto mais se percebe seu brilho e calor. Assim também nosso espírito: quanto mais subir e elevar-se perto de Cristo, e oferecer-se de perto ao clarão de seu fulgor, mais magnífica e brilhantemente ele será também irradiado por sua luz, como diz o Senhor pelo profeta: ‘Aproximai-vos de mim, e eu me aproximarei de vós’ (Tg 4,8)

Entretanto, não é do mesmo modo que vamos a ele, mas cada um vai segundo suas próprias possibilidades. Ou antes, na verdade, é com as multidões que vamos a ele, e ele nos restaura ‘em parábolas’ para que não desfaleçamos em jejum pelos caminhos; ou ainda, sempre e sem cessar, nós permanecemos ‘a seus pés’, preocupados apenas em ouvir suas palavras, sem jamais nos deixarmos perturbar pelos ‘múltiplos cuidados do serviço’, mas escolhendo a melhor parte que ‘não nos será tirada’ (Lc 10,42).

E sem dúvida alguma, aqueles que assim se aproximam dele recebem bem mais a sua luz. Se, porém, como os apóstolos, sem jamais nos afastarmos, por pouco que seja, permaneceremos sempre com ele ‘em todas as suas tribulações’ (Lc 22,28). Então, ele nos explica em segredo aquilo que havia dito às multidões e nos esclarece, e é com mais claridade ainda que ele nos ilumina.

Enfim, se alguém se acha capaz de subir com ele até a montanha, como Pedro, Tiago e João, será não somente iluminado pela luz de Cristo, mas pela voz do próprio Pai.”

A montanha está bem à nossa frente. Podemos juntar-nos aos três apóstolos na escalada espiritual. Lá em cima, espera por nós a própria Luz incriada, o Cristo transfigurado.

Se, entretanto, eu preferir a horizontal da planície morna, dos pântanos sombrios, da rotina paralisante, já não terei direito de acusar meu Deus de desigualdade no trato com os homens ou de nos falar por enigmas…

 

25ª Semana do Tempo Comum