O jovem rico

O jovem rico

No evangelho de Marcos, capítulo 10, observamos o diálogo entre Jesus e alguém do povo, que deseja saber o que é preciso fazer para herdar a vida eterna. Uma conversa sobre o sentido da vida. O jovem já está salvo, em graça, pois cumpre todos os mandamentos. Jesus o olha com amor, sabe que ele é rico, mas que lhe falta uma coisa: a generosidade. Para cada um de nós falta alguma coisa para vivermos a generosidade desta entrega a Deus. O que Jesus pediu a mim? Que eu me dedicasse à vida eclesial, constituísse uma família maior, de fé, que me dedicasse a isso. O que Ele pede a você?

Dizem que os ricos não entrarão no reino de Deus. Não é verdade. Jesus era amigo de ricos. Zaqueu era rico, Maria, Marta e Lázaro eram ricos, caso contrário não teriam condições de receber Jesus quando Ele chegasse com seus discípulos para serem alimentados e descansar. Mas Cristo reconhece que é difícil entrar no reino dos céus. “É mais fácil um camelo passar pelo fundo da agulha do que um rico entrar no reino de Deus.”

Jesus devia estar na porta da cidade. Naquele tempo, as cidades eram muradas e o portão de entrada tinha o formato do buraco de uma agulha. Os mercadores, que não perdiam dinheiro, precisavam colocar o camelo dentro da cidade para deixarem suas mercadorias. Era preciso inclinar o camelo para passar pela porta. Para chegar ao reino é preciso se inclinar, como Maria sempre se inclinou. Quando somos muito cheios de nós, do nosso eu, nunca vamos encontrar Deus verdadeiramente porque já estamos repletos de nós mesmos. Deus não pode preencher aquilo que já está cheio.

Ao final, um consolo. Quem pode se salvar? Para os homens, isso é impossível, mas para Deus tudo é possível. Só temos uma vida, muito preciosa. A nossa salvação não está nas obras, mas é dada pelo Pai, só Ele nos dá a salvação e a eternidade. Apesar de nós, Ele continua insistindo. O homem morre uma única vez, não existem outras vidas, mas uma vida além da morte. Por isso nossa vida é muito preciosa, este vaso que carregamos leva nossa frágil alma. Como estamos construindo o presente, qual o sentido que estamos dando à nossa existência preparando para o futuro, para aquilo que vem depois?

Pe Alexandre Fernandes