30 de Dezembro de 2019

Oitava do Natal Sexta-feira

- por Padre Alexandre Fernandes

SEGUNDA FEIRA DA OITAVA DO NATAL

(branco, glória, pref. do Natal – ofício do dia)

 

Antífona da entrada

 

– Enquanto um profundo silêncio envolvia o universo e a noite ia no meio de seu curso, desceu do céu, ó Deus, do seu trono real, a vossa palavra onipotente (Sb 18,14).

 

Oração do dia

 

– Concedei, ó Deus todo-poderoso, que o novo nascimento de vosso Filho como homem nos liberte da antiga escravidão do pecado. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho,na unidade do Espírito Santo.

 

1ª  Leitura: 1Jo 2, 12-17

 

– Leitura da primeira carta de são João: 12Eu vos escrevo, filhinhos: os vossos pecados foram perdoados por meio do seu nome. 13Eu vos escrevo, pais: vós conheceis aquele que é desde o princípio. Eu vos escrevo, jovens: vós vencestes o Maligno. 14Já vos escrevi, filhinhos: vós conheceis o Pai. Já vos escrevi, jovens: vós sois fortes, a Palavra de Deus permanece em vós e vencestes o Maligno. 15Não ameis o mundo, nem o que há no mundo. Se alguém ama o mundo, não está nele o amor do Pai. 16Porque tudo o que há no mundo – as paixões da natureza, a concupiscência dos olhos e a ostentação da riqueza – não vem do Pai, mas do mundo. 17Ora, o mundo passa, e também a sua concupiscência; mas aquele que faz a vontade de Deus permanece para sempre.

 

– Palavra do Senhor.

– Graças a Deus.

 

Salmo Responsorial: Sl 96, 7-8a.8b-9.10 (R: 11a)

 

O céu se rejubile e exulte a terra! 

R: O céu se rejubile e exulte a terra!

 

– Ó família das nações, dai ao Senhor, ó nações, dai ao Senhor poder e glória, dai-lhe a glória que é devida ao seu nome!

R: O céu se rejubile e exulte a terra!

 

– Oferecei um sacrifício nos seus átrios, adorai-o no esplendor da santidade, terra inteira, estre­mecei diante dele!

R: O céu se rejubile e exulte a terra!

 

– Publicai entre as nações: Reina o Senhor! Ele firmou o universo inabalável, e os povos ele julga com justiça.

R: O céu se rejubile e exulte a terra!

 

Aclamação ao santo Evangelho

 

Aleluia, aleluia, aleluia.

Aleluia, aleluia, aleluia.

 

 – Um dia sagrado brilhou para nós: nações, vinde todas adorar o Senhor, pois hoje desceu grande luz sobre a terra!

 

Aleluia, aleluia, aleluia.

 

Evangelho de Jesus Cristo, segundo Lucas: Lc 2, 36-40

 

– O Senhor esteja convosco.

– Ele está no meio de nós.

– Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo † segundo Lucas.

– Glória a vós, Senhor!  

 

– Naquele tempo, 36havia também uma profetisa, chamada Ana, filha de Fanuel, da tribo de Aser. Era de idade muito avançada; quando jovem, tinha sido casada e vivera sete anos com o marido. 37Depois ficara viúva, e agora já estava com oitenta e quatro anos. Não saía do Templo, dia e noite servindo a Deus com jejuns e orações. 38Ana chegou nesse momento e pôs-se a louvar a Deus e a falar do menino a todos os que esperavam a libertação de Jerusalém. 39Depois de cumprirem tudo, conforme a Lei do Senhor, voltaram à Galileia, para Nazaré, sua cidade. 40O menino crescia e tornava-se forte, cheio de sabedoria; e a graça de Deus estava com ele.

 

– Palavra da salvação.

– Glória a vós, Senhor!  

Sagrada Família

- por Padre Alexandre Fernandes

A Sagrada Família, ajuda cada um a caminhar no espírito de Nazaré

Se o Natal tiver sido ao domingo; não tendo sido assim, a Sagrada Família celebrar-se-á no domingo dentro da Oitava do Natal.

Da alocução de Paulo VI, Papa, em Nazaré, 5.1.1964:

O exemplo de Nazaré:

Nazaré é a escola em que se começa a compreender a vida de Jesus, é a escola em que se inicia o conhecimento do Evangelho. Aqui se aprende a observar, a escutar, a meditar e a penetrar o significado tão profundo e misterioso desta manifestação do Filho de Deus, tão simples, tão humilde e tão bela. Talvez se aprenda também, quase sem dar por isso, a imitá-la.

Aqui se aprende o método e o caminho que nos permitirá compreender facilmente quem é Cristo. Aqui se descobre a importância do ambiente que rodeou a sua vida, durante a sua permanência no meio de nós: os lugares, os tempos, os costumes, a linguagem, as práticas religiosas, tudo o que serviu a Jesus para Se revelar ao mundo. Aqui tudo fala, tudo tem sentido. Aqui, nesta escola, se compreende a necessidade de ter uma disciplina espiritual, se queremos seguir os ensinamentos do Evangelho e ser discípulos de Cristo. Quanto desejaríamos voltar a ser crianças e acudir a esta humilde e sublime escola de Nazaré! Quanto desejaríamos começar de novo, junto de Maria, a adquirir a verdadeira ciência da vida e a superior sabedoria das verdades divinas!

Mas estamos aqui apenas de passagem e temos de renunciar ao desejo de continuar nesta casa o estudo, nunca terminado, do conhecimento do Evangelho. No entanto, não partiremos deste lugar sem termos recolhido, quase furtivamente, algumas breves lições de Nazaré.

Em primeiro lugar, uma lição de silêncio. Oh se renascesse em nós o amor do silêncio, esse admirável e indispensável hábito do espírito, tão necessário para nós, que nos vemos assaltados por tanto ruído, tanto estrépito e tantos clamores, na agitada e tumultuosa vida do nosso tempo. Silêncio de Nazaré, ensina-nos o recolhimento, a interioridade, a disposição para escutar as boas inspirações e as palavras dos verdadeiros mestres. Ensina-nos a necessidade e o valor de uma conveniente formação, do estudo, da meditação, da vida pessoal e interior, da oração que só Deus vê.

Uma lição de vida familiar. Que Nazaré nos ensine o que é a família, a sua comunhão de amor, a sua austera e simples beleza, o seu caráter sagrado e inviolável; aprendamos de Nazaré como é preciosa e insubstituível a educação familiar e como é fundamental e incomparável a sua função no plano social.

Uma lição de trabalho. Nazaré, a casa do Filho do carpinteiro! Aqui desejaríamos compreender e celebrar a lei, severa mas redentora, do trabalho humano; restabelecer a consciência da sua dignidade, de modo que todos a sentissem; recordar aqui, sob este teto, que o trabalho não pode ser um fim em si mesmo, mas que a sua liberdade e dignidade se fundamentam não só em motivos econômicos, mas também naquelas realidades que o orientam para um fim mais nobre. Daqui, finalmente, queremos saudar os trabalhadores de todo o mundo e mostrar-lhes o seu grande Modelo, o seu Irmão divino, o Profeta de todas as causas justas que lhes dizem respeito, Cristo Nosso Senhor.

João Paulo II, na Carta dirigida à família, por ocasião do Ano Internacional da Família, 1994, escreve:

A Sagrada Família é a primeira de tantas outras famílias santas. O Concílio recordou que a santidade é a vocação universal dos batizados (LG 40). Como no passado, também na nossa época não faltam testemunhas do “evangelho da família”, mesmo que não sejam conhecidas nem proclamadas santas pela Igreja…

A Sagrada Família, imagem modelo de toda a família humana, ajude cada um a caminhar no espírito de Nazaré; ajude cada núcleo familiar a aprofundar a própria missão civil e eclesial, mediante a escuta da Palavra de Deus, a oração e a partilha fraterna da vida! Maria, Mãe do amor formoso, e José, Guarda e Redentor, nos acompanhem a todos com a sua incessante proteção.

Sagrada Família de Nazaré, rogai por nós!

Meditação

- por Padre Alexandre Fernandes

E o menino foi crescendo… (Lc 2,36-40)

 

            Veio o Natal mais uma vez. Fomos até o presépio e vimos o Menino na manjedoura. Que lindo! Mas não podemos ceder à tentação de fixá-lo na condição de bebê, no colo da Mãe. O Menino precisa crescer…

 

            E ele crescia, diz o Evangelho. Crescia de modo integral: em estatura, sabedoria e graça. Crescimento somático, psíquico e pneumático. Se cresce apenas o corpo, mas não a mente, algo vai mal. Se cresce a mente, mas não cresce o espírito, ainda vai mal. É uma pena ver atletas que não sabem pensar. Ver pensadores que não sabem rezar. Não foi um crescimento integral…

 

            Devíamos dedicar mais tempo a meditar sobre esse Deus-que-cresce. “No estábulo de Belém – comenta François Trévedy – e, depois, na oficina de Nazaré, o Deus feito homem, o Deus aprendiz de homem é primeiramente aprendiz do tempo: ele se tece, ele se trama longamente, lentamente, na obscuridade, ou antes se deixa tecer por outras mãos às quais se confia.

 

            O pequeno Jesus – o imenso Jesus não é, no fundo, nem de cera, nem de gesso, nem de terracota; ele é de carne modelada na primavera (Marie-Noël). Ele é de Pai e de Mãe e de Espírito, cúmplices, e sua carne comum é sua única auréola.”

 

            Como nós temos sido incapazes de apresentar a nossos filhos o modelo oferecido por Jesus que cresce! Que bela colheita humana teriam nossas famílias depois de semear “Jesus-que-cresce” nos olhos e no coração de nossas crianças!

 

            Vazios desse modelo, nossos filhos adotam outros modelos: o atleta vencedor, o artista de sucesso, a atriz sedutora, o político poderoso – pobres ídolos com pés de barro, que ruirão na primeira crise e mergulharão seus “seguidores” na decepção.

 

            Voltando a F. Trévedy, “não nanifiquemos o Natal, pois o Menino se eleva ao Infinito. Não negligenciemos o Natal nem subestimemos sua dimensão e sua gravidade, pois o Infinito é e permanece Criança, em profundidades que lhe são proporcionais. Esse Menino singular é imensamente criança, e é como tal que ele cresce, e é como tal que ele é chamado a crescer em cada um de nós e no mundo, isto é, chamado a nos invadir. A nós e ao mundo.”

 

            Que desastre! Reduzir o humano ao nível da planície, quando os astros esperam por nós…

 

Orai sem cessar: “O Senhor dará força a seu povo!” (Sl 29,11)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

18ª Semana do Tempo Comum