25 de Outubro de 2019

29ª semana comum Sexta-feira

- por Padre Alexandre Fernandes

SEXTA FEIRA – SANTO ANTÔNIO GALVÃO – PRESBÍTERO

(branco, pref. comum ou dos pastores – ofício da memória)

 

Antífona da entrada

 

– Eu vos darei pastores segundo o meu coração, que vos conduzam com inteligência e sabedoria (Jr 3,15).

 

Oração do dia

 

– Ó Deus, Pai de misericórdia, que fizestes do santo Antônio de Santana Galvão um instrumento de caridade e de paz no meio dos irmãos, concedei-nos, por sua intercessão, favorecer sempre a verdadeira concórdia. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

1ª Leitura: Rm 7,18-25

 

– Leitura da carta de são Paulo aos Romanos: Irmãos, 18estou ciente de que o bem não habita em mim, isto é, na minha carne. Pois eu tenho capacidade de querer o bem, mas não de realizá-lo. 19Com efeito, não faço o bem que quero, mas faço o mal que não quero. 20Ora, se faço aquilo que não quero, então já não sou eu que estou agindo, mas o pecado que habita em mim. 21Portanto, descubro em mim esta lei: Quando quero fazer o bem, é o mal que se me apresenta. 22Como homem interior ponho toda a minha satisfação na lei de Deus; 23mas sinto em meus membros outra lei, que luta contra a lei da minha razão e me aprisiona na lei do pecado, essa lei que está em meus membros.

24Infeliz que eu sou! Quem me libertará deste corpo de morte? 25aGraças sejam dadas a Deus, por Jesus Cristo, nosso Senhor.

 

– Palavra do Senhor.

– Graças a Deus.

 

Salmo Responsorial: Sl 119,66.68.76.77.93.94 (R:68b)

 

– Ensinai-me a fazer vossa vontade!

R: Ensinai-me a fazer vossa vontade!

 

– Dai-me bom senso, retidão e sabedoria, pois tenho fé nos vossos santos mandamentos!

R: Ensinai-me a fazer vossa vontade!

 

– Porque sois bom e realizais somente o bem, ensinai-me a fazer vossa vontade!

R: Ensinai-me a fazer vossa vontade!

 

– Vosso amor seja um consolo para mim, conforme a vosso servo prometestes.

R: Ensinai-me a fazer vossa vontade!

 

– Venha a mim o vosso amor e viverei, porque tenho em vossa lei o meu prazer!

R: Ensinai-me a fazer vossa vontade!

 

– Eu jamais esquecerei vossos preceitos, por meio deles conservais a minha vida.

R: Ensinai-me a fazer vossa vontade!

 

– Vinde salvar-me, ó Senhor, eu vos pertenço! Porque sempre procurei vossa vontade.

R: Ensinai-me a fazer vossa vontade!

 

Aclamação ao santo Evangelho

 

Aleluia, aleluia, aleluia.

Aleluia, aleluia, aleluia.

 

– Graças te dou, ó Pai, Senhor do céu e da terra, pois revelastes os mistérios do teu reino aos pequeninos, escondendo-os aos doutores! (Mt 11,25).

 

Aleluia, aleluia, aleluia.

 

Evangelho de Jesus Cristo, segundo Lucas: Lc 12,54-59

 

– O Senhor esteja convosco.

– Ele está no meio de nós.

– Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo † segundo Lucas

– Glória a vós, Senhor!   

 

– Naquele tempo, 54Jesus dizia às multidões: “Quando vedes uma nuvem vinda do ocidente, logo dizeis que vem chuva. E assim acontece. 55Quando sentis soprar o vento do sul, logo dizeis que vai fazer calor. E assim acontece. 56Hipócritas! Vós sabeis interpretar o aspecto da terra e do céu. Como é que não sabeis interpretar o tempo presente? 57Por que não julgais por vós mesmos o que é justo? 58Quando, pois, tu vais com o teu adversário apresentar-te diante do magistrado, procura resolver o caso com ele enquanto estais a caminho. Senão ele te levará ao juiz, o juiz te entregará ao guarda, e o guarda te jogará na cadeia. 59Eu te digo: daí tu não sairás, enquanto não pagares o último centavo”.

 

– Palavra da salvação.

– Glória a vós, Senhor!   

Santo Antônio de Santanna Galvão

- por Padre Alexandre Fernandes

Frei Galvão era cheio do espírito da caridade, não media sacrifícios para aliviar os sofrimentos alheios

Conhecido como “o homem da paz e da caridade”, Antônio de Santanna Galvão, popularmente conhecido como Frei Galvão nasceu no dia 10 de maio de 1739, na cidade de Guaratinguetá (SP).

Filho de Antônio Galvão, português natural da cidade de Faro em Portugal, e de Isabel Leite de Barros, natural da cidade de Pindamonhangaba, em São Paulo. O ambiente familiar era profundamente religioso. Antônio viveu com seus irmãos numa casa grande e rica, pois seus pais gozavam de prestígio social e influência política.

O pai, querendo dar uma formação humana e cultural segundo suas possibilidades econômicas, mandou Antônio, com a idade de 13 anos, à Bahia, a fim de estudar no seminário dos padres jesuítas.

Em 1760, ingressou no noviciado da Província Franciscana da Imaculada Conceição, no Convento de São Boaventura do Macacu, na Capitania do Rio de Janeiro. Foi ordenado sacerdote no dia 11 de julho de 1762, sendo transferido para o Convento de São Francisco em São Paulo.

Em 1774, fundou o Recolhimento de Nossa Senhora da Conceição da Divina Providência, hoje Mosteiro da Imaculada Conceição da Luz, das Irmãs Concepcionistas da Imaculada Conceição.

Cheio do espírito da caridade, não media sacrifícios para aliviar os sofrimentos alheios. Por isso o povo a ele recorria em suas necessidades. A caridade de Frei Galvão brilhou, sobretudo, como fundador do mosteiro da Luz, pelo carinho com que formou as religiosas e pelo que deixou nos estatutos do então recolhimento da Luz. São páginas que tratam da espiritualidade, mas em particular da caridade de como devem ser vivida a vida religiosa e tratadas as pessoas de dentro e de fora do “recolhimento”.

Às 10 horas do dia 23 de dezembro de 1822, no Mosteiro da Luz de São Paulo, havendo recebido todos os sacramentos, adormeceu santamente no Senhor, contando com seus quase 84 anos de idade. Foi sepultado na Capela-Mor da Igreja do Mosteiro da Luz, e sua sepultura ainda hoje continua sendo visitada pelos fiéis.

Sobre a lápide do sepulcro de Frei Galvão está escrito para eterna memória: “Aqui jaz Frei Antônio de Sant’Anna Galvão, ínclito fundador e reitor desta casa religiosa, que tendo sua alma sempre em suas mãos, placidamente faleceu no Senhor no dia 23 de dezembro do ano de 1822”. Sob o olhar de sua Rainha, a Virgem Imaculada, sob a luz que ilumina o tabernáculo, repousa o corpo do escravo de Maria e do Sacerdote de Cristo, a continuar, ainda depois da morte, a residir na casa de sua Senhora ao lado de seu Senhor Sacramentado.

Frei Galvão é o religioso cujo coração é de Deus, mas as mãos e os pés são dos irmãos. Toda a sua pessoa era caridade, delicadeza e bondade: testemunhou a doçura de Deus entre os homens. Era o homem da paz, e como encontramos no Registro dos Religiosos Brasileiros: “O seu nome é em São Paulo, mais que em qualquer outro lugar, ouvido com grande confiança e não uma só vez, de lugares remotos, muitas pessoas o vinham procurar nas suas necessidades”.

O dia 25 de outubro, dia oficial do santo, foi estabelecido, na Liturgia, pelo saudoso Papa João Paulo II, na ocasião da beatificação de Frei Galvão em 1998 em Roma. Com a canonização do primeiro santo que nasceu, viveu e morreu no Brasil, a 11 de maio de 2007, o Papa Bento XVI manteve a data de 25 de outubro.

Santo Antônio de Santanna Galvão, rogai por nós!

FONTE: Canção Nova

 

Meditação

- por Padre Alexandre Fernandes

53. OS SINAIS E OS TEMPOS

– Reconhecer Jesus Cristo que passa perto da nossa vida.

– A fé e a pureza de alma.

– Encontrar Jesus e dá-lo a conhecer.

I. OS HOMENS sempre se interessaram pelo tempo e pelo clima. Particularmente os lavradores e os homens do mar, por força das suas tarefas, sempre têm averiguado o estado do céu, a direção do vento, a forma das nuvens, na tentativa de fazerem um prognóstico. Nosso Senhor, no Evangelho da Missa1, faz notar aos que o escutam, pescadores e pessoas do campo na sua maioria: Quando vedes levantar-se uma nuvem no poente, logo dizeis: Vai chover; e assim sucede. E quando sentis soprar o vento do sul, dizeis: Fará calor; e assim sucede. Jesus censura-os, pois sabem prever a chuva e o bom tempo pelos sinais que aparecem no horizonte e, no entanto, não sabem discernir os sinais – muito mais abundantes e mais claros – que Deus envia para que averigúem e saibam que o Messias já chegou: Como, pois, não sabeis reconhecer o tempo presente?

Faltavam-lhes boa vontade e retidão de intenção, e fechavam os olhos à luz do Evangelho. Os sinais da chegada do Reino de Deus eram suficientemente claros na Palavra de Deus, que lhes chegava tão diretamente nos abundantes milagres realizados pelo Senhor e na própria Pessoa de Cristo que tinham diante dos olhos2. Apesar de tantos sinais – muitos deles já anunciados pelos Profetas –, não souberam discernir a situação presente. Deus estava no meio deles e muitos não se aperceberam disso.

O Senhor continua a passar pelas nossas vidas com sinais mais do que suficientes, mas existe o perigo de que não o reconheçamos. Faz-se presente na doença ou na tribulação, que nos purificam se sabemos aceitá-las e amá-las; está – de modo oculto mas real – naqueles que trabalham na mesma tarefa que nós e que precisam de ajuda, ou naqueles que participam do calor do nosso próprio lar, naqueles que encontramos diariamente por motivos tão diversos… Está por trás dessa boa notícia que espera que saibamos agradecer para nos conceder outras novas. São muitas as ocasiões em que sai ao nosso encontro… Que pena se não soubermos reconhecê-lo por estarmos excessivamente preocupados, distraídos, ou por faltar-nos piedade, presença de Deus!

A nossa vida não seria muito diferente se fôssemos mais conscientes dessa presença divina? Não é verdade que desapareceria muita rotina, tristeza, penas, mau-humor…? “Se vivêssemos mais confiantes na Providência divina, certos – com fé enérgica! – desta proteção diária que nunca nos falta, quantas preocupações ou inquietações não pouparíamos! Desapareceriam tantos desassossegos que, na frase de Jesus, são próprios dos pagãos, dos homens mundanos (Lc 12, 30), das pessoas desprovidas de sentido sobrenatural”3, dos que vivem como se o Mestre não tivesse ficado conosco.

II. A FÉ TORNA-SE tanto mais penetrante quanto melhores forem as disposições da vontade. Se alguém quiser fazer a vontade de meu Pai, saberá se a minha doutrina vem de Deus ou se falo de mim mesmo4, dirá o Senhor aos judeus. Quando não se está disposto a cortar com uma má situação, quando não se procura com retidão de intenção somente a glória de Deus, a consciência pode obscurecer-se e ficar sem luz para entender mesmo o que parece evidente. “O homem, levado pelos seus preconceitos, ou instigado pelas suas paixões e má vontade, não só pode negar a evidência dos sinais externos, mas até resistir e rejeitar também as superiores inspirações que Deus infunde na alma”5.

Se falta boa vontade, se a vontade não se orienta para Deus, a inteligência encontra muitas dificuldades no caminho da fé, da obediência ou da entrega ao Senhor6. Quantas vezes não teremos percebido no nosso apostolado que as dificuldades e dúvidas contra a fé desapareciam quando os nossos amigos se decidiam finalmente a fazer uma boa Confissão! “Deus deixa-se ver pelos que são capazes de vê-lo por terem os olhos da mente abertos. Porque todos têm olhos, mas alguns os têm mergulhados nas trevas e não podem ver a luz do sol. E essa escuridão não deve ser atribuída à falta de luz solar – que não deixa de brilhar, por mais que os cegos não a vejam –, mas à cegueira”7.

Para percebermos a claridade penetrante da fé, “necessitamos das disposições humildes da alma cristã: não pretender reduzir a grandeza de Deus aos nossos pobres conceitos, às nossas explicações humanas, mas compreender que esse mistério, na sua obscuridade, é uma luz que guia a vida dos homens. […] Assim, com esse acatamento, saberemos compreender e amar; e o mistério será para nós um esplêndido ensinamento, mais convincente que qualquer raciocínio humano”8.

São tão importantes as disposições morais (a limpeza de coração, a humildade, a retidão de intenção…), que às vezes se pode dizer que a perplexidade ante o que é ou não vontade de Deus, o desconhecimento da nossa vocação, as dúvidas de fé e mesmo a perda desta virtude teologal têm por origem a rejeição das exigências da moral ou da vontade divina9. Santo Agostinho conta a sua experiência quando ainda estava longe do Senhor: “Estava totalmente vazio de tudo o que fosse espiritual, e sentia-me sem apetite algum pelos alimentos incorruptíveis; não por estar saciado, evidentemente, mas porque, quanto mais vazio, menos desejava o amor verdadeiro”10.

Purifiquemos o nosso olhar, mesmo desses ciscos – às vezes muito pequenos – que prejudicam a visão; retifiquemos muitas vezes a intenção – para Deus toda a glória! – a fim de podermos ver Jesus que nos visita com tanta freqüência.

III. O EVANGELHO DA MISSA de hoje termina com estas palavras de Jesus: Quando, pois, fores com o teu adversário ao príncipe, faze o possível por livrar-te dele no caminho, para que não suceda que te leve ao juiz, e o juiz te entregue ao meirinho, e o meirinho te ponha na cadeia…

Todos nós vamos pelo caminho da vida em direção ao Juízo. Aproveitemos o tempo presente para esquecer os agravos, os rancores, por pequenos que sejam, enquanto nos resta uma parte do trajeto por percorrer. Descubramos os sinais que nos indicam a presença de Deus na nossa vida. Depois, quando chegar o momento do Juízo, será muito tarde para irmos em busca do remédio. Este é o tempo oportuno para que queiramos retificar, merecer, amar, reparar. O Senhor convida-nos no dia de hoje a descobrir o sentido profundo do tempo, pois é possível que ainda tenhamos pequenas dívidas pendentes: dívidas de gratidão, de perdão, até de justiça…

Ao mesmo tempo, temos de ajudar os outros, que nos acompanham no caminho da vida, a interpretar esses sinais que revelam a passagem do Senhor pelas suas famílias, pelos seus lugares de trabalho… É possível que alguns, talvez os mais afastados, não sigam o Mestre por sofrerem de miopia, como muitos daqueles que rodeavam o Senhor na Palestina.

“O que muitos combatem não é o verdadeiro Deus, mas a falsa idéia que fizeram de Deus: um Deus que protege os ricos, que só sabe pedir e encostar à parede, que sente inveja do nosso progresso, que espia continuamente do alto os nossos pecados para ter o prazer de castigá-los […].

“Deus não é assim: é justo e bom ao mesmo tempo; é Pai também dos filhos pródigos, que deseja ver não mesquinhos e miseráveis, mas grandes, livres, criadores do seu próprio destino. O nosso Deus é tão pouco rival do homem que quis fazer-se seu amigo, levando-o a participar da sua própria natureza divina e da sua própria felicidade eterna.

“Também não é verdade que nos peça demasiado; pelo contrário, contenta-se com pouco, porque sabe perfeitamente que não temos grandes coisas […]. Este Deus dar-se-á a conhecer e amar cada vez mais, e sem excetuar ninguém – mesmo os que hoje o rejeitam, não por serem maus […], mas por olharem-no de um ponto de vista errado. Continuam a não crer nEle? Ele responde-lhes: Sou eu que creio em vós”11.

Deus, como bom Pai, não perde a esperança nos seus filhos. Não a percamos nós: mostremos aos outros os sinais e referências que Ele deixa à sua passagem. Se o lavrador conhece bem a evolução do tempo, nós, cristãos, temos de saber descobrir Jesus, Senhor da História, presente no mundo, no meio dos grandes acontecimentos da humanidade e nos pequenos acontecimentos dos dias sem relevo. Então saberemos dá-lo a conhecer aos outros.

(1) Lc 12, 54-59; (2) cfr. Concílio Vaticano II, Constituição Lumen gentium, 5; (3) Bem-aventurado Josemaría Escrivá, Amigos de Deus, n. 116; (4) Jo 7, 17; (5) Pio XII, Carta Encíclica Humani generis, 12.08.50; (6) cfr. Joseph Pieper, La fe, hoy, Palabra, Madrid, 1968, págs. 107-117; (7) São Teófilo de Antioquia, Livro I, 2, 7; (8) Bem-aventurado Josemaría Escrivá, É Cristo que passa, n. 13; (9) cfr. Joseph Pieper, La fe, hoy; (10) Santo Agostinho, Confissões, 3, 1, 1; (11) Albino Luciani, Ilustríssimos senhores, págs. 18-19.

18ª Semana do Tempo Comum