30 de Setembro de 2019

26ª Semana Comum Segunda-feira

- por Padre Alexandre Fernandes

SEGUNDA FEIRA – SÃO JERÔNIMO PRESBÍTERO E DOUTOR

(branco, pref. comum ou dos pastores – ofício da memória)

 

Antífona da entrada

 

– Que as palavras da Escritura estejam sempre em teus lábios, para que, meditando-as dia e noite, te esforce para realizar tudo aquilo que ensinam, e terá sentido e valor a tua vida (Js 1,8).

 

Oração do dia

 

– Ó Deus, que destes ao presbítero são Jerônimo profundo amor pela Sagrada Escritura, concedei ao vosso povo alimentar-se cada vez mais da vossa palavra e nela encontrar a fonte da vida. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

1ª Leitura: Zc 8,1-8

 

– Leitura da profecia de Zacarias: 1A palavra do Senhor dos exércitos foi manifestada nos seguintes termos: 2”Isto diz o Senhor dos exércitos: Tomei-me de forte ciúme por Sião, consumo-me de zelo ciumento por ela. 3Isto diz o Senhor: Voltei a Sião e habitarei no meio de Jerusalém; Jerusalém será chamada Cidade Fiel, e o monte do Senhor dos exércitos, Monte Santo. 4Isto diz o Senhor dos exércitos: Velhos e velhas ainda se sentarão nas praças de Jerusalém, cada qual com seu bastão na mão, devido à idade avançada; 5as praças da cidade se encherão de meninos e meninas a brincar em suas praças. 6Isto diz o Senhor dos exércitos: Se tais cenas parecerem difíceis aos olhos do resto do povo, naqueles dias, acaso serão também difíceis aos meus olhos? — diz o Senhor dos exércitos. 7Isto diz o Senhor dos exércitos: Eis que eu vou salvar o meu povo da terra do oriente e da terra do pôr-do-sol; 8eu os conduzirei, e eles habitarão no meio de Jerusalém; serão meu povo e eu serei seu Deus, em verdade e com justiça”.

 

– Palavra do Senhor.

– Graças a Deus.

 

Salmo Responsorial: Sl 102,16-18.19-2129.22-23 (R: 17)

 

– O Senhor edificou Jerusalém e apareceu na sua glória!

R: O Senhor edificou Jerusalém e apareceu na sua glória!

 

– As nações respeitarão o vosso nome, e os reis de toda a terra, a vossa glória; quando o Senhor reconstruir Jerusalém e aparecer com gloriosa majestade, ele ouvirá a oração dos oprimidos e não desprezará a sua prece.

R: O Senhor edificou Jerusalém e apareceu na sua glória!

 

– Para as futuras gerações se escreva isto, e um povo novo a ser criado louve a Deus. Ele inclinou-se de seu templo nas alturas, e o Senhor olhou a terra do alto céu, para os gemidos dos cativos escutar e da morte libertar os condenados.

R: O Senhor edificou Jerusalém e apareceu na sua glória!

 

– Assim também a geração dos vossos servos terá casa e viverá em segurança, e ante vós se firmará sua descendência. Para que cantem o seu nome em Sião e louve ao Senhor Jerusalém, quando os povos e as nações se reunirem e todos os impérios o servirem.

R: O Senhor edificou Jerusalém e apareceu na sua glória!

 

Aclamação ao santo Evangelho

 

Aleluia, aleluia, aleluia.

Aleluia, aleluia, aleluia.

 

– Veio o Filho do homem, a fim de servir e dar sua vida em resgate por muitos (Mc 10,45).

 

Aleluia, aleluia, aleluia.

 

Evangelho de Jesus Cristo, segundo Lucas: Lc 9,46-50

 

– O Senhor esteja convosco.

– Ele está no meio de nós.

– Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo † segundo Lucas

– Glória a vós, Senhor!   

 

– Naquele tempo, 46houve entre os discípulos uma discussão, para saber qual deles seria o maior. 47Jesus sabia o que estavam pensando, pegou então uma criança, colocou-a junto de si 48e disse-lhes: “Quem receber esta criança em meu nome, estará recebendo a mim. E quem me receber, estará recebendo aquele que me enviou. Pois aquele que entre todos vós for o menor, este é que é o maior”. 49João disse a Jesus: “Mestre, vimos um homem que expulsa demônios em teu nome. Mas nós lho proibimos, porque não anda conosco”. 50Jesus disse-lhe: “Não o proibais, pois quem não está contra vós, está a vosso favor”.

 

– Palavra da salvação.

– Glória a vós, Senhor!   

São Jerônimo

- por Padre Alexandre Fernandes

São Jerônimo, declarado pela Igreja como o padroeiro de todos os que se dedicam ao estudo da Bíblia

Neste último dia do mês da Bíblia, celebramos a memória do grande “tradutor e exegeta das Sagradas Escrituras”: São Jerônimo, presbítero e doutor da Igreja. Ele nasceu na Dalmácia em 340, e ficou conhecido como escritor, filósofo, teólogo, retórico, gramático, dialético, historiador, exegeta e doutor da Igreja. É de São Jerônimo a célebre frase: “Ignorar as Escrituras é ignorar a Cristo”.

Com posse da herança dos pais, foi realizar sua vocação de ardoroso estudioso em Roma. Estando na “Cidade Eterna”, Jerônimo aproveitou para visitar as Catacumbas, onde contemplava as capelas e se esforçava para decifrar os escritos nos túmulos dos mártires. Nessa cidade, ele teve um sonho que foi determinante para sua conversão: neste sonho, ele se apresentava como cristão e era repreendido pelo próprio Cristo por estar faltando com a verdade (pois ainda não havia abraçado as Sagradas Escrituras, mas somente escritos pagãos). No fim da permanência em Roma, ele foi batizado.

Após isso, iniciou os estudos teológicos e decidiu lançar-se numa peregrinação à Terra Santa, mas uma prolongada doença obrigou-o a permanecer em Antioquia. Enfastiado do mundo e desejoso de quietude e penitência, retirou-se para o deserto de Cálcida, com o propósito de seguir na vida eremítica. Ordenado sacerdote em 379, retirou-se para estudar, a fim de responder com a ajuda da literatura às necessidades da época. Tendo estudado as línguas originais para melhor compreender as Escrituras, Jerônimo pôde, a pedido do Papa Dâmaso, traduzir com precisão a Bíblia para o latim (língua oficial da Igreja na época). Esta tradução recebeu o nome de Vulgata. Assim, com alegria, dedicação sem igual e prazer se empenhou para enriquecer a Igreja universal.

Saiu de Roma e foi viver definitivamente em Belém no ano de 386, onde permaneceu como monge penitente e estudioso, continuando as traduções bíblicas, até falecer em 420, aos 30 de setembro com, praticamente, 80 anos de idade. A Igreja declarou-o padroeiro de todos os que se dedicam ao estudo da Bíblia e fixou o “Dia da Bíblia” no mês do seu aniversário de morte, ou ainda, dia da posse da grande promessa bíblica: a Vida Eterna.

São Jerônimo, rogai por nós!

Meditação

- por Padre Alexandre Fernandes

Quem seria o maior? (Lc 9,46-50)

 

            Quando percebemos que Deus nos chama e nos cobre de graças, corremos o risco de nos sentirmos “especiais”, diferentes, melhores que o… resto. Afinal, fomos alvo de uma escolha de Deus!

 

            Estamos diante de um sério risco: aquele desejo natural, sempre fermentando em nosso íntimo, de ocupar o primeiro lugar e nos tornarmos o centro de atenções, aplausos e veneração. Muitos “servidores” de Deus foram abatidos por esse desejo.

 

            Como ensina Garrigou-Lagrange, “os adiantados, sem o perceberem, inflam-se de orgulho espiritual e de presunção e assim se afastam da simplicidade, da humildade e da pureza exigidas para a união íntima com Deus. ‘Eles até podem, diz São João da Cruz, endurecer-se com o tempo a tal ponto, que seu regresso à virtude simples e ao verdadeiro espírito de piedade é bastante duvidoso.’”

 

            Como recorda Helmut Gollwitzer, “o culto do eu é muito inerente à natureza humana para que os discípulos de Jesus fossem preservados dele”. Bem no fundo do homem, as sequelas do pecado original, aquele salto ilusório além dos próprios limites da criatura, seduzida com a promessa de “serem como deuses” (cf. Gn 3,5).

 

            Estrada a fora, os escolhidos de Jesus discutem a respeito do grau de destaque e de elevação que iriam merecer com a implantação do Reino. Tristes ministros! Mal sabiam que o Reino incluía a Paixão, e que o trono do Rei seria a Cruz…

 

            Por isso mesmo, Jesus de Nazaré se apressa a lhes apresentar um novo critério de avaliação das pessoas. Diante dele, diz Gollwitzer, todo poderio é quebrado. E Jesus se vale de uma imagem bem concreta para demonstrá-lo: abraça uma criança, isto é, um pequenino que os adultos não levam em conta, para acenar com o ideal dos que entram no Reino: nenhuma intenção, nenhuma preocupação com o destaque pessoal e nenhum valor próprio a ser destacado.

 

            “Ao receber essa criança em sua fraqueza, os discípulos cessam obrigatoriamente de pensar em si mesmos e em seus próprios interesses. Renunciam ao orgulho de sua dignidade e de sua conduta que envenenam a piedade farisaica, pois Deus irrompeu na vida deles. Toda noção de grandeza é aniquilada.”

 

            O verdadeiro seguidor de Jesus sabe de seus pecados. Reconhece o estado de miséria em que foi encontrado. Percebe que todo bem nele existente resulta dos próprios dons recebidos sem mérito algum de sua parte.

 

Orai sem cessar: “Eu me acalmo como criança desmamada no colo da mãe…” (Sl 131,2)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

18ª Semana do Tempo Comum