30 de Agosto de 2020

22a semana comum Domingo

- por Pe. Alexandre

DOMINGO – XXII SEMANA DO TEMPO COMUM
(verde, glória, creio – II semana do saltério)

 

Antífona da entrada

 

– Tende compaixão de mim, Senhor, clamo por vós o dia inteiro; Senhor, sois bom e clemente, cheio de misericórdia para aqueles que vos invocam (Sl 85,3.5).

 

Oração do dia

 

– Deus do universo, fonte de todo bem, derramai em nossos corações o vosso amor e estreitai os laços que nos unem convosco para alimentar em nós o que é bom e guardar com solicitude o que nos destes. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

1ª Leitura: Jr 20,7-9

– Leitura do livro do profeta Jeremias: 7Seduziste-me, Senhor, e deixei-me seduzir; foste mais forte, tiveste mais poder. Tornei-me alvo de irrisão o dia inteiro, todos zombam de mim. 8Todas as vezes que falo, levanto a voz, clamando contra a maldade e invocando calamidades; a palavra do Senhor tornou-se para mim fonte de vergonha e de chacota o dia inteiro. 9Disse comigo: “Não quero mais lembrar-me disso nem falar mais em nome dele”. Senti, então, dentro de mim um fogo ardente a penetrar-me o corpo todo; desfaleci, sem forças para suportar.

– Palavra do Senhor.

– Graças a Deus.

 

Salmo Responsorial: Sl 63,2.3-4.5-6.8-9 (R: 2b)

 

– A minha alma tem sede de vós como a terra sedenta, ó meu Deus!
R: A minha alma tem sede de vós como a terra sedenta, ó meu Deus!

– Sois vós, ó Senhor, o meu Deus! Desde a aurora ansioso vos busco! A minha alma tem sede de vós, minha carne também vos deseja, como terra sedenta e sem água!

R: A minha alma tem sede de vós como a terra sedenta, ó meu Deus!

– Venho, assim, contemplar-vos no templo, para ver vossa glória e poder. Vosso amor vale mais do que a vida; e por isso meus lábios vos louvam.

R: A minha alma tem sede de vós como a terra sedenta, ó meu Deus!

– Quero, pois, vos louvar pela vida, e elevar para vós minhas mãos! A minha alma será saciada, como em grande banquete de festa; cantará a alegria em meus lábios, ao cantar para vós meu louvor!

R: A minha alma tem sede de vós como a terra sedenta, ó meu Deus!

– Para mim fostes sempre um socorro; de vossas asas à sombra eu exulto! Minha alma se agarra em vós; com poder vossa mão me sustenta.

R: A minha alma tem sede de vós como a terra sedenta, ó meu Deus!

2ª Leitura: Rm 12,1-2

– Leitura da carta de são Paulo aos Romanos: 1Pela misericórdia de Deus, eu vos exorto, irmãos, a vos oferecerdes em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus: este é o vosso culto espiritual. 2Não vos conformeis com o mundo, mas transformai-vos, renovando vossa maneira de pensar e de julgar, para que possais distinguir o que é da vontade de Deus, isto é, o que é bom, o que lhe agrada, o que é perfeito.

– Palavra do Senhor.

– Graças a Deus.

 

Aclamação ao santo Evangelho

 

Aleluia, aleluia, aleluia.

Aleluia, aleluia, aleluia.

 

– Que o Pai do Senhor Jesus Cristo nos dê do saber o espírito; conheçamos, assim, a esperança à qual nos chamou, como herança! (Ef 1,17).

 

Aleluia, aleluia, aleluia.

 

Evangelho de Jesus Cristo, segundo Mateus: Mt 16,21-27

 

– O Senhor esteja convosco.

– Ele está no meio de nós.

– Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo † segundo Mateus

– Glória a vós, Senhor!   

 

– Naquele tempo, 21Jesus começou a mostrar a seus discípulos que devia ir a Jerusalém e sofrer muito da parte dos anciãos, dos sumos sacerdotes e dos mestres da Lei, e que devia ser morto e ressuscitar no terceiro dia. 22Então Pedro tomou Jesus à parte e começou a repreendê-lo, dizendo: “Deus não permita tal coisa, Senhor! Que isso nunca te aconteça!” 23Jesus, porém, voltou-se para Pedro e disse: “Vai para longe, Satanás! Tu és para mim uma pedra de tropeço, porque não pensas as coisas de Deus, mas sim as coisas dos homens!” 24Então Jesus disse aos discípulos: “Se alguém quer me seguir, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e me siga. 25Pois, quem quiser salvar a sua vida vai perdê-la; e quem perder a sua vida por causa de mim, vai encontrá-la. 26De fato, que adianta ao homem ganhar o mundo inteiro, mas perder a sua vida? O que poderá alguém dar em troca de sua vida? 27Porque o Filho do Homem virá na glória do seu Pai, com os seus anjos, e então retribuirá a cada um de acordo com sua conduta”.

 

– Palavra da salvação.

– Glória a vós, Senhor!   

São Cesário de Arles

- por Pe. Alexandre

Os santos, como ninguém, entenderam que a Graça do Cristo que quer santificar a todos, é sempre a mesma, na eficiência, abundância e liberalidade. Cesário de Arles foi um destes homens que se abriu ao querer de Deus, e por isso como Bispo tornou-se uma personalidade marcante do seu tempo.

Cesário nasceu na França em 470, e ao deixar sua casa entrou para o mosteiro de Lérins, onde se destacou pela inteligência, bom humor, docilidade e rígida penitência, que mais tarde acabou exigindo imperfeitamente dos monges sob sua administração. Diante dos excessos de penitências, Cesário precisou ir se tratar na cidade de Arles – Sul da França- local do aprofundamento dos seus estudos e mais tarde da eleição episcopal.

São Cesário de Arles, até entrar no Céu com 73 anos de idade, ocupou-se até o fim com a salvação das almas e isto fazia, concretamente, pela força da Palavra anunciada e escrita, tornando-se assim o grande orador popular do Ocidente latino e glória para a vida monástica. Já que escreveu duas Regras monásticas. Em tudo buscava comunicar a ortodoxia da Fé e aquilo que lutava para viver com o Espírito Santo e irmãos, por isto no campo da moral cristã, Cesário de Arles salientava o cultivo da justiça, prática da misericórdia e o cuidado da castidade.

São Cesário de Arles, rogai por nós!

Meditação

- por Pe. Alexandre

Tome a sua cruz! (Mt 16, 21-27)

 

De início, é preciso reconhecer: a palavra “cruz” desperta em nós uma reação muito negativa. A imagem da cruz – o simples som da palavra! – provoca uma espécie de repulsa, uma contração neuromuscular, uma espécie de instinto de fuga. Sentimos a cruz como algo a ser evitado ou, no mínimo, tolerado entre as coisas inevitáveis da condição humana.

Mesmo em ambientes que se julgam cristãos, a cruz ainda é vista como um brutal instrumento de suplício, com toda a sua carga de maldição e de anátema. Isto é, não se percebe a cruz – que a Liturgia chama de arbor nobilis, ou seja, “árvore nobre” – como uma nascente de vida, o máximo sinal do amor de Deus pela humanidade.

Paradoxalmente, na hora de retratar os santos, nossos artistas costumam representá-los com a cruz nas mãos (só a título de exemplo, lembrar de São Francisco de Assis, São João da Cruz, Santa Teresinha do Menino Jesus), prova de que sua santificação não resulta de algumas rosas perfumadas, mas de cruzes dolorosas abraçadas com amor.

Por isso mesmo, desde o início, Jesus Cristo não iludiu ninguém, deixando claro que seu seguimento implicaria na aceitação de uma CRUZ. E não é preciso grande capacidade intelectual para perceber o óbvio: a mensagem do Evangelho, que bateu de frente com os interesses de Herodes, de Pilatos e do Sumo Sacerdote, continua a se chocar com a sociedade de consumo, hedonista e materialista, cujo ídolo de plantão é o dinheiro.

Chega a ser uma espécie de inocência infantil pretender seguir de verdade a Jesus Cristo sem sofrer pressões, injúrias e prejuízos materiais. Ilusão maior é pretender aplausos e vantagens por obedecer aos ditames do Evangelho. A única recompensa pela fidelidade a Jesus é a CRUZ.

Não fosse assim, Jesus de Nazaré não teria fechado o leque das Bem-aventuranças com estas palavras: “Bem-aventurados sereis quando, por minha causa, vos injuriarem e perseguirem e disserem, falsamente, contra vós toda a espécie de mal”. (Mt 5, 11.)

 

No final do caminho, você, que abraçou a sua cruz, deverá ouvir pessoalmente do Senhor: “Segura firme o que tens, para que ninguém te arrebate a coroa”. (Ap 3, 11b.)

 

25ª Semana do Tempo Comum