27 de Agosto de 2019

21ª semana comum Terça -feira

- por Padre Alexandre Fernandes

 

TERÇA FEIRA – SANTA MÔNICA – ESPOSA E MÃE

(Branco, pref. dos santos, ofício da memória)

 

Antífona da entrada

 

– A mulher que teme a Deus será louvada; seus filhos a proclamam feliz e seu marido a elogia (Pr 31,30.28).

 

Oração do dia

 

– Ó Deus, consolação dos que choram, que acolhestes misericordioso as lágrimas de santa Mônica pela conversão de seu filho Agostinho, dai-nos, pela intercessão de ambos, chorar os nossos pecados e alcançar o vosso perdão. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

1ª Leitura: 1 Ts 2,1-8

 

– Leitura da primeira carta de são Paulo aos Tessalonicenses: 1Bem sabeis, irmãos, que nossa vinda até vós não foi em vão. 2Apesar de maltratados e ultrajados em Filipos, como sabeis, encontramos em Deus a coragem de vos anunciar o Evangelho, em meio a grandes lutas. 3A nossa exortação não se baseia no erro, na ambiguidade ou no desejo de enganar. 4Ao contrário, uma vez que Deus nos achou dignos, a ponto de nos confiar o Evangelho, falamos não para agradar aos homens, mas a Deus, que examina os nossos corações.

5Bem sabeis que nunca usamos palavras de adulação, nem procedemos movidos por dis­farçada ganância. Deus é testemunha disso. 6E também não procuramos elogios humanos, nem da parte de vós, nem de outros, 7embora pudéssemos fazer valer a nossa autoridade de apóstolos de Cristo. Foi com muita ternura que nos apresentamos a vós, como uma mãe que acalenta os seus filhinhos. 8Tanto bem vos queríamos, que desejávamos dar-vos não somente o Evangelho de Deus, mas até a própria vida; a tal ponto chegou a nossa afeição por vós.

 

– Palavra do Senhor.

– Graças a Deus.

 

Salmo Responsorial: 139,1-3.4-6 (R: 1)

 

– Senhor, vós me sondais e me conheceis.
R: Senhor, vós me sondais e me conheceis.

 

 – Senhor, vós me sondais e me conheceis, sabeis quando me sento ou me levanto; de longe penetrais meus pensamentos, percebeis quando me deito e quando eu ando, os meus caminhos vos são todos conhecidos.

R: Senhor, vós me sondais e me conheceis.

 

– A palavra nem chegou à minha língua, e já, Senhor, a conheceis inteiramente. Por detrás e pela frente me envolveis; pusestes sobre mim a vossa mão. Esta verdade é por demais maravilhosa, é tão sublime que não posso compreendê-la.

R: Senhor, vós me sondais e me conheceis.

Aclamação ao santo Evangelho

 

Aleluia, aleluia, aleluia.

Aleluia, aleluia, aleluia.

 

– A palavra do Senhor é viva e eficaz: ela julga os pensamentos e as intenções do coração (Hb 4,12).

 

Aleluia, aleluia, aleluia.

 

Evangelho de Jesus Cristo, segundo Mateus: Mt 23,23-26

 

– O Senhor esteja convosco.

– Ele está no meio de nós.

– Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo † segundo Mateus.

– Glória a vós, Senhor!   

 

– Naquele tempo, disse Jesus: 23Ai de vós, mestres da Lei e fariseus hipócritas! Vós pagais o dízimo da hortelã, da erva-doce e do cominho, e deixais de lado os ensinamentos mais importantes da Lei, como a justiça, a misericórdia e a fidelidade. Vós deveríeis praticar isto, sem contudo deixar aquilo. 24Guias cegos! Vós filtrais o mosquito, mas engolis o camelo. 25Ai de vós, mestres da Lei e fariseus hipócritas! Vós limpais o copo e o prato por fora, mas, por dentro, estais cheios de roubo e cobiça. 26Fariseu cego! Limpa primeiro o copo por dentro, para que também por fora fique limpo.

 

– Palavra da salvação.

– Glória a vós, Senhor!   

Santa Mônica

- por Padre Alexandre Fernandes

anta Mônica nos provou com sua vida que realmente “tudo pode ser mudado pela força da oração”

Santa Mônica nasceu no norte da África, em Tagaste, no ano 332, numa família cristã que lhe entregou – segundo o costume da época e local – como esposa de um jovem chamado Patrício.

Como cristã exemplar que era, Mônica preocupava-se com a conversão de sua família, por isso se consumiu na oração pelo esposo violento, rude, pagão e, principalmente, pelo filho mais velho, Agostinho, que vivia nos vícios e pecado. A história nos testemunha as inúmeras preces, ultrajes e sofrimentos por que Santa Mônica passou para ver a conversão e o batismo, tanto de seu esposo, quanto daquele que lhe mereceu o conselho: “Continue a rezar, pois é impossível que se perca um filho de tantas lágrimas”.

Santa Mônica tinha três filhos. E passou a interceder, de forma especial, por Agostinho, dotado de muita inteligência e uma inquieta busca da verdade, o que fez com que resolvesse procurar as respostas e a felicidade fora da Igreja de Cristo. Por isso se envolveu em meias verdades e muitas mentiras. Contudo, a mãe, fervorosa e fiel, nunca deixou de interceder com amor e ardor, durante 33 anos, e antes de morrer, em 387, ela mesma disse ao filho, já convertido e cristão: “Uma única coisa me fazia desejar viver ainda um pouco, ver-te cristão antes de morrer”.

Por esta razão, o filho Santo Agostinho, que se tornara Bispo e doutor da Igreja, pôde escrever: “Ela me gerou seja na sua carne para que eu viesse à luz do tempo, seja com o seu coração para que eu nascesse à luz da eternidade”.

Santa Mônica, rogai por nós!

FONTE: Canção Nova 

Meditação

- por Padre Alexandre Fernandes

O dízimo da hortelã… (Mt 23,23-26)

 

            Não, a Lei mosaica detalhada pelos rabinos judeus não mandava pagar esse tipo de dízimo. Esta lembrança é quase uma ironia de Jesus ao fazer distinção entre as coisas fundamentais da relação com Deus e as minúcias insignificantes que podem se infiltrar nessa mesma relação.

 

            Eis o comentário da Bíblia de Navarra: “A hortelã, o endro (ou anis) e o cominho são ervas que os judeus cultivavam e empregavam para aromatizar as casas ou para condimentar a comida. Sendo produtos insignificantes, não entravam no preceito mosaico do pagamento dos dízimos (Lv 27,30-33; Dt 14,22ss); este dizia respeito aos animais domésticos e a alguns produtos mais correntes do campo: trigo, vinho, azeite etc. Não obstante, os fariseus, para ostentar o seu respeito escrupuloso pela Lei, pagavam os dízimos inclusive daquelas ervas. Era uma falsa manifestação de generosidade e de acatamento da Lei. O Senhor não a despreza nem a rejeita, apenas restabelece a ordem das coisas. É inútil cuidar os pormenores secundários, se não se cuidam as coisas fundamentais e verdadeiramente importantes: a justiça, a misericórdia e a fidelidade”.

            Aí está: restabelecer a ordem das coisas. Em outros termos, uma hierarquia de valores na prática religiosa. A celebração eucarística vale mais que o grupo de oração. Pena que os fiéis só chegaram para o grupo… A confissão auricular vale mais que a procissão. Pena que o confessionário continua vazio… A formação catequética vale mais que o bingo paroquial. Pena que só este último atrai multidões…

 

            Filtramos o mosquito. Engolimos o camelo. Certamente, não é isto que o Senhor espera da comunidade cristã. Há coisas importantes que – há bom tempo – estão sendo relegadas a segundo plano em nossa vida religiosa. Os casais que vão à missa também rezam em casa? Os fiéis que aplaudem o Lecionário no templo ainda encontram tempo, em casa, para a leitura pessoal da Bíblia? As viagens aos santuários da Europa substituem a visita aos doentes da comunidade?

 

            Em boa parte, os grupos que se apresentam como “renovados no Espírito” têm merecido reprovação dos párocos exatamente pela incapacidade de estabelecer uma adequada hierarquia quanto às práticas religiosas. O aparente entusiasmo com as coisas de Deus não se traduz no humilde compromisso com as necessidades imediatas da Igreja.

 

            Ora, o futuro da Igreja (ainda mais com a falta de ministros ordenados e as restrições e perseguições que se anunciam…) está em pequenas comunidades reunidas em torno da Palavra de Deus, firmes na oração comum, comprometidas com a ajuda mútua, autênticos pulmões para a respiração da Igreja. E isto não é hortelã. É trigo integral…

 

Orai sem cessar: “Meu coração está pronto, ó Deus!” (Sl 57,8)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

25ª Semana do Tempo Comum