27 de Março de 2020

4a Semana da Quaresma Sexta-feira

- por Padre Alexandre Fernandes

SEXTA FEIRA DA IV SEMANA DA QUARESMA
(roxo – ofício do dia)

 

Antífona da entrada

 

– Salvai-me, ó Deus, por vosso nome, libertai-me por vosso poder. Deus ouvi a minha oração, escutai as palavras que vos digo (Sl 53,3).

 

Oração do dia

 

– Ó Deus, que preparastes para a nossa fraqueza os auxílios necessários à nossa renovação, dai-nos recebê-los com alegria e vê-los frutificar em nossa vida. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

1ª Leitura: Sb 2, 1.12-22

– Leitura do livro da Sabedoria: 1aDizem entre si os ímpios, em seus falsos raciocínios: 12“Armemos ciladas ao justo, porque sua presença nos incomoda: ele se opõe ao nosso modo de agir, repreende em nós as transgressões da lei e nos reprova as faltas contra a nossa disciplina. 13Ele declara possuir o conhecimento de Deus e chama-se ‘filho de Deus’. 14Tornou-se uma censura aos nossos pensamentos e só o vê-lo nos é insuportável; 15sua vida é muito diferente da dos outros, e seus caminhos são imutáveis. 16Somos comparados por ele à moeda falsa e foge de nossos caminhos como de impurezas; proclama feliz a sorte final dos justos e gloria-se de ter a Deus por pai. 17Vejamos, pois, se é verdade o que ele diz, e comprovemos o que vai acontecer com ele. 18Se, de fato, o justo é ‘filho de Deus’, Deus o defenderá e o livrará das mãos dos seus inimigos. 19Vamos pô-lo à prova com ofensas e torturas, para ver a sua serenidade e provar a sua paciência;20vamos condená-lo à morte vergonhosa, porque, de acordo com suas palavras, virá alguém em seu socorro”. 21Tais são os pensamentos dos ímpios, mas enganam-se; pois a malícia os torna cegos, 22não conhecem os segredos de Deus, não esperam recompensa para a santidade e não dão valor ao prêmio reservado às vidas puras.

 

– Palavra do Senhor.

– Graças a Deus.

 

Salmo Responsorial: Sl 34,17-18.19-20.21.23 (R: 19a)

 

– Do coração atribulado está perto o Senhor.

R: Do coração atribulado está perto o Senhor.

 

– O Senhor volta a sua face contra os maus, para da terra apagar sua lembrança. Clamam os justos, e o Senhor bondoso escuta e de todas as angústias os liberta.

R: Do coração atribulado está perto o Senhor.

 

– Do coração atribulado ele está perto e conforta os de espírito abatido. Muitos males se abatem sobre os justos, mas o Senhor de todos eles os liberta.

R: Do coração atribulado está perto o Senhor.

 

– Mesmo os seus ossos ele os guarda e os protege, e nenhum deles haverá de se quebrar. Mas o Senhor liberta a vida dos seus servos, e castigado não será quem nele espera.

R: Do coração atribulado está perto o Senhor.

 

Evangelho de Jesus Cristo, segundo João: Jo 7,1-2.10.25-30

 

Glória a Cristo imagem do Pai, a plena verdade nos comunicai!

Glória a Cristo imagem do Pai, a plena verdade nos comunicai!

 

– O homem não vive somente do pão, mas de toda palavra da boca de Deus.

 

Glória a Cristo imagem do Pai, a plena verdade nos comunicai!

 

– O Senhor esteja convosco.

– Ele está no meio de nós.

– Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo † segundo João.

– Glória a vós, Senhor!

 

 – Naquele tempo, 1Jesus andava percorrendo a Galileia. Evitava andar pela Judeia, porque os judeus procuravam matá-lo. 2Entretanto, aproximava-se a festa judaica das Tendas. 10Quando seus irmãos já tinham subido, então também ele subiu para a festa, não publicamente mas sim como que às escondidas.

25Alguns habitantes de Jerusalém disseram então: “Não é este a quem procuram matar? 26Eis que fala em público e nada lhe dizem. Será que, na verdade, as autoridades reconheceram que ele é o Messias? 27Mas este, nós sabemos donde é. O Cristo, quando vier, ninguém saberá donde é”. 28Em alta voz, Jesus ensinava no Templo, dizendo: “Vós me conheceis e sabeis de onde sou; eu não vim por mim mesmo, mas o que me enviou é fidedigno. A esse, não o conheceis29mas eu o conheço, porque venho da parte dele, e ele foi quem me enviou”. 30Então, queriam prendê-lo, mas ninguém pôs a mão nele, porque ainda não tinha chegado a sua hora.

 

– Palavra da salvação.

– Glória a vós, Senhor!

São Ruperto

- por Padre Alexandre Fernandes

Salisburgo é uma bela cidade austríaca, cuja fama está ligada ao seu filho mais ilustre, Wolfgang Amadeus Mozart. Salisburgo significa cidade do sal. O seu primeiro bispo e padroeiro principal é representado com um saleiro na mão. É o único santo local festejado nas regiões de língua alemã e na Irlanda, pois foi o modelo para os monges irlandeses.

 

São Ruperto (Roberto) descendia dos rupertinos, importante família que dominava a região do médio e do alto Reno. Desta família nasceu também outro Ruperto de Bingen, cuja vida foi escrita por Santa Hildegarda. Os rupertinos eram parentes dos carolíngios e o centro de suas atividades era em Worms, onde São Ruperto recebeu sua formação, de cunho monástico irlandês. Em 700, como seus mestres, se sentiu impulsionado à pregação e ao testemunho monástico. Depois foi à Baviera. Apoiado pelo conde Teodo de Baviera, fundou, perto do lago Waller, há 10 km de Salisburgo, uma igreja dedicada a São Pedro. O lugar, porém, não pareceu próprio para os fins de Ruperto, que pediu ao conde outro terreno perto do rio Salzach, próximo à antiga cidade romana de Juvavum.

 

O mosteiro que ali construiu, dedicado a São Pedro, é o mais antigo da Áustria e está ligado com o núcleo de Nova Salisburgo. Seu desenvolvimento deveu-se também à colaboração de doze conterrâneos seus. Desses, Cunialdo e Gislero foram honrados como santos. Perto do mosteiro de São Pedro surgiu um mosteiro feminino, confiado à direção da abadessa Erentrude, sobrinha de São Ruperto.

Meditação

- por Padre Alexandre Fernandes

TEMPO DA QUARESMA. QUARTA SEMANA. SEXTA-FEIRA

31. RECONHECER CRISTO NOS DOENTES E NA DOENÇA

– Jesus fez-se presente nos doentes.

– Santificar a doença. Aceitação. Aprender a ser bons doentes.

– O sacramento da Unção dos Enfermos. Frutos deste sacramento na alma. Preparar os doentes para recebê-lo é uma prova especial de caridade e, às vezes, de justiça.

I. DEPOIS QUE O SOL se pôs, todos os que tinham enfermos de diversas moléstias traziam-nos à sua presença; e Ele, impondo as mãos sobre cada um, curava-os1.

Os doentes eram tão numerosos que toda a cidade se acotovelou à sua porta2. Trazem os doentes depois do pôr-do-sol3. Por que não antes? Certamente porque era sábado. Depois do pôr-do-sol começava um novo dia, em que cessava a obrigação do descanso sabático que os judeus piedosos cumpriam com tanta fidelidade.

O Evangelho de São Lucas anota este detalhe de Cristo: curou-os impondo as mãos sobre cada um deles. Jesus olha atentamente para cada um dos doentes e dedica-lhes toda a sua atenção, porque cada pessoa, e de modo especial cada pessoa que sofre, é muito importante para Ele. A sua presença caracteriza-se por pregar o Evangelho do Reino e curar todo o mal e toda a enfermidade4;de sorte que o povo estava admirado ante o espetáculo dos mudos que falavam, dos aleijados que ficavam curados, dos coxos que andavam, dos cegos que viam; e todos glorificavam o Deus de Israel5.

“Na sua atividade messiânica no meio de Israel – lembra-nos João Paulo II –, Cristo aproximou-se incessantemente do mundo do sofrimento humano. Passou fazendo o bem (At 10, 38), e essa sua forma de agir exercia-se principalmente com os doentes e com os que esperavam a sua ajuda. Curava os doentes, consolava os aflitos, alimentava os famintos, livrava os homens da surdez, da cegueira, da lepra, do demônio e de diversas incapacidades físicas; três vezes devolveu a vida aos mortos. Era sensível a todo o sofrimento humano, tanto do corpo como da alma. Ao mesmo tempo instruía, colocando no centro dos seus ensinamentos as oito bem-aventuranças, que se dirigem aos homens provados por diversos sofrimentos na sua vida temporal”6.

Nós, que queremos ser fiéis discípulos de Cristo, devemos aprender com Ele a tratar e amar os doentes. Temos que aproximar-nos deles com grande respeito, carinho e misericórdia, alegrando-nos quando podemos prestar-lhes algum serviço, visitando-os, fazendo-lhes companhia, ajudando-os a receber os sacramentos no momento oportuno. Neles, de modo especial, vemos Cristo. “Criança. – Doente. – Ao escrever estas palavras, não sentis a tentação de as pôr com maiúsculas? – É que, para uma alma enamorada, as crianças e os doentes são Ele”7.

Na nossa vida, haverá momentos em que talvez estejamos doentes, ou o estejam pessoas que vivem ao nosso lado. Isso é um tesouro de Deus que temos que cuidar. O Senhor coloca-se ao nosso lado para que amemos mais e para que saibamos também encontrá-lo a Ele. No trato com os que estão doentes e sofrem, tornam-se realidade as suas palavras: Todas as vezes que fizestes isto a um destes meus irmãos mais pequeninos, foi a mim que o fizestes8.

II. A DOENÇA, enfrentada por amor de Deus, é um meio de santificação e de apostolado; é um modo excelente de participar na Cruz redentora do Senhor.

A dor física, que tantas vezes acompanha a vida do homem, pode ser um meio de que Deus se serve para purificar as nossas culpas e imperfeições, para levar-nos a praticar e fortalecer as virtudes, e uma oportunidade especial de nos unirmos aos padecimentos de Cristo que, sendo inocente, chamou a si o castigo que os nossos pecados mereciam9.

Especialmente na doença, temos que estar perto de Cristo. “Diz-me, amigo – perguntou o Amado –, terás paciência se Eu duplicar as tuas dores? Sim – respondeu o amigo –, desde que dupliques os meus amores”10. Quanto mais dolorosa for a doença, maior terá de ser o nosso amor. Também receberemos mais graças de Deus. As doenças são ocasiões muito singulares que o Senhor permite para nos fazer corredimir com Ele e para nos purificar das seqüelas que os nossos pecados deixaram na alma.

Se adoecemos, devemos aprender a ser bons doentes. Em primeiro lugar, aceitando a doença. “É necessário sofrer com paciência não só a doença, mas também a doença que Deus quer, entre as pessoas que Ele quer, com as incomodidades que quer, e a mesma coisa digo a respeito das outras tribulações”11.

Temos que pedir ajuda ao Senhor para enfrentar a doença com galhardia, procurando não reclamar, obedecendo ao médico. Pois “enquanto estamos doentes, podemos ser maçantes: «Não me atendem bem, ninguém se preocupa comigo, não cuidam de mim como mereço, ninguém me compreende…» O diabo, que anda sempre à espreita, ataca por qualquer flanco; e, na doença, a sua tática consiste em fomentar uma espécie de psicose que afaste de Deus, que azede o ambiente ou que destrua esse tesouro de méritos que, para bem de todas as almas, se alcança quando se assume com otimismo sobrenatural – quando se ama! – a dor. Portanto, se é vontade de Deus que sejamos atingidos pelas garras da aflição, encarai-o como sinal de que Ele nos considera amadurecidos para nos associar mais estreitamente à sua Cruz redentora”12.

Aquele que sofre em união com o Senhor completa com o seu sofrimento o que falta aos padecimentos de Cristo13. “O sofrimento de Cristo criou o bem da Redenção do mundo. Este bem é, em si mesmo, inesgotável e infinito. Nenhum homem pode acrescentar-lhe nada. Mas, ao mesmo tempo, no mistério da Igreja como seu corpo, Cristo em certo sentido abriu o seu sofrimento redentor a todo o sofrimento do homem”14.

Com Cristo, a dor e a doença atingem o seu sentido pleno. Senhor, fazei com que os vossos servos participem da vossa Paixão, mediante os sofrimentos da sua vida, a fim de que se manifestem neles os frutos da vossa Salvação15.

III. ENTRE AS MISSÕES confiadas aos Apóstolos, sobressai a de curar os doentes. Reunindo Jesus os doze apóstolos, deu-lhes poder e autoridade sobre todos os demônios e para curar doenças… Partiram, pois, e percorriam as aldeias, anunciando o Evangelho e fazendo curas por toda a parte16. A missão confiada pelo Senhor aos discípulos depois da Ressurreição contém esta promessa: Imporão as mãos aos enfermos, e eles ficarão curados17. Os discípulos cumpriram essa missão, seguindo o exemplo do Mestre.

O sacramento da Unção dos Enfermos, instituído por Jesus Cristo e proclamado pelo Apóstolo Tiago na sua Epístola18, torna presente de modo eficaz a solicitude com que o Senhor se abeirava de todos os que padeciam de alguma doença grave. “A presença do presbítero ao lado do doente é sinal da presença de Cristo, não só porque ele é ministro da Unção, da Penitência e da Eucaristia, mas também porque é um especial servidor da paz e do consolo de Cristo”19.

A doença, que entrou no mundo por causa do pecado, é também vencida por Cristo na medida em que se pode converter num bem maior que a própria saúde física. Com a Unção dos Enfermos, são inúmeros os bens que se recebem, bens que o Senhor estabeleceu para santificar a doença grave.

O primeiro efeito deste sacramento é aumentar a graça santificante na alma; por isso, antes de recebê-lo, é conveniente confessar-se. Não obstante, mesmo que não se esteja em graça e seja impossível confessar-se (por exemplo, no caso de uma pessoa que sofreu um acidente e está inconsciente), esta santa Unção apaga também o pecado mortal: basta que o doente faça ou tenha feito antes um ato de contrição, ainda que imperfeito.

Além de aumentar a graça, a Unção dos Enfermos limpa as marcas do pecado na alma, confere uma graça especial para vencer as tentações que possam apresentar-se nessa situação e outorga a saúde do corpo, se for conveniente para a salvação20. Assim prepara a alma para entrar no Céu. E não poucas vezes produz no doente uma grande paz e uma serena alegria, fazendo-o considerar que já está muito perto de encontrar o seu Pai-Deus.

A nossa Mãe a Igreja recomenda que os doentes e as pessoas de idade avançada recebam este sacramento no momento oportuno, e que não se adie a sua administração por falsas razões de misericórdia, compaixão etc, nas fases terminais da vida aqui na terra. Seria uma pena que pessoas que poderiam ter recebido a Unção viessem a morrer sem ela, por ignorância, por descuido ou por um carinho mal entendido dos parentes e amigos. Preparar os doentes para recebê-la é uma prova especial de caridade e, às vezes, de justiça.

A nossa Mãe Santa Maria está sempre muito perto. “A presença de Maria e a sua ajuda maternal nesses momentos (de doença grave) não deve ser encarada como uma coisa marginal e simplesmente paralela ao sacramento da Unção. É antes uma presença e uma ajuda que se atualizam e se transmitem por meio da própria Unção”21.

Estamos na Quaresma. Especialmente neste tempo litúrgico, abramos os nossos olhos à dor que nos rodeia. Cristo que sofre na sua Paixão quer tornar-se presente nessa dor, nessa doença própria ou alheia, e dar-lhe um valor redentor.

29ª Semana do Tempo Comum

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