28 de Dezembro de 2020

Oitava do Natal - Ano B. Segunda - feira

- por Pe. Alexandre

SEGUNDA FEIRA – SANTOS INOCENTES MÁRTIRES
(vermelho, glória, pref. do Natal – ofício da festa)

 

Antífona da entrada

– Os meninos inocentes foram mortos por causa do Cristo. Eles seguem o Cordeiro sem mancha e cantam: Glória a ti, Senhor! .

 

Oração do dia

– Ó Deus, hoje os santos Inocentes proclamaram vossa glória não por palavras, mas pela própria morte; dai-nos também testemunhar com a nossa vida o que os nossos lábios professam Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

1ª Leitura: 1º Jo 1, 5-10; 2, 1-2

 

– Leitura da primeira carta de são João: Caríssimos, 5a mensagem, que ouvimos de Jesus Cristo e vos anunciamos, é esta: Deus é luz e nele não há trevas. 6Se dissermos que estamos em comunhão com ele, mas andamos nas trevas, estamos mentindo e não nos guiamos pela verdade. 7Mas, se andamos na luz, como ele está na luz, então estamos em comunhão uns com os outros, e o sangue de seu Filho Jesus nos purifica de todo pecado. 8Se dissermos que não temos pecado, estamo-nos enganando a nós mesmos, e a verdade não está dentro de nós. 9Se reconhecermos nossos pecados, então Deus se mostra fiel e justo, para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda culpa. 10Se dissermos que nunca pecamos, fazemos dele um mentiroso e sua palavra não está dentro de nós. 2,1Meus filhinhos, escrevo isto para que não pequeis. No entanto, se alguém pecar, temos junto do Pai um Defensor: Jesus Cristo, o Justo. 2Ele é vítima de expiação pelos nossos pecados, e não só pelos nossos, mas também pelos pecados do mundo inteiro.

 

– Palavra do Senhor.

– Graças a Deus.

 

Salmo Responsorial: Sl 124, 2-3.4-5.7b-8 (R: 7a)

 

–  Nossa alma, como um pássaro, escapou do laço que lhe armara o caçador.

R: Nossa alma, como um pássaro, escapou do laço que lhe armara o caçador.

 

– Se o Senhor não estivesse ao nosso lado, quando os homens investiram contra nós, com certeza nos teriam devorado no furor de sua irá contra nós.

R: Nossa alma, como um pássaro, escapou do laço que lhe armara o caçador.

 

– Então as águas nos teriam submergido, a correnteza nos teria arrastado, e então, por sobre nós teriam passado essas águas sempre mais impetuosas.

R: Nossa alma, como um pássaro, escapou do laço que lhe armara o caçador.

 

– O laço arrebentou-se de repente, e assim nós conseguimos libertar-nos. O nosso auxílio está no nome do Senhor, do Senhor que fez o céu e fez a terra!

R: Nossa alma, como um pássaro, escapou do laço que lhe armara o caçador.

 

Aclamação ao santo Evangelho

 

Aleluia, aleluia, aleluia.

Aleluia, aleluia, aleluia.

 

– A vós, ó Deus, louvamos, a vós, Senhor, cantamos; vos louva o exército dos vossos santos mártires!

 

Aleluia, aleluia, aleluia.

 

Evangelho de Jesus Cristo, segundo Mateus: Mt 2, 13-18

 

– O Senhor esteja convosco.

– Ele está no meio de nós.

– Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo † segundo Mateus.

– Glória a vós, Senhor!  

13Depois que os magos partiram, o anjo do Senhor apareceu em sonhos a José e disse: Levanta-te, toma o menino e sua mãe e foge para o Egito; fica lá até que eu te avise, porque Herodes vai procurar o menino para o matar. 14José levantou-se durante a noite, tomou o menino e sua mãe e partiu para o Egito. 15Ali permaneceu até a morte de Herodes para que se cumprisse o que o Senhor dissera pelo profeta: Eu chamei do Egito meu filho (Os 11,1). 16Vendo, então, Herodes que tinha sido enganado pelos magos, ficou muito irado e mandou massacrar em Belém e nos seus arredores todos os meninos de dois anos para baixo, conforme o tempo exato que havia indagado dos magos. 17Cumpriu-se, então, o que foi dito pelo profeta Jeremias: 18Em Ramá se ouviu uma voz, choro e grandes lamentos: é Raquel a chorar seus filhos; não quer consolação, porque já não existem (Jr 31,15)!

 

– Palavra da salvação.

– Glória a vós, Senhor!  

 

Santos Inocentes

- por Pe. Alexandre

 

Em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo. Amém

Hoje a Igreja celebra a Festa dos Santos Inocentes, mártires. HERODES, AO VER que os Magos o tinham enganado, ficou irritado ao extremo e mandou matar todos os meninos que havia em Belém e seus arredores, de dois anos para baixo.

No sangue derramado pelos Santos Inocentes que hoje comemoramos, dentro desta Oitava de Natal, a Igreja sempre reconheceu a ação livre e providencial de Deus, que tem os seus eleitos e pode conceder, mesmo a simples infantes, a graça de dar testemunho de Cristo, Nosso Senhor. Todos aqueles meninos “de Belém e de todo o território vizinho”, mortos pela inveja e a sede de poder de um rei ímpio, foram inseridos no mistério redentor daquele outro Menino, nascido havia pouco e pelo qual seriam cumpridas as promessas de salvação que Deus fez a seu povo.

Não há uma explicação fácil para o sofrimento, e muito menos para o de um inocente. O relato de São Mateus que lemos no Evangelho mostra-nos o sofrimento, à primeira vista inútil e injusto, de uns meninos que dão a sua vida por uma Pessoa e por uma Verdade que ainda não conhecem.

O sofrimento é causa frequente de escândalo e levanta-se diante de muitos como um imenso muro que os impede de ver a Deus e de compreender o seu amor infinito pelos homens. Por que Deus todo-poderoso não evita tanta dor aparentemente inútil?

A dor é um mistério e, no entanto, o cristão descobre nas trevas do sofrimento, próprio ou alheio, a mão amorosa e providente de seu Pai-Deus – que sabe mais e vê mais longe –, e entende de alguma forma as palavras de São Paulo aos primeiros cristãos de Roma: Todas as coisas contribuem para o bem dos que amam a Deus, mesmo aquelas que nos são dolorosamente inexplicáveis ou incompreensíveis.

OS MENINOS INOCENTES foram mortos por causa de Cristo. Os que padecem com Cristo terão como prêmio a consolação de Deus nesta vida e, depois, a grande alegria da vida eterna.

Com a Igreja rezemos:

Salve, flores primeiras dos mártires, / que, da aurora ao primeiro clarão, / o inimigo colheu, como a rosas / decepadas por um turbilhão.

Sois as belas primícias de Cristo, / ó rebanho infantil de imolados, / que brincais, como alegres crianças, / com coroas, nos átrios sagrados.

Glória a vós, ó Jesus, para nós / de uma Virgem nascido em Belém. / Glória ao Pai e ao Espírito Santo / pelos séculos dos séculos. Amém.

Santos Inocentes, rogai por nós.

 

Meditação

- por Pe. Alexandre

Herodes mandou matar… (Mt 2,13-18)

 

Esta é uma das páginas mais terríveis dos Evangelhos: o assassinato em massa de crianças inocentes. Ainda estávamos enlevados com o lirismo da gruta de Belém, e o ódio do rei invade a cena. Tentando atingir o novo “rei” que o ameaça, Herodes manda exterminar todas as crianças “de dois anos para baixo”, na humilde cidade de Davi.

Eis o comentário de Edith Stein: “Desde o dia seguinte ao Natal, a Igreja depõe as vestes brancas de festa e se reveste da cor do sangue”. Estêvão, o primeiro mártir a seguir a Senhor, e as crianças inocentes, lactentes de Belém e de Judá, que foram degoladas pelas mãos cruéis dos carrascos, reúnem-se em torno do Menino no presépio, formando o seu séquito.

Que significa tudo isto? Onde está agora a alegria dos exércitos celestes? Onde a silenciosa ventura da noite santa? Onde está a paz sobre a terra?

‘Paz na terra aos homens de boa vontade!’ Mas nem todos são de boa vontade. O misterioso poder do mal envolvia o mundo na noite, e foi preciso que o Filho do Pai eterno descesse da glória do céu. As trevas cobriam a terra e ele veio como a luz que brilha nas trevas, e as trevas não o receberam.

Para aqueles que o receberam, ele trouxe a luz e a paz; a paz com o Pai do céu, a paz com todos aqueles que também são filhos da luz e filhos do Pai, e a paz profunda do coração, mas não a paz com os filhos das trevas. Para estes, o Príncipe da paz não traz a paz, mas a espada. Para eles, Jesus é a pedra de tropeço contra a qual eles avançam e que os quebra. Eis a grave e pesada verdade que não deve dissimular o poético encanto do presépio.

O mistério da encarnação e o mistério do mal estão estreitamente ligados. “À luz descida do céu vem opor-se, tanto mais sombria e lúgubre, a noite do pecado.”

E nós pensávamos que a Encarnação do Filho e sua presença entre nós fosse o início daquele reino decantado por Isaías, quando o lobo e o cordeiro pastariam juntos… Em nossa inocente ilusão, imaginávamos que o mal se entregaria sem reação, que as crostas do ódio se fundiriam em rios de mel…

Não. O mal resiste ao bem. A avareza rejeita a partilha. O poder recusa a igualdade. A ambição não tem olhos para o pobre. No meio das palhas de trigo, o Menino estende a cada um de nós as mãozinhas inocentes, mas são muitos os que preveem prejuízos com a chegada de Jesus. Qual será a nossa reação?

 

29ª Semana do Tempo Comum

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