30 de Janeiro de 2020

3a Semana Comum Quinta-feira

- por Padre Alexandre Fernandes

QUINTA FEIRA DA III SEMANA COMUM 

(verde, ofício do dia)

 

Antífona da entrada

 

– Cantai ao Senhor um canto novo, cantai ao Senhor, ó terra inteira; esplendor majestade e beleza brilham no seu templo santo (Sl 95, 1.6).

 

Oração do dia

 

– Deus eterno e todo-poderoso, dirigi a nossa vida segundo o vosso amor, para que possamos, em nome do vosso Filho, frutificar em boas obras. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo.

 

1ª Leitura: 2Sm 7,18-19.24-29

 

– Leitura do segundo livro de Samuel – Depois que Natan falara a Davi, o rei entrou no tabernáculo 18foi assentar-se diante do Senhor, e disse: “Quem sou eu, Senhor Deus, que é a minha família, para que me tenhas conduzido até aqui? 19Mas, como isto te parecia pouco, Senhor Deus, ainda fizeste promessas à casa do teu servo para um futuro distante. Porque esta é a lei do homem, Senhor Deus! 24Estabeleceste o teu povo, Israel, para que ele seja para sempre o teu povo; e tu, Senhor, te tornaste o seu Deus. 25Agora, Senhor Deus, cumpre para sempre a promessa que fizeste a teu servo e à sua casa, e faze como disseste! 26Então o teu nome será exaltado para sempre, e dirão: ‘O Senhor todo-poderoso é o Deus de Israel’. E a casa do teu servo Davi permanecerá estável na tua presença. 27Pois tu, Senhor todo-poderoso, Deus de Israel, fizeste esta revelação ao teu servo: ‘Eu te construirei uma casa’. Por isso o teu servo se animou a dirigir-te esta oração. 28Agora, Senhor Deus, tu és Deus e tuas palavras são verdadeiras. Pois que fizeste esta bela promessa a teu servo, 29abençoa, então, a casa do teu servo, para que ela permaneça para sempre na tua presença. Porque és tu, Senhor Deus, que falaste, e é graças à tua bênção que a casa do teu servo será abençoada para sempre”.

 

– Palavra do Senhor.

– Graças a Deus.

 

Salmo Responsorial: Sl 132,1-2.3-5.11.12.13-14 (R: Lc 1,32b)

 

– O Senhor vai dar-lhe o trono de seu pai, o rei Davi.
R: O Senhor vai dar-lhe o trono de seu pai, o rei Davi.

– Recordai-vos, ó Senhor, do rei Davi e de quanto vos foi ele dedicado; do juramento que ao Senhor havia feito e de seu voto ao Poderoso de Jacó:

R: O Senhor vai dar-lhe o trono de seu pai, o rei Davi.

– “Não entrarei na minha tenda, minha casa, nem subirei à minha cama em que repouso, não deixarei adormecerem os meus olhos, nem cochilarem em descanso minhas pálpebras, até que eu ache um lugar para o Senhor, uma casa para o Forte de Jacó!”

R: O Senhor vai dar-lhe o trono de seu pai, o rei Davi.

– O Senhor fez a Davi um juramento, uma promessa que jamais renegará: “Um herdeiro que é fruto do teu ventre colocarei sobre o trono em teu lugar!

R: O Senhor vai dar-lhe o trono de seu pai, o rei Davi.

– Se teus filhos conservarem minha Aliança e os preceitos que lhes dei a conhecer, os filhos deles igualmente hão de sentar-se eternamente sobre o trono que te dei!”

R: O Senhor vai dar-lhe o trono de seu pai, o rei Davi.

– Pois o Senhor quis para si Jerusalém e a desejou para que fosse sua morada: “Eis o lugar do meu repouso para sempre, eu fico aqui: este é o lugar que preferi!”

R: O Senhor vai dar-lhe o trono de seu pai, o rei Davi.

 

Aclamação ao santo Evangelho
 

Aleluia, aleluia, aleluia.

Aleluia, aleluia, aleluia.

 

 – Vossa palavra é uma luz para os meus passos e uma lâmpada luzente em meu caminho (Sl 118,105).

 

Aleluia, aleluia, aleluia.

 

Evangelho de Jesus Cristo, segundo Marcos: Mc 4,21-25

 

– O Senhor esteja convosco.

– Ele está no meio de nós.

– Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo † segundo Marcos

– Glória a vós, Senhor!  

Naquele tempo, Jesus disse à multidão: 21“Quem é que traz uma lâmpada para colocá-la debaixo de um caixote, ou debaixo da cama? Ao contrário, não a põe num candeeiro? 22Assim, tudo o que está em segredo deverá ser descoberto. 23Se alguém tem ouvidos para ouvir, ouça”. 24Jesus dizia ainda: “Prestai atenção no que ouvis: com a mesma medida com que medirdes, também vós sereis medidos; e vos será dado ainda mais. 25Ao que tem alguma coisa, será dado ainda mais; do que não tem, será tirado até mesmo o que ele tem”.

 

– Palavra da salvação.

– Glória a vós, Senhor!  

Santa Jacinta Marescotti

- por Padre Alexandre Fernandes

Santa Jacinta Marescotti empenhou-se na vida de oração, de pobreza, de castidade e vivência da regra

Em Roma, em 1585, nasceu Jacinta, dentro de uma família muito nobre, religiosa, com posses, mas que possuía, principalmente, a devoção, o amor acima de tudo. Seus pais faziam de tudo para que os filhos conhecessem Jesus e recebessem uma ótima educação.

Jacinta Marescotti que, então, tinha como nome de batismo Clarisse, foi colocada num convento para a sua educação, numa escola franciscana, juntamente com as irmãs. Uma das irmãs dela já era religiosa franciscana.

Crescendo na educação religiosa, com valores. No entanto, a boa formação sempre respeita a liberdade. Já moça e distante daqueles valores por opção, ela quis casar-se. Saiu da vida religiosa, começou a percorrer caminhos numa vida de pecados, entregue à vaidade, à formosura e aos prazeres. Enfim, ia se esvaziando. Até que outra irmã sua veio a se casar. Sua reação não foi de alegria ou de festa, pelo contrário, com inveja e revolta ela resolveu entrar novamente na vida religiosa.

A consequência foi muito linda, porque ao entrar nesse segundo tempo, ela voltou como estava: vazia, empurrada por ela própria, pela revolta. Lá dentro, ela foi visitada por sofrimentos. Seu pai, que tanto ela amava e que lhe dava respaldo material, faleceu, foi assassinado. Ela pegou uma enfermidade que a levou à beira da morte. Naquele momento de dor, ela pôde rever a sua vida e perceber o quanto Deus a amava e o quanto ela não correspondia a esse amor.

Arrependeu-se, quis confessar-se e o sacerdote foi muito firme, inspirado naquele momento a dizer: “Eu só entro para o sacramento da reconciliação se sair, do quarto dela, tudo aquilo que está marcado pelo luxo e pela vaidade”. Até as suas vestes eram de seda, diferente das outras irmãs. Ela aceitou, pois já estava num processo de conversão. Arrependeu-se, confessou-se e, dentro do convento, começou a converter-se.

Jacinta Marescotti de tal forma empenhou-se na vida de oração, de pobreza, de castidade e vivência da regra que tornou-se, mais tarde, mestra de noviças e superiora do convento.

Deus faz maravilhas na vida de quem se deixa converter pelo Seu amor.

Santa Jacinta Marescotti, rogai por nós!

Meditação

- por Padre Alexandre Fernandes

Nada acontece em segredo… (Mc 4,21-25)

 

            Antigo samba-canção afirmava categoricamente: “segredo é pra quatro paredes” … Pois o Evangelho discorda…

 

            Jesus nos garante que mesmo aqueles crimes cometidos à socapa, por baixo do pano, furtivamente, mais cedo ou mais tarde acabarão revelados. O momento brasileiro, com uma enxurrada lamacenta de suborno e corrupção no noticiário, é a prova cabal de que as ações ocultas (ainda mais nestes tempos cibernéticos!) não hão de permanecer na sombra por muito tempo.

 

            Vale meditar sobre a insânia que cometemos quando pretendemos ocultar nosso íntimo diante do olhar divino. E não se trata de coisa nova, pois o Antigo Testamento já registrava esta tentativa de cegar o Criador: “Dizem os ímpios: ‘O Senhor não vê, o Deus de Jacó não repara’. Imbecis, quando criareis juízo? Quem plantou o ouvido não escuta? Quem fez o olho não enxerga?” (Sl 94,7-9)

 

            Creio que nossa dificuldade em procurar o ministro do perdão para o Sacramento da Reconciliação (a “confissão”) tem algo a ver com esta atitude interior. Ora, os pecados que confessamos já são muito bem conhecidos de Deus. Não levaremos nenhuma novidade ao confessionário, nenhum segredo…

 

            Mas o aspecto trágico dessa tentativa de fuga é de outra natureza: ao imitarmos o velho Adão, buscando ocultar-nos de Deus (cf. Gn 3,10), não percebemos que o olhar evitado é exatamente o olhar de um Pai amoroso, ansioso por nos perdoar? Não se trata de um juiz rancoroso, um regente vingativo, mas daquele que deseja nossa vida e salvação.

 

            Seria irracionalismo de nossa parte? Ou existe aí algo mais, de fundo espiritual? Não seria (creio que sim!) o próprio demônio que, depois de nos haver seduzido ao pecado, vem soprar aos nossos ouvidos uma imagem falsa de Deus, como se devêssemos manter distância para evitar punição e castigo?

 

            Ninguém, como Teresa de Lisieux, viu mais claro o lado misericordioso de nosso juiz: “Que doce alegria essa de pensar que Deus é justo, que leva em conta as nossas fraquezas, que conhece perfeitamente a fragilidade da nossa natureza. Portanto, de que eu teria medo? Ah! O Deus tão justo que se dignou perdoar com tanta bondade todas as faltas do filho pródigo, não deve ser justo também para comigo que estou sempre com ele?” (Man. A, 237)

 

            Sim, a justiça de Deus não significa a crua aplicação das leis divinas, mas a consideração da extrema fragilidade dos réus. Digo, dos filhos…

 

Orai sem cessar: “As veredas do Senhor são misericórdia e verdade!” (Sl 25,10)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

14º Domingo do Tempo Comum