28 de Junho de 2020

13a Semana comum Domingo

- por Pe. Alexandre

DOMINGO – SÃO PEDRO E SÃO PAULO
(Vermelho, glória, creio, pref. próprio – Ofício da solenidade)

 

Antífona da entrada

– Eis os santos que, vivendo neste mundo, plantaram a Igreja, regando-a com sangue. Beberam do cálice do Senhor e se tornaram amigos de Deus.

 

Oração do dia

– Ó Deus, que hoje nos concedeis a alegria de festejar são Pedro e são Paulo, concedei à vossa Igreja seguir em tudo os ensinamentos destes apóstolos que nos deram as primícias da fé. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

1ª Leitura: At 12,1-11

– Leitura dos Atos dos Apóstolos: Naqueles dias, 1o rei Herodes prendeu alguns membros da Igreja, para torturá-los. 2Mandou matar à espada Tiago, irmão de João. 3E, vendo que isso agradava aos judeus, mandou também prender a Pedro. Eram os dias dos Pães ázimos. 4“Depois de prender Pedro, Herodes colocou-o na prisão, guardado por quatro grupos de soldados, com quatro soldados cada um. Herodes tinha a intenção de apresentá-lo ao povo, depois da festa da Páscoa. 5Enquanto Pedro era mantido na prisão, a Igreja rezava continuamente a Deus por ele. 6Herodes estava para apresentá-lo. Naquela mesma noite, Pedro dormia entre dois soldados, preso com duas correntes; e os guardas vigiavam a porta da prisão. 7Eis que apareceu o anjo do Senhor e uma luz iluminou a cela. O anjo tocou o ombro de Pedro, acordou-o e disse: “Levanta-te depressa!” As correntes caíram-lhe das mãos. 8O anjo continuou: “Coloca o cinto e calça tuas sandálias!”  Pedro obedeceu e o anjo lhe disse: “Põe tua capa e vem comigo!” 9Pedro acompanhou-o, e não sabia que era realidade o que estava acontecendo por meio do anjo, pois pensava que aquilo era uma visão. 10Depois de passarem pela primeira e segunda guarda, chegaram ao portão de ferro que dava para a cidade. O portão abriu-se sozinho. Eles saíram, caminharam por uma rua e logo depois o anjo o deixou.
11Então Pedro caiu em si e disse: “Agora sei, de fato, que o Senhor enviou o seu anjo para me libertar do poder de Herodes e de tudo o que o povo judeu esperava!”

– Palavra do Senhor.

– Graças a Deus.

 

Salmo Responsorial: Sl 34,2-3.4-5.6-7.8-9 (R: 5)

 

De todos os temores me livrou o Senhor Deus.
R: De todos os temores me livrou o Senhor Deus.

– Bendirei o Senhor Deus em todo o tempo, seu louvor estará sempre em minha boca. Minha alma se gloria no Senhor; que ouçam os humildes e se alegrem!

R: De todos os temores me livrou o Senhor Deus.

– Comigo engrandecei ao Senhor Deus, exaltemos todos juntos o seu nome! Todas as vezes que o busquei, ele me ouviu, e de todos os temores me livrou.

R: De todos os temores me livrou o Senhor Deus.

– Contemplai a sua face e alegrai-vos, e vosso rosto não se cubra de vergonha! Este infeliz gritou a Deus, e foi ouvido, e o Senhor o libertou de toda angústia.

R: De todos os temores me livrou o Senhor Deus.

– O anjo do Senhor vem acampar ao redor dos que o temem, e os salva. Provai e vede quão suave é o Senhor! Feliz o homem que tem nele o seu refúgio!

R: De todos os temores/ me livrou o Senhor Deus.

2ª Leitura: 2Tm 4,6-8.17-18

– Leitura da segunda carta de são Paulo a Timóteo: Caríssimo: 6Quanto a mim, eu já estou para ser derramado em sacrifício; aproxima-se o momento de minha partida. 7Combati o bom combate, completei a corrida, guardei a fé. 8Agora está reservada para mim a coroa da justiça, que o Senhor, justo juiz, me dará naquele dia; e não somente a mim, mas também a todos os que esperam com amor a sua manifestação gloriosa. 17Mas o Senhor esteve a meu lado e me deu forças, ele fez com que a mensagem fosse anunciada por mim integralmente, e ouvida por todas as nações; e eu fui libertado da boca do leão. 18O Senhor me libertará de todo mal e me salvará para o seu Reino celeste. A ele a glória, pelos séculos dos séculos! Amém.

 

Aclamação ao santo Evangelho

Aleluia, aleluia, aleluia.

Aleluia, aleluia, aleluia.

– Tu és Pedro e sobre esta pedra eu irei construir minha Igreja; e as portas do inferno não irão derrotá-la (Mt 16,18)

Aleluia, aleluia, aleluia.

 

Evangelho de Jesus Cristo, segundo Mateus: Mt 16,13-19

 

– O Senhor esteja convosco.

– Ele está no meio de nós.

– Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo † segundo Mateus

– Glória a vós, Senhor!   

 

– Naquele tempo, 13Jesus foi à região de Cesareia de Filipe e ali perguntou aos seus discípulos: “Quem dizem os homens ser o Filho do Homem?” 14Eles responderam: “Alguns dizem que é João Batista; outros que é Elias; outros ainda, que é Jeremias ou algum dos profetas”. 15Então Jesus lhes perguntou: “E vós, quem dizeis que eu sou?” 16Simão Pedro respondeu: “Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo”. 17Respondendo, Jesus lhe disse: “Feliz és tu, Simão, filho de Jonas, porque não foi um ser humano que te revelou isso, mas o meu Pai que está no céu. 18Por isso eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra construirei a minha Igreja, e o poder do inferno nunca poderá vencê-la. 19Eu te darei as chaves do Reino dos Céus: tudo o que tu ligares na terra será ligado nos céus; tudo o que tu desligares na terra será desligado nos céus”.

– Palavra da salvação.

– Glória a vós, Senhor!   

 

Santo Irineu

- por Pe. Alexandre

Celebramos a memória do grande bispo e mártir, Santo Irineu que, pelos seus escritos, tornou-se o mais importante dos escritores cristãos do século II.

Nascido na Ásia Menor, foi discípulo de São Policarpo, que por sua vez conviveu diretamente com o Apóstolo São João, o Evangelista. Ao ser ordenado por São Policarpo, Irineu foi para a França e assumiu várias funções de serviço à Igreja de Cristo (que crescia em número de comunidades e necessidade de pastoreio).

Importante contribuição deu à Igreja do Oriente quando foi em missão de paz para um diálogo com o Papa Eleutério sobre a falta de unidade na data da celebração da Páscoa, pois o Oriente corria ao risco de excomunhão, sendo fiel ao significado do seu próprio nome – portador da paz – logrou êxito nessa missão, já que isto nada interferia na unidade da fé.

Ao voltar da missão deparou-se com a morte do bispo Potino, o qual o havia enviado para Roma e, sendo assim, foi ele o escolhido para sucessor do episcopado de Lião. Erudito, simples, orante e zeloso bispo, foi Santo Irineu quem escreveu contra os hereges, sobre a sucessão apostólica e muito dos dados que temos hoje, sobre a história da Igreja do século II.

Este grande bispo morreu mártir na perseguição do imperador Severo.

Santo Irineu, rogai por nós!

Meditação

- por Pe. Alexandre

Tu és Pedro… (Mt 16,13-19)

            Simão, o velho pescador da Galileia, recebe uma luz interior – que não vem da carne nem do sangue, isto é, que não brota de seus recursos meramente humanos – e identifica Jesus como o Ungido de Deus, o Cristo Senhor. Em resposta, Jesus o define: “Tu és Pedro!”

Alguns exegetas já observaram que “Pedro” não era um nome próprio em uso na época, nem no grego nem no latim. A palavra empregada por Jesus para renomear Simão bar Jonas foi o termo aramaico “kepha”, que se traduz como “rocha”, “rochedo”. Sua tradução latina seria Petrus, permitindo o jogo de palavras com “petra”, a pedra. Curiosamente, o mesmo jogo é possível em português (Pedro / pedra) e em francês (Pierre / pierre).

Suzanne de Détrich comenta: “Jesus dá a Simão um nome novo: ‘kepha’, que significa ‘rocha’. Este nome contém uma promessa: Simão, o discípulo flutuante, impulsivo, será agora, pela graça de Deus, o “rochedo” sobre o qual Deus edificará a comunidade nova. Nós cremos que se trata, sim, da pessoa de Pedro, e não somente de sua fé. É como confessor da fé que Pedro é chamado a desempenhar este papel. Confiando-lhe as chaves do reino, Jesus permite a Pedro, e por ele à sua Igreja, abrir o reino àqueles que receberão sua palavra. Ela tem o poder de desligar os homens das cadeias do pecado e da morte”.

Na Bíblia, várias vezes uma pessoa recebe um nome novo ao receber uma nova missão. Foi assim com Abraão (antes, Abrão – cf. Gn 17,5), foi assim com Israel (antes, Jacó – cf. Gn 32,29). Agora, é a vez de Simão Pedro ser confrontado com a nova missão que Deus lhe reserva: pastorear a Igreja de Jesus (cf. Jo 21,16-17). Seu martírio em Roma, crucificado como seu Mestre, será a prova final de sua missão de pastor, aquele que “dá a vida por suas ovelhas” (cf. Jo 10,11).

Ao longo da história, numerosos papas que sofreram o martírio (Cleto, Clemente, Calixto, Marcelino etc.) ou foram perseguidos e presos (Ponciano, Pio VII etc.), mas não abandonaram sua missão à frente do rebanho. Nos últimos tempos, numerosas vozes rebeldes se ergueram (dentro e fora da Igreja) para contestar o magistério papal, seja em nome de uma liberação dos costumes (aborto, casamento entre pessoas do mesmo sexo, ordenação de mulheres etc.), seja por sua posição em defesa dos pobres e excluídos do sistema capitalista.

Qual é a nossa atitude em relação ao Pedro de hoje?

 

24ª Semana do Tempo Comum