25 de Fevereiro de 2020

7a Semana Comum Terça-feira

- por Padre Alexandre Fernandes

TERÇA-FEIRA DA VII SEMANA DO TEMPO COMUM
(cor verde – ofício do dia)

 

Antífona da entrada

 

– Confiei, Senhor, na vossa misericórdia; meu coração exulta porque me salvais. Cantarei ao Senhor pelo bem que me fez (Sl 12,6).

 

Oração do dia

 

– Concedei, ó Deus todo poderoso, que, procurando conhecer sempre o que é reto, realizemos vossa vontade em nossas palavras e ações. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

1ª Leitura: Tg 4,1-10

– Leitura da carta de são Tiago: Caríssimos, 1de onde vêm as guerras? De onde vêm as brigas entre vós? Não vêm, justamente, das paixões que estão em conflito dentro de vós? 2Cobiçais, mas não conseguis ter. Matais e cultivais inveja, mas não conseguis êxito. Brigais e fazeis guerra, mas não conseguis possuir. E a razão está em que não pedis. 3Pedis, sim, mas não recebeis, porque pedis mal. Pois só quereis esbanjar o pedido nos vossos prazeres. 4Adúlteros, não sabeis que a amizade com o mundo é inimizade com Deus? Assim, todo aquele que pretende ser amigo do mundo toma-se inimigo de Deus. 5Ou julgais ser em vão que a Escritura diz: “Com ciúme anela o espírito que nos habita”? 6Mas ele nos dá uma graça maior. Por isso, a Escritura diz: “Deus resiste aos soberbos, mas concede a graça aos humildes”. 7Obedecei pois a Deus, mas resisti ao diabo, e ele fugirá de vós. 8Aproximai-vos de Deus, e ele se aproximará de vós. Purificai as mãos, ó pecadores, e santificai os corações, homens dúbios. 9Ficai tristes, vesti o luto e chorai. Transforme-se em luto o vosso riso, e a vossa alegria em desalento. 10Humilhai-vos diante do Senhor, e ele vos exaltará.

 

– Palavra do Senhor.

– Graças a Deus.

 

Salmo Responsorial: Sl 55,7-8.9-10a.10b-11a.23 (R: 23a)

 

– Confia teus cuidados ao Senhor, e ele há de ser o teu sustento!
R: Confia teus cuidados ao Senhor, e ele há de ser o teu sustento!

– É por isso que eu digo na angústia: “Quem me dera ter asas de pomba e voar para achar um descanso! Fugiria, então, para longe, e me iria esconder no deserto.

R: Confia teus cuidados ao Senhor, e ele há de ser o teu sustento!

– Acharia depressa um refúgio contra o vento, a procela, o tufão”. Ó Senhor, confundi as más línguas.

R: Confia teus cuidados ao Senhor, e ele há de ser o teu sustento!

– Dispersai-as, porque na cidade só se vê violência e discórdia! Dia e noite circundam seus muros.

R: Confia teus cuidados ao Senhor, e ele há de ser o teu sustento!

– Lança sobre o Senhor teus cuidados, porque ele há de ser teu sustento, e jamais ele irá permitir que o justo para sempre vacile!

R: Confia teus cuidados ao Senhor, e ele há de ser o teu sustento!
 

Aclamação ao santo Evangelho.

 

Aleluia, aleluia, aleluia.

Aleluia, aleluia, aleluia.

 

– Minha glória é a cruz do Senhor Cristo Jesus, pela qual o mundo está crucificado para mim e eu para este mundo (Gl 6, 14).

 

Aleluia, aleluia, aleluia.

 

Evangelho de Jesus Cristo, segundo Marcos: Mc 9,30-37

– O Senhor esteja convosco.

– Ele está no meio de nós.

– Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo † segundo Marcos.

– Glória a vós, Senhor!

 

– Naquele tempo, 30Jesus e seus discípulos atravessaram a Galiléia. Ele não queria que ninguém soubesse disso, 31pois estava ensinando a seus discípulos. E dizia-lhes: "O Filho do Homem vai ser entregue nas mãos dos homens, e eles o matarão, mas, três dias após sua morte, ele ressuscitará". 32Os discípulos, porém, não compreendiam estas palavras e tinham medo de perguntar. 33Eles chegaram a Cafarnaum. Estando em casa, Jesus perguntou-lhes: "Que discutíeis pelo caminho?" 34Eles, porém, ficaram calados, pois pelo caminho tinham discutido qual deles seria o maior. 35Jesus sentou-se, chamou os doze e lhes disse: "Se alguém quiser ser o primeiro, que seja o último de todos e aquele que serve a todos!" 36Em seguida, pegou uma criança, colocou-a no meio deles, e abraçando-a disse: 37"Quem acolher em meu nome uma dessas crianças, é a mim que estará acolhendo. E quem me acolher, está acolhendo, não a mim, mas aquele que me enviou".

 

– Palavra da salvação.

– Glória a vós, Senhor!

Santa Valburga

- por Padre Alexandre Fernandes

Santa Valburga nasceu no ano de 710. Era filha de São Ricardo, rei dos Saxões do Oeste. Santa Valburga tinha dois irmãos: o bispo Vilibaldo e o monge Vunibaldo. Durante uma peregrinação com seu pai, mãe e irmãos aos Lugares Santos, Santa Valburga retirou-se numa abadia. E foi ali que descobriu a beleza do chamado de Deus, consagrando-se inteiramente ao Senhor. Seu pai veio a falecer durante a viagem de volta dessa peregrinação.

Em 748, foi enviada por sua abadessa à Alemanha, junto com outras religiosas, para fundar e implantar mosteiros e escolas entre populações recém-convertidas. Na viagem, uma grande tempestade foi aplacada pelas preces de Valburga, por ela Deus já operava milagres. Naquele país, foi recebida e apoiada pelo bispo Bonifácio, seu tio, que consolidava um grande trabalho de evangelização, auxiliado pelos sobrinhos missionários. Designou a sobrinha para a diocese de Eichestat onde Vunibaldo havia construído um mosteiro em Heidenheim e tinha projeto para um feminino na mesma localidade. Ambos concluíram o novo mosteiro e Valburga eleita a abadessa. Após a morte do irmão, ela passou a dirigir os dois mosteiros, função que exerceu durante dezessete anos. Nessa época transpareceu a sua santidade nos exemplos de sua mortificação, bem como no seu amor ao silêncio e na sua devoção ao Senhor. As obras assistenciais executadas pelos seus religiosos fizeram destes mosteiros os mais famosos e procurados de toda a região.

Valburga se entregou a Deus de tal forma que os prodígios aconteciam com frequência. Os mais citados são: o de uma luz sobrenatural que envolveu sua cela enquanto rezava, presenciada por todas as outras religiosas e o da cura da filha de um barão, depois de uma noite de orações ao seu lado. Morreu no dia 25 de fevereiro de 779 e seu corpo foi enterrado no mosteiro de Heidenheim, onde permaneceu por oitenta anos. Mas, ao ser trasladado para a igreja de Eichestat, quando de sua canonização, em 893, o seu corpo foi encontrado ainda intacto. Além disso, das pedras do sepulcro brotava um fluído de aroma suave, como um óleo fino, fato que se repetiu sob o altar da igreja onde o corpo foi colocado. Nesta mesma cerimônia, algumas relíquias da Santa foram enviadas para a França do Norte, onde o rei Carlos III, o Simples, havia construído no seu palácio de Atinhy, uma igreja dedicada a Santa Valburga.

O seu culto, em 25 de fevereiro, se espalhou rápido, porque o óleo continuou brotando. Atualmente é recolhido em concha de prata e guardado em garrafinhas distribuídas para o mundo inteiro. Os devotos afirmam que opera milagres.

Santa Valburga, rogai por nós!

Meditação

- por Padre Alexandre Fernandes

Qual deles seria o maior… (Mc 9,30-37)

 

            Chegando a Cafarnaum após dura caminhada, assim meio distraído, Jesus pergunta sobre o tema que causara entre eles algum tipo de controvérsia.

 

            Silêncio total. É que eles discutiam – que santos alunos Jesus arranjara! – qual deles seria o maior. Podemos ajudá-los? 5 pescadores galileus, pele assada de sol, mãos grossas e o jeito bronco de roceiros, tudo realçado pelo sotaque caipira. 2 guerrilheiros (duas espadas! Cf. Lc 22,38) à espera de um Messias político. Um ex-cobrador de impostos especialista em aumentar a cobrança e guardar um percentual… E vai por aí afora. Qual deles seria o maior?

 

            Jesus puxa para o meio da roda uma criança que brincava ali perto. E aponta para ela: não percam tempo querendo ser grandes. Sejam pequeninos. E falando em pequenez, quem recebe um destes pequeninos em meu nome, é a mim que acolhe. Se vocês querem ser grandes, sejam o último da fila. Sejam aquele que se faz servo dos outros irmãos…

 

            Eis o comentário de Isaac, o Sírio (Séc. VII):

 

            “Ó menorzinho dos homens, queres encontrar a vida? Guarda em ti a fé e a humildade! Queres descobrir o que dá a vida? Caminha sobre a via da simplicidade! Nada pretendas conhecer diante de Deus. A fé acompanha a simplicidade. Mas a presunção acompanha a sutileza do conhecimento e os desvios do pensamento. Ela afasta de Deus.

 

            Quando vens diante de Deus pela oração, sê em teu pensamento como a formiga, como aquele que se arrasta pelo chão, como um verme, como criança que balbucia. E diante dele não digas nada que pretendes saber. Mas aproxima-te de Deus com um coração de criança. Vai diante dele para receber aquela solicitude com a qual os pais cuidam de seus filhinhos bem pequenos. Já foi dito: ‘O Senhor guarda as criancinhas’. Aquele que é como a criancinha, aproxima-se da serpente, toma-a pelo pescoço e a serpente não lhe faz mal. […]

            Quando a graça vê que a presunção infiltrou-se um pouco no pensamento do homem e este começa a ter uma alta ideia de si mesmo, ela permite logo que sejam reforçadas e concentradas as tentações que o assaltam, até que ele aprenda sua fraqueza, se refugie em Deus e a Ele se apegue na humildade. E assim ele atinge a medida do homem perfeito na fé e na esperança do Filho de Deus, e é elevado no amor.”

 

            Como se vê, é mais prático ser pequeno… ser criança…

 

18ª Semana do Tempo Comum