26 de Dezembro de 2019

4a semana do Advento Quinta -feira

- por Padre Alexandre Fernandes

QUINTA FEIRA – SANTO ESTÊVÃO – DIÁCONO E PROTOMÁRTIR
(vermelho, glória, pref. do Natal  – ofício da festa)

 

Antífona da entrada

 

– As portas do céu abriram-se para santo Estevão, que foi o primeiro dentre os mártires e por isso, coroado, triunfa no céu.

 

Oração do dia

 

– Ensinai-nos, ó Deus, a imitar o que celebramos, amando os nossos próprios inimigos, pois festejamos santo Estevão, vosso primeiro mártir, que soube rezar por seus perseguidores. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

1ª Leitura: At 6, 8-10; 7, 54-59

– Leitura dos Atos dos Apóstolos – Naqueles dias, 8Estevão, cheio de graça e poder, fazia prodígios e grandes sinais entre o povo. 9Mas alguns membros da chamada Sinagoga dos Libertos, junto com cirenenses e alexandrinos, e alguns da Cilícia e da Ásia, começaram a discutir com Estevão. 10Porém, não conseguiam resistir à sabedoria e ao Espírito com que ele falava. 7,54Ao ouvir essas palavras, eles ficaram enfurecidos e rangeram os dentes contra Estevão. 55Estevão, cheio do Espírito Santo, olhou para o céu e viu a glória de Deus e Jesus, de pé, à direita de Deus. 56E disse: "Estou vendo o céu aberto, e o Filho do Homem, de pé, à direita de Deus". 57Mas eles, dando grandes gritos e, tapando os ouvidos, avançaram todos juntos contra Estevão; 58arrastaram-no para fora da cidade e começaram a apedrejá-lo. As testemunhas deixaram suas vestes aos pés de um jovem, chamado Saulo. 59Enquanto o apedrejavam, Estevão clamou dizendo: "Senhor Jesus, acolhe o meu espírito".

 

– Palavra do Senhor.

– Graças a Deus.

 

Salmo Responsorial 31,3cd-4.6.8ab.16c.17 (R: 6a)

 

– Em vossas mãos, Senhor, entrego o meu espírito.

R: Em vossas mãos, Senhor, entrego o meu espírito.

 

– Sede uma rocha protetora para mim, um abrigo bem seguro que me salve. Sim, sois vós a minha rocha e fortaleza; por vossa honra orientai-me e conduzi-me.

R: Em vossas mãos, Senhor, entrego o meu espírito.

 

– Em vossas mãos, Senhor, entrego o meu espírito, porque vós me salvareis, ó Deus fiel. Vosso amor me faz saltar de alegria, pois olhastes para as minhas aflições.

R: Em vossas mãos, Senhor, entrego o meu espírito.

 

– Eu entrego em vossas mãos o meu destino; libertai-me do inimigo e do opressor! Mostrai serena a vossa face ao vosso servo, e salvai-me pela vossa compaixão!

R: Em vossas mãos, Senhor, entrego o meu espírito.

 

Aclamação ao santo Evangelho.

 

Aleluia, aleluia, aleluia.

Aleluia, aleluia, aleluia.

 

– Bendito o que vem em nome do Senhor. Nosso Deus é o Senhor, ele é a nossa luz (Sl 117,26).

 

Aleluia, aleluia, aleluia.

 

Evangelho de Jesus Cristo, segundo Mateus: Mt 10, 17-22

 

 – O Senhor esteja convosco.

– Ele está no meio de nós.

– Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo † segundo Mateus.

– Glória a vós, Senhor!

 

– Naquele tempo, disse Jesus aos seus apóstolos: 17"Cuidado com os homens, porque eles vos entregarão aos tribunais e vos açoitarão nas suas sinagogas. 18Vós sereis levados diante de governadores e reis, por minha causa, para dar testemunho diante deles e das nações. 19Quando vos entregarem, não fiqueis preocupados como falar ou o que dizer. Então naquele momento vos será indicado o que deveis dizer. 20Com efeito, não sereis vós que havereis de falar, mas sim o Espírito do vosso Pai é que falará através de vós. 21O irmão entregará à morte o próprio irmão; o pai entregará o filho; os filhos se levantarão contra seus pais, e os matarão. 22Vós sereis odiados por todos, por causa do meu nome. Mas quem perseverar até o fim, esse será salvo".

 

– Palavra da salvação.

– Glória a vós, Senhor!

 

 

 

Santo Estêvão

- por Padre Alexandre Fernandes

Nos capítulos 6 e 7 dos Atos dos Apóstolos encontramos um longo relato sobre o martírio de Estêvão, que é um dos sete primeiros Diáconos nomeados e ordenados pelos Apóstolos. Santo Estêvão é chamado de Protomártir, ou seja, ele foi o primeiro mártir de toda a história católica. O seu martírio ocorreu entre o ano 31 e 36 da era cristã. Eis a descrição, tirada do livro dos Atos dos Apóstolos:

“Estêvão, porém, cheio de graça e poder, fazia prodígios e grandes sinais entre o povo. Levantaram-se então alguns da sinagoga, chamados dos Libertos e dos Cirenenses e dos Alexandrinos, e dos da Cicília e da Ásia e começaram a discutir com Estêvão, e não puderam resistir à sabedoria e ao Espírito com que ele falava. Subornaram então alguns homens que disseram: ‘Ouvimo-lo proferir palavras blasfematórias contra Moisés e contra Deus’. E amotinaram o povo e os Anciãos e Escribas e apoderaram-se dele e conduziram-no ao Sinédrio; e apresentaram falsas testemunhas que disseram: ‘Este homem não cessa de proferir palavras contra o Lugar Santo e contra a Lei; pois, ouvimo-lo dizer que Jesus, o Nazareno, destruirá este Lugar e mudará os usos que Moisés nos legou’. E todos os que estavam sentados no Sinédrio, tendo fixado os olhares sobre ele, viram o seu rosto como o rosto de um anjo”.

Num longo discurso, Estêvão evoca a história do povo de Israel, terminando com esta veemente apóstrofe:

“‘Homens de cerviz dura, incircuncisos de coração e de ouvidos, resistis sempre ao Espírito Santo, vós sois como os vossos pais. Qual dos profetas não perseguiram os vossos pais, e mataram os que prediziam a vinda do Justo que vós agora traístes e assassinastes? Vós que recebestes a Lei promulgada pelo ministério dos anjos e não a guardastes’. Ao ouvirem estas palavras, exasperaram-se nos seus corações e rangiam os dentes contra ele. Mas ele, cheio do Espírito Santo, tendo os olhos fixos no céu, viu a glória de Deus e Jesus que estava à direita de Deus e disse: ‘Vejo os céus abertos e o Filho do homem que está à direita de Deus’. E levantando um grande clamor, fecharam os olhos e, em conjunto, lançaram-se contra ele. E lançaram-no fora da cidade e apedrejaram-no. E as testemunhas depuseram os seus mantos aos pés de um jovem, chamado Saulo. E apedrejavam Estêvão que invocava Deus e dizia: ‘Senhor Jesus, recebe o meu espírito’. Depois, tendo posto os joelhos em terra, gritou em voz alta: ‘Senhor, não lhes contes este pecado’. E dizendo isto, adormeceu”.

Santo Estêvão, rogai por nós!

Meditação

- por Padre Alexandre Fernandes

Sereis odiados… (Mt 10,17-22)

 

            É dura esta advertência do Senhor! Então, nós aderimos a Jesus, acolhemos o Messias e – exatamente por isso – nos tornamos o alvo dos poderosos?!

 

            Sim. Exatamente isto. E não devia ser difícil de compreender. Se Jesus se apresenta como o único Senhor, não podemos dar a César o que cabe a Cristo. Aliás, o próprio César pertence a Cristo, ainda que César não o saiba ou não o queira aceitar… E o simples fato de proclamar que “Jesus é o único Senhor” nos transforma em ameaças vivas aos poderes deste mundo, que não podem tolerar em nós uma liberdade tão ampla e profunda que nos deixa dispostos a morrer por Cristo, tal como o primeiro mártir da Igreja, Estevão, hoje lembrado pela liturgia.

 

            Há uma oposição radical entre o Príncipe deste mundo e o Reino de Cristo. O mundo quer acumular riquezas, enquanto o Cristo é pobre. O mundo persegue a fama, enquanto Cristo lava os pés de seus apóstolos. O mundo anseia por prazeres sem conta, enquanto Cristo abraça a sua cruz e sobre o Calvário…

 

            Historicamente, quando se forma um império sedento de poder e dominação, a figura de Cristo e seus seguidores sofrem implacável perseguição. Mesmo em nossos tempos, os valores morais do cristianismo são considerados como freio indesejável à expansão de grupos econômicos interessados em ganhar dinheiro com a exploração dos homens e das mulheres, ainda que as motivações por eles confessadas sejam de outra ordem, como o combate a epidemias, o equilíbrio ambiental e a ordem social.

 

            Não admira que, aos olhos do mundo, Jesus Cristo apareça como um perdedor, um derrotado, objeto de um terrível anátema social. Escândalo para os judeus, loucura para os pagãos, diz Paulo aos cristãos de Corinto. Não admira que, ainda hoje, um jovem possa hesitar no seguimento de Jesus, considerando que deverá sofrer “perdas” para segui-lo…

 

            O próprio Paulo quem nos fala de sua opção radical pelo Senhor Jesus: “Mas tudo isso, que para mim eram vantagens, considerei perda por Cristo. Na verdade, julgo como perda todas as coisas, em comparação com esse bem supremo: o conhecimento de Jesus Cristo, meu Senhor. Por ele, tudo desprezei e tenho em conta de esterco, a fim de ganhar Cristo e estar com Ele.” (Fl 3,7-9a.)

 

Orai sem cessar: “Vede meus inimigos: são muitos,

                              e com ódio implacável me perseguem…” (Sl 25,19)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

18ª Semana do Tempo Comum