26 de Novembro de 2019

34ª semana comum Terça-feira

- por Padre Alexandre Fernandes

TERÇA FEIRA – XXXIV SEMANA DO TEMPO COMUM

(Verde – ofício do dia da II semana)

 

Antífona da entrada

 

– O Senhor fala de paz a seu povo e a seus amigos e a todos que se voltam para ele (Sl 84,9).

 

Oração do dia

 

– Levantai, ó Deus, o ânimo dos vossos filhos e filhas, para que, aproveitando melhor as vossas graças, obtenham de vossa paternal bondade mais poderosos auxílios. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

1ª Leitura: Dn 2,31-45

 

– Leitura da profecia de Daniel: Naqueles dias, disse Daniel a Nabucodonosor: 31“Tu, ó rei, olhavas, e pareceu-te ver uma estátua grande, muito alta, erguida à tua frente, de aspecto aterrador. 32A cabeça da estátua era de ouro fino, peito e braços eram de prata, ventre e coxas, de bronze; 33sendo as pernas de ferro, e os pés, parte de ferro e parte de barro. 34Estavas olhando, quando uma pedra, sem ser empurrada por ninguém, se desprendeu de algum lugar, e veio bater na estátua, em seus pés de ferro e barro, fazendo-os em pedaços; 35então, a um só tempo, despedaçaram-se ferro, barro, bronze, prata e ouro, tudo ficando como a palha miúda das eiras, no verão, que o vento varre sem deixar vestígios; mas a pedra que atingira a estátua transformou-se num grande monte e encheu toda a terra. 36Este foi o sonho; vou dar também a interpretação, ó rei, em tua presença. 37Tu és um grande rei, e o Deus do céu te deu a realeza, o poder, a autoridade e a glória; 38ele entregou em tuas mãos os filhos dos homens, os animais do campo e as aves do céu, onde quer que habitem, e te constituiu senhor de todos eles: tu és a cabeça de ouro. 39Depois de ti, surgirá outro reino, que é inferior ao teu, e ainda um terceiro, que será de bronze, e dominará toda a terra. 40O quarto reino será forte como ferro; e assim como o ferro tudo esmaga e domina, do mesmo modo, à semelhança do ferro, ele esmagará e destruirá todos aqueles reinos. 41Viste os pés e dedos dos pés, parte de barro e parte de ferro, porque o reino será dividido; terá a força do ferro, conforme viste o ferro misturado com barro cozido. 42Viste também que os dedos dos pés eram parte de ferro e parte de barro, porque o reino em parte será sólido e em parte quebradiço. 43Quanto ao ferro misturado com barro cozido, haverá decerto ligações por via de casamentos, mas sem coesão entre as partes, assim como o ferro não faz liga com o barro. 44No tempo desses reinos, o Deus do céu suscitará um reino que nunca será destruído, um reino que não passará a outro povo; antes, esmagará e aniquilará todos esses reinos, e ele permanecerá para sempre. 45Quanto à pedra que, sem ser tocada por mãos, se desprendeu do monte e despedaçou o barro cozido, o ferro, o bronze, a prata e o ouro, o grande Deus faz saber ao rei o que acontecerá depois, no futuro. “O sonho é verdadeiro, e sua interpretação, fiel”.

 

– Palavra do Senhor.

– Graças a Deus.

 

Salmo Responsorial: Sl (Dn) 3,57.58.59.60.61 (R: 59b)

 

– Louvai-o e exaltai-o pelos séculos sem fim!
R: Louvai-o e exaltai-o pelos séculos sem fim!

– Obras do Senhor, bendizei o Senhor! Louvai-o e exaltai-o pelos séculos sem fim!  Céus do Senhor, bendizei o Senhor!  Anjos do Senhor bendizei o Senhor!

R: Louvai-o e exaltai-o pelos séculos sem fim!

– Águas do alto céu, bendizei o Senhor!  Potências do Senhor bendizei o Senhor!

R: Louvai-o e exaltai-o pelos séculos sem fim!

Aclamação ao santo Evangelho

 

Aleluia, aleluia, aleluia.

Aleluia, aleluia, aleluia.

 

– Permanece fiel até a morte, e a coroa da vida eu te darei (Ap 2,10c).

 

Aleluia, aleluia, aleluia.

 

Evangelho de Jesus Cristo, segundo Lucas: Lc 21,5-11.

 

– O Senhor esteja convosco.

– Ele está no meio de nós.

– Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo † segundo Lucas

– Glória a vós, Senhor!   

 

– Naquele tempo, 5algumas pessoas comentavam a respeito do Templo que era enfeitado com belas pedras e com ofertas vo­tivas. Jesus disse: 6“Vós admirais estas coisas? Dias virão em que não ficará pedra sobre pedra. Tudo será destruído”. 7Mas eles perguntaram: “Mestre, quando acontecerá isto? E qual vai ser o sinal de que estas coisas estão para acontecer?”  8Jesus respondeu: “Cuidado para não serdes enganados, porque muitos virão em meu nome, dizendo: ‘Sou eu!’ E ainda: ‘O chegou o momento ’. Não sigais essa gente! 9Quando ouvirdes falar de guerras e revoluções, não fiqueis apavorados. É preciso que estas coisas aconteçam primeiro, mas não será logo o fim”.  10E Jesus continuou: “Um povo se levantará contra outro povo, um país atacará outro país. 11Haverá grandes terremotos, fomes e pestes em muitos lugares; acontecerão coisas pavorosas e grandes sinais serão vistos no céu”.

 

– Palavra da salvação.

– Glória a vós, Senhor!   

São Leonardo de Porto Maurício

- por Padre Alexandre Fernandes

São Leonardo de Porto Maurício, encontrou cedo sua vocação ao Sacerdócio e renunciou a si mesmo

Lembramos hoje a santidade do sacerdote que, pela sua vida e missão, mereceu ser constituído pelo Papa Pio XI, como Patrono dos sacerdotes que, em qualquer parte da terra, se consagram às missões populares católicas.

São Leonardo, o grande missionário do século XVIII, como lhe chamou Santo Afonso Maria de Ligório, nasceu em Porto Maurício, perto de Gênova, Itália, a 20 de dezembro de 1676. Aconteceu que Leonardo perdeu muito cedo sua mãe, tendo sido criado e educado pelo seu tio. Encontrou cedo sua vocação ao Sacerdócio, por isso, ao renunciar a si mesmo, foi para Roma formar-se no Colégio da Companhia de Jesus. Por causa da sua inocência e sólida virtude, conquistou a simpatia e a alta consideração de seus superiores, que nele viam outro angélico Luís Gonzaga. Entrou para a Ordem Franciscana, no Convento de São Boaventura, e com 26 anos já era Padre.

Começou a vivenciar toda a riqueza do Evangelho e a radicalidade típica dos imitadores de Francisco, por isso ocupou posições cada vez maiores no serviço à Ordem, à Igreja e para com todos. Devoto da Virgem Maria, que lhe salvou a vida num tempo de incurável doença (tuberculose), São Leonardo de Porto Maurício era devotíssimo do Sagrado Coração de Jesus na forma da adoração ao Jesus Eucarístico.

Foi, no século XVIII, o grande apóstolo do santo exercício da Via-Sacra. Era um grande amante da pobreza radical e franciscana. Toda a vida, penitências e orações de São Leonardo convergiam para a salvação das almas. Era tal a unção, a caridade ardente e o entusiasmo que repassava em suas pregações, que o célebre orador Bapherini, encanecido já no exercício da palavra, sendo enviado por Clemente XII a ouvir os sermões de Leonardo para depois o informar a este respeito, desempenhou-se da sua missão dizendo “que nunca ouvira pregador mais arrebatador, que o efeito de seus discursos era irresistível, que ele próprio não pudera reter as lágrimas”. São Leonardo era digno sucessor de Santo Antônio de Lisboa, de São Bernardino de Sena e de São João Capistrano.

O próprio Pontífice Bento XIV quis ouvir o famoso missionário, e para isso chamou-o a Roma, em 1749, a fim de preparar os fiéis para o Ano Santo. Depois de derramar-se por Deus e pelos outros, São Leonardo de Porto Maurício, não se tornou mártir, como tão desejava, mas deu toda sua vida no dia-a-dia até adoecer e entrar no Céu a 26 de novembro de 1751, no Convento de São Boaventura, em Roma, onde, 54 anos antes, se consagrara ao Senhor sob o burel de São Francisco. Não se limitou apenas à pregação o ilustre missionário de Porto Maurício; deixou também vasta coleção de escritos, publicados a princípio isoladamente, e reunidos depois numa grande edição, que prolonga no futuro a sua prodigiosa ação missionária, não apenas dentro das fronteiras da Itália, mas cujo âmbito é todo o mundo civilizado, pelas traduções feitas em quase todas as línguas cultas. Estes escritos constituem, em geral, um rico tesouro de verdades ascéticas e ensinamentos morais e homiléticos.

São Leonardo de Porto Maurício, rogai por nós!

Meditação

- por Padre Alexandre Fernandes

Para não serem enganados… (Lc 21,5-11)

 

            Este Evangelho mostra mais uma vez a atenção de Jesus para com seu rebanho. Ele diz: “Cuidado!” O original grego traz o verbo “blépete”, ou seja, abram bem os olhos! Com sua advertência, o Mestre tem em mente a facilidade com que as pessoas e comunidades podem ser vítimas de espertalhões e líderes mal intencionados que se dedicam a explorar a credulidade do povo.

 

            Ora, é diante de nossos olhos que desfila na televisão uma legião de falsos profetas que se apoiam no nome de Jesus Cristo, prometendo curas com hora marcada, sucesso financeiro e uma vida sem sofrimentos.

 

            Não é coisa nova. Ao longo da história, repetem-se os anunciadores do fim do mundo, como ocorreu com Montano (Séc. II) e seus seguidores, e tantos outros profetas da catástrofe na virada do ano 1000, incitando os fiéis a venderem seus bens e subirem aos montes, à espera da Vinda de Cristo.

 

            Pior ainda aconteceu com o grupo dos 918 seguidores do pastor Jim Jones, na Guiana, que os induziu a cometeram suicídio coletivo em novembro de 1978. A seita já estava sob investigação após denúncias de ameaças físicas e morais, com os fiéis isolados das famílias, vítimas de tortura psicológica, exigência de entrega de propriedades e da renda dos membros, interferência no casamento e na vida sexual dos casais. Mas ninguém podia prever aquele terrível desfecho…

 

            Mesmo em comunidades católicas têm ocorrido casos recentes de abuso de poder, mitificação de lideranças e desvios de conduta, motivando a intervenção da Santa Sé e o afastamento dos dirigentes.

 

            Para “abrir os olhos” e seguir o alerta de Jesus, há alguns critérios a serem observados:

 

1) Quem está no centro de tudo? É a pessoa de Jesus Cristo ou uma simples liderança humana? Se não for Jesus, vai mal!

2) Existe transparência na vida financeira da instituição?

3) Respeita-se a liberdade de consciência dos indivíduos e a autonomia das famílias?

4) As decisões têm participação comunitária ou derivam de decretos imperiais?

5) O grupo professa obediência ao bispo local?

 

            Mas existe um critério definitivo: a Cruz! Não existe cristianismo sem cruz. Desde o êxodo de Israel, quando a Serpente de bronze foi erguida no madeiro, é para Jesus crucificado que devemos erguer nossos olhos. Só de Jesus nos vem a salvação. Se aparecer alguém prometendo cristianismo fácil, está mentindo.

 

Orai sem cessar: “Não a nós, Senhor, mas a teu nome dá glória!” (Sl 115,1)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

14º Domingo do Tempo Comum