31 de Janeiro de 2019

3ª Semana do Tempo Comum - Quinta-feira

- por Padre Alexandre Fernandes

Antífona da entrada

 

– Deixai vir a mim os pequeninos e não impeçais, diz o Senhor. O reino do céu pertence aos que parecem com eles (Mc 10,14).

 

Oração do dia

 

– Ó Deus, que suscitastes são João Bosco para educador e pai dos adolescentes, fazei que, inflamados da mesma caridade, procuremos a salvação de nossos irmãos, colocando-nos inteiramente ao vosso serviço. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

1ª Leitura: Hb 10,19-25

– Leitura da carta aos Hebreus: 19Sendo assim, irmãos, temos plena liberdade para entrar no Santuário, pelo sangue de Jesus. 20Ele nos abriu um caminho novo e vivo, através da cortina, quer dizer, através da sua humanidade. 21Temos um grande sacerdote constituído sobre a casa de Deus. 22Aproximemo-nos, portanto, de coração sincero e cheio de fé, com coração purificado de toda má consciência e o corpo lavado com água pura.
23Sem desânimo, continuemos a afirmar a nossa esperança, porque é fiel quem fez a promessa. 24Sejamos atentos uns aos outros, para nos incentivar à caridade e às boas obras. 25Não abandonemos as nossas assembleias, como alguns costumam fazer. Antes, procuremos animar-nos mutuamente, e tanto mais quanto vedes o dia aproximar-se.

 

– Palavra do Senhor.

– Graças a Deus.

 

Salmo Responsorial: Sl 24,1-2.3-4AB.5-6 (R: 6)

 

– É assim a geração dos que buscam a vossa face, ó Senhor, Deus de Israel.
R: É assim a geração dos que buscam a vossa face, ó Senhor, Deus de Israel.

– Ao Senhor pertence a terra e o que ela encerra, o mundo inteiro com os seres que o povoam; porque ele a tornou firme sobre os mares, e sobre as águas a mantém inabalável.

R: É assim a geração dos que buscam a vossa face, ó Senhor, Deus de Israel.

– “Quem subirá até o monte do Senhor, quem ficará em sua santa habitação?” “Quem tem mãos puras e inocente coração, quem não dirige sua mente para o crime”.

R: É assim a geração dos que buscam a vossa face, ó Senhor, Deus de Israel.

– “Sobre este desce a bênção do Senhor e a recompensa de seu Deus e Salvador”. “É assim a geração dos que o procuram, e do Deus de Israel buscam a face.”

R: É assim a geração dos que buscam a vossa face, ó Senhor, Deus de Israel.

 

Aclamação ao santo Evangelho

 

 Aleluia, aleluia, aleluia.

Aleluia, aleluia, aleluia.

 

– Vossa palavra é uma luz para os meus passos e uma lâmpada luzente em meu caminho (Sl 118,105)..

 

Aleluia, aleluia, aleluia.

 

Evangelho de Jesus Cristo, segundo Marcos: Mc 4,21-25

 

– O Senhor esteja convosco.

– Ele está no meio de nós.

– Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo † segundo Marcos.

– Glória a vós, Senhor!
 

–  Naquele tempo, Jesus disse à multidão: 21“Quem é que traz uma lâmpada para colocá-la debaixo de um caixote, ou debaixo da cama? Ao contrário, não a põe num candeeiro? 22Assim, tudo o que está escondido deverá tornar-se manifesto, e tudo o que está em segredo deverá ser descoberto. 23Se alguém tem ouvidos para ouvir, ouça”. 24Jesus dizia ainda: “Prestai atenção no que ouvis: com a mesma medida com que medirdes, também vós sereis medidos; e vos será dado ainda mais. 25Ao que tem alguma coisa, será dado ainda mais; do que não tem, será tirado até mesmo o que ele tem”.

 

– Palavra da salvação.

– Glória a vós, Senhor!
 

São João Bosco

- por Padre Alexandre Fernandes

Dom Bosco, criador dos oratórios; catequeses e orientações profissionais, era exemplo para os jovens

Nasceu perto de Turim, na Itália, em 1815. Muito cedo conheceu o que significava a palavra sofrimento, pois perdeu o pai tendo apenas 2 anos. Sofreu incompreensões por causa de um irmão muito violento que teve. Dom Bosco quis ser sacerdote, mas sua mãe o alertava: “Se você quer ser padre para ser rico, eu não vou visitá-lo, porque nasci na pobreza e quero morrer nela”.

Logo, Dom Bosco foi crescendo diante do testemunho de sua mãe Margarida, uma mulher de oração e discernimento. Ele teve que sair muito cedo de casa, mas aquele seu desejo de ser padre o acompanhou. Com 26 anos de idade, ele recebeu a graça da ordenação sacerdotal. Um homem carismático, Dom Bosco sofreu. Desde cedo, ele foi visitado por sonhos proféticos que só vieram a se realizar ao longo dos anos. Um homem sensível, de caridade com os jovens, se fez tudo para todos. Dom Bosco foi ao encontro da necessidade e da realidade daqueles jovens que não tinham onde viver, necessitavam de uma nova evangelização, de acolhimento. Um sacerdote corajoso, mas muito incompreendido. Foi chamado de louco por muitos devido à sua ousadia e à sua docilidade ao Divino Espírito Santo.

Dom Bosco, criador dos oratórios; catequeses e orientações profissionais foram surgindo para os jovens. Enfim, Dom Bosco era um homem voltado para o céu e, por isso, enraizado com o sofrimento humano, especialmente, dos jovens. Grande devoto da Santíssima Virgem Auxiliadora, foi um homem de trabalho e oração. Exemplo para os jovens, foi pai e mestre, como encontramos citado na liturgia de hoje. São João Bosco foi modelo, mas também soube observar tantos outros exemplos. Fundou a Congregação dos Salesianos dedicada à proteção de São Francisco de Sales, que foi o santo da mansidão. Isso que Dom Bosco foi também para aqueles jovens e para muitos, inclusive aqueles que não o compreendiam.

Para a Canção Nova, para a Igreja e para todos nós, é um grande intercessor, porque viveu a intimidade com Nosso Senhor. Homem orante, de um trabalho santificado, em tudo viveu a inspiração de Deus. Deixou uma grande família, um grande exemplo de como viver na graça, fiel a Nosso Senhor Jesus Cristo.

Em 31 de janeiro de 1888, tendo se desgastado por amor a Deus e pela salvação das almas, ele partiu. Mas está conosco no seu testemunho e na sua intercessão.

São João Bosco, rogai por nós!

FONTE: Canção Nova 

Meditação

- por Padre Alexandre Fernandes

Não há nada oculto… (Mc 4,21-25)

 

            Sim, nada permanece oculto aos olhos de Deus, que tudo vê. O estulto tenta enganar-se: “O Deus de Jacó nada sabe!” (Sl 94,7.) O sábio reconhece em seu íntimo o olhar de Deus: “Senhor, te me perscrutas e me conheces… Uma palavra ainda não aflorou em minha língua, / e tu já a conheces.” (Sl 139,1.4.)

 

            Viver sob o olhar de Deus é viver na verdade. O outro caminho é uma vida de mentiras e ilusões. Um faz-de-conta que sempre acaba mal.

 

            Mas a frase de Jesus – “Nada há de oculto que não venha a ser descoberto” – não se refere apenas ao olhar de Deus. Inclui também os olhos humanos. Exatamente nestes dias, uma enxurrada de denúncias e revelações deu origem às CPIs que levaram à sarjeta tantas reputações e carreiras políticas.

 

            É claro que, quando tais ilícitos foram cometidos, seus agentes contavam com a proteção do silêncio, dos biombos do poder, das muralhas do sistema. No entanto, um fato aparentemente ocasional (um vídeo gravado!) deflagrou todo o processo de re-velação, que ainda não chegou a seu desfecho nesta data em que estou escrevendo.

 

            Aquele que optou pela mentira carrega um fardo permanente que vai corroendo a sua alma. Realiza um superesforço para manter na sombra aqueles crimes e pecados que, uma vez expostos à luz, poderiam destruir sua família, sua carreira, sua reputação. Independentemente de tais desastres, a própria consciência dói, reclama, acusa, condena. Os profissionais da área psicológica sabem muito bem que não existe nada mais destrutivo para o psiquismo humano que o sentimento de culpa. Um romance como “Crime e Castigo”, de Dostoiévski, retrata de modo magistral essa terrível experiência.

 

            Como o Senhor nos ama e quer a nossa salvação, deixou nas mãos da Igreja um precioso dom: o sacramento da Reconciliação, conhecido como “confissão”. Ali, o pecador tem a oportunidade de manifestar seu arrependimento e contrição. Acusando-se de seu pecado, trazendo à luz o que ocultara nas sombras, abandona-se à misericórdia do Pai e recebe das mãos do ministro ordenado o perdão radical que brota do lado aberto de Cristo. Ao se erguer, vê-se livre do fardo que arrastava, do verme que o corroía, da opressão que o dominava.

 

Já não precisa esperar pelo Juízo Final para ver seu crime exposto aos olhos de todos. Já pode olhar de novo para o alto e dizer baixinho: “Meu Pai!”

 

Orai sem cessar: “Lava-me, e serei mais branco do que a neve!” (Sl 51,9)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

14º Domingo do Tempo Comum