31 de Março de 2021

Semana Santa Quarta-feira

- por Pe. Alexandre

 QUARTA FEIRA DA SEMANA SANTA
(roxo, pref. da paixão II – ofício próprio)

 

Antífona da entrada

– Ao nome de Jesus todo joelho se dobre no céu, na terra e na mansão dos mortos, pois o Senhor se fez obediente até a morte e morte de cruz. E por isso Jesus Cristo é Senhor na glória de Deus Pai (Fl 2,10.8.11).

 

Oração do dia

– Ó Deus, que fizestes vosso Filho padecer o suplício da cruz para arrancar-nos à escravidão do pecado, concedei aos vossos servos e servas a graça da ressurreição. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

1ª Leitura: Is 50, 4-9

– Leitura do livro do profeta Isaías – 4O Senhor Deus deu-me língua adestrada, para que eu saiba dizer palavras de conforto à pessoa abatida; ele me desperta cada manhã e me excita o ouvido, para prestar atenção como um discípulo.

5O Senhor abriu-me os ouvidos; não lhe resisti nem voltei atrás. 6Ofereci as costas para me baterem e as faces para me arrancarem a barba: não desviei o rosto de bofetões e cusparadas. 7Mas o Senhor Deus é o meu Auxiliador, por isso não me deixei abater o ânimo, conservei o rosto impassível como pedra, porque sei que não sairei humilhado. 8A meu lado está quem me justifica; alguém me fará objeções? Vejamos. Quem é meu adversário? Aproxime-se. 9aSim, o Senhor Deus é meu Auxiliador; quem é que me vai condenar?

 

– Palavra do Senhor.

– Graças a Deus.

 

Salmo Responsorial: Sl 69, 8-10.21bcd-22.31.33-34 (R=14ab)

 

– Respondei-me pelo vosso imenso amor, neste tempo favorável, Senhor Deus.

R: Respondei-me pelo vosso imenso amor, neste tempo favorável, Senhor Deus.

 

– Por vossa causa é que sofri tantos insultos, e o meu rosto se cobriu de confusão; eu me tornei como um estranho a meus irmãos, como estrangeiro para os filhos de minha mãe. Pois meu zelo e meu amor por vossa casa me devoram com fogo abrasador: e os insultos de infiéis que vos ultrajam recaíram todos eles sobre mim!

R: Respondei-me pelo vosso imenso amor, neste tempo favorável, Senhor Deus.

 

– O insulto me partiu o coração. Eu esperei que alguém, de mim tivesse pena; procurei quem me aliviasse e não achei! Deram-me fel como se fosse um alimento, em minha sede ofereceram-me vinagre!

R: Respondei-me pelo vosso imenso amor, neste tempo favorável, Senhor Deus.

 

– Cantando eu louvarei o vosso nome e agradecido exultarei de alegria! Humildes, vede isto e alegrai-vos: o vosso coração reviverá, se procurardes o Senhor continuamente! Pois nosso Deus atende à prece dos seus pobres, e não despreza o clamor de seus cativos.

R: Respondei-me pelo vosso imenso amor, neste tempo favorável, Senhor Deus.

 

Evangelho de Jesus Cristo, segundo Mateus: Mt 26, 14-25

 

Salve, Cristo, luz da vida, companheiro na partilha!

Salve, Cristo, luz da vida, companheiro na partilha!

 

– Salve, nosso rei, somente vós tendes compaixão dos nossos erros.

 

Salve, Cristo, luz da vida, companheiro na partilha!

 

– O Senhor esteja convosco.

– Ele está no meio de nós.

– Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo † segundo Mateus.

– Glória a vós, Senhor!

 

– Naquele tempo, 14um dos doze discípulos, chamado Judas Iscariotes, foi ter com os sumos sacerdotes 15e disse: “O que me dareis se vos entregar Jesus?” Combinaram, então, trinta moedas de prata. 16E daí em diante, Judas procurava uma oportunidade para entregar Jesus. 17No primeiro dia da festa dos Ázimos, os discípulos aproximaram-se de Jesus e perguntaram: “Onde queres que façamos os preparativos para comer a Páscoa?” 18Jesus respondeu: “Ide à cidade, procurai certo homem e dizei-lhe: ‘O Mestre manda dizer: o meu tempo está próximo, vou celebrar a Páscoa em tua casa, junto com meus discípulos’”. 19Os discípulos fizeram como Jesus mandou e prepararam a Páscoa. 20Ao cair da tarde, Jesus pôs-se à mesa com os doze discípulos. 21Enquanto comiam, Jesus disse: “Em verdade eu vos digo, um de vós vai me trair”. 22Eles ficaram muito tristes e, um por um, começaram a lhe perguntar: “Senhor, será que sou eu?” 23Jesus respondeu: “Quem vai me trair é aquele que comigo põe a mão no prato. 24O Filho do Homem vai morrer, conforme diz a Escritura a respeito dele. Contudo, ai daquele que trair o Filho do Homem! Seria melhor que nunca tivesse nascido!” 25Então Judas, o traidor, perguntou: “Mestre, serei eu?” Jesus lhe respondeu: “Tu o dizes”.

– Palavra da salvação.

– Glória a vós, Senhor!

 

São Benjamim

- por Pe. Alexandre

Nasceu no ano de 394 na Pérsia e, ao ser evangelizado, começou a participar da Igreja ao ponto de descobrir sua vocação ao diaconato.

Serviu a Palavra e aos irmãos na caridade, chamando a atenção de muitos para Cristo.

Chegou a ser preso por um ano, sofrendo, e se renunciasse ao nome de Jesus, seria solto. Porém, mesmo na dor, na solidão e na injustiça, ele uniu-se ainda mais ao Cristo crucificado.

Foi solto com a ordem de não falar mais de Jesus para ninguém, o que era impossível, pois sua vida e seu serviço evangelizavam.

Benjamim foi canal para que muitos cegos voltassem a ver, muitos leprosos fossem curados e assim muitos corações duvidosos se abriram a Deus.

Foi novamente preso, levado a público e torturado para que renunciasse à fé. Perguntou então ao rei, se gostaria que algum de seus súditos fosse desleal a ele. Obviamente que o rei disse que não. E assim o diácono disse que assim também ele, não poderia renunciar à sua fé, a seu Rei, Jesus Cristo.

E por não renunciar a Jesus, foi martirizado. Isso no ano de 422.

São Benjamim, rogai por nós!

Meditação

- por Pe. Alexandre

Vou celebrar a ceia em tua casa… (Mt 26,14-25)

 

Deixemos de lado o filho da perdição e prestemos atenção à presença do Senhor em nossa mesa, celebrando conosco a ceia pascal. A narração é de Lev Gillet:

 

“Jesus e os Doze estão presentes na aliya, o quarto de cima, em torno da mesma mesa”. Prolonga-se este crepúsculo de março ou abril. Lâmpadas rituais foram acesas. O sol desapareceu, mas, lá fora, sobre as colinas, sobre os campos, ainda se espalham rastilhos de suave luz. Mas a noite cai e, quando um dos Doze sai, ela já veio.

 

A ceia pascal chega ao fim. Foram cumpridos os ritos prescritos. As conversas se amortecem e param. Aqui e ali, algumas palavras ditas a meia voz ainda se fazem ouvir. Depois, o silêncio. A voz do Mestre se eleva. Ele pronuncia palavras que ninguém pudera prever, que jamais tinham sido ouvidas. Ao refazer, com um pouco de pão e uma taça de vinho, certos gestos simples de todos os dias, ele lhes comunica uma significação nova. Fala de seu corpo dado e de seu sangue derramado para a remissão dos pecados.

O Mestre ergueu os olhos para o Pai, enquanto suas mãos se elevam um pouco, também elas, e depois se estendem com recolhimento, contidas, para os elementos da oblação, num gesto que sobriamente aponta e abençoa.

E agora o Mestre abaixa os olhos semicerrados para a mesa e os apóstolos. Ele depôs suas duas mãos sobre a mesa. É o dorso das mãos que repousa, estende-se sobre a madeira. O interior das mãos está aberto, apresentado aos apóstolos. Assim, as mãos estão estendidas para eles. É um gesto de generosidade, um gesto de convite.

A expressão do olhar do Mestre corresponde ao gesto. O olhar, os lábios (cujos cantos não estão sem tristeza), a cabeça ligeiramente inclinada, tudo no Senhor contribuiu, de modo indizível, para exprimir o apagamento, o abandono, a oferenda. O Salvador doa. Ele se doa. Todo inteiro, ele é dom.

O Mestre se levanta. E eis que, tendo nas mãos o prato e a taça, ele se aproxima de cada um dos discípulos, um após o outro: ‘Tomai…’ (Mt 26,26) A cada um ele pronuncia em voz baixa uma frase que os outros não podem ouvir, e só é compreendida por aquele a quem é dita.

Eu estou lá, também eu. Vejo-me presente entre os discípulos. Irei tomar o que me é oferecido? Terei eu esta presunção? Que palavra secreta o Mestre me dirá? Hesito, e depois eu me decido. Avanço um pouco e espero.

O Mestre se aproxima de mim. Ergue os olhos. Envolve-me com apenas um olhar rápido. De novo ele abaixa os olhos. “Estende-me os dons que ele oferece a todos e, quando eu os tomo, ele me diz como em um murmúrio: ‘Se alguém quer vir após mim, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me’.”

29ª Semana do Tempo Comum

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