24 de Dezembro de 2019

4a semana do Advento Teça-feira

- por Padre Alexandre Fernandes

TERÇA FEIRA DA IV SEMANA DO DO ADVENTO
(roxo, pref. do Advento II – ofício do dia)

 

Antífona da entrada

 

– Eis que já veio a plenitude dos tempos, em que Deus mandou à terra o seu Filho (Gl 4,4).

 

Oração do dia

 

– Apressai-vos e não tardeis, Senhor Jesus, para que a vossa chegada renove as forças dos que confiam em vosso amor. Vós, que sois Deus com o Pai, na unidade do Espírito Santo.

 

1ªLeitura: 2Sm 7,1-5.8-12.14.16

 

– Leitura do segundo livro de Samuel – 1Tendo-se o rei Davi instalado já em sua casa e tendo-lhe o Senhor dado a paz, livrando-o de todos os seus inimigos, 2ele disse ao profeta Natã: 'Vê: eu resido num palácio de cedro, e a arca de Deus está alojada numa tenda!' 3Natã respondeu ao rei: 'Vai e faze tudo o que diz o teu coração, pois o Senhor está contigo'. 4Mas, naquela mesma noite, a palavra do Senhor foi dirigida a Natã nestes termos: 5'Vai dizer ao meu servo Davi: 'Assim fala o Senhor: Porventura és tu que me construirás uma casa para eu habitar? 8bFui eu que te tirei do pastoreio, do meio das ovelhas, para que fosses o chefe do meu povo, Israel. 9Estive contigo em toda a parte por onde andaste, e exterminei diante de ti todos os teus inimigos, fazendo o teu nome tão célebre como o dos homens mais famosos da terra. 10Vou preparar um lugar para o meu povo, Israel: eu o implantarei, de modo que possa morar lá sem jamais ser inquietado. Os homens violentos não tornarão a oprimi-lo como outrora, 11no tempo em que eu estabelecia juízes sobre o meu povo, Israel. Concedo-te uma vida tranqüila, livrando-te de todos os teus inimigos. E o Senhor te anuncia que te fará uma casa. 12Quando chegar o fim dos teus dias e repousares com teus pais, então, suscitarei, depois de ti, um filho teu, e confirmarei a sua realeza. 14aEu serei para ele um pai e ele será para mim um filho. 16Tua casa e teu reino serão estáveis para sempre diante de mim, e teu trono será firme para sempre'.

 

– Palavra do Senhor.

– Graças a Deus.

 

Salmo Responsorial: Sl 89,2-3.4-5.27.29 (R: 2a)

 

– Ó Senhor, eu cantarei eternamente o vosso amor!

R: Ó Senhor, eu cantarei eternamente o vosso amor!

 

– Ò Senhor, eu cantarei eternamente o vosso amor, de geração em geração eu cantarei vossa verdade! Porque dissestes: “O amor é garantido para sempre!" E a vossa lealdade é tão firme como os céus.

R: Ó Senhor, eu cantarei eternamente o vosso amor!

 

– "Eu firmei uma aliança com meu servo, meu eleito, e eu fiz um juramento a Davi, meu servidor. Para sempre, no teu trono, firmei tua linhagem, de geração em geração garantirei o teu reinado!"

R: Ó Senhor, eu cantarei eternamente o vosso amor!

 

– Ele, então, me invocará: "Ó Senhor, vós sois meu pai, sois meu Deus, sois meu rochedo onde encontro a salvação!" Guardarei eternamente para ele a minha graça e com ele firmarei minha aliança indissolúvel.

R: Ó Senhor, eu cantarei eternamente o vosso amor!

Aclamação ao santo Evangelho

 

Aleluia, aleluia, aleluia.

Aleluia, aleluia, aleluia.

 

 – Ó sol da manhã, ó sol de justiça, da eterna luz esplendor: oh, vinde brilhar para o povo sentado na sombra da morte!

 

Aleluia, aleluia, aleluia.

 

Evangelho de Jesus Cristo, segundo Lucas: Lc 1, 67-79

 

– O Senhor esteja convosco.

– Ele está no meio de nós.

– Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo † segundo Lucas.

– Glória a vós, Senhor!  

 

– Naquele tempo: 67Zacarias, o pai de João, repleto do Espírito Santo, profetizou, dizendo: 68'Bendito seja o Senhor, Deus de Israel, porque visitou e redimiu o seu povo. 69Fez aparecer para nós uma força de salvação na casa de seu servo Davi, 70como tinha prometido desde outrora, pela boca de seus santos profetas, 71para nos salvar dos nossos inimigos e da mão de todos os que nos odeiam. 72Ele usou de misericórdia para com nossos pais, recordando-se de sua santa aliança 73e do juramento que fez a nosso pai Abraão, para conceder-nos, 74que, sem temor e libertos das mãos dos inimigos, nós o sirvamos, 75com santidade e justiça, em sua presença, todos os nossos dias. 76E tu, Menino, serás chamado profeta do Altíssimo, pois irás adiante do Senhor para preparar-lhe os caminhos, 77anunciando ao seu povo a salvação, pelo perdão dos seus pecados. 78Graças à misericordiosa  compaixão do nosso Deus, o sol que nasce do alto nos visitará, 79para iluminar os que jazem nas trevas e nas sombras da morte, e dirigir nossos passos no caminho da paz.'

 

– Palavra da salvação.

– Glória a vós, Senhor!  

Santa Tarsila

- por Padre Alexandre Fernandes

Santa Tarsila estava sempre feliz na entrega de seu amor ao Senhor

Hoje, lembramos a vida de Santa Tarsila, integrante da nobre família romana dos Anícios. A santa e sua irmã Emiliana foram as responsáveis pela educação de seu sobrinho São Gregório Magno, um dos grandes Papas da história.

As melhores companheiras de Santa Tarsila foram suas duas irmãs, Emiliana e Jordana. As três viviam na casa deixada pelo pai, no Monte Célio. Tarsila estava sempre à frente de todas, tinha como auxílio a Palavra de Deus e pregava a exemplo da caridade e da castidade.

Tendo como opção de vida seguir o Evangelho de Cristo, Tarsila estava sempre feliz na entrega de seu amor ao Senhor. Segundo relatos de São Gregório Magno, sua tia Tarsila teve uma visão com seu bisavô, papa São Félix III, que teria lhe mostrado o lugar que ela ocuparia no Céu.

Logo após a visão, Tarsila adoeceu e acabou não resistindo, passando desta vida para a eternidade. Dizem os fatos históricos que, no momento de sua morte, Tarsila ouviu palavras de consolo e pediu que todos se afastassem dizendo: “Está chegando Jesus, meu Salvador”.

Ao prepararem o corpo para o sepultamento, encontraram calos em seus joelhos e cotovelos, resultado de seus constantes momentos de oração perante Jesus Crucificado.

O culto a Santa Tarsila se manteve discreto e perdurou ao longo dos anos, graças ao enriquecimento dos exemplos narrados por seu sobrinho São Gregório Magno.

Santa Tarsila, rogai por nós!

Meditação

- por Padre Alexandre Fernandes

Para salvar-nos de nossos inimigos… (Lc 1,67-79)

 

            No Cântico de Zacarias, Deus é apresentado como aquele que visita seu povo, liberta-o e salva-o de seus inimigos. Pode ser visto como um louvor, sim, mas em clima de guerra. Isto deve ficar claro: existe uma situação de “inimizade” entre o povo de Deus e os inimigos de Deus. Não devemos esperar aplausos desses adversários…

 

            Desde Gn 3, esta situação agônica ficou anunciada. São Luís Maria Grignion de Montfort comenta: “Deus não pôs somente uma inimizade, mas “inimizades”, não só entre Maria e o demônio, mas entre a raça da Virgem santa e a raça do demônio; isto é, Deus pôs inimizades. Antipatias e ódios secretos entre os verdadeiros filhos e servidores da santa Virgem e os filhos e escravos do diabo; eles não se amam mutuamente, não têm correspondência interior uns com os outros. Os filhos de Belial, os escravos de Satã, os amigos do mundo (pois é a mesma coisa) sempre perseguiram, até aqui, e perseguirão mais que nunca aqueles e aquelas que pertencem à Santíssima Virgem, como outrora Caim perseguiu seu irmão Abel, e Esaú a seu irmão Jacó, que são figuras dos réprobos e dos predestinados”. (Tratado, 54)

 

            Naturalmente, os inimigos de Deus ainda querem calar a voz dos profetas, silenciar a voz e o testemunho da Igreja, os quais mantêm viva a fé a esperança nas promessas do Senhor. Nas palavras de Helmut Gollwitzer, “a pregação deve intervir para que o povo, colocado diante do fato da salvação, se deixe encaminhar para seu destino. Este é o campo dos profetas; João [o filho de Zacarias] será um deles. Ele é o arauto que precede o Rei”.

 

            De fato, quando os arautos passavam pelas ruas do Oriente anunciando a próxima chegada do rei, o povo era lembrado de que alguém zelava por ele e se preparava para recebê-lo com honra. Mais tarde, o próprio João se definirá como “uma voz que clama no deserto”.

 

            Também hoje, vinte séculos depois, o espírito profético precisa estar vivo e atuante, do contrário o povo será dominado por uma impressão de abandono e inércia diante das forças desagregadoras do mal. Que tais forças tentarão sufocar os profetas, é uma evidência. A exemplo de João Batista, porém, os profetas não se calarão e, se preciso for, darão testemunho do Libertador com seu próprio sangue.

 

Orai sem cessar: “Fala e não te cales, porque eu estou contigo!” (At 18,9-10)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

18ª Semana do Tempo Comum