23 de Setembro de 2020

25a semana comum Quarta-feira

- por Pe. Alexandre

QUARTA FEIRA – SÃO PIO DE PIETRELCINA
(branco, pref. comum ou dos santos – ofício da memória)

 

Antífona da entrada

 

– Eu vos darei pastores, segundo o meu coração, que vos conduzam com inteligência e sabedoria (Jr 3,15).

 

Oração do dia

 

– Ó Deus, enriquecestes são Pio de Pietrelcina com espírito de verdade e de amor para apascentar o vosso povo, concedei-nos, celebrando sua festa, seguir sempre mais o seu exemplo, sustentados por sua intercessão. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

1ª Leitura: Pr 30,5-9

 

– Leitura do livro dos Provérbios: 5A Palavra de Deus é comprovada. Ele é um escudo para os que nele se abrigam. 6Não acrescentes nada às suas palavras, para que ele não te repreenda e passes por mentiroso! 7Duas coisas eu te pedi; não mas recuses, antes de eu morrer: 8afasta de mim a falsidade e a mentira, não me dês pobreza nem riqueza, mas concede-me o pão que me é necessário. 9Não aconteça que, saciado, eu te renegue e diga: “quem é o Senhor?” Ou que, empobrecido, eu me ponha a roubar e profane o nome de meu Deus.

 

– Palavra do Senhor.

– Graças a Deus.

 

Salmo Responsorial: Sl 119,29.72.89.101.104.163 (R: 105a)

 

– Vossa palavra é uma luz para os meus passos!
R: Vossa palavra é uma luz para os meus passos!

– Afastai-me do caminho da mentira e dai-me a vossa lei como um presente!

R: Vossa palavra é uma luz para os meus passos!

– A lei de vossa boca, para mim, vale mais do que milhões em ouro e prata.

R: Vossa palavra é uma luz para os meus passos!

– É eterna, ó Senhor, vossa palavra, ela é tão firme e estável quanto o céu.

R: Vossa palavra é uma luz para os meus passos!

– De todo mau caminho afasto os passos, para que eu siga fielmente as vossas ordens.

R: Vossa palavra é uma luz para os meus passos!

– De vossa lei eu recebi inteligência, por isso odeio os caminhos da mentira.

R: Vossa palavra é uma luz para os meus passos!

– Eu odeio e detesto a falsidade, porém amo vossas leis e mandamentos!

R: Vossa palavra é uma luz para os meus passos!

Aclamação ao santo Evangelho

 

Aleluia, aleluia, aleluia.

Aleluia, aleluia, aleluia.

 

– Convertei-vos e crede no evangelho, pois o reino de Deus está chegando!

 

Aleluia, aleluia, aleluia.

 

Evangelho de Jesus Cristo, segundo Lucas: Lc 9,1-6

 

– O Senhor esteja convosco.

– Ele está no meio de nós.

– Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo † segundo Lucas

– Glória a vós, Senhor!   

 

– Naquele tempo, 1Jesus convocou os Doze, deu-lhes poder e autoridade sobre todos os demônios e para curar doenças, 2e enviou-os a proclamar o Reino de Deus e a curar os enfermos. 3E disse-lhes: “Não leveis nada para o caminho: nem cajado nem sacola nem pão nem dinheiro nem mesmo duas túnicas. 4Em qualquer casa onde entrardes, ficai aí; e daí é que partireis de novo. 5Todos aqueles que não vos acolherem, ao sairdes daquela cidade, sacudi a poeira dos vossos pés, como protesto contra eles”. 6Os discípulos partiram e percorriam os povoados, anunciando a Boa Nova e fazendo curas em todos os lugares.

 

– Palavra da salvação.

– Glória a vós, Senhor!   

 

São Pio de Pietrelcina

- por Pe. Alexandre

Este digníssimo seguidor de São Francisco de Assis nasceu no dia 25 de maio de 1887 em Pietrelcina (Itália). Seu nome verdadeiro era Francesco Forgione. Ainda criança era muito assíduo com as coisas de Deus, tendo uma inigualável admiração por Nossa Senhora e o seu Filho Jesus, os quais via constantemente devido à grande familiaridade. Ainda pequenino havia se tornado amigo do seu Anjo da Guarda, a quem recorria muitas vezes para auxiliá-lo no seu trajeto nos caminhos do Evangelho.

Conta a história que ele recomendava muitas vezes as pessoas a recorrerem ao seu Anjo da Guarda estreitando assim a intimidade dos fiéis para com aquele que viria a ser o primeiro sacerdote da história da Igreja a receber os estigmas do Cristo do Calvário. Com quinze anos de idade entrou no Noviciado da Ordem dos Frades Menores Capuchinhos em Morcone, adotando o nome de “Frei Pio” e foi ordenado sacerdote em 10 de agosto de 1910 na Arquidiocese de Benevento. Após a ordenação, Padre Pio precisou ficar com sua família até 1916, por motivos de saúde e, em setembro desse mesmo ano, foi enviado para o convento de São Giovanni Rotondo, onde permaneceu até o dia de sua morte.

Abrasado pelo amor de Deus, marcado pelo sofrimento e profundamente imerso nas realidades sobrenaturais, Padre Pio recebeu os estigmas, sinais da Paixão de Jesus Cristo, em seu próprio corpo. Entregando-se inteiramente ao Ministério da Confissão, buscava por meio desse sacramento aliviar os sofrimentos atrozes do coração de seus fiéis e libertá-los das garras do demônio, conhecido por ele como “barba azul”.

Torturado, tentado e testado muitas vezes pelo maligno, esse grande santo sabia muito da sua astúcia no afã de desviar os filhos de Deus do caminho da fé. Percebendo que não somente deveria aliviar o sofrimento espiritual, recebeu de Deus a inspiração de construir um grande hospital, conhecido como “Casa Alívio do Sofrimento”, que se tornou uma referência em toda a Europa. A fundação deste hospital se deu a 5 de maio de 1956.

.:Rezemos juntos a Novena a São Pio de Pietrelcina

Devido aos horrores provocados pela Segunda Guerra Mundial, Padre Pio cria os grupos de oração, verdadeiras células catalisadoras do amor e da paz de Deus, para serem instrumentos dessas virtudes no mundo que sofria e angustiava-se no vale tenebroso de lágrimas e sofrimentos. Na ocasião do aniversário de 50 anos dos grupos de oração, Padre Pio celebrou uma Missa nesta intenção. Essa Celebração Eucarística foi o caminho para o seu Calvário definitivo, na qual entregaria a alma e o corpo ao seu grande Amor: Nosso Senhor Jesus Cristo; e a última vez em que os seus filhos espirituais veriam a quem tanto amavam.

Era madrugada do dia 23 de setembro de 1968, no seu quarto conventual com o terço entre os dedos repetindo o nome de Jesus e Maria, descansa em paz aquele que tinha abraçado a Cruz de Cristo, fazendo desta a ponte de ligação entre a terra e o céu.

Foi beatificado no dia 2 de maio de 1999 pelo Papa João Paulo II e canonizado no dia 16 de junho de 2002 também pelo saudoso Pontífice. Padre Pio dizia: “Ficarei na porta do Paraíso até o último dos meus filhos entrar!”

São Pio de Pietrelcina, rogai por nós!

Meditação

- por Pe. Alexandre

15. VISITAR OS DOENTES

– Imitar Cristo na sua compaixão pelos que sofrem.

– Fazer o que Ele faria nessas circunstâncias.

– Com a caridade, o olhar capta melhor os dons divinos.

I. ENTRE AS OBRAS de misericórdia corporais, a Igreja sempre praticou desde os primeiros tempos a de visitar e acompanhar os que padecem alguma doença, aliviando‑os na medida do possível e ajudando‑os a santificar essa situação. Ela sempre insistiu na necessidade e na urgência desta manifestação de caridade que tanto nos assemelha ao Mestre e que faz tanto bem, não só ao doente como àquele que a pratica. “Quer se trate de crianças que vão nascer, quer de pessoas anciãs, de acidentados ou de necessitados de cura, de deficientes físicos ou mentais, sempre se trata do homem, cuja credencial de nobreza está escrita nas primeiras páginas da Bíblia: Deus criou o homem à sua imagem (Gên 1, 27). Por outro lado, tem‑se dito com freqüência que se pode ajuizar de uma civilização pela maneira como se comporta com os débeis, as crianças, os enfermos, as pessoas da terceira idade…”1 Onde quer que se encontre um doente, ali devemos ver “o lugar humano por excelência, em que cada pessoa é tratada com dignidade; em que experimenta, apesar do sofrimento, a proximidade dos irmãos, dos amigos”2.

Os Evangelhos não se cansam de sublinhar o amor e a misericórdia de Jesus para com os que sofrem e a presteza com que cura os enfermos. São Pedro, na casa do centurião Cornélio, compendia a vida de Jesus na Palestina nestas palavras: Jesus de Nazaré… passou fazendo o bem e sarando…3 “Curava os doentes, consolava os aflitos, dava de comer aos famintos, libertava os homens da surdez, da cegueira, da lepra, do demônio e de diversas deficiências físicas; por três vezes restituiu a vida aos mortos. Era sensível a toda a espécie de sofrimento humano, tanto do corpo como da alma”4.

Não poucas vezes Jesus saiu por iniciativa própria ao encontro da dor e da doença. Quando vê o paralítico da piscina, que carregava a sua doença havia trinta e oito anos, pergunta‑lhe espontaneamente: Queres ficar são?5 Noutra ocasião, oferece‑se para ir à casa em que se encontrava adoentado o servo do centurião6. Não foge das doenças tidas por contagiosas e mais desagradáveis: aproximou‑se do leproso de Cafarnaum, a quem podia ter curado à distância, e tocando‑o, curou‑o7. E, como lemos no Evangelho da Missa de hoje8, quando envia os Apóstolos pela primeira vez com a missão de anunciarem a chegada do Reino, dá‑lhes ao mesmo tempo o poder de curar doenças.

A nossa Mãe a Igreja ensina que visitar o doente é visitar Cristo9, servir a quem sofre é servir o próprio Cristo nos membros enfermos do seu Corpo Místico. Que alegria podermos ouvir um dia dos lábios do Senhor: Vinde, benditos de meu Pai, porque estive enfermo e me visitastes…! Ajudastes‑me a enfrentar aquela doença, o cansaço, a solidão, o desamparo…

“Criança – Doente. – Ao escrever estas palavras, não sentis a tentação de as pôr com maiúsculas?

“É que, para uma alma enamorada, as crianças e os doentes são Ele”10.

II. A MISERICÓRDIA é um dos frutos da caridade, e consiste em “certa compaixão pela miséria alheia, nascida no nosso coração, pela qual – se podemos – nos vemos movidos a socorrê‑la”11. É próprio da misericórdia inclinar‑se sobre os que sofrem ou passam por alguma necessidade, e tomar as suas dores e aflições como coisa própria, para remediá‑las na medida do possível.

Por isso, quando visitamos um doente, não estamos como que cumprindo um dever de cortesia, antes fazemos nossa a sua dor, intimamente identificados com ela, e por isso surge espontaneamente em nós o desejo de acompanhar essa pessoa como gostaríamos de ser acompanhados se fôssemos nós que estivéssemos no seu lugar. Sentimos gosto em prestar‑lhe pequenos serviços, em distraí‑la com uma conversa amena e divertida, em fazê‑la falar de assuntos que lhe agradam, em ajudá‑la a rezar e a ver a mão de Deus por trás de tudo o que lhe acontece. Procuramos atuar como Cristo o faria, porque é em seu nome que prestamos essas pequenas ajudas, e nos comportamos ao mesmo tempo como se estivéssemos visitando Cristo doente, que necessita do nosso auxílio e dos nossos desvelos.

Visitar uma pessoa doente ou de alguma maneira necessitada é tornar o mundo mais humano: aproximamo‑nos do coração do homem, ao mesmo tempo que derramamos sobre ele a caridade de Cristo, que Ele mesmo coloca nos nossos corações. “Poder‑se‑ia dizer – escreve o Papa João Paulo II – que o sofrimento, presente no nosso mundo humano sob tantas formas diversas, também está presente para desencadear no homem o amor, precisamente esse dom desinteressado do próprio «eu» em favor dos outros homens, dos homens que sofrem. O mundo do sofrimento humano almeja sem cessar, por assim dizer, outro mundo diverso: o mundo do amor humano. E esse amor desinteressado, que brota do coração e das obras, o homem deve‑o de algum modo ao sofrimento”12.

Quanto bem podemos fazer sendo misericordiosos com o sofrimento alheio! Quantas graças produz na nossa alma! O Senhor dilata o nosso coração e faz‑nos entender a verdade daquelas palavras da Escritura: É maior ventura dar que receber13.

III. A MISERICÓRDIA – afirma Santo Agostinho – é o “lustro da alma”, porque a faz aparecer boa e formosa14 e porque cobre a multidão dos pecados15, pois “quem começa a compadecer‑se da miséria do outro, começa a abandonar o pecado”16.

A preocupação pelos que sofrem dá à alma uma especial finura para entender o amor de Deus. Santo Agostinho diz novamente que, amando o próximo, limpamos os olhos para podermos ver a Deus17. O olhar torna‑se mais penetrante para captar os dons divinos. O egoísmo endurece o coração, ao passo que a caridade abre‑o às alegrias de Deus. Aqui a caridade é já um começo da vida eterna18, pois a vida eterna consistirá num ato ininterrupto de caridade19. Que melhor recompensa nos poderia dar o Senhor do que Ele mesmo, por termos ido visitá‑lo? Que maior prêmio do que aumentar‑nos a capacidade de amar os outros?

“Por muito que ames, nunca amarás bastante.

“O coração humano tem um coeficiente de dilatação enorme. Quando ama, alarga‑se num crescendo de carinho que ultrapassa todas as barreiras.

“Se amas o Senhor, não haverá criatura que não encontre lugar no teu coração”20.

Anciãos e doentes, pessoas tristes e abandonadas, todas elas formam hoje uma legião cada vez maior de seres doentes que reclamam a atenção e a ajuda particular dos cristãos. “Haverá entre eles os que sofrem nos seus domicílios os rigores da doença ou da pobreza envergonhada. Existem atualmente, como sabemos, numerosos hospitais e asilos de velhos, promovidos pelo Estado e por outras instituições, bem dotados do ponto de vista material e destinados a acolher um número crescente de necessitados. Mas esses grandes edifícios albergam com freqüência multidões de indivíduos solitários, que vivem espiritualmente em completo abandono, sem companhia nem carinho de parentes e amigos”21. A nossa atenção e companhia a essas pessoas que sofrem atrairá sobre nós a misericórdia do Senhor, da qual andamos tão carecidos.

Não nos omitamos no cumprimento desta obra de fina caridade, desinteressada e generosa, argumentando que não dispomos de tempo, adiando‑a indefinidamente, telefonando ou mandando recados em vez de ir pessoalmente. Sejamos assíduos e solícitos nessas visitas. E o Senhor nos recompensará, aumentando‑nos a virtude da caridade e olhando com indulgência para os nossos erros e faltas.

Na Liturgia das Horas, lê‑se hoje uma súplica ao Senhor que bem podemos fazer nossa ao terminarmos estes minutos de meditação: Fazei com que saibamos descobrir‑Vos em todos os nossos irmãos, sobretudo nos que sofrem e nos pobres22. Muito perto dos que sofrem, encontraremos sempre Maria, Saúde dos enfermos, Consoladora dos aflitos. Ela prepara o nosso coração para que nunca passemos ao largo de um amigo doente, de quem padece alguma necessidade da alma ou do corpo.

29ª Semana do Tempo Comum

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