Homilia dominical – 3º Domingo da Quaresma

Homilia dominical – 3º Domingo da Quaresma

Neste terceiro domingo da quaresma lemos o encontro de Jesus com a samaritana. Apesar de judeu, o samaritano era considerado impuro porque na Samaria eles tinham adorado outros ídolos. Havia grande animosidade entre judeus e samaritanos. Mas não é por acaso que Jesus passa na Samaria indo em direção à Galiléia. E para no poço que Jacó dera a seu filho José. O poço tem muitos simbolismos, um deles o da sabedoria (“Aquela pessoa é um poço de sabedoria”). O poço é também a imagem da Torá, a lei dada por Moisés.
Jesus conversa com um habitante da Samaria e ainda por cima uma mulher, quando, na época, um homem não podia conversar com uma mulher sozinha, longe do marido. A mulher vai ao poço ao meio-dia, hora do calor e de pouco movimento. Ninguém quer andar com uma pessoa de má reputação, então a própria samaritana se isola. Jesus conversa com ela na linguagem dela e assim se faz necessitar dela, como tantas vezes também se faz necessitar de nós. Jesus tem sede de nós, quer nossa presença. “Dá-me de beber” – pede. Há momentos em que Deus nos fala dos desejos que Ele pode saciar na nossa vida. Mas nós pensamos é nos bens materiais, imediatos, rápidos. Deus já fez muito em nosso casamento, mas queremos um pouco mais, mais um carro, mais um bem. Jesus nunca vai fazer o que nós próprios precisamos fazer, mas Ele quer saciar a nossa sede dos milhares de desejos que povoam nossa história.
Na conversa, os dois falam do poço fundo, da falta de balde, de nunca mais ter sede, até que Jesus toca em mais um desejo dela, o desejo de afeto, sabendo que ela está destruída pelos muitos relacionamentos que teve. Era a hora de Jesus entrar nos afetos daquela mulher, que tinha um amor carente, cheio de necessidades. Ninguém pode nos tirar o desejo de Deus, capaz de satisfazer nosso verdadeiro desejo de eternidade. Às vezes achamos que saciando nossos desejos materiais e afetivos seremos felizes. Mas apenas Cristo sacia nosso desejo dos céus. Agora a samaritana não se sente mais excluída, não está mais só. Vai à cidade e conta a todos que encontrou o Messias. Só Jesus dá a água que pode saciar nossa sede de vida eterna.