Missão de mãe: criar os filhos para o céu

Missão de mãe: criar os filhos para o céu

Palestra – padre Alexandre Fernandes no Encontro Estadual de Sergipe – Mães que oram pelos filhos – 23/2

É na família que Deus permite que grandes obras sejam realizadas. É na família que o caráter é formado, é pela família que vem o modo de nos comportarmos. Família é um dos recursos dos dons de Deus. Certa vez uma criança perguntou ao papa Francisco o que Deus fazia antes da criação. E o Papa respondeu: “Amava, amava, amava”. Pois eu digo às mães: “Se um filho perguntar o que você fazia antes dele nascer, responda também: “Amava, amava, amava”. Para que ele saiba que primeiro é fruto do amor de Deus, e depois, que foi amado, desejado. É um filho querido.
Levar os filhos para serem batizados não é um ato social, mas, como diz Santo Agostinho, “é preparar o quarto de nossos filhos para Deus”. É fazer com que os filhos vivam a experiência da presença do Espírito Santo, que traz a fé, a esperança e a caridade. É importante levar os filhos, desde pequenos, à igreja, acostumá-los a mandar um beijo para Deus, um beijo para Nossa Senhora. Devemos guiá-los pelos caminhos cristãos para que possam ir crescendo de graça em graça, de fé em fé, para que se tornem seres humanos plenos.

Elencamos aqui alguns princípios importantes que devem orientar as famílias:

1º – Vínculo – O vínculo é sagrado. Por exemplo, o vínculo com o filho, para que ele cresça com o sentimento de pertença, com a certeza de que faz parte de uma família. E o vínculo com os pais, os irmãos. Porque os filhos vão perceber se os pais estão próximos ou não de seus pais, de seus parentes. Podemos até brigar com um ou outro, mas não podemos aceitar a divisão na família. Se o vínculo familiar for rompido precisa ser restabelecido. Pelo vínculo você instrui seu filho a dar valor à família. Todos os seus vínculos estão sedimentados?

2º – Hierarquia – Existe uma hierarquia até para amar. Segundo São Tomás de Aquino são três níveis: Primeiro o amor a Deus, o maior dos mandamentos. Segundo o amor a si mesmo. Quem não se ama não é capaz de amar o outro na medida certa, pode viver um amor carência, um amor dependente, um amor cheio de necessidades. Precisamos fazer a viagem do nosso lado externo para o interno, para conhecermos bem o nosso interior. Terceiro é o amor pelo outro. Aí devemos amar os filhos da maneira certa, o filho deve saber que pai e mãe têm uma missão. E esta missão é conduzir os filhos, não controlá-los. Faz parte do amor treinar os filhos para atos de civilidade, como respeitar os mais velhos. Os pais não podem permitir que o mal perpetue na vida dos filhos, pois o bem é o que importa. São Paulo disse: “Filhos, obedeceis vossos pais; pais, não entristeçais vossos filhos”. A vida em família tem mão dupla – uns para os outros.Nessa convivência, três palavras são fundamentais: a primeira é “posso”. Posso fazer parte da sua vida, posso fazer parte da sua história? Posso fazer isso? Posso fazer aquilo? A segunda palavra é “obrigado”. Como é importante ensinar ao filho, desde pequeno, o sentimento da gratidão Obrigado porque estamos aqui. Obrigado porque você é meu pai, obrigado por ser minha filha. E quando a gente diz “obrigado” é sempre acompanhado de um sorriso, não é mesmo? A terceira palavra é “perdão”. Ensinar a pedir perdão – nós e nossos filhos. Quando um pai reconhece que errou passa valores para os filhos. E o filho vai se acostumar a pedir perdão aos colegas, a quem ele magoou. Quantas famílias já vi que se tornaram inimigas por causa de brigas entre crianças de três anos. Porque ninguém foi capaz de pedir perdão, ninguém soube perdoar. São problemas do coração arrogante, da pessoa que não aceita correção.

3º – Já falamos de vínculo e hierarquia. Agora vamos tratar do equilíbrio de dar e receber. Os pais acham que não podem frustrar seus filhos, mas a vida vai frustrar. Precisamos aprender a impor limites. Se o filho aprender a só receber ele não vai saber dar. Uma criança numa loja de brinquedos quer todos os brinquedos, como um adolescente na loja da Apple vai querer todas as novidades. Os pais precisam saber o momento certo de realizar os desejos dos filhos. Porque os filhos são pessoas com desejos, como todos nós. Vocês mães, reunidas aqui, não chegaram até aqui movidas pelo desejo? O desejo de participar do evento, de orar em conjunto pelos filhos, de ouvir as palavras. Os pais precisam prestar atenção nos desejos que estão povoando a alma de seus filhos. Acostume-se você também a anotar seus desejos. Porque os desejos têm sonhos.
Não podemos terceirizar a missão de pais. O que os filhos estão querendo, com quem estão andando, que mundos estão navegando? Quando os filhos começam a sair à noite, devemos nos acostumar a pedir que eles nos procurem para dar boa-noite ao chegar em casa para ver que cheiros trazem da rua. O pastor conhece o cheiro de cada ovelha, e os pais são pastores. Toda família tem um cheiro e às vezes nossos filhos estão perdendo o cheiro da família.
Vida de mãe exige sacrifício, mas o sacrifício é um “santo ofício”. O sacrifício de Jesus nos trouxe a alegria da vida eterna.O sacrifício da mãe traz a alegria do filho à vida. Mãe faz carinho, ganha abraço e não se esquece que o adolescente também gosta de um beijo de boa noite. Quando moldamos o caráter, vamos criando nos filhos os hábitos. E a virtude somente é estabelecida pela prática dos hábitos, não existe virtude sem o treinamento dos hábitos.
Mãe, a vida em torno de você pode ser transformada. A missão continua ao longo da vida. Como diz santo Agostinho, “criar os filhos para o céu”. Fazer tudo para que os filhos sejam pessoas plenas. Deus deu a missão e Deus capacita.