31 de Janeiro de 2020

4a Semana Comum Segunda-feira

- por Padre Alexandre Fernandes

SEGUNDA FEIRA DA IV SEMANA DO TEMPO COMUM
(cor verde, oficio do dia)

 

Antífona da entrada

 

– Salvai-nos, Senhor nosso Deus, reuni vossos filhos dispersos pelo mundo, para que celebremos o vosso santo nome e nos gloriemos em vosso louvor (Sl 105, 47)

 

Oração do dia

 

– Concedei-nos, Senhor nosso Deus, adorar-vos de todo coração e amar todas as pessoas com verdadeira caridade. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

1ª Leitura: 2Sm 15,13-14.30; 16,5-13

– Leitura do segundo livro de Samuel: Naqueles dias, 13um mensageiro veio dizer a Davi: “As simpatias de todo o Israel estão com Absalão”. 14Davi disse aos servos que estavam com ele em Jerusalém: “Depressa, fujamos, porque, de outro modo, não podemos escapar de Absalão! Apressai-vos em partir, para que não aconteça que ele, chegando, nos apanhe, traga sobre nós a ruína, e passe a cidade ao fio da espada”. 30Davi caminhava chorando, enquanto subia o monte das Oliveiras, com a cabeça coberta e os pés descalços. E todo o povo que o acompanhava subia também chorando, com a cabeça coberta.
16,5Quando o rei chegou a Baurim, saiu de lá um homem da parentela de Saul, chamado Semei, filho de Gera, que ia proferindo maldições enquanto andava. 6Atirava pedras contra Davi e contra todos os servos do rei, embora toda a tropa e todos os homens de elite seguissem agrupados à direita e à esquerda do rei Davi. 7Semei amaldiçoava-o, dizendo: “Vai-te embora! Vai-te embora, homem sanguinário e criminoso! 8O Senhor fez cair sobre ti todo o sangue da casa de Saul, cujo trono usurpaste, e entregou o trono a teu filho Absalão. Tu estás entregue à tua própria maldade, porque és um homem sanguinário”.
9Então Abisai, filho de Sarvia, disse ao rei: “Por que há de este cão morto continuar amaldiçoando o senhor, meu rei? Deixa-me passar para lhe cortar a cabeça”. 10Mas o rei respondeu: “Não te intrometas, filho de Sarvia! Se ele amaldiçoa e se o Senhor o mandou maldizer a Davi, quem poderia dizer-lhe: ‘Por que fazes isto?’”. 11E Davi disse a Abisai e a todos os seus servos: “Vede: Se meu filho, que saiu das minhas entranhas, atenta contra a minha vida, com mais razão esse filho de Benjamim. Deixai-o amaldiçoar, conforme a permissão do Senhor. 12Talvez o Senhor leve em conta a minha miséria, restituindo-me a ventura em lugar da maldição de hoje”. 13aE Davi e seus homens seguiram adiante.

 

– Palavra do Senhor.

– Graças a Deus.

 

Salmo Responsorial: Sl 3,2-3.4-5.6-7 (R: 7b)

 

– Levantai-vos, ó Senhor, vinde salvar-me!
R: Levantai-vos, ó Senhor, vinde salvar-me!

– Quão numerosos, ó Senhor, os que me atacam; quanta gente se levanta contra mim! Muitos dizem, comentando a meu respeito: “Ele não acha a salvação junto de Deus!”

R: Levantai-vos, ó Senhor, vinde salvar-me!

– Mas sois vós o meu escudo protetor, a minha glória que levanta minha cabeça! Quando eu chamei em alta voz pelo Senhor, do Monte santo ele me ouviu e respondeu.

R: Levantai-vos, ó Senhor, vinde salvar-me!

– Eu me deito e adormeço bem tranquilo; acordo em paz, pois o Senhor é meu sustento. Não terei medo de milhares que me cerquem e furiosos se levantem contra mim. Levantai-vos, ó Senhor, vinde salvar-me!

R: Levantai-vos, ó Senhor, vinde salvar-me!
 

Aclamação ao santo Evangelho.

 

Aleluia, aleluia, aleluia.

Aleluia, aleluia, aleluia.

 

– Um grande profeta surgiu entre nós e Deus visitou o seu povo, aleluia

(Lc 7,16)

 

Aleluia, aleluia, aleluia.

 

Evangelho de Jesus Cristo, segundo Marcos: Mc 5,1-20

– O Senhor esteja convosco.

– Ele está no meio de nós.

– Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo † segundo Marcos.

– Glória a vós, Senhor!

 

– Naquele tempo, 1Jesus e seus discípulos chegaram à outra margem do mar, na região dos gerasenos. 2Logo que saiu da barca, um homem possuído por um espírito impuro, saindo de um cemitério, foi a seu encontro. 3Esse homem morava no meio dos túmulos e ninguém conseguia amarrá-lo, nem mesmo com correntes. 4Muitas vezes tinha sido amarrado com algemas e correntes, mas ele arrebentava as correntes e quebrava as algemas. E ninguém era capaz de dominá-lo. 5Dia e noite ele vagava entre os túmulos e pelos montes, gritando e ferindo-se com pedras. 6Vendo Jesus de longe, o endemoninhado correu, caiu de joelhos diante dele 7e gritou bem alto: “Que tens a ver comigo, Jesus, Filho do Deus altíssimo? Eu te conjuro por Deus, não me atormentes! 8Com efeito, Jesus lhe dizia: “Espírito impuro, sai desse homem!” 9Então Jesus perguntou: “Qual é o teu nome?” O homem respondeu: “Meu nome é ‘Legião’, porque somos muitos”. 10E pedia com insistência para que Jesus não o expulsasse da região. 11Havia aí perto uma grande manada de porcos, pastando na montanha. 12O espírito impuro suplicou, então: “Manda-nos para os porcos, para que entremos neles”. 13Jesus permitiu. Os espíritos impuros saíram do homem e entraram nos porcos. E toda a manada — mais ou menos uns dois mil porcos — atirou-se monte abaixo para dentro do mar, onde se afogou. 14Os homens que guardavam os porcos saíram correndo e espalharam a notícia na cidade e nos campos. E as pessoas foram ver o que havia acontecido. 15Elas foram até Jesus e viram o endemoninhado sentado, vestido e no seu perfeito juízo, aquele mesmo que antes estava possuído por Legião. E ficaram com medo. 16Os que tinham presenciado o fato explicaram-lhes o que havia acontecido com o endemoninhado e com os porcos. 17Então começaram a pedir que Jesus fosse embora da região deles. 18Enquanto Jesus entrava de novo na barca, o homem que tinha sido endemoninhado pediu-lhe que o deixasse ficar com ele. 19Jesus, porém, não permitiu. Entretanto, lhe disse: “Vai para casa, para junto dos teus e anuncia-lhes tudo o que o Senhor, em sua misericórdia, fez por ti”. 20E o homem foi embora e começou a pregar na Decápole tudo o que Jesus tinha feito por ele. E todos ficavam admirados.

 

– Palavra da salvação.

– Glória a vós, Senhor!

São Brás

- por Padre Alexandre Fernandes

O santo de hoje nasceu na cidade de Sebaste, Armênia, no final do século III. São Brás, primeiramente, foi médico, mas entrou numa crise, não profissional, pois era bom médico e prestava um ótimo serviço à sociedade. Mas nenhuma profissão, por melhor que seja, consegue ocupar aquele lugar que é somente de Deus. Então, providencialmente, porque ele ia se abrindo e buscando a Deus, foi evangelizado. Não se sabe se já era batizado ou pediu a graça do Santo Batismo, mas a sua vida sofreu uma guinada. Esta mudança não foi somente no âmbito da religião, sua busca por Nosso Senhor Jesus Cristo estava ligada ao seu profissional e muitas pessoas começaram a ser evangelizadas através da busca de santidade daquele médico.

Numa outra etapa de sua vida, ele discerniu que precisava se retirar. Para ele, o retiro era permanecer no Monte Argeu, na penitência, na oração, na intercessão para que muitos encontrassem a verdadeira felicidade como ele a encontrou em Cristo e na Igreja. Mas, na verdade, o Senhor o estava preparando, porque, ao falecer o bispo de Sebaste, o povo, conhecendo a fama do santo eremita, foi buscá-lo para ser pastor. Ele, que vivia naquela constante renúncia, aceitou ser ordenado padre e depois bispo; não por gosto dele, mas por obediência.

Sucessor dos apóstolos e fiel à Igreja, era um homem corajoso, de oração e pastor das almas, pois cuidava dos fiéis na sua totalidade. Evangelizava com o seu testemunho.

São Brás viveu num tempo em que a Igreja foi duramente perseguida pelo imperador do Oriente, Licínio, que era cunhado do imperador do Ocidente, Constantino. Por motivos políticos e por ódio, Licínio começou a perseguir os cristãos, porque sabia que Constantino era a favor do Cristianismo. O prefeito de Sebaste, dentro deste contexto e querendo agradar ao imperador, por saber da fama de santidade do bispo São Brás, enviou os soldados para o Monte Argeu, lugar que esse grande santo fez sua casa episcopal. Dali, ele governava a Igreja, embora não ficasse apenas naquele local.

São Brás foi preso e sofreu muitas chantagens para que renunciasse à fé. Mas por amor a Cristo e à Igreja, preferiu renunciar à própria vida. Em 316, foi degolado.

Conta a história que, ao se dirigir para o martírio, uma mãe apresentou-lhe uma criança de colo que estava morrendo engasgada por causa de uma espinha de peixe na garganta. Ele parou, olhou para o céu, orou e Nosso Senhor curou aquela criança.

Peçamos a intercessão do santo de hoje para que a nossa mente, a nossa garganta, o nosso coração, nossa vocação e a nossa profissão possam comunicar esse Deus, que é amor.

São Brás, rogai por nós!

Meditação

- por Padre Alexandre Fernandes

Manda-nos para os porcos! (Mc 5,1-20)

 

            Este foi o pedido que os demônios fizeram a Jesus, ao perceberem que seriam expulsos do infeliz possesso que morava entre os túmulos. Toda vez que comento este Evangelho, sou tentado a ironizar aqueles sábios teólogos que traduzem como simples epilepsia os casos de possessão citados na vida de Jesus. É que, se assim fosse, estaríamos diante de uma desconhecida epilepsia suína (sic), pois os demônios logo foram transferidos para o rebanho de porcos, que se projetou no abismo do mar. Desta vez, porém, não serei cáustico…

 

            A lição evidente nesta cena do Evangelho é a extrema dependência que os demônios experimentam em relação a Deus. Eles até precisam de uma “autorização” para mudarem de pousio. Atanásio de Alexandria [295-374 d.C.] ensina que “o diabo não tem autoridade nem mesmo sobre os porcos, pois os demônios suplicaram ao Senhor, dizendo: ‘permita que entremos nos porcos’. Se eles não têm autoridade nem mesmo sobre os porcos, com muita mais razão não a terão contra o homem”.

 

            Para o mestre espiritual dos primeiros séculos, nós não devemos temer as sugestões do maligno, pois as orações, os jejuns e a fé no Senhor logo os lançam por terra. Vencidos, eles não desanimam, retornam sempre com trapaças e confusões. Mesmo assim, não devemos temê-los, pois “foram reduzidos a escorpiões e serpentes para que nós, cristãos, os calquemos a nossos pés”.

 

            Nós não somos porcos – animais que o povo da Bíblia considerava como o símbolo máximo de impureza. O coração do homem não foi criado para ser a pousada de maus espíritos. O coração do batizado é um templo onde habita o Espírito Santo. Somente o próprio fiel, santificado pelo Batismo, pode abrir suas portas para eventual invasão dos demônios.

 

            Daí a lição de Atanásio: “Assim sendo, é somente a Deus que devemos temer; aos demônios, é preciso desprezar. Eles fazem tudo para não serem calcados a nossos pés. Eles conhecem, de fato, a graça que o Salvador concedeu contra eles aos fiéis, quando ele disse: ‘Eis que vos dei o poder de calcar aos pés serpentes, escorpiões e toda potência do inimigo’”. (Lc 10,19)

 

            A pedagogia cristã – a começar pelos pais – deveria insistir mais na habitação divina em cada batizado. As crianças, desde a idade da razão, deveriam ser despertadas para a presença íntima do Espírito Santo em seu coração. E não haveria mais possessos entre nós…

 

Orai sem cessar: “Não sabeis que sois o templo de Deus?” (1Cor 3,16)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

 

29ª Semana do Tempo Comum

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