28 de Agosto de 2019

21ª semana comum Quarta-feira

- por Padre Alexandre Fernandes

QUARTA FEIRA – SANTO AGOSTINHO – BISPO E DOUTOR

(Branco, pref.comum ou dos pastores, ofício da memória)

 

Antífona da entrada

 

– No meio da Igreja, o Senhor colocou a palavra nos seus lábios; deu-lhe o espírito de sabedoria e inteligência e o revestiu de glória (Eclo 15,5).

 

Oração do dia

 

– Renovai, ó Deus, na vossa Igreja aquele espírito com o qual cumulastes o bispo Santo Agostinho para que, repletos do mesmo espírito, só de vós tenhamos sede, fonte da verdadeira sabedoria, e só a vós busquemos, autor do amor eterno. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

1ª Leitura: 1 Ts 2,9-13

 

– Leitura da primeira carta de são Paulo ao Tessalonicenses: 9Irmãos, certamente ainda vos lembrais dos nossos trabalhos e fadigas. Trabalhamos dia e noite, para não sermos pesados a nenhum de vós. Foi assim que anunciamos o Evangelho de Deus. 10Vós sois testemunhas, e Deus também, de quão santo, justo, irrepreensível foi o nosso proceder para convosco, os fiéis. 11Bem sabeis que, como um pai a seus filhos, 12nós exortamos a cada um de vós e encorajamos e insistimos, para que vos comporteis de modo digno de Deus, que vos chama ao seu reino e à sua glória. 13Por isso agradecemos a Deus sem cessar por terdes acolhido a pregação da Palavra de Deus, não como palavra humana, mas como aquilo que de fato é: Palavra de Deus, que está produzindo efeito em vós que abraçastes a fé.

 

– Palavra do Senhor.

– Graças a Deus.

 

Salmo Responsorial: 139,7-8.9-10.11-12ab. (R: 1a)

 

– Senhor, vós me sondais e me conheceis!
R: Senhor, vós me sondais e me conheceis!

 

 – Em que lugar me ocultarei de vosso espírito? E para onde fugirei de vossa face? Se eu subir até os céus, ali estais; se eu descer até o abismo, estais presente.

R: Senhor, vós me sondais e me conheceis!

 

– Se a aurora me emprestar as suas asas, para eu voar e habitar no fim dos mares; mesmo lá vai me guiar a vossa mão e segurar-me com firmeza a vossa destra.

R: Senhor, vós me sondais e me conheceis!

 

– Se eu pensasse: “A escuridão venha esconder-me e que a luz ao meu redor se faça noite!” Mesmo as trevas para vós não são escuras, a própria noite resplandece como o dia.

R: Senhor, vós me sondais e me conheceis!

Aclamação ao santo Evangelho

 

Aleluia, aleluia, aleluia.

Aleluia, aleluia, aleluia.

 

– O amor de Deus se realiza em todo aquele que guarda a palavra fielmente (1Jo 2,5).

 

Aleluia, aleluia, aleluia.

 

Evangelho de Jesus Cristo, segundo Mateus: Mt 23,27-32

 

– O Senhor esteja convosco.

– Ele está no meio de nós.

– Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo † segundo Mateus

– Glória a vós, Senhor!   

 

– Naquele tempo, disse Jesus: 27“Ai de vós, mestres da Lei e fariseus hipócritas! Vós sois como sepulcros caiados: por fora parecem belos, mas por dentro estão cheios de ossos de mortos e de toda podridão! 28Assim também vós: por fora, pareceis justos diante dos outros, mas por dentro estais cheios de hipocrisia e injustiça. 29Ai de vós, mestres da Lei e fariseus hipócritas! Vós construís sepulcros para os profetas e enfeitais os túmulos dos justos, 30e dizeis: ‘Se tivéssemos vivido no tempo de nossos pais, não teríamos sido cúmplices da morte dos profetas’. 31Com isso, con­fessais que sois filhos daqueles que mataram os profetas. 32Com­pletai, pois, a medida de vossos pais!”

 

– Palavra da salvação.

– Glória a vós, Senhor!   

Santo Agostinho

- por Padre Alexandre Fernandes

Santo Agostinho fundou uma comunidade cristã atuante na oração, estudo da Palavra e caridade

Celebramos neste dia a memória do grande Bispo e Doutor da Igreja que nos enche de alegria, pois com a Graça de Deus tornou-se modelo de cristão para todos. Agostinho nasceu em Tagaste, no norte da África, em 354, filho de Patrício (convertido) e da cristã Santa Mônica, a qual rezou durante 33 anos para que o filho fosse de Deus.

Aconteceu que Agostinho era de grande capacidade intelectual, profundo, porém, preferiu saciar seu coração e procurar suas respostas existentes tanto nas paixões, como nas diversas correntes filosóficas, por isso tornou-se membro da seita dos maniqueus.

Com a morte do pai, Agostinho procurou se aprofundar nos estudos, principalmente na arte da retórica. Sendo assim, depois de passar em Roma, tornou-se professor em Milão, onde envolvido pela intercessão de Santa Mônica, acabou frequentando, por causa da oratória, os profundos e famosos Sermões de Santo Ambrósio. Até que por meio da Palavra anunciada, a Verdade começou a mudar sua vida.

O seu processo de conversão recebeu um “empurrão” quando, na luta contra os desejos da carne, acolheu o convite: “Toma e lê”, e assim encontrou na Palavra de Deus (Romanos 13, 13ss) a força para a decisão por Jesus:”…revesti-vos do Senhor Jesus Cristo…não vos abandoneis às preocupações da carne para lhe satisfazerdes as concupiscências”.

Santo Agostinho, que entrou no Céu com 76 anos de idade (no ano 430), converteu-se com 33 anos, quando foi catequizado e batizado por Santo Ambrósio. Depois de “perder” sua mãe, voltou para a África, onde fundou uma comunidade cristã ocupada na oração, estudo da Palavra e caridade. Isto, até ser ordenado Sacerdote e Bispo de Hipona, santo, sábio, apologista e fecundo filósofo e teólogo da Graça e da Verdade.

Santo Agostinho, rogai por nós!

FONTE: Canção Nova 

Meditação

- por Padre Alexandre Fernandes

No tempo de nossos pais… (Mt 23,27-32)

 

            Neste Evangelho – uma espinhosa coleção de mal-aventuranças iniciadas por sete “ais” que prenunciam desgraças – o Mestre verbera a hipocrisia das lideranças religiosas de Israel, trazendo à tona as graves contradições entre pequenos ritos e grandes infidelidades, higiene exterior e íntima podridão, copos limpos e almas imundas…

 

            Um dos exemplos citados por Jesus é a habitual atitude de acusar os antepassados por seus erros (como o assassinato dos profetas, no caso de Israel) e julgar-nos superior a eles, como se não estivéssemos envolvidos em crimes semelhantes.

 

            Em geral, os filhos costumam alimentar mágoas e ressentimentos em relação aos pais. São frequentes as queixas e acusações. Modernos que somos, não conseguimos evitar um sorriso de ironia diante das “ignorâncias” dos antepassados. Muitos casais de hoje escolheram como lema a frase: “Não queremos que nossos filhos passem aquilo que passamos”. Claro, a culpa é dos antigos…

            Ora, somos melhores que eles? Somos capazes dos sacrifícios que eles assumiram em uma época de grandes carências materiais e duros combates pela sobrevivência? Estamos repetindo seus gestos de desapego, como aquelas mães que tiravam de seu prato a comida dos filhos? Temos as mãos calejadas para que nossos descendentes tenham seu diploma?

 

            Eram tempos difíceis. Não havia luz elétrica nem água encanada. Tempos de lamparina de querosene, de buscar água na bica. Tempos de comprar roupa nova apenas quando a velha apodrecia. Tempos de meia-sola nos sapatos. E as vovós a declamar: “Remenda o pano, que dura mais um ano; remenda outra vez, que dura mais um mês”.

..

            Eram tempos de fé manifesta em pequenos gestos. A oração antes da refeição. A família reunida para rezar o terço antes de dormir. O dia pontuado pelo tradicional “bênção, mãe” e pelo “Deus te abençoe, meu filho!”

 

            Outro engano cometido por nós acontece quando comentamos: “Hoje é muito difícil ser cristão. Se eu tivesse vivido no tempo de Jesus, teria sido mais fácil!” Na verdade, é exatamente o contrário. A proximidade com a realidade humana de Jesus, sua família humana, a oficina do carpinteiro e – acima de tudo – sua escandalosa morte na cruz foram sérios obstáculos para que o acolhessem como Messias Salvador. Hoje, após vinte séculos de evangelização, após uma legião de mártires, após a reflexão dos grandes mestres espirituais, após os exemplos admiráveis de tantos servos e ervas de Deus, nossa fé tem muito mais andaimes para se apoiar.

 

            Por tudo isso devemos sentir-nos pressionados a buscar uma sincera conversão e dedicar todo o nosso esforço em cooperar com a Graça, que nos chama a abandonar nossas máscaras e centrar nossa vida na edificação do Reino de Deus. Este é o nosso tempo…

 

Orai sem cessar: “Senhor, meus tempos estão em tuas mãos!” (Sl 31,16)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

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