Um mês com Maria | 20º dia – Santificar as festas de preceito e domingo

Um mês com Maria | 20º dia – Santificar as festas de preceito e domingo

Parece incrível que se deva fazer força para obter dos
cristãos de não trabalhar nos domingos e em festas de guarda para dedicar-se ao
Senhor e à própria alma. Não só, mas o cúmulo é que só se consegue obter o
descanso festivo e a participação à Santa Missa só de uma pequena minoria de
cristãos. Já chegamos a este ponto! Com quais consequências? Aquelas já
previstas pelo Papa Leão XIII: “Não respeitar os domingos, este é o
princípio de todos os males: é a festa apagada, a eternidade esquecida, é Deus
excluído da vida do homem.” É o quadro mundial da sociedade de hoje:
ateísmo, laicismo, materialismo, animalismo. Com o Concílio Vaticano II, o
domingo ficou posto ainda mais em lugar de honra, como o dia do Senhor e o dia
da alegria do homem. Todos os domingos” os fiéis devem reunir-se em assembleia
para ouvir a Palavra de Deus e participar à Eucaristia. O domingo é a festa
primordial que deve ser proposta à piedade dos fiéis, de modo que resulte
também em um dia de alegria e de descanso” (SC, n.106). Todos os domingos,
os cristãos hão de ganhar para a alma, com a nutrição espiritual que recebem da
S. Missa para o corpo, com o descanso que restaura das fadigas da semana. Só
temos a ganhar! O domingo recarrega de energias a alma e o corpo. É um dom de
Deus. É dia de graça. “Este é o dia que o Senhor fez para nós” (Sl
117,24). Por isso, S. Tomás Moro, o Chanceler da Inglaterra, mesmo quando com a
perseguição foi preso, festejava o Domingo, mandando trazer e vestindo os
hábitos da festa para agradar o Senhor.

Todos à Santa Missa

As duas coisas mais importantes das festas são a
participação à Santa Missa e o repouso do trabalho. A participação na Santa
Missa não consiste em estar presente na Igreja durante a celebração, porque os
bancos e as paredes também estão, mas em participar ativa e sentidamente: ativa
no seguir ponto por ponto o desenrolar dela; sentida no unir-se vivamente a
Jesus que se sacrifica no Altar entre as mãos do sacerdote. A participação é
plena se se recebe também a Comunhão, depois de ter devidamente purificado a
alma com o Sacramento da Confissão. É este o Domingo do cristão: Confissão,
Santa Missa e Comunhão. São três tesouros de infinito valor que enriquecem
maravilhosamente a vida da Graça. Em tal modo, o domingo é o “Dia do
Senhor” e a “Festa da Alma”. Muitos cristãos se contentam só com
a Santa Missa. Por quê? Porque estão provados dos dois Sacramentos da Confissão
e Comunhão. E se pode chamar dia do Senhor um domingo sem a Comunhão? Os antigos
cristãos chamavam o domingo também com duas palavras: Dies Panis: Dia do Pão,
porque todos participavam à Santa Missa e recebiam Jesus Eucarístico, Pão do
Céu (cf. Jo 6,41). Não devia ser assim também hoje para todos os cristãos?

É pecado mortal

O dever da Santa Missa festiva é grave. Quem não participa à
Santa Missa festiva comete pecado mortal. Só o caso de grave necessidade ou de
impossibilidade (doença) faz evitar o pecado. Nem vale escutar a Santa Missa
pelos meios de comunicação. Este é um ato de devoção útil a quem está privado
de ir a Igreja. A Santa Missa é o ato comunitário e social por excelência. Por
isto é necessária a presença viva no seio da comunidade. Lembremo-nos sempre:
pela sua importância, a Santa Missa deve ocupar o 1º lugar no domingo. Tudo lhe
deve ser subordinado e condicionado. Quando o Pio Alberto I, Rei da Bélgica,
encontrou-se nas Índias, organizaram-lhe uma esplêndida excursão para o dia de
domingo. O programa foi apresentado ao Rei, que examinou e logo disse:
“Esquecestes um ponto: A Santa Missa. Este antes de mais nada.”
Que lição para tantos de nossos excursionistas, tão prontos em sacrificar a
Santa Missa e em transformar o domingo de “Dia do Senhor” em
“dia do demônio”. Ainda mais edificante é o exemplo que dão alguns simples
fiéis, que enfrentam sacrifícios duros para não perderem a Santa Missa. Uma
senhora deve percorrer a pé diversas horas do caminho; um operário que pode
correr à Santa Missa só às primeiras horas do dia; uma mãe de muitos filhos que
nunca perdeu uma Missa…

O repouso festivo

Para louvar o Senhor, para a Ele dedicar-se, cuidando da
própria alma, é necessária a abstenção do trabalho. Ensina S. Gregório Magno:
“No domingo se deve interromper o trabalho e dar-se à oração, para que as
negligências dos dias precedentes sejam descontadas com a oração deste grande
dia”. Se se pudessem escutar de novo os sermões que S. Cura d’Ars fez por
8 anos contra o trabalho festivo, ficaríamos tocados e comovidos. Dizia o
Santo: “Se perguntamos a quem trabalha no domingo: O que estais fazendo?
Deveria responder: Estou vendendo a alma ao demônio e colocando Jesus na Cruz
de novo, condenando-me ao Inferno”. Próprio naqueles tempos Maria aparecia
nos montes de La Salette e advertia: “O Senhor vos deu seis dias para
trabalhar, reservando-se o 7º, e não o quereis dar. Eis o que faz ficar pesado
o braço Divino”. É possível que temamos de perder, se servimos o Senhor,
observando o seu Mandamento? “Gente de pouca fé! Procurais antes o Reino
de Deus e a sua justiça, e o mais vos virá por acréscimo!” (Mt 6,33). O
pai de S. Terezinha tinha uma ourivesaria. Aberta toda a semana e fechada os
dias festivos. Uma pessoa aconselhou-o a abri-la nos dias que fechava, já que
os camponeses iam nestes dias fazer compras. Até seu confessor o autorizou. Mas
ele não quis. Preferia perder aquele lucro a afastar uma só bênção de Deus
sobre a sua família. E o Senhor o fez enriquecer com os lucros da loja.

É fundamental

Observar o 3º mandamento é fundamental para a vida do
cristão. Frequentar a Igreja, aproximar-se dos Sacramentos, participar à Santa
Missa, ouvir a Palavra de Deus, são alimentos vitais da vida cristã. Privar-se
significa condenar-se à ruína, ao sofrimento eterno. Um venerado Bispo Francês,
ao preparar o seu túmulo, fez esculpir uma pedra com estas palavras:
“Lembrai-vos de santificar as festas, porque só isso me basta. Se os fiéis
me obedecerem, chegarão certamente à salvação. “Tinha razão. Quem
santifica as festas se tem em relação com Deus e fica de domingo sob seu
salutar influxo e chamada. Por isso Pe. Pio, na Confissão, era muito severo ao
fazer respeitar este mandamento, e muitos penitentes tiveram por causa deste
pecado recusada a absolvição, mandados embora bruscamente com um: “Vai
embora, desgraçado!” Maria, Mãe de Jesus e nossa, quer ver ao menos todos
os domingos reunidos em volta do Altar, em volta de Jesus, seus filhos. Ela nos
quer todos os domingos para nos poder ter no Domingo Eterno, que é o Paraíso.

Votos
 – Oferecer o dia em reparação dos
pecados contra o terceiro mandamento;
– Convencer em santificar a festa a
algum dos parentes ou amigos que não santifica;
– Meditar atentamente sobre a Palavra de
Deus no domingo.