30 de Abril de 2020

3a Semana da Páscoa Quinta-feira

- por Padre Alexandre Fernandes

QUINTA FEIRA – III SEMANA DA PÁSCOA

(Branco, Pf. Pascal, ofício do dia)

 

Antífona da entrada

 

– Cantemos ao Senhor: ele se cobriu de glória. O Senhor é minha força e o meu cântico: foi para mim a salvação, aleluia!  (Ex 15,1).

 

Oração do dia

 

– Ó Deus eterno e onipotente, que nestes dias vos mostrais tão generoso, dai-nos sentir de mais perto de vosso amor paterno para que, libertados das trevas do erro, sigamos com firmeza a luz da verdade. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

1ª Leitura: At 8,26-40

 

– Leitura dos Atos dos Apóstolos: Naqueles dias, 26um anjo do Senhor falou a Filipe, dizendo: “Prepara-te e vai para o sul, no caminho que desce de Jerusalém a Gaza. O caminho é deserto”. Filipe levantou-se e foi. 27Nisso apareceu um eunuco etíope, ministro de Candace, rainha da Etiópia, e administrador geral do seu tesouro, que tinha ido em peregrinação a Jerusalém. 28Ele estava voltando para casa e vinha sentado no seu carro, lendo o profeta Isaías. 29Então o Espírito disse a Filipe: “Aproxima-te desse carro e acompanha-o”. 30Filipe correu, ouviu o eunuco ler o profeta Isaías e perguntou: “Tu compreendes o que estás lendo?” 31O eunuco respondeu: “Como posso, se ninguém mo explica?” Então convidou Filipe a subir e a sentar-se junto a ele. 32A passagem da Escritura que o eunuco estava lendo era esta: “Ele foi levado como ovelha ao matadouro; e qual um cordeiro diante do seu tosquiador, ele emudeceu e não abriu a boca. 33Eles o humilharam e lhe negaram justiça; e seus descendentes, quem os poderá enumerar? Pois sua vida foi arran­cada da terra”. 34E o eunuco disse a Filipe: “Peço que me expliques de quem o profeta está dizendo isso. Ele fala de si mesmo ou se refere a algum outro?” 35Então Filipe começou a falar e, partindo dessa passagem da Escritura, anunciou Jesus ao eunuco. 36Eles prosseguiram o caminho e chegaram a um lugar onde havia água. 37Então o eunuco disse a Filipe: “Aqui temos água. O que impede que eu seja batizado?” 38O eunuco mandou parar o carro. Os dois desceram para a água e Filipe batizou o eunuco. 39Quando saíram da água, o Espírito do Senhor arrebatou a Filipe. O eunuco não o viu mais e prosseguiu sua viagem, cheio de alegria. 40Filipe foi parar em Azoto. E, passando adiante, evangelizava todas as cidades até chegar a Cesareia.

 

– Palavra do Senhor.

– Graças a Deus.

 

Salmo Responsorial: Sl 66,8-9.16.17.20 (R: 1)

 

– Aclamai o Senhor Deus, ó terra inteira.
R:  Aclamai o Senhor Deus, ó terra inteira.

– Nações, glorificai ao nosso Deus, anunciai em alta voz o seu louvor! É ele quem dá vida à nossa vida, e não permite que vacilem nossos pés.

R: Aclamai o Senhor Deus, ó terra inteira.

– Todos vós que a Deus temeis, vinde escutar: vou contar-vos todo bem que ele me fez! Quando a ele o meu grito se elevou, já havia gratidão em minha boca!

R: Aclamai o Senhor Deus, ó terra inteira.

– Bendito seja o Senhor Deus que me escutou, não rejeitou minha oração e meu clamor, nem afastou longe de mim o seu amor!

R: Aclamai o Senhor Deus, ó terra inteira.
 

Aclamação ao santo Evangelho

 

Aleluia, aleluia, aleluia.

Aleluia, aleluia, aleluia.

 

– Eu sou o pão vivo descido do céu, quem deste pão come sempre há de viver (Jo 6,51).

 

Aleluia, aleluia, aleluia.

 

Evangelho de Jesus Cristo, segundo João: Jo 6,44-51.

 

– O Senhor esteja convosco.

– Ele está no meio de nós.

– Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo † segundo João

– Glória a vós, Senhor!  

 

Naquele tempo, disse Jesus à multidão: 44“Ninguém pode vir a mim, se o Pai que me enviou não o atrai. E eu o ressuscitarei no último dia. 45Está escrito nos Profetas: ‘Todos serão discípulos de Deus’. Ora, todo aquele que escutou o Pai e por ele foi instruído, vem a mim. 46Não que alguém já tenha visto o Pai. Só aquele que vem de junto de Deus viu o Pai. 47Em verdade, em verdade vos digo, quem crê possui a vida eterna. 48Eu sou o pão da vida. 49Os vossos pais comeram o maná no deserto e, no entanto, morreram. 50Eis aqui o pão que desce do céu: quem dele comer, nunca morrerá. 51Eu sou o pão vivo descido do céu. Quem comer deste pão viverá eternamente. E o pão que eu darei é a minha carne dada para a vida do mundo”.

 

Palavra da salvação.

– Glória a vós, Senhor!  

ão José Benedito Cottolengo

- por Padre Alexandre Fernandes

Hoje, lembramos São José Benedito Cottolengo que nasceu em Bra, na Itália, onde desde de pequeno demonstrou-se inclinado à caridade. Com o passar do tempo e trabalho com sua vocação, tornou-se um sacerdote dos desprotegidos na diocese de Turim.

Quando teve que atender uma senhora grávida, que devido à falta de assistência social, morreu em seus braços; espantado, retirou-se em oração e nisso Deus fez desabrochar no seu coração a necessidade da criação de uma casa de abrigo que, mesmo em meio às dificuldades, foi seguida por outras. Esse grande homem de Deus acolhia pobres, doentes mentais, físicos, ou seja, todo tipo de pessoas carentes de amor, assistência material, físico e espiritual.

Confiando somente nos cuidados do Pai do Céu, estas casas desde a primeira até a verdadeira cidade da caridade que surgiu, chamou-se “Pequena Casa da Divina Providência”. Diante do Santíssimo Sacramento, José Cottolengo e outros cristãos, que se uniram a ele nesta experiência de Deus, buscavam ali forças para bem servir aos necessitados, pois já dizia ele: “Se soubesses quem são os pobres, os servirias de joelhos!”.

Entrou no Céu com 56 anos.

São José Benedito Cottolengo, rogai por nós!

Meditação

- por Padre Alexandre Fernandes

Se meu Pai não o atrair… (Jo 6,44-51)

 

            Nosso Deus é um grande sedutor. Ele não se contenta em chamar, mas atrai, seduz, magnetiza até o ponto de a pessoa sentir-se torturada em sua resistência ao amoroso abraço do Pai. Santo Agostinho foi exemplar ao descrever essa espécie de “saudade de Deus” que envolve o coração humano.

 

            Neste Evangelho, repete-se o “jogo de gato e rato” entre Jesus e seus ouvintes. Tal como no tempo do Êxodo (cf. Ex 15 a 17), os judeus do tempo de Jesus também se entregam às murmurações. Tal como em português, o verbo grego empregado pelo evangelista João também soa como onomatopeia: gogguyzo. O Mestre ensina, esclarece, dá sinais, mas eles estão obstinados à aparência das coisas, sem lhes penetrar o sentido profundo: “Não é ele o filho de José? Como ele diz que desceu dos céus” E permanecem longe de reconhecer o Filho de Deus…

 

            E Jesus explica o impasse: “Ninguém pode vir a mim se o Pai que me enviou não o atrai”. André Scrima comenta a passagem: “A fé em Jesus não é somente uma obra não humana, mas ela acontece em decorrência da atração do Pai. Tal é o agir do Pai: atrair os homens para o Filho encarnado no mundo. A única verdadeira via para ir a Jesus é aquela que acontece pelo agir sobrenatural do Pai. Está escrito nos profetas: ‘todos os teus filhos serão instruídos por Deus’. (Is 54,13)”

 

            “A aliança que Deus concluiu com o povo eleito – prossegue Scrima – tem por finalidade fazê-lo acessar outra aliança, superior, uma aliança nova e completa, na qual ‘cada um não instruirá mais o seu vizinho ou seu irmão, dizendo: Conhece o Senhor!’ De fato, todos me conhecerão’ (Jr 31,31-34); e esta obra será Aquele que Deus enviará e dele nascerá. Ora, apesar desta obra que se completa com a vinda de Jesus até eles, os judeus não o quiseram receber diretamente de Deus, mas pela interposição dos profetas e dos rabinos instruídos.”

 

            Como explicara a incredulidade dos contemporâneos de Jesus? Apesar de todos os sinais, eles não conseguem admitir a origem divina de Jesus, pois esta é objeto da fé concedida pelo Pai, e não brota da simples visão humana. Como observa Louis Bouyer, “o movimento que leva o homem para Cristo, como aquele que impeliu o Filho a se encarnar para ir ao homem, é operado pelo Pai. É pelo próprio ensinamento que o Pai dá aos homens que estes são conduzidos a seu Filho”.

 

            Maravilhosa operação da Trindade que ama o homem e quer salvá-lo. Quando veio o Espírito de Pentecostes, os apóstolos penetraram neste mistério (cf. Cl 1,26).

18ª Semana do Tempo Comum