24 de Outubro de 2019

29ª semana comum Quinta-feira

- por Padre Alexandre Fernandes

QUINTA FEIRA – XXIX SEMANA DO TEMPO COMUM

(Verde – ofício do dia)

 

Antífona da entrada

 

– Clamo por vós, meu Deus, porque me atendestes; inclinai vosso ouvido e escutai-me. Guardai-me como a pupila dos olhos, à sombra das vossas asas abrigai-me. (Sl 16,6.8).

 

Oração do dia

 

– Deus eterno e todo-poderoso, dai-nos a graça de estar sempre ao vosso dispor, e vos servir de todo o coração. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

1ª Leitura: Rm 6,19-23

 

– Leitura da carta de são Paulo aos Romanos: Irmãos, 19uso uma linguagem humana, por causa da vossa limitação. Outrora, oferecestes vossos membros como escravos para servirem à impureza e à sempre crescente desordem moral. Pois bem, agora, colocai vossos membros a serviço da justiça, em vista da vossa santificação. 20Quando éreis escravos do pecado, estáveis livres em relação à justiça. 21Que frutos colhíeis, então, de ações das quais hoje vos envergonhais? Pois o fim daquelas ações era a morte. 22Agora, porém, libertados do pecado, e como escravos de Deus, frutificais para a santidade até a vida eterna, que é a meta final. 23Com efeito, a paga do pecado é a morte, mas o dom de Deus é a vida eterna em Jesus Cristo, nosso Senhor.

 

– Palavra do Senhor.

– Graças a Deus.

 

Salmo Responsorial: Sl 1,1-2.3-4.6 (R: Sl 40,5a)

 

– É feliz quem a Deus se confia!
R: É feliz quem a Deus se confia!

– Feliz é todo aquele que não anda conforme os conselhos dos perversos; que não entra no caminho dos malvados, nem junto aos zombadores vai sentar-se; mas encontra seu prazer na lei de Deus e a medita, dia e noite, sem cessar.

R: É feliz quem a Deus se confia!

– Eis que ele é semelhante a uma árvore, que à beira da torrente está plantada; ela sempre dá seus frutos a seu tempo, e jamais as suas folhas vão murchar. Eis que tudo o que ele faz vai prosperar.

R: É feliz quem a Deus se confia!

– Mas bem outra é a sorte dos perversos. Ao contrário, são iguais à palha seca espalhada e dispersada pelo vento. Pois Deus vigia o caminho dos eleitos, mas a estrada dos malvados leva à morte.

R: É feliz quem a Deus se confia!
 

Aclamação ao santo Evangelho

 

Aleluia, aleluia, aleluia.

Aleluia, aleluia, aleluia.

 

– Eu tudo considero como perda e como lixo a fim de eu ganhar Cristo e ser achado nele! (Fl 3,8).

 

Aleluia, aleluia, aleluia.

 

Evangelho de Jesus Cristo, segundo Lucas: Lc 12,49-53

 

– O Senhor esteja convosco.

– Ele está no meio de nós.

– Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo † segundo Lucas

– Glória a vós, Senhor!   

 

– Naquele tempo disse Jesus aos seus discípulos: 49“Eu vim para lançar fogo sobre a terra, e como gostaria que já estivesse aceso! 50Devo receber um batis­mo, e como estou ansioso até que isto se cumpra!  51Vós pensais que eu vim trazer a paz sobre a terra? Pelo contrário, eu vos digo, vim trazer a divisão. 52Pois, daqui em diante, numa família de cinco pessoas, três ficarão divididas contra duas e duas contra três; 53ficarão divididos: o pai contra o filho e o filho contra o pai; a mãe contra a filha e a filha contra a mãe; a sogra contra a nora e a nora contra a sogra”.

 

– Palavra da salvação.

– Glória a vós, Senhor!   

Santo Antônio Maria Clarete

- por Padre Alexandre Fernandes

Santo Antônio Maria Claret, evangelizou milhares de almas através de missões populares e escritos

O santo lembrado hoje foi de muita importância para a Igreja que guarda o testemunho de sua santidade, que mereceu a frase do Papa Pio XI que disse: “Antônio Maria Claret é uma figura verdadeiramente grande, como apóstolo infatigável”. Nasceu em 1807 em Sallent (Província de Barcelona – Espanha), ao ser batizado recebeu o nome de Antônio João, ao qual ele veio depois acrescentar o de Maria como sinal de sua especial devoção à Santíssima Virgem: “Nossa Senhora é minha Mãe, minha Madrinha, minha Mestra, meu tudo, depois de Cristo”.

Antônio Maria ajudou o pai numa fábrica de tecidos até os 22 anos, quando entrou para o seminário de vida, pois almejava um sacerdócio santo e como padre desejou consagrar-se nas difíceis missões da Espanha. Ao ver a pobreza dos missionários e as portas se abrindo, Antônio Maria, com amigos, tratou de fundar a “Congregação dos Missionários Filhos do Imaculado Coração de Maria”, conhecidos como Claretianos.

O Carisma era evangelizar todos os setores, por meio da caridade de Cristo que constrangia, por isso dizia: “Não posso resistir aos impulsos interiores que me chamam para salvar almas. Tenho sede de derramar o meu sangue por Cristo!” Mal tinha fundado a Congregação, o Espírito o nomeou para Arcebispo de Santiago de Cuba, onde fez de tudo, até arriscar a própria vida, para defender os oprimidos da ilha e converter a todos, conta-se que ao chegar às terras cubanas foi logo visitar e consagrar o apostolado à Nossa Senhora do Cobre.

Com os amigos o Arcebispo Santo Antônio Maria Claret, evangelizou milhares de almas, isto através de missões populares e escritos, que chegaram a 144 obras. Fundador das Religiosas de Maria Imaculada, voltou a Espanha, também tornou-se confessor e conselheiro particular da rainha Isabel II; participou do Concílio Vaticano I, e ao desviar-se de calúnias retirou-se na França onde continuou o apostolado até passar pela morte e chegar na glória em 24 de outubro de 1870.

Foi beatificado em 1934 pelo Papa Pio XI e canonizado por Pio XII em 1950. Pelo seu amor ao Imaculado Coração de Maria e pelo seu apostolado do Rosário, tem uma estátua de mármore no interior da Basílica de Fátima.

Santo Antônio Maria Claret, rogai por nós!

 

FONTE: Canção Nova

 

Meditação

- por Padre Alexandre Fernandes

52. VIM TRAZER FOGO À TERRA!

– O zelo divino de Jesus por todas as almas.

– O apostolado no meio do mundo deve propagar-se como um incêndio de paz.

– A Santa Missa e o apostolado.

I. COMO AMIGO verdadeiro, o Senhor manifesta aos seus discípulos os seus sentimentos mais íntimos. Assim, fala-lhes do zelo apostólico que o consome, do seu amor por todas as almas: Vim trazer fogo à terra, e que quero senão que arda? E mostra-lhes a impaciência divina com que deseja que a sua entrega ao Pai pelos homens se consuma no Calvário: Tenho que ser batizado com um batismo de sangue; e como é grande a minha ansiedade até que ele se realize!1 Na Cruz, o amor de Deus por todos nós chegou à plenitude, pois ninguém tem maior amor que aquele que dá a vida pelos seus amigos2. Desta predileção participamos os que o seguimos.

Santo Agostinho, comentando esta passagem do Evangelho da Missa, ensina: “Os homens que acreditaram nEle começaram a arder, receberam a chama da caridade. Esta é a razão pela qual o Espírito Santo apareceu sob essa forma quando foi enviado aos Apóstolos: E apareceram-lhes como que umas línguas de fogo, que pousaram repartidas sobre cada um deles (At 2, 3). Inflamados por este fogo, começaram a ir pelo mundo e a inflamar por sua vez e a prender fogo entre os inimigos à sua volta. Que inimigos? Os que abandonaram a Deus que os criara e adoravam as imagens que eles mesmos tinham feito […]. A fé que há neles encontra-se como que afogada pela palha. Convém que ardam nesse fogo santo para que, uma vez consumida a palha, resplandeça essa realidade maravilhosa redimida por Cristo”3. Agora, somos nós que temos de ir pelo mundo com esse fogo de amor e de paz que inflame os outros no amor de Deus e purifique os seus corações. Iremos às Universidades, às fábricas, às tarefas públicas, ao nosso próprio lar…

“Se numa cidade se ateasse fogo em vários lugares, mesmo que fosse um fogo modesto e pequeno, mas que resistisse a todos os embates, em pouco tempo a cidade seria presa das chamas.

“Se numa cidade se acendesse nos pontos mais díspares o fogo que Jesus trouxe à terra, e esse fogo resistisse ao gelo do mundo pela boa vontade dos seus habitantes, em pouco tempo teríamos a cidade incendiada de amor de Deus.

“O fogo que Jesus trouxe à terra é Ele próprio, é a Caridade: esse amor que não só une a alma a Deus, mas as almas entre si […] E em cada cidade estas almas podem surgir nas famílias: pai e mãe, filho e pai, mãe e sogra; podem encontrar-se também nas paróquias, nas associações, nas sociedades humanas, nas escolas, nos escritórios, em qualquer parte […] Cada pequena célula acesa por Deus em qualquer ponto da terra propagar-se-á necessariamente. Depois, a Providência distribuirá essas chamas, essas almas-chamas, onde julgar oportuno, a fim de que em muitos lugares o mundo seja restaurado ao calor do amor de Deus e volte a ter esperança”4.

II. O APOSTOLADO no meio do mundo propaga-se como um incêndio. Cada cristão que viva a sua fé converte-se num ponto de ignição no meio dos seus, no lugar de trabalho, entre os amigos e conhecidos… Mas isso só lhe será possível se cumprir o conselho de São Paulo aos cristãos de Filipos: Tende entre vós os mesmos sentimentos que teve Cristo Jesus5. Esta recomendação do Apóstolo “exige que todos os cristãos reproduzam nas suas vidas, tanto quanto é possível ao homem, aquele sentimento que o Divino Redentor tinha quando se oferecia em Sacrifício, isto é, que imitem a sua humildade e elevem à suma Majestade de Deus a devida adoração, honra, louvor e ação de graças”6.

É uma oblação que se realiza principalmente na Santa Missa, renovação incruenta do Sacrifício da Cruz, em que o cristão oferece ao Senhor as suas obras, as suas orações e iniciativas apostólicas, a vida familiar, o trabalho de cada jornada, o descanso e mesmo as provações da vida, que, se forem acolhidas pacientemente, convertem-se em meio de santificação7. Ao terminar o Sacrifício eucarístico, o cristão sai ao encontro da vida decidido a seguir os passos de Cristo na sua existência terrena: esquecido de si próprio e disposto a dar-se aos outros para levá-los a Deus.

A vida do cristão deve ser uma imitação da vida de Cristo, uma participação no modo de ser do Filho de Deus. Isto nos leva a pensar, olhar, sentir, atuar e reagir como Ele diante das pessoas. Jesus via as multidões e compadecia-se delas, porque eram como ovelhas sem pastor8, com uma vida sem rumo nem sentido. Jesus compadecia-se delas; o seu amor era tão grande que não se deu por satisfeito enquanto não entregou a sua vida na Cruz. Este amor deve apossar-se dos nossos corações: então compadecer-nos-emos de todos aqueles que andam afastados do Senhor e procuraremos colocar-nos ao seu lado para que, com a ajuda da graça, conheçam o Mestre.

Na Santa Missa, estabelece-se uma corrente de amor divino a partir do Filho que se oferece ao Pai no Espírito Santo. O cristão, incorporado a Cristo, participa desse amor e chega a impregnar dele até as realidades terrenas mais corriqueiras, que ficam assim santificadas e purificadas, e se tornam mais aptas para serem oferecidas ao Pai pelo Filho, num novo Sacrifício eucarístico.

A ação apostólica está especialmente enraizada na Santa Missa, da qual recebe a sua eficácia, pois não é mais do que a realização da Redenção no tempo através dos cristãos: Jesus Cristo “veio à terra para redimir o mundo inteiro, porque quer que os homens se salvem (1 Tim 2, 4). Não há alma que não interesse a Cristo. Cada uma delas custou-lhe o preço do seu sangue (cfr. 1 Pe 1, 18-19)”9. Quando se quer imitar verdadeiramente o Senhor, deixa de haver almas diante das quais se possa encolher os ombros.

III. QUANDO O CRISTÃO participa conscientemente da Santa Missa, pensa em primeiro lugar nos seus irmãos na fé, com quem se sentirá cada vez mais unido por partilhar com eles do pão da vida e do cálice da salvação eterna. É um momento oportuno para pedir por todos, especialmente pelos mais necessitados. Encher-nos-emos assim de sentimentos de caridade e de fraternidade, “porque, se a Eucaristia faz que sejamos uma só coisa, é lógico que cada um trate os outros como irmãos. A Eucaristia forma a família dos filhos de Deus, irmãos de Jesus e irmãos entre si”10.

Mas depois desse encontro único com o Senhor e com os nossos irmãos na fé, acontecerá conosco o mesmo que aconteceu àqueles homens e mulheres que eram curados das suas doenças nalguma cidade ou caminho da Palestina: ficavam tão alegres que não cessavam de apregoar por toda a parte o que tinham visto e ouvido, o que o Mestre tinha levado a cabo nas suas almas ou nos seus corpos.

Quando o cristão sai da Missa tendo recebido a Comunhão, sabe que já não pode ser feliz sozinho, que deve comunicar aos outros essa maravilha que é Cristo. Cada encontro com o Senhor conduz à alegria e à necessidade de comunicar aos outros esse tesouro. Foi assim que o cristianismo se propagou nos primeiros séculos: como um incêndio de paz e de amor que ninguém pôde deter.

Se conseguirmos que a nossa vida gire em torno da Santa Missa, veremos crescer em nós um desejo impetuoso de que Cristo seja conhecido, pois “se vivemos bem a Santa Missa, como não havemos de continuar depois o resto da jornada com o pensamento no Senhor, com o desejo irreprimível de não nos afastarmos da sua presença, para trabalhar como Ele trabalhava e amar como Ele amava?”11

Além disso, saberemos apreciar o dom que representa a permanência do Senhor no Sacrário, “o lugar tranqüilo e aprazível onde está Cristo, onde lhe podemos contar as nossas preocupações, os nossos sofrimentos, os nossos anseios e as nossas alegrias, com a mesma simplicidade e naturalidade com que lhe falavam aqueles seus amigos Marta, Maria e Lázaro”12. Nessa confidência íntima, ouviremos o Senhor repetir-nos com a mesma impaciência santa com que se dirigia aos Apóstolos: Vim trazer fogo à terra; e que quero senão que arda? E animar-nos a meter ombros à tarefa, pois é urgente: Não dizeis vós: Ainda há quatro meses até vir a ceifa? Pois bem, eu vos digo: Erguei os olhos e vede; os campos estão brancos para a ceifa13.

E nós diremos ao Senhor, em resposta, que pode contar conosco, que queremos imolar-nos como Ele no Sacrifício eucarístico, numa ação apostólica silenciosa e eficaz como é a sua presença nos nossos Sacrários.

(1) Lc 12, 49; (2) Jo 15, 13; (3) Santo Agostinho, Comentário ao Salmo 96, 6; (4) Chiara Lubich, Meditações; (5) Fil 2, 5; (6) Pio XII, Carta Encíclica Mediator Dei, 20.11.47, 22; (7) cfr. Concílio Vaticano II, Constituição Lumen gentium, 34; (8) Mt 9, 36; (9) Bem-aventurado Josemaría Escrivá, Amigos de Deus, n. 256; (10) Chiara Lubich, A Eucaristia; (11) Bem-aventurado Josemaría Escrivá, É Cristo que passa, n. 154; (12) ibid.; (13) Jo 4, 35.

18ª Semana do Tempo Comum